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Entenda o escândalo de corrupção que afastou vereadores em Cuiabá

Uma operação policial em Cuiabá afastou vereadores da Câmara Municipal sob suspeita de corrupção envolvendo propina em obra pública. A investigação aponta indícios de pagamentos ilícitos e um possível esquema maior no legislativo local.

Publicado em

Corrupção na Câmara de Cuiabá
A Operação Perfídia investiga suposto esquema de corrupção envolvendo vereadores da Câmara Municipal de Cuiabá.

A Operação Perfídia, deflagrada pela Polícia Civil, expôs um possível esquema de corrupção na Câmara Municipal de Cuiabá, culminando no afastamento dos vereadores Chico 2000 (PL) e Sargento Joelson (PSB). A juíza Edna Ederli Coutinho, do Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo), apontou seis indícios que sustentam a investigação sobre o recebimento de propina na casa legislativa.

Entenda o caso

Os dois parlamentares são acusados de receber uma quantia expressiva, R$ 250 mil, da empreiteira HB20. Essa empresa era a responsável pela obra do Contorno Leste, um projeto com um orçamento total de R$ 125 milhões na capital mato-grossense. A suspeita é que esse pagamento ilícito tinha como objetivo garantir a aprovação de um projeto de lei que permitiria o parcelamento de dívidas tributárias, o que beneficiaria diretamente a HB20.

A operação policial não apenas afastou os vereadores de seus cargos, mas também resultou no bloqueio de seus bens e na proibição de frequentarem as dependências da Câmara Municipal. Além disso, ambos estão impedidos de manter contato com testemunhas e servidores da Câmara e não podem deixar a cidade sem a devida autorização judicial.

Os seis pilares da investigação

A decisão judicial que autorizou a Operação Perfídia detalha os seis principais indícios que, na visão da juíza, comprovam o suposto esquema de corrupção:

1. A Denúncia que abriu as portas da investigação

Tudo começou com uma denúncia formal apresentada pelo então deputado federal Abilio Brunini. Essa denúncia veio acompanhada de provas contundentes, como áudios, imagens e comprovantes de transferências financeiras. Esse material inicial revelou negociações consideradas suspeitas entre o vereador Sargento Joelson e João Jorge Souza Catalan Mesquita, um funcionário da empreiteira HB20.

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2. A confissão detalhada: o que disse o funcionário da HB20?

O depoimento de João Jorge Souza Catalan Mesquita foi crucial para o avanço da investigação. Ele não apenas confirmou a solicitação de propina por parte dos vereadores, mas também descreveu como os pagamentos foram realizados. Em seu relato, ele afirmou que foi levado pessoalmente por Joelson ao gabinete de Chico 2000, onde as negociações teriam ocorrido.

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3. O relatório técnico

Embora os detalhes específicos não tenham sido divulgados, a juíza menciona em sua decisão a existência de um relatório técnico. Esse documento, segundo a magistrada, oferece um embasamento técnico que fortalece as suspeitas já existentes contra os vereadores.

4. R$ 250 Mil em evidências: os rastros dos pagamentos

O depoimento de João Jorge também trouxe à tona detalhes sobre a forma como a propina teria sido entregue. Ele relatou ter repassado R$ 150 mil através de transferências Pix para um intermediário e outros R$ 100 mil em dinheiro vivo diretamente a Joelson, dentro da própria Câmara de Cuiabá. A análise de dados telemáticos teria corroborado a consistência dessas informações.

5. Câmeras como testemunhas: as imagens da Casa Legislativa

A Polícia Civil realizou buscas e apreensões nos gabinetes dos vereadores e coletou as gravações das câmeras de segurança da Câmara Municipal. O objetivo era confirmar os encontros e movimentações tidas como suspeitas entre agosto de 2023 e agosto de 2024. Essas imagens podem ser peças-chave para entender a dinâmica dos encontros e possíveis entregas de valores.

6. A divisão da propina: um esquema maior?

Um ponto delicado revelado na decisão judicial é a declaração de que o vereador Sargento Joelson teria afirmado ao intermediário João Jorge que o valor recebido não seria apenas para ele e Chico 2000. Segundo essa declaração, parte da quantia seria destinada a outros parlamentares com o objetivo de garantir o quórum necessário para a aprovação do projeto de parcelamento das dívidas. Essa informação sugere que o esquema de corrupção poderia envolver mais pessoas dentro da Câmara.

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Bens bloqueados e o risco à investigação

Diante dos indícios apresentados, a juíza Edna Ederli Coutinho determinou o sequestro de diversos bens ligados aos vereadores e ao empresário José Márcio da Silva Cunha, apontado como intermediário na negociação. Foram bloqueados nove veículos, quatro imóveis e a quantia de R$ 250 mil. Essa medida visa garantir o ressarcimento de possíveis danos ao erário e impedir que os suspeitos utilizem seu patrimônio para obstruir a justiça.

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A magistrada justificou o afastamento dos vereadores de seus cargos como uma medida essencial para evitar que eles continuassem utilizando a estrutura da Câmara Municipal para a prática de atos ilícitos e para garantir a integridade da investigação. Nas palavras da juíza, “a suspensão do exercício da função pública, portanto, é medida imprescindível para afastar esse risco e garantir a lisura da investigação”.

O impacto no legislativo cuiabano

A presidente da Câmara de Cuiabá, Paula Calil, manifestou seu pesar diante dos acontecimentos. Ela ressaltou que, apesar de a operação ter como foco os dois vereadores afastados, a situação acaba por impactar a imagem de todo o Poder Legislativo municipal.

Próximos passos: a investigação continua

A Operação Perfídia segue em andamento, e a expectativa é que novas informações e provas possam surgir à medida que as investigações se aprofundam. O caso lança luz sobre a importância da fiscalização e do combate à corrupção em todos os níveis do poder público.

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CÂMARA MUNICIPAL DE CUIABÁ

Comissão especial realiza reunião e segue acompanhando investigação de suposto assédio

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Camile Souza | SECOM Câmara Municipal de Cuiabá
A Comissão Especial de acompanhamento ao caso de suposto assédio cometido por um ex-servidor da Prefeitura de Cuiabá realizou, na tarde desta quinta-feira (12), reunião de trabalho na Câmara Municipal. O colegiado é composto pelas vereadoras Dra. Mara (Podemos), Michelly Alencar (União Brasil) e Maria Avalone (PSDB).
Durante o encontro, as parlamentares discutiram os próximos encaminhamentos da comissão e reforçaram que o grupo segue acompanhando as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
A presidente da comissão, vereadora Dra. Mara, informou que, com o avanço das investigações, a expectativa é que na próxima semana sejam enviados convites para que a vítima e o suspeito possam prestar esclarecimentos à comissão.
“Nós estamos acompanhando as investigações, e provavelmente na próxima semana já teremos uma conclusão da Polícia Civil e faremos convites à vítima e ao suspeito para que a gente possa encerrar junto essa comissão de forma concreta, dando respostas à população”, afirmou a parlamentar.
A vereadora por Cuiabá Michelly Alencar destacou que a comissão especial representa um instrumento importante do Poder Legislativo para acompanhar denúncias dessa natureza.
Segundo a parlamentar, esta é a primeira vez que a Câmara Municipal cria uma comissão com esse formato para tratar de um caso relacionado a suposto assédio.
“A comissão é um instrumento legal do Legislativo que tem a possibilidade de receber esse tipo de denúncia. A investigação parlamentar de inquérito, que é a CPI, não é o foro adequado para casos como violência sexual. Essa é a primeira vez que esta Casa criou uma comissão especial e que a população sabe que a gente pode acompanhar casos como esse com total responsabilidade e transparência.”
Michelly também ressaltou que a iniciativa ocorre em um momento histórico para o Legislativo cuiabano, que conta atualmente com a maior legislatura feminina da história da Câmara.
 
Canal de denúncias
Outro ponto discutido durante a reunião foi a criação de um canal de denúncias, que será lançado em parceria com a Procuradoria da Mulher da Câmara de Cuiabá. A ferramenta será voltada ao atendimento de munícipes, servidores e qualquer pessoa que necessite registrar denúncias ou buscar orientação.
O canal já está disponível por meio do número (65) 99918-6507, que será divulgado pela Câmara Municipal para facilitar o acesso das vítimas e garantir que denúncias possam ser registradas com segurança.
“É importante dizer que um dos pontos fundamentais de deliberação desta Comissão foi o canal criado para denúncias. A Câmara vai liberar para todos e divulgar qual é o número. Então, todas as mulheres que tiverem uma denúncia a fazer, que não estavam se sentindo seguras ou à vontade, este canal será um meio onde essa vítima poderá fazer a sua denúncia, terá um acompanhamento adequado e todo o aparato de segurança da sua denúncia resguardado também”.
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