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Guerras globais elevam risco jurídico no agronegócio e pressionam crédito rural no Brasil

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As guerras em curso no cenário internacional — como os conflitos envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, além da guerra entre Rússia e Ucrânia — já não se restringem às fronteiras geopolíticas. Seus efeitos avançam sobre a economia global e chegam diretamente ao agronegócio brasileiro, elevando custos, pressionando o crédito e ampliando riscos jurídicos no setor.

A análise é do advogado Daniel de Souza, do escritório Reis Advogados, que destaca como a instabilidade internacional tem impacto direto na estrutura financeira e contratual da cadeia produtiva do agro.

Crédito rural mais caro e aumento da inadimplência no campo

Segundo o especialista, o primeiro reflexo das tensões globais aparece no crédito rural, base essencial para o financiamento da produção agrícola.

Instituições financeiras passam a adotar critérios mais rígidos de concessão, diante da volatilidade dos mercados internacionais. Com isso, o crédito se torna mais caro, mais restrito e mais arriscado para produtores rurais.

O efeito prático é o aumento da inadimplência, a elevação dos pedidos de alongamento de dívidas e o crescimento expressivo das recuperações judiciais no setor, que se aproximaram de dois mil casos em 2025.

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Para Daniel de Souza, esse movimento indica uma mudança estrutural no perfil de risco do agronegócio, que passa a operar sob pressões externas cada vez mais intensas e imprevisíveis.

Fertilizantes e diesel ampliam impacto das guerras no custo de produção

Um dos pontos mais sensíveis destacados pelo especialista é o custo de produção no campo, fortemente influenciado por insumos importados.

O Brasil depende de cerca de 90% de fertilizantes minerais vindos do exterior, parte significativa oriunda de regiões afetadas por conflitos geopolíticos. Essa dependência torna o setor vulnerável a rupturas logísticas, restrições comerciais e alta de preços.

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Situações como o fechamento de rotas estratégicas, incluindo o Estreito de Ormuz, contribuem para a instabilidade na oferta global e impactam diretamente o custo dos insumos agrícolas.

O mesmo ocorre com o diesel, considerado o principal combustível do agronegócio, essencial não apenas para operações no campo, mas para toda a cadeia logística até a exportação. A elevação do preço do combustível, segundo a análise, afeta imediatamente a rentabilidade das operações.

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Pressão financeira amplia pedidos de recuperação judicial no agro

O conjunto de fatores — aumento de custos, volatilidade internacional e encarecimento do crédito — resulta em deterioração da capacidade de pagamento dos produtores.

Esse cenário tem reflexo direto no aumento dos pedidos de recuperação judicial, que vêm crescendo de forma consistente e elevam o nível de estresse no sistema financeiro ligado ao agronegócio.

Para o especialista, a tendência reforça a necessidade de respostas jurídicas mais rápidas e eficientes para evitar que crises de liquidez se transformem em colapsos produtivos.

Direito ganha protagonismo e exige revisão de instrumentos tradicionais

Na avaliação de Daniel de Souza, o atual contexto exige uma reinterpretação de instrumentos jurídicos clássicos, especialmente nos contratos agrários e financeiros.

Conceitos como teoria da imprevisão e onerosidade excessiva passam a ter maior relevância diante de choques globais que alteram profundamente a base econômica dos contratos.

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O especialista defende que não se trata de flexibilizar obrigações, mas de reconhecer que eventos geopolíticos podem comprometer a previsibilidade das relações econômicas.

Recuperação judicial e segurança jurídica precisam de modernização

Outro ponto destacado é a necessidade de evolução dos mecanismos de reestruturação empresarial no campo.

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Segundo a análise, o modelo atual de recuperação judicial muitas vezes é acionado tardiamente, o que reduz sua eficácia. Instrumentos mais preventivos e menos estigmatizantes poderiam preservar a atividade produtiva antes da deterioração completa da empresa rural.

Além disso, o aumento da litigiosidade em momentos de crise reforça a importância da segurança jurídica como fator essencial para manter a estabilidade dos contratos no agronegócio.

Dependência externa e políticas públicas entram no debate

O artigo também aponta que os impactos jurídicos das guerras estão diretamente ligados a questões estruturais da economia brasileira.

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A dependência de fertilizantes importados e a vulnerabilidade da matriz energética são fatores que ampliam a exposição do agro a choques externos. Para o especialista, políticas públicas voltadas à produção nacional de insumos e à estabilidade energética são fundamentais para reduzir riscos futuros.

Agro brasileiro enfrenta risco sistêmico em cenário global instável

Por fim, Daniel de Souza conclui que o agronegócio brasileiro, embora seja um dos principais motores da economia nacional, está cada vez mais exposto a variáveis internacionais fora de seu controle.

Quando conflitos globais chegam ao campo, os impactos vão além dos custos de produção: afetam o crédito, ampliam a insegurança jurídica e aumentam o risco sistêmico do setor.

O desafio, segundo o especialista, é construir respostas jurídicas e institucionais capazes de preservar a competitividade e a estabilidade de um dos pilares da economia brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Biometano impulsiona nova fonte de receita no agronegócio e acelera expansão de usinas no Brasil

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O aproveitamento de resíduos do agronegócio como fonte de energia renovável está ganhando escala no Brasil e abrindo uma nova frente de monetização para o campo. O biometano produzido a partir de dejetos da suinocultura passa a ser tratado como um ativo estratégico, capaz de gerar energia, fertilizantes e créditos ambientais.

Esse movimento marca o avanço da chamada “terceira safra” do agro, em que resíduos deixam de ser passivos ambientais e passam a compor novas cadeias de valor.

Primeira usina certificada marca avanço do setor na América Latina

Em Campos Novos (SC), foi inaugurada a primeira usina da América Latina dedicada à produção de biometano a partir de dejetos suínos com certificação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. O empreendimento recebeu investimento superior a R$ 60 milhões e é considerado um marco para o setor de bioenergia no país.

O projeto é operado pela H2A Bioenergia e representa a transição do modelo tradicional de gestão de resíduos para uma estrutura de produção energética integrada ao agronegócio.

Modelo integra produtor rural e indústria energética

A proposta da empresa se baseia em um sistema de parceria com o produtor rural. Nesse formato, o produtor fornece a matéria-prima — os dejetos da suinocultura — enquanto a companhia entra com tecnologia, engenharia e gestão operacional.

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O resultado é a criação de uma nova fonte de receita no campo, com participação direta do produtor na geração de valor a partir da venda de biometano e de ativos ambientais associados, como créditos de descarbonização.

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Segundo a empresa, o modelo reforça a previsibilidade de receita, já que a produção de biometano não depende de condições climáticas, ao contrário das culturas agrícolas tradicionais.

Expansão prevê R$ 2,9 bilhões em investimentos

Com a consolidação do primeiro projeto, a H2A Bioenergia projeta um plano de expansão robusto, estimado em R$ 2,9 bilhões nos próximos cinco anos. A meta é implantar 22 novas usinas no Brasil e em outros países da América Latina.

O avanço deve consolidar um novo polo da indústria energética dentro do agronegócio, ampliando a geração descentralizada de energia renovável e fortalecendo a integração entre produção animal e sustentabilidade.

Novas unidades já estão em desenvolvimento

Após a operação da planta de Campos Novos, a empresa prevê a entrada em funcionamento da unidade de Rio Verde (GO) ainda este ano. Já para 2026, está programada a operação de uma nova usina em Ponta Grossa (PR).

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Em Santa Catarina, estado com forte presença da suinocultura, também avançam projetos de licenciamento em municípios estratégicos como Papanduva e Videira. A estratégia é formar polos regionais de produção de biometano a partir do agronegócio, ampliando a eficiência energética e a geração de valor no campo.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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