8 de dezembro de 2021

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Classe D usou menos os serviços de proteção contra violência durante a pandemia

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No Brasil, houve aumento de violência durante a pandemia

As medidas de isolamento social necessárias para conter o avanço da pandemia no Brasil geraram uma série de impactos na sociedade e um desses impactos ocorreu dentro dos lares das famílias. O medo e a incerteza em relação à crise sanitária e a mudança de rotina tornaram os ambientes mais estressantes e contribuíram para o aumento da violência doméstica .
No ano passado o Fundo de População das Nações Unidas estimava que, para cada 3 meses de quarentena, era esperado o acréscimo de 15 milhões de casos de violência doméstica contra as mulheres. No Brasil, um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostra que houve um aumento do número de agressões dentro de casa, que passou de 42% para 48,8%.

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Neste contexto, a pesquisa “Primeiríssima infância Comportamentos de pais e cuidadores de crianças de 0 a 3 anos em tempos de Covid-19 – interações na pandemia, idealizada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, traz dados sobre o acesso a serviços de prevenção à violência. Em todas as classes sociais ele ficou abaixo dos15%. O estudo foi feito em março desse ano sob consultoria da Kantar e contou com a participação de 1036 cuidadores – pais, mães, avôs, avós, tios, tias ou outros parentes – de todo o Brasil.
Enquanto 14% dos respondentes das classes A/B1 reportaram atendimento de serviços de prevenção de violência, como Conselho Tutelar e Ministério Público, apenas de 8% e 6% o fizeram nas classes mais baixas (B2 Interior e D, respectivamente). Uma das hipóteses para o índice é a dificuldade de acesso ou desconhecimento dessas políticas por parte da população.
Outra possibilidade para esse indicador pode estar relacionada aos programas de visitação. O estudo observou que o acesso a programas de visitação domiciliares, que podem ajudar as famílias a conhecerem os serviços e apoiá-las nos casos de violência, além de contribuírem para outros fatores de desenvolvimento da criança, ficou em 20% em todas as classes sociais.
“Os visitadores domiciliares, muitas vezes, são o único canal de comunicação e informações das famílias em situação de vulnerabilidade. Cabe a eles, assim, apoiar na articulação com outros setores da assistência social, da educação e da saúde para o atendimento adequado de demandas que impactam diretamente no bem-estar da criança e de toda a família. Assim, verifica-se a necessidade de fortalecer o acesso a esses programas de visitação, principalmente nas classes em maior vulnerabilidade”, explica Elisa Altafim, líder de portfólio da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

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Recentemente, a instituição, em parceria com A Fundação Bernard Van Leer, lançou a publicação Parentalidade: práticas de visitadores adaptadas à pandemia. O documento visa a registrar, reconhecer e disseminar boas ações de equipes que trabalham diretamente com a população, próximas às famílias mais vulneráveis do nosso país, durante esse momento de pandemia.
Impactos no desenvolvimento infantil
Segundo Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, o acesso restrito a programas preventivos somado ao aumento da violência doméstica pode comprometer o desenvolvimento das crianças. “Os efeitos da violência doméstica no desenvolvimento infantil são múltiplos. Presenciar ou vivenciar atos violentos são fontes de estresse tóxico para a criança e pode levar a situações de ansiedade, depressão e até queda de imunidade. Já nas grávidas, a violência pode comprometer o desenvolvimento do feto”, conta.
A especialista alerta que o fechamento das unidades educativas, em março do ano passado, pode ter contribuído para a dificuldade de identificação de casos. “Muitas vezes a escola atua como um fator protetivo. Além disso, sem aulas, as crianças passam mais tempo em casa e podem ser expostas mais facilmente à violência e à negligência familiar”, finaliza.
Vale ressaltar que, na primeira infância, a criança aprende e se desenvolve a partir de suas experiências. Nesse sentido, os primeiros momentos da vida de uma criança são importantes e têm repercussões que podem durar a vida toda.
Esse período de desenvolvimento cumpre um papel decisivo na capacidade da criança aprender, adaptar-se às mudanças e demonstrar resistência em situações difíceis. À medida que o cérebro se desenvolve, as conexões neurais vão se formando e se modificando em resposta às experiências positivas e negativas.

Fonte: IG Mulher

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