AGRONEGÓCIO
Granja em SP Usa Inteligência Artificial e Conta 140 Mil Ovos por Dia com 99,9% de Precisão
Inteligência Artificial Revoluciona Produção de Ovos
A Granja São Marcos, localizada em Mogi-Guaçu (SP), alcançou novo patamar de produtividade e eficiência após implementar tecnologias de inteligência artificial (IA) da empresa ALLTIS. Com produção diária de 140 mil ovos — equivalente a 4,7 milhões por mês — a granja estima ganhos operacionais de até 90%, graças ao monitoramento digital de indicadores essenciais, como temperatura, consumo de água, volume de ração nos silos, taxas de mortalidade e bem-estar animal.
A granja, que comercializa ovos orgânicos e caipiras livres de antibióticos sob a marca Naturegg, integra hoje 170 mil aves distribuídas para seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.
Digitalização e Eficiência na Gestão
O diretor comercial da Naturegg, Matheus Teixeira, explica que a tecnologia permitiu transformar informação em decisão. “Antes, não conseguíamos processar todos os dados gerados diariamente. Agora, conseguimos agir antes que o impacto aconteça, com maior agilidade e segurança na gestão”, afirma.
O sistema da ALLTIS atua em quatro frentes principais:
- Sense: monitoramento ambiental;
- Aqua: controle do consumo de água;
- Domo: gestão automática de silos;
- EggTag: contagem de ovos por inteligência artificial, com 99,9% de precisão.
Segundo o gerente da granja, Tailisom Silva, o controle digital reduz riscos e aumenta a precisão: “Antes, os funcionários precisavam subir em 21 silos para verificar o estoque de ração. Agora, todo o controle é feito pelo celular, com alertas e previsões de consumo.”
Sustentabilidade e Rastreabilidade como Diferenciais
Para André Aquino, sócio e COO da ALLTIS, o acesso a dados confiáveis em tempo real é fundamental para rastreabilidade e sustentabilidade, permitindo decisões rápidas e embasadas.
“O exemplo da São Marcos mostra que a tecnologia não apenas aumenta a produtividade, mas também reduz gargalos e perdas, tornando toda a operação mais eficiente”, afirma Mauricio Graziani, diretor executivo da MCassab Nutrição e Saúde Animal, parceira da ALLTIS.
Próximos Passos e Inovações
A granja pretende avançar ainda mais na digitalização, com projetos de automação da contagem de ovos por tamanho e coloração, o que deve reduzir erros humanos e fornecer dados detalhados para otimizar o manejo.
Matheus Teixeira reforça a importância da inovação: “A tecnologia simplifica processos, reduz perdas e dá clareza para agir. Quem não se adaptar ficará para trás.”
Conclusão
A experiência da Granja São Marcos evidencia como a inteligência artificial está transformando a avicultura, integrando sustentabilidade, eficiência e rastreabilidade, e mostrando que digitalização e inovação são essenciais para o crescimento do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Soja lidera geração de renda no campo e reforça dependência brasileira das commodities
A agricultura brasileira continuou altamente concentrada em poucas culturas em 2025. Dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgados pelo IBGE, mostram que a soja manteve ampla liderança no valor de produção, seguida por açúcar e milho, consolidando o protagonismo das commodities no desempenho econômico do agronegócio nacional.
Sozinha, a soja gerou R$ 260,2 bilhões em valor bruto de produção no ano passado — um montante superior ao de várias cadeias produtivas somadas e mais que o dobro da segunda colocada. O açúcar aparece em seguida, com R$ 105 bilhões, impulsionado pelo mercado internacional e pela rentabilidade do setor sucroenergético. O milho completa o grupo principal, com R$ 88,1 bilhões, sustentado pela demanda interna de ração animal e pelas exportações crescentes.
O levantamento mostra que o topo da renda agrícola brasileira está cada vez mais associado a produtos voltados ao mercado externo. O café, quarto colocado com R$ 69,2 bilhões, mantém posição tradicional como cultura de maior valor agregado, enquanto o algodão, com R$ 31,3 bilhões, consolidou-se como uma das cadeias mais competitivas do país, apoiada em produtividade elevada e forte demanda da indústria têxtil internacional.
Na sequência aparecem laranja (R$ 28,5 bilhões), arroz (R$ 22,3 bilhões) e mandioca (R$ 18,1 bilhões). Diferentemente dos grãos, essas culturas possuem maior participação no abastecimento interno e renda regional. A banana gerou R$ 16,1 bilhões e o cacau, R$ 15,3 bilhões, impulsionado pela valorização global do produto. Fecham o ranking fumo e feijão, ambos com R$ 12,2 bilhões.
O resultado evidencia um padrão estrutural: poucas cadeias concentram grande parte da riqueza agrícola, enquanto culturas alimentares essenciais mantêm importância social e regional, mas participação menor no valor econômico total.
A liderança da soja, por sua vez, vai além do território nacional. Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil também ocupa a primeira posição mundial na safra 2024/25, com produção estimada em 171,5 milhões de toneladas, bem à frente dos Estados Unidos, com 119 milhões, e da Argentina, com 51,1 milhões.
O ranking global confirma a concentração da oferta nas Américas. Brasil, Estados Unidos, Argentina, Paraguai, Canadá e Uruguai respondem pela maior parte da produção mundial do grão, o que transforma a região em eixo central da segurança alimentar internacional, especialmente no fornecimento de proteína vegetal para ração animal.
A predominância da soja ajuda a explicar o peso do agronegócio na economia brasileira. O grão participa diretamente das exportações, do equilíbrio da balança comercial e da formação de renda em diversas regiões do país. Ao mesmo tempo, aumenta a sensibilidade do setor a fatores externos, como preços internacionais, câmbio e clima.
Isan Rezende
DEPENDENCIA – Os dados da PAM indicam que o agronegócio segue forte, mas também mais dependente de mercados consolidados. Em anos de preços elevados, a renda cresce rapidamente; em ciclos de baixa, o impacto se espalha por toda a economia rural. Nesse contexto, a liderança da soja representa ao mesmo tempo a principal força do campo brasileiro e sua maior vulnerabilidade econômica.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a discussão sobre financiamento no campo já não envolve apenas juros, mas o modelo produtivo que o Brasil pretende adotar nos próximos anos.
“O levantamento do IBGE confirma algo que o setor já percebe no dia a dia: o agro brasileiro é extremamente eficiente, mas ainda muito concentrado. Quando três ou quatro culturas respondem pela maior parte da renda agrícola, o produtor e a economia ficam mais expostos à volatilidade internacional de preços e câmbio”, comentou.
“Não se trata de reduzir a importância da soja, do milho ou do açúcar, que são pilares da nossa competitividade global. O desafio agora é avançar para a próxima etapa, que é agregar valor. O Brasil exporta muito grão, mas ainda exporta pouca transformação industrial. Cada tonelada que sai in natura representa renda, mas poderia representar emprego, tributo e estabilidade econômica se fosse processada aqui”, defendeu Rezende.
“Por isso, políticas públicas voltadas à industrialização do agro e à diversificação produtiva são estratégicas. Incentivar bioindústria, proteína animal, biocombustíveis e processamento de alimentos reduz a dependência das commodities e protege o produtor das oscilações externas. O país já provou que sabe produzir em escala; o próximo passo é capturar mais valor dentro da porteira”.
“O Brasil ainda concentra grande parte da renda do agro na exportação de produtos primários. Sem políticas públicas que estimulem armazenagem, processamento e agregação de valor dentro da fazenda e nas regiões produtoras, o produtor continua dependente do preço internacional e da variação cambial, fatores que ele não controla”.
“O crédito rural precisa evoluir para financiar não só plantio e compra de máquinas, mas também industrialização, energia, irrigação e tecnologia. Quando o produtor consegue armazenar, processar ou gerar sua própria energia, ele reduz risco, ganha previsibilidade de receita e passa a vender melhor, não apenas colher mais”, completou Rezende
Fonte: Pensar Agro
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