21 de abril de 2021

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Dia nacional do combate ao bullying: como ajudar crianças nesta situação

Pexels/CottoON
O bullying é papo sério e que precisa de atenção

Resumo

As violências sofridas por colegas podem ter sérios problemas e até levar ao suicídio.

Se atentar aos sinais das crianças em casa é fundamental para ajudar os filhos.

Os bullies (quem pratica) também podem ter a saúde mental comprometida e, por isso, praticam essa agressão.

Especialistas comentam como ajudar as crianças que são vítimas do bullying.

Os ambientes frequentados por essas crianças podem não ser tão acolhedores quanto aparentam. Espaços de aprendizado e lazer como escola, clube e cursos de inglês, aulas de artes marciais, dança e outros podem ser locais de práticas de intimidação ou de brincadeiras sem graça, que geram traumas para seus alvos. Estamos falando do bullying .
Em 2019, uma pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostrou que 29% dos adolescentes entrevistados relataram ter sido vítimas de bullying , tendo 23% sofrido também com violência física. Para lidar com o problema, é fundamental o acolhimento da família da criança ou adolescente vítima de bullying. Além disso, os profissionais da escola também devem participar do processo.

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“Se o ato aconteceu na escola, professores e gestores devem ser envolvidos para o melhor entendimento da situação. A escola, por meio desses agentes, deve monitorar e coibir atos de violência, de qualquer natureza, além de dar suporte as vítimas e seus familiares”, diz Thiago Zola, mestre em Educação. 
Zola também ressalta a importância da criança se sentir segura para conversar: “Os pais não devem, em nenhuma hipótese, constranger a criança emitindo juízos acerca de determinadas posturas e ações. Isso faz com que a criança se sinta culpada e se feche”.
Atenção aos sinais 
Nem sempre crianças e adolescentes vítimas de bullying procuram ajuda dos pais ou da escola. Neste caso, é importante que os adultos fiquem atentos a alguns sinais que podem indicar que ela está sofrendo algum tipo de violência psicológica. Observe se a criança sai da escola infeliz, fica introspectiva, se torna mais agressiva, chora por motivos banais e se isola. Essas mudanças no comportamento podem ser sinais de alerta. 
“Estes atos não ocorrem isolados, são praticados constantemente e para quem está sendo atingido fica como um martelo batendo na cabeça e sendo repetido pelo cérebro. A criança ou adolescente não consegue mais ter concentração na escola e em casa, fica o tempo todo pensando no que escuta, ou sente”,  explica a psicopedagoga Sueli Conte.

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A psicanalista Andréa Ladislau explica que esses sinais podem variar conforme a idade da criança. Segundo a profissional, crianças menores se sentem mais acuadas, evitam contato com outras crianças e podem apresentar dificuldades para alimentação e distúrbios do sono, chegando até a ter pesadelos. Isso ocorre pela criança ainda não ter condições de manifestarem e expressarem seus sentimentos. 
“O bullying muitas vezes é invisível aos olhos de professores, cuidadores e monitores. O “bully”, ou o “valentão” responsável pelas agressões, geralmente é covarde e age apenas quando se sente seguro. Não pode faltar atenção às nuances de comportamento dos filhos. Em alguns casos, quando as agressões são físicas, é possível encontrar marcas. A investigação deve ser constante, mas sem constranger a criança”, diz Zola. 
Bullying e saúde mental 
O bullying está totalmente ligado a saúde mental das vítimas. Tanto os bullies (quem pratica a violência), quanto as vítimas podem ter a saúde mental comprometida. Ladislau explica que o bullying pode ser feito por valentões sofrerem emocionalmente no passado e passaram a utilizar a violência para extravasar essas emoções, para sair da posição de vítima.
Já a vítima do bullying pode ter a autoestima abalada, se sentir desvalorizada e humilhada, podendo desenvolver problemas como insônia, pensamentos autodepreciativos, dificuldade nos relacionamentos e episódios de depressões mais severos.
Como explica a psicóloga Bruna Richter: “Como o sujeito que pratica o bullying escolhe aqueles que são mais vulneráveis para praticar sua ação, há um grande número de crianças que sucumbem à agressão. Depressão, ansiedade e pânico são apenas alguns dos inúmeros transtornos que podem emergir pela repetição e exposição prolongada a esse tipo de agressão”.
A profissional reforça a importância de conversar com a criança, para fortalecer os vínculos de afeto para auxiliarmos no desenvolvimento de sua saúde mental. Porém, dependendo da gravidade do problema é recomendado procurar ajuda de um profissional qualificado.
Se o seu filho for um bullie, é importante desenvolver nesta criança a habilidade de ter empatia. “Isso só é possível em um ambiente seguro em que a criança consiga se expressar. Proporcionar reflexões, promover vivências significativas que permitam a essa criança o exercício dessa habilidade, tão importante e pouco praticada”, explica Zola. 
Sueli também explica que a criança precisa ser orientada sobre seus comportamentos e solicitar a ajuda da escola ou de um psicólogo. “Existe um buraco emocional que o impede de ser feliz de outra maneira, que não o deixa perceber como é difícil ser humilhado. Assim, ele também está passando por uma situação de desconforto e estas sensações devem ser tratadas com paciência”, conclui. 

Fonte: IG Mulher

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