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AGRONEGÓCIO

União Europeia impõe nova barreira sanitária e frigoríficos brasileiros correm risco de perder US$ 2 bilhões em exportações

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O setor frigorífico brasileiro terá pouco mais de dois meses para se adequar a uma das mais rigorosas exigências sanitárias já impostas pela União Europeia. A partir de 3 de setembro, o bloco europeu passará a exigir comprovação integral da ausência de antimicrobianos em produtos de origem animal exportados ao mercado europeu.

A medida pode impactar diretamente até US$ 2 bilhões em exportações brasileiras, segundo estimativas baseadas em dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Mais do que um desafio sanitário, especialistas alertam que o novo cenário representa uma transformação jurídica e documental em toda a cadeia produtiva da proteína animal.

Falha documental pode bloquear exportações

Segundo André Aidar, sócio e Head de Direito do Agronegócio do escritório Lara Martins Advogados, o principal risco não está apenas no controle sanitário, mas na capacidade de comprovar tecnicamente a conformidade exigida pela União Europeia.

De acordo com o especialista, a nova regulamentação desloca o foco da análise do produto final para toda a governança documental da cadeia produtiva, exigindo rastreabilidade completa desde a origem dos animais até os protocolos veterinários adotados.

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Na prática, frigoríficos e exportadores precisarão apresentar registros auditáveis e integrados capazes de comprovar o histórico de medicamentos utilizados, origem dos insumos, identificação dos lotes e cumprimento dos padrões sanitários internacionais.

Erros considerados comuns no setor, como divergências entre registros do produtor e do frigorífico, falhas de identificação de lotes e lacunas temporais na rastreabilidade, poderão inviabilizar embarques ao mercado europeu.

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Auditoria interna vira prioridade no setor

Com a proximidade da entrada em vigor da norma, especialistas recomendam que frigoríficos iniciem imediatamente auditorias internas de rastreabilidade e compliance sanitário.

O objetivo é identificar quais fornecedores já possuem estrutura documental adequada para atender às exigências europeias e quais precisarão passar por ajustes operacionais e jurídicos.

A preocupação é ainda maior entre pequenos e médios produtores integrados às cadeias exportadoras, já que eventuais falhas de um único elo podem comprometer juridicamente toda a operação de exportação.

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Contratos do agronegócio passam por revisão urgente

A adaptação à nova regra da União Europeia já está provocando mudanças nos contratos do agronegócio brasileiro.

Segundo Aidar, três movimentos jurídicos ganharam prioridade dentro das empresas exportadoras:

  • Inclusão de cláusulas robustas de compliance sanitário;
  • Implantação de mecanismos contínuos de due diligence;
  • Integração entre áreas jurídica, qualidade, exportação e ESG.

As novas cláusulas exigem dos fornecedores manutenção permanente de registros auditáveis e conformidade com protocolos sanitários internacionais.

Além disso, frigoríficos passam a depender cada vez mais de redes de fornecedores plenamente rastreáveis e juridicamente auditáveis, elevando os custos operacionais e exigindo maior profissionalização da cadeia.

Pequenos produtores podem ser excluídos

O setor também teme impactos sobre produtores de menor porte, que podem enfrentar dificuldades para cumprir todas as exigências documentais e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

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Sem investimentos em rastreabilidade, governança e gestão documental, parte desses fornecedores corre risco de exclusão das cadeias exportadoras de maior valor agregado.

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A tendência é de aumento da seletividade por parte dos frigoríficos exportadores, priorizando fornecedores com estrutura técnica e jurídica mais consolidada.

Debate sobre barreiras comerciais ganha força

A nova exigência europeia também reacendeu discussões sobre possíveis barreiras comerciais não tarifárias contra produtos agropecuários brasileiros.

O tema ganhou ainda mais relevância após os recentes avanços nas negociações envolvendo o acordo Mercosul-União Europeia.

Especialistas reconhecem que a União Europeia possui legitimidade para ampliar exigências de proteção ao consumidor. No entanto, existe preocupação sobre eventual aplicação discriminatória das regras, o que poderia abrir espaço para questionamentos junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Apesar disso, o setor avalia que disputas internacionais costumam ser demoradas, enquanto os impactos comerciais são imediatos.

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Diante desse cenário, a estratégia considerada mais eficiente no curto prazo é acelerar a adaptação regulatória, fortalecer os sistemas de rastreabilidade e revisar urgentemente contratos e protocolos de compliance em toda a cadeia da proteína animal brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Déficit em conta corrente do Brasil supera expectativas em abril, aponta Banco Central

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O Brasil registrou em abril um déficit em transações correntes acima das expectativas do mercado, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira. Apesar do resultado negativo nas contas externas, o país apresentou forte entrada de investimentos estrangeiros diretos, sinalizando manutenção do interesse internacional pela economia brasileira.

De acordo com o Banco Central, o déficit em transações correntes somou US$ 1,765 bilhão em abril. O resultado ficou muito acima da projeção de analistas consultados pela Reuters, que estimavam saldo negativo de US$ 200 milhões para o período.

No acumulado de 12 meses, o déficit em conta corrente alcançou o equivalente a 2,66% do Produto Interno Bruto (PIB). Em abril de 2024, o saldo negativo havia sido de US$ 1,636 bilhão.

Investimento estrangeiro direto supera projeções

Apesar do avanço do déficit externo, os investimentos diretos no país apresentaram desempenho robusto. Em abril, a entrada líquida de Investimento Estrangeiro Direto (IED) atingiu US$ 8,912 bilhões.

O volume ficou bem acima das expectativas do mercado, que projetavam US$ 5,4 bilhões, e também superou o registrado no mesmo mês do ano passado, quando os aportes somaram US$ 5,371 bilhões.

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O resultado reforça a percepção de continuidade do fluxo de capital estrangeiro para setores estratégicos da economia brasileira, mesmo em um ambiente global ainda marcado por incertezas fiscais e monetárias.

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Conta de renda primária amplia rombo

Entre os componentes das contas externas, a conta de renda primária foi um dos principais fatores de pressão sobre o resultado consolidado de abril.

O déficit nessa conta chegou a US$ 6,801 bilhões, acima do rombo de US$ 5,018 bilhões observado em abril de 2024. A conta de renda primária reúne principalmente despesas com juros, lucros e dividendos enviados ao exterior.

Já o déficit na conta de serviços também apresentou crescimento. O saldo negativo ficou em US$ 5,044 bilhões no mês, frente aos US$ 4,091 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Superávit comercial ajuda a reduzir pressão externa

Por outro lado, a balança comercial brasileira teve desempenho positivo e ajudou a conter uma deterioração ainda maior das contas externas.

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Em abril, o superávit comercial alcançou US$ 9,707 bilhões, resultado superior aos US$ 6,957 bilhões registrados no mesmo mês de 2024.

O avanço das exportações e o saldo favorável do comércio exterior seguem sendo fatores importantes para o equilíbrio das contas brasileiras, especialmente diante do aumento das despesas com serviços e remessas de renda ao exterior.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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