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Crise na Saúde

Colapso financeiro: Várzea Grande busca R$ 45 milhões da União

Documento oficial da Saúde de Várzea Grande aponta déficit de R$ 54 milhões e risco aos serviços essenciais. Prefeitura contrata consultoria sem licitação para tentar recuperar verbas federais.

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colapso da saúde em Várzea Grande
Secretaria de Saúde de Várzea Grande enfrenta projeção de déficit milionário. Foto: Rogério Florentino.

Documentos oficiais expõem “grave situação financeira” e dependência de verbas travadas na União para garantir salários; folha de pagamento consome 98% dos recursos próprios.

Análise técnica prevê colapso da saúde em Várzea Grande em 2026. O alerta não parte de opositores, mas ecoa de dentro da própria Secretaria Municipal de Saúde. Um Estudo Técnico Preliminar (ETP), concluído em dezembro de 2025, desenha um cenário de asfixia orçamentária que ameaça a continuidade dos serviços. Diante de um déficit projetado de R$ 54,5 milhões para o fechamento do exercício, a gestão optou por uma manobra de emergência: contratar, sem licitação, uma consultoria jurídica para buscar dinheiro no Ministério da Saúde.

A gravidade é explícita no documento oficial. A Controladoria Geral do Município exigiu um plano de ação imediato, pois o quadro “representa grave comprometimento da execução orçamentária e financeira do órgão”.

Mais do que números vermelhos, o relatório admite o risco real de apagão na assistência. Os técnicos alertam que “trata-se de grave situação financeira enfrentada necessitando de aporte de recurso para não comprometer os serviços de saúde que são essenciais para a população”.

A matemática do colapso

Para entender o tamanho do buraco, basta olhar as planilhas. A Constituição obriga o município a investir 15% da receita em saúde. Várzea Grande já aplicava 24,50% até setembro de 2025. Mesmo com esse esforço fiscal, a conta não fecha.

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O estudo aponta que o dinheiro em caixa se mostra “insuficiente para cobrir integralmente as obrigações de Folha de Pagamento”. O peso do funcionalismo é esmagador: do total de recursos próprios da pasta, 98,77% foram consumidos apenas com salários, restando migalhas para custeio e investimentos.

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A projeção dos técnicos foi taxativa: ao somar a folha até dezembro e o 13º salário, “verificou-se que existe um déficit orçamentário de R$ 54.512.562,02”.

A solução de R$ 9 milhões

Pressionada a tomar medidas “em caráter de URGÊNCIA, para TOMADA DE DECISÃO”, a Secretaria decidiu terceirizar a cobrança da dívida federal. A justificativa para a inexigibilidade de licitação é que a Procuradoria do Município não teria a expertise necessária para esse tipo de embate contra a União.

O contrato segue o modelo de êxito (ad exitum). A empresa não recebe adiantado, mas levará uma fatia generosa do que recuperar:

  • Meta de recuperação: R$ 45.195.489,00.

  • Honorários: 20% sobre o valor recuperado.

  • Pagamento estimado: R$ 9.039.097,80.

Se a consultoria falhar, o custo é zero. Se tiver sucesso, quase R$ 10 milhões que poderiam ir para a saúde ficarão com o escritório.

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“Colapso anunciado”

O relatório assinado pela equipe técnica, incluindo a subsecretária Erika Auxiliadora Duarte Carvalho, não usa eufemismos. O texto reconhece que o déficit “impacta a aplicação de recursos em outras áreas essenciais do Município”.

Outro ponto crítico é a aposta no incerto. O documento cita a “incerteza de duração do processo”, já que a recuperação desses créditos depende de trâmites burocráticos no Ministério da Saúde e na Comissão Intergestores Bipartite (CIB).

Para entender melhor: O que é a Tabela MAC?

A tese de Várzea Grande é que a União não atualizou os valores dos procedimentos de Média e Alta Complexidade (MAC). A prefeitura alega que bancou sozinha essa defasagem histórica e agora quer o ressarcimento. Segundo o estudo, a contratação visa “ampliar e qualificar os pleitos de captação de recursos financeiros” para manter o funcionamento da rede.

Raio-X da Crise

  • Déficit Projetado (Dez/25): R$ 54.512.562,02.

  • Investimento Atual: 24,50% da receita (mínimo exigido é 15%).

  • Gasto com Pessoal: 98,77% dos recursos vão para salários.

  • Solução: Contratação de escritório para cobrar a União.

  • Custo da Solução: Até R$ 9 milhões (20% do êxito).

O risco da dependência

A estratégia da Secretaria de Saúde joga todas as fichas em um dinheiro que ainda não existe. Enquanto a batalha jurídica não traz resultados, o município inicia 2026 carregando o peso financeiro do ano anterior.

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O alerta da Controladoria foi claro: é preciso sanear a problemática para evitar o colapso. Porém, com a folha de pagamento devorando quase todo o orçamento, a margem de manobra é mínima. Resta saber se a aposta jurídica chegará a tempo de evitar que a “grave situação financeira” se transforme em portas fechadas nas unidades de saúde.

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Polícia Civil de MT deflagra operação contra quadrilha que aterrorizou família em sítio, agrediu vítimas e matou animais domésticos durante roubo.

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operação contra roubo em sítio
Policiais civis preparam viaturas nas primeiras horas da manhã para cumprimento de mandados da Operação Sem Livramento.

Operação Sem Livramento cumpre 36 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande e Barra do Garças; justiça bloqueou R$ 87 mil dos investigados após noite de terror na zona rural.

Agentes da Polícia Civil deflagraram, nas primeiras horas desta quinta-feira (22), uma ofensiva contra uma organização criminosa especializada em terror rural. A Operação Sem Livramento cumpre 36 ordens judiciais contra suspeitos de roubo, extorsão e tortura psicológica. As equipes vasculham endereços em Cuiabá, Várzea Grande e Barra do Garças.

O alvo é uma rede estruturada que não apenas roubava, mas impunha horas de pânico às vítimas.

A justiça determinou buscas e apreensões em 15 endereços ligados ao bando. Além da devassa nas residências, o Judiciário autorizou a quebra de sigilo de dados e o bloqueio de até R$ 87 mil nas contas dos envolvidos. A ação é coordenada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (DERFVA).

Noite de terror e crueldade

As investigações começaram após um crime brutal em novembro de 2024. O cenário foi um sítio no município de Nossa Senhora do Livramento.

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Naquela noite, uma família inteira acabou rendida.

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Os criminosos amarraram adultos e crianças. As vítimas permaneceram sob a mira de armas e agressões físicas por horas. Enquanto mantinham a família em cárcere privado, os assaltantes exigiam transferências bancárias via Pix.

A violência não se restringiu aos humanos. Para demonstrar controle e silenciar o ambiente, o grupo executou um papagaio da família e feriu um cachorro da propriedade. A crueldade serviu como ferramenta de intimidação extrema.

Ao fugirem, os bandidos levaram um Citroën C3, notebooks, celulares e ferramentas de trabalho das vítimas.

Rede organizada

A apuração da DERFVA revelou que o grupo opera com planejamento prévio e divisão clara de tarefas. Há os executores diretos, os responsáveis pela logística e os encarregados de dar destino aos bens roubados.

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O delegado Maurício Maciel Pereira Junior, responsável pelo caso, afirma que o mapeamento permitiu identificar não apenas os assaltantes, mas a rota do dinheiro.

“Com o avanço das apurações, foi possível identificar outros integrantes do grupo criminoso, mapear a atuação da organização e identificar eventuais empresas utilizadas para ocultação e lavagem de dinheiro”, explica o delegado.

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As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0. A ação integra a operação Inter Partes, braço do programa Tolerância Zero do Governo de Mato Grosso, focado na asfixia financeira e logística de facções.

 

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