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AGRONEGÓCIO

Novos Acordos Comerciais Redefinem o Cenário Global e Recolocam o Agronegócio no Centro das Decisões Econômicas

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Reconfiguração do Comércio Global: um Novo Cenário de Cooperação e Desafios

O comércio internacional vive uma fase de reconfiguração profunda, impulsionada por tensões geopolíticas, incertezas econômicas e mudanças nas cadeias globais de produção.

De acordo com a doutora em agronegócios Maria Flávia Tavares, esse cenário abre espaço para uma nova geração de acordos comerciais que buscam restabelecer a cooperação entre grandes economias, em um ambiente global cada vez mais fragmentado e competitivo.

Acordo Índia–União Europeia: Expansão Estratégica e Diversificação de Mercados

Formalizado durante a 16ª Cúpula Índia–União Europeia, em janeiro de 2026, o Acordo de Livre Comércio entre Índia e UE conecta uma das economias mais dinâmicas do mundo a um bloco composto por 27 países e mais de 450 milhões de consumidores.

A iniciativa representa um passo estratégico para reduzir dependências comerciais e aumentar a resiliência das cadeias globais de abastecimento, num momento em que governos e empresas buscam diversificação e previsibilidade no comércio exterior.

Mercosul–União Europeia: Nova Etapa para o Brasil e o Bloco Sul-Americano

O Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia, concluído em dezembro de 2024, é visto como um marco para a inserção internacional do Brasil e dos países do bloco sul-americano.

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Segundo especialistas, o pacto reforça uma estratégia de ampliação de mercados, atração de investimentos e redução da concentração comercial, criando novas possibilidades para exportadores e para a indústria agroalimentar.

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Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem mais de 700 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. Já a parceria entre Índia e União Europeia conecta economias que somam cerca de um quarto do PIB mundial, consolidando uma rede de comércio que reposiciona fluxos globais e amplia o protagonismo das economias emergentes.

Agronegócio Ganha Destaque no Novo Mapa do Comércio Internacional

Para Maria Flávia Tavares, os recentes avanços nos acordos internacionais recolocam o agronegócio no centro das discussões sobre crescimento e sustentabilidade.

“Esse conjunto de acordos recoloca o agronegócio no centro das discussões, não como um setor isolado, mas como parte de um sistema global cada vez mais interligado. Vale acompanhar de perto como esses acordos vão se traduzir na prática e quais impactos reais terão para o agro, para as empresas e para quem está no dia a dia do setor”, destaca a especialista.

Perspectivas: Integração, Sustentabilidade e Competitividade

A tendência é que, nos próximos anos, o avanço desses acordos fortaleça cadeias produtivas, estimule padrões de sustentabilidade e promova maior integração entre mercados agrícolas e industriais.

O agronegócio, por sua relevância econômica e ambiental, deve permanecer no centro das políticas comerciais internacionais, influenciando decisões estratégicas e novas parcerias globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Soja lidera geração de renda no campo e reforça dependência brasileira das commodities

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A agricultura brasileira continuou altamente concentrada em poucas culturas em 2025. Dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgados pelo IBGE, mostram que a soja manteve ampla liderança no valor de produção, seguida por açúcar e milho, consolidando o protagonismo das commodities no desempenho econômico do agronegócio nacional.

Sozinha, a soja gerou R$ 260,2 bilhões em valor bruto de produção no ano passado — um montante superior ao de várias cadeias produtivas somadas e mais que o dobro da segunda colocada. O açúcar aparece em seguida, com R$ 105 bilhões, impulsionado pelo mercado internacional e pela rentabilidade do setor sucroenergético. O milho completa o grupo principal, com R$ 88,1 bilhões, sustentado pela demanda interna de ração animal e pelas exportações crescentes.

O levantamento mostra que o topo da renda agrícola brasileira está cada vez mais associado a produtos voltados ao mercado externo. O café, quarto colocado com R$ 69,2 bilhões, mantém posição tradicional como cultura de maior valor agregado, enquanto o algodão, com R$ 31,3 bilhões, consolidou-se como uma das cadeias mais competitivas do país, apoiada em produtividade elevada e forte demanda da indústria têxtil internacional.

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Na sequência aparecem laranja (R$ 28,5 bilhões), arroz (R$ 22,3 bilhões) e mandioca (R$ 18,1 bilhões). Diferentemente dos grãos, essas culturas possuem maior participação no abastecimento interno e renda regional. A banana gerou R$ 16,1 bilhões e o cacau, R$ 15,3 bilhões, impulsionado pela valorização global do produto. Fecham o ranking fumo e feijão, ambos com R$ 12,2 bilhões.

O resultado evidencia um padrão estrutural: poucas cadeias concentram grande parte da riqueza agrícola, enquanto culturas alimentares essenciais mantêm importância social e regional, mas participação menor no valor econômico total.

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A liderança da soja, por sua vez, vai além do território nacional. Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil também ocupa a primeira posição mundial na safra 2024/25, com produção estimada em 171,5 milhões de toneladas, bem à frente dos Estados Unidos, com 119 milhões, e da Argentina, com 51,1 milhões.

O ranking global confirma a concentração da oferta nas Américas. Brasil, Estados Unidos, Argentina, Paraguai, Canadá e Uruguai respondem pela maior parte da produção mundial do grão, o que transforma a região em eixo central da segurança alimentar internacional, especialmente no fornecimento de proteína vegetal para ração animal.

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A predominância da soja ajuda a explicar o peso do agronegócio na economia brasileira. O grão participa diretamente das exportações, do equilíbrio da balança comercial e da formação de renda em diversas regiões do país. Ao mesmo tempo, aumenta a sensibilidade do setor a fatores externos, como preços internacionais, câmbio e clima.

Isan Rezende

DEPENDENCIA – Os dados da PAM indicam que o agronegócio segue forte, mas também mais dependente de mercados consolidados. Em anos de preços elevados, a renda cresce rapidamente; em ciclos de baixa, o impacto se espalha por toda a economia rural. Nesse contexto, a liderança da soja representa ao mesmo tempo a principal força do campo brasileiro e sua maior vulnerabilidade econômica.

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Para o presidente do Instituto do Agronegócio e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a discussão sobre financiamento no campo já não envolve apenas juros, mas o modelo produtivo que o Brasil pretende adotar nos próximos anos.

“O levantamento do IBGE confirma algo que o setor já percebe no dia a dia: o agro brasileiro é extremamente eficiente, mas ainda muito concentrado. Quando três ou quatro culturas respondem pela maior parte da renda agrícola, o produtor e a economia ficam mais expostos à volatilidade internacional de preços e câmbio”, comentou.

“Não se trata de reduzir a importância da soja, do milho ou do açúcar, que são pilares da nossa competitividade global. O desafio agora é avançar para a próxima etapa, que é agregar valor. O Brasil exporta muito grão, mas ainda exporta pouca transformação industrial. Cada tonelada que sai in natura representa renda, mas poderia representar emprego, tributo e estabilidade econômica se fosse processada aqui”, defendeu Rezende.

“Por isso, políticas públicas voltadas à industrialização do agro e à diversificação produtiva são estratégicas. Incentivar bioindústria, proteína animal, biocombustíveis e processamento de alimentos reduz a dependência das commodities e protege o produtor das oscilações externas. O país já provou que sabe produzir em escala; o próximo passo é capturar mais valor dentro da porteira”.

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“O Brasil ainda concentra grande parte da renda do agro na exportação de produtos primários. Sem políticas públicas que estimulem armazenagem, processamento e agregação de valor dentro da fazenda e nas regiões produtoras, o produtor continua dependente do preço internacional e da variação cambial, fatores que ele não controla”.

“O crédito rural precisa evoluir para financiar não só plantio e compra de máquinas, mas também industrialização, energia, irrigação e tecnologia. Quando o produtor consegue armazenar, processar ou gerar sua própria energia, ele reduz risco, ganha previsibilidade de receita e passa a vender melhor, não apenas colher mais”, completou Rezende

Fonte: Pensar Agro

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