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INVESTIGAÇÃO EM CURSO

Comissão nega anulação do processo e convoca empresários

A Comissão Processante 01/2025 rejeitou a defesa prévia da prefeita Flávia Moretti e determinou vistorias em escolas e devassa nos contratos de uniformes com o slogan da gestão.

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Comissão Processante contra prefeita
Comissão Processante investiga uso de slogan em uniformes da rede municipal de Várzea Grande. Foto: Rogério Florentino.

Vereadores marcam vistoria urgente em escolas antes do recesso; sócios de empresa fornecedora e prefeita serão ouvidos em janeiro.

A temperatura política em Várzea Grande subiu drasticamente nesta semana. A Comissão Processante n° 01/2025, instaurada para investigar suposta promoção pessoal da prefeita Flávia Petersen Moretti de Araújo, rejeitou as teses da defesa e autorizou o avanço das investigações. Em despacho assinado no último dia 10 de dezembro, o colegiado determinou uma verdadeira devassa nos contratos de confecção dos uniformes escolares, além de vistorias in loco e oitivas de testemunhas.

No centro do furacão está o slogan “Transparência, Trabalho e Progresso”, estampado no vestuário dos alunos da rede municipal. Para a acusação, feita pelo cidadão Pedro Augusto Rodrigues Costa, representado pelo advogado Dr. Jucélio Rodrigues dos Santos (OAB-MT 24760/0), a frase configura propaganda institucional irregular. Isso feriria os princípios da Impessoalidade e da Moralidade Administrativa.

O “sinal verde” para a investigação

A defesa da prefeita, composta por uma banca robusta — Gilmar D’Moura (OAB-MT 5681), Mauricio Castilho Soares (OAB-MT 11464), Weliton Wagner Garcia (OAB-MT 12458) e Leonardo Benevides Alves (OAB-MT 21242) — tentou barrar o processo logo no início. Os advogados alegaram nulidade absoluta por suposta falha na descrição da conduta e problemas na sessão de recebimento da denúncia.

Entretanto, a Comissão, presidida pelo vereador Cleyton Nassarden e relatada por Carlinhos Figueiredo, não aceitou os argumentos. Segundo o relatório técnico, não houve prejuízo à defesa. O princípio jurídico aplicado foi o pas de nullité sans grief (não há nulidade sem prejuízo). Ou seja, como a prefeita teve acesso aos autos e conseguiu se defender, o processo segue seu rito normal.

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Além disso, a decisão reforça que o Plenário da Câmara é soberano. Se os vereadores votaram pelo recebimento da denúncia (foram 17 votos), a vontade política e fiscalizatória prevalece nesta etapa.

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A admissão do slogan

Um ponto curioso chamou a atenção dos investigadores. Na peça de defesa, os advogados de Flávia Moretti reconhecem que o slogan existe nos uniformes. Porém, a defesa argumenta que se trata apenas de uma “expressão genérica”, sem o peso de uma promoção pessoal ilícita.

Para a Comissão, essa admissão foi crucial. O reconhecimento da existência da frase confirma a “materialidade mínima”. Em outras palavras, o fato existe; agora, resta saber se ele constitui ou não um crime de responsabilidade ou ato de improbidade administrativa.

Entenda o caso

  • A acusação: Uso da frase “Transparência, Trabalho e Progresso” em uniformes escolares.

  • O problema: A lei proíbe vincular obras e serviços a nomes ou slogans que caracterizem promoção pessoal de gestores.

  • O risco: Se comprovada a infração, a gestora pode responder por improbidade administrativa e infração político-administrativa.

Corrida contra o tempo nas escolas

Com o ano letivo prestes a encerrar no dia 18 de dezembro, a Comissão precisou agir rápido para garantir a produção de provas. Uma vistoria presencial foi agendada já para a próxima segunda-feira, 15 de dezembro, às 08h30.

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Os alvos da inspeção são a EMEB Manoel Correia de Almeida, o CEMEI Aurélia Corrêa de Almeida e o CEMEI Caetano da Costa. Os vereadores — incluindo o membro Emerson Magalhães — querem verificar pessoalmente como o material está sendo distribuído e utilizado pelas crianças.

Pente-fino nos contratos e pagamentos

A fase de instrução promete ser rigorosa na análise documental. A Comissão disparou ofícios para a Secretaria de Educação, Gestão Fazendária, Administração e Procuradoria exigindo, num prazo apertado de cinco dias, a cópia integral dos processos de compra.

O objetivo é rastrear cada centavo. Os vereadores exigiram as notas fiscais, os comprovantes de despesa, o detalhamento de custos unitários e até os relatórios do fiscal do contrato. Querem saber se houve licitação, dispensa ou inexigibilidade para a confecção das peças com o slogan questionado.

Além disso, a empresa fornecedora entrou na mira. Os sócios da CB News Comercial Ltda — Nadyla Torres de Almeida, Cristiano Borges dos Santos e Camila Souza Couto — foram convocados para prestar depoimento.

O calendário das oitivas

A audiência de instrução, onde as testemunhas e a própria prefeita serão ouvidas, ficou para o início do próximo ano legislativo. A data marcada é 21 de janeiro de 2026, às 08h, na Câmara Municipal.

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Nesse dia, além da prefeita Flávia Petersen e dos empresários citados, o fiscal do contrato também terá que dar explicações aos vereadores. A defesa poderá levar suas testemunhas para tentar desconstruir a tese de uso da máquina pública para promoção pessoal.

 

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Polícia Civil caça grupo que matou animal doméstico para torturar família em sítio

Polícia Civil de MT deflagra operação contra quadrilha que aterrorizou família em sítio, agrediu vítimas e matou animais domésticos durante roubo.

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operação contra roubo em sítio
Policiais civis preparam viaturas nas primeiras horas da manhã para cumprimento de mandados da Operação Sem Livramento.

Operação Sem Livramento cumpre 36 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande e Barra do Garças; justiça bloqueou R$ 87 mil dos investigados após noite de terror na zona rural.

Agentes da Polícia Civil deflagraram, nas primeiras horas desta quinta-feira (22), uma ofensiva contra uma organização criminosa especializada em terror rural. A Operação Sem Livramento cumpre 36 ordens judiciais contra suspeitos de roubo, extorsão e tortura psicológica. As equipes vasculham endereços em Cuiabá, Várzea Grande e Barra do Garças.

O alvo é uma rede estruturada que não apenas roubava, mas impunha horas de pânico às vítimas.

A justiça determinou buscas e apreensões em 15 endereços ligados ao bando. Além da devassa nas residências, o Judiciário autorizou a quebra de sigilo de dados e o bloqueio de até R$ 87 mil nas contas dos envolvidos. A ação é coordenada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (DERFVA).

Noite de terror e crueldade

As investigações começaram após um crime brutal em novembro de 2024. O cenário foi um sítio no município de Nossa Senhora do Livramento.

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Naquela noite, uma família inteira acabou rendida.

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Os criminosos amarraram adultos e crianças. As vítimas permaneceram sob a mira de armas e agressões físicas por horas. Enquanto mantinham a família em cárcere privado, os assaltantes exigiam transferências bancárias via Pix.

A violência não se restringiu aos humanos. Para demonstrar controle e silenciar o ambiente, o grupo executou um papagaio da família e feriu um cachorro da propriedade. A crueldade serviu como ferramenta de intimidação extrema.

Ao fugirem, os bandidos levaram um Citroën C3, notebooks, celulares e ferramentas de trabalho das vítimas.

Rede organizada

A apuração da DERFVA revelou que o grupo opera com planejamento prévio e divisão clara de tarefas. Há os executores diretos, os responsáveis pela logística e os encarregados de dar destino aos bens roubados.

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O delegado Maurício Maciel Pereira Junior, responsável pelo caso, afirma que o mapeamento permitiu identificar não apenas os assaltantes, mas a rota do dinheiro.

“Com o avanço das apurações, foi possível identificar outros integrantes do grupo criminoso, mapear a atuação da organização e identificar eventuais empresas utilizadas para ocultação e lavagem de dinheiro”, explica o delegado.

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As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0. A ação integra a operação Inter Partes, braço do programa Tolerância Zero do Governo de Mato Grosso, focado na asfixia financeira e logística de facções.

 

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