AGRONEGÓCIO
Senar MT oferece mais de mil cursos de capacitação em fevereiro para trabalhadores rurais
Agenda de cursos alcança todo o estado de Mato Grosso
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), em parceria com os sindicatos rurais, vai realizar mais de mil cursos de capacitação em fevereiro, abrangendo 127 municípios. A iniciativa visa fortalecer a qualificação profissional e o desenvolvimento social no meio rural, por meio da atuação dos 95 sindicatos rurais do estado.
A programação inclui treinamentos de Formação Profissional Rural (FPR) e Promoção Social (PS), atendendo trabalhadores, produtores, jovens e famílias do campo, com foco na melhoria da produtividade, segurança no trabalho e adoção de práticas sustentáveis.
Cursos voltados à segurança e normas regulamentadoras
Entre os destaques estão os treinamentos sobre Normas Regulamentadoras (NRs), essenciais para a prevenção de acidentes e a adequação legal das propriedades rurais. Essas capacitações promovem melhores condições de trabalho, reduzem riscos e fortalecem a organização nas atividades agropecuárias.
Inclusão digital e inovação tecnológica no campo
Outra prioridade da agenda é a inclusão digital, com cursos que ensinam uso de tecnologias digitais, ferramentas de gestão e acesso à informação. O objetivo é aproximar os trabalhadores rurais das inovações tecnológicas, melhorando a gestão das propriedades e ampliando oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
Capacitação em operação e manutenção de máquinas agrícolas
A programação também abrange treinamentos para operação e manutenção de máquinas e implementos agrícolas, setor que tem crescido em demanda em Mato Grosso. Com a evolução tecnológica do agronegócio, é cada vez mais necessária a presença de profissionais qualificados, garantindo eficiência, segurança e melhor aproveitamento dos recursos no campo.
Importância da qualificação para o agronegócio
Para o coordenador de regionais do Senar MT, Victor Fazinga, a capacitação contínua é fundamental para acompanhar a modernização do setor. “O agronegócio vive um processo constante de modernização, e a qualificação profissional é essencial para acompanhar esse avanço. Mato Grosso ainda enfrenta a escassez de mão de obra especializada, especialmente para operar máquinas e novas tecnologias”, afirma.
Como participar dos cursos do Senar MT
Por meio do Sistema Famato, o Senar MT atua em parceria com os sindicatos rurais, oferecendo capacitações gratuitas adaptadas às demandas locais de cada município. Interessados em participar ou obter mais informações sobre programação, datas, locais e inscrições devem procurar o sindicato rural do seu município, podendo ainda sugerir novos cursos de acordo com necessidades específicas da região.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Soja lidera geração de renda no campo e reforça dependência brasileira das commodities
A agricultura brasileira continuou altamente concentrada em poucas culturas em 2025. Dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgados pelo IBGE, mostram que a soja manteve ampla liderança no valor de produção, seguida por açúcar e milho, consolidando o protagonismo das commodities no desempenho econômico do agronegócio nacional.
Sozinha, a soja gerou R$ 260,2 bilhões em valor bruto de produção no ano passado — um montante superior ao de várias cadeias produtivas somadas e mais que o dobro da segunda colocada. O açúcar aparece em seguida, com R$ 105 bilhões, impulsionado pelo mercado internacional e pela rentabilidade do setor sucroenergético. O milho completa o grupo principal, com R$ 88,1 bilhões, sustentado pela demanda interna de ração animal e pelas exportações crescentes.
O levantamento mostra que o topo da renda agrícola brasileira está cada vez mais associado a produtos voltados ao mercado externo. O café, quarto colocado com R$ 69,2 bilhões, mantém posição tradicional como cultura de maior valor agregado, enquanto o algodão, com R$ 31,3 bilhões, consolidou-se como uma das cadeias mais competitivas do país, apoiada em produtividade elevada e forte demanda da indústria têxtil internacional.
Na sequência aparecem laranja (R$ 28,5 bilhões), arroz (R$ 22,3 bilhões) e mandioca (R$ 18,1 bilhões). Diferentemente dos grãos, essas culturas possuem maior participação no abastecimento interno e renda regional. A banana gerou R$ 16,1 bilhões e o cacau, R$ 15,3 bilhões, impulsionado pela valorização global do produto. Fecham o ranking fumo e feijão, ambos com R$ 12,2 bilhões.
O resultado evidencia um padrão estrutural: poucas cadeias concentram grande parte da riqueza agrícola, enquanto culturas alimentares essenciais mantêm importância social e regional, mas participação menor no valor econômico total.
A liderança da soja, por sua vez, vai além do território nacional. Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil também ocupa a primeira posição mundial na safra 2024/25, com produção estimada em 171,5 milhões de toneladas, bem à frente dos Estados Unidos, com 119 milhões, e da Argentina, com 51,1 milhões.
O ranking global confirma a concentração da oferta nas Américas. Brasil, Estados Unidos, Argentina, Paraguai, Canadá e Uruguai respondem pela maior parte da produção mundial do grão, o que transforma a região em eixo central da segurança alimentar internacional, especialmente no fornecimento de proteína vegetal para ração animal.
A predominância da soja ajuda a explicar o peso do agronegócio na economia brasileira. O grão participa diretamente das exportações, do equilíbrio da balança comercial e da formação de renda em diversas regiões do país. Ao mesmo tempo, aumenta a sensibilidade do setor a fatores externos, como preços internacionais, câmbio e clima.
Isan Rezende
DEPENDENCIA – Os dados da PAM indicam que o agronegócio segue forte, mas também mais dependente de mercados consolidados. Em anos de preços elevados, a renda cresce rapidamente; em ciclos de baixa, o impacto se espalha por toda a economia rural. Nesse contexto, a liderança da soja representa ao mesmo tempo a principal força do campo brasileiro e sua maior vulnerabilidade econômica.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a discussão sobre financiamento no campo já não envolve apenas juros, mas o modelo produtivo que o Brasil pretende adotar nos próximos anos.
“O levantamento do IBGE confirma algo que o setor já percebe no dia a dia: o agro brasileiro é extremamente eficiente, mas ainda muito concentrado. Quando três ou quatro culturas respondem pela maior parte da renda agrícola, o produtor e a economia ficam mais expostos à volatilidade internacional de preços e câmbio”, comentou.
“Não se trata de reduzir a importância da soja, do milho ou do açúcar, que são pilares da nossa competitividade global. O desafio agora é avançar para a próxima etapa, que é agregar valor. O Brasil exporta muito grão, mas ainda exporta pouca transformação industrial. Cada tonelada que sai in natura representa renda, mas poderia representar emprego, tributo e estabilidade econômica se fosse processada aqui”, defendeu Rezende.
“Por isso, políticas públicas voltadas à industrialização do agro e à diversificação produtiva são estratégicas. Incentivar bioindústria, proteína animal, biocombustíveis e processamento de alimentos reduz a dependência das commodities e protege o produtor das oscilações externas. O país já provou que sabe produzir em escala; o próximo passo é capturar mais valor dentro da porteira”.
“O Brasil ainda concentra grande parte da renda do agro na exportação de produtos primários. Sem políticas públicas que estimulem armazenagem, processamento e agregação de valor dentro da fazenda e nas regiões produtoras, o produtor continua dependente do preço internacional e da variação cambial, fatores que ele não controla”.
“O crédito rural precisa evoluir para financiar não só plantio e compra de máquinas, mas também industrialização, energia, irrigação e tecnologia. Quando o produtor consegue armazenar, processar ou gerar sua própria energia, ele reduz risco, ganha previsibilidade de receita e passa a vender melhor, não apenas colher mais”, completou Rezende
Fonte: Pensar Agro
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