16 de janeiro de 2022

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Endividamento é vilão da saúde mental durante a pandemia

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O endividamento é uma das principais causas de depressão no Brasil e pode levar ao suicídio, principalmente de homens
Foto: Marcos Lopes / Secretaria de Comunicação Social

O endividamento tem sido o principal vilão da saúde mental dos brasileiros durante a pandemia da Covid-19, com um recorde de mais de 60 milhões de pessoas na lista de devedores em 2020. Para reverter o quadro, a educadora financeira Renata Mello explica que o primeiro passo é fazer o levantamento de todas as dívidas, com o intuito de negociar com cada um dos credores por ordem de prioridade.
“As dívidas de bens, como parcela de casa e carro, não podem deixar de ser pagas porque o prejuízo é maior em perder esse bem. É necessário enfrentar o medo e fazer uma fotografia real da sua situação, só assim poderá planejar como sair do endividamento”, orienta Renata, que participou nesta terça-feira (22) de uma live sobre educação financeira com o deputado estadual Dr. Gimenez (PV). 
“Falar sobre dinheiro não é sobre dinheiro”, a especialista frisa que assim como entrar nas dívidas levou certo tempo, sair delas requer um roteiro de pagamento e paciência. O mais importante, aliás, é aproveitar o momento de crise para identificar “o gatilho” que levou ao endividamento. “É um fator emocional? É algo comportamental? Porque existe sempre alguma coisa por trás desse comportamento que deve ser identificado e trabalhado”.
Renata é arquiteta, tem 39 anos, e entrou para o serviço público há 12 anos. Como não sabia lidar com o próprio dinheiro e havia muitas facilidades de crédito, ela acabou endividada. O problema se agravou com o divórcio, foi quando decidiu buscar ajuda e estudar sobre o assunto. “Nessa trajetória, aprendi a lidar com meu próprio dinheiro, com minhas emoções e crenças, também descobri meu lado empreendedora”.

A servidora pública e educadora financeira, Renata Mello, tem uma trajetória de superação das dívidas e hoje ensina como “lidar com o dinheiro”
Foto: ROSE DOMINGUES

De endividada a “educadora financeira”, assim a servidora passou a ajudar outras pessoas por meio das ferramentas que ela já dominava e também teve sua primeira “renda extra”. Como já esteve do outro lado e sabe como é não dormir por causa das dívidas, ela ensina que é preciso parar de ceder aos apelos da indústria do marketing. “Antes de comprar responda às cinco perguntas: Eu realmente quero? Eu preciso? Eu devo? Eu mereço? E por fim, eu posso?”. Ainda assim, tem que pesquisar preço e encaixar o “gasto” no planejamento mensal. 
Como a proposta é “reeducar-se”, ela ensina a não ceder ao impulso na hora de tomar decisões financeiras, por isso o cartão de crédito e o cheque especial podem se tornar vilões, pois representam crédito rápido e à disposição. “O cartão é uma forma de pagamento que vem sendo utilizado de forma errada para “elevar o padrão de vida” das famílias, é importante nesse processo repensar tudo, inclusive o padrão de vida e o que é ou não prioridade”.  
Sobre as crianças, Renata propõe a utilização de uma mesada, que pode ser “semanada” ou “quinzenada”, cuja regra pode ser de R$ 1 real/idade/semana. O mais importante não é o valor propriamente, mas aproveitar este momento para ensinar conceitos da educação financeira. “Eu adotei quatro potes que desenvolvem valores positivos sobre o dinheiro: o hoje, o amanhã, a gratidão e o futuro, com isso eles aprendem brincando”. 

Esses são os potes que a especialista adota para a educação financeira das crianças
Foto: ROSE DOMINGUES

Na avaliação do deputado Dr. Gimenez, a palestra on-line foi bastante positiva porque desmistificou inúmeros conceitos sobre o tema que vem gerando o adoecimento da população e inclusive o suicídio, principalmente de homens. “Temos hoje um quadro grave de desemprego, falências e obviamente de dívidas nesta pandemia que precisa ser tratado de maneira preventiva, vamos aprender, compartilhar e divulgar essas informações, podem salvar vidas”. 
Educação financeira nas escolas – A implantação da disciplina com estudantes, conforme estabelece as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), deveria ter se iniciado em dezembro de 2019, mas ainda não é uma realidade na maioria das escolas públicas e privadas do Brasil e de Mato Grosso. A proposta introduz informações importantes como taxas de juros, inflação, aplicações financeiras e impostos. Outro ponto positivo é o estudo interdisciplinar envolvendo as dimensões culturais, sociais, políticas e psicológicas, além da econômica, sobre as questões do consumo, trabalho e dinheiro.
Serviço – A live está disponível on-line no canal do YouTube do deputado: https://m.youtube.com/watch?feature=youtu.be&v=TdjIrGpndwM. Outras informações você tem acesso no Instagram da Renata Mello, onde há conteúdo gratuito sobre educação financeira @reeducandoseudinheiro. 

A live foi mais uma das ações do deputado Dr. Gimenez para a campanha Setembro Amarelo da Assembleia Legislativa
Foto: Rose Domingues Reis / Gabinete do deputado Dr. Gimenez

 

Fonte: ALMT

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