VÁRZEA GRANDE
DAE-VG inicia manutenção na ETA Cristo Rei para normalizar abastecimento
Trabalho é feito pela equipe da autarquia em conjunto com a empresa fornecedora dos produtos específicos
O Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG) iniciou nesta sexta-feira, 24 de janeiro, a manutenção da ETA Cristo Rei, um marco importante para solucionar os problemas enfrentados na estação, que atualmente opera com apenas 50% de sua capacidade produtiva. A ação é acompanhada de perto por especialistas e tem como objetivo restabelecer o abastecimento pleno nos bairros atendidos pela ETA nos próximos dias.
Segundo o engenheiro Bruno Rossi, responsável técnico pela ETA Cristo Rei, todo o procedimento está sendo executado conforme os protocolos fornecidos pela empresa, garantindo que a manutenção seja realizada com segurança e eficiência.
“Hoje realizamos a diluição do produto e começamos a recirculação inicial. Essa etapa é crucial para determinar o impacto da solução nas membranas. Após a recirculação, o produto ficará em contato com as membranas por cerca de 10 a 12 horas antes de iniciarmos uma limpeza ácida na madrugada”, explicou Bruno Rossi.
A estação, dividida em seis módulos, iniciou a limpeza em apenas um módulo como um teste inicial. Os resultados mais conclusivos da aplicação só serão observados em cerca de três dias, após a análise dos ciclos de produção. “Se verificarmos que os ciclos de limpeza não estão funcionando como esperado, será necessária uma nova etapa”, destacou Rossi.
De acordo com Laio Teixeira, engenheiro sanitarista e ambiental da Kurita, empresa fornecedora, o produto utilizado na limpeza foi desenvolvido especificamente para o tipo de sujidade identificado nas membranas da ETA Cristo Rei. “Esse produto é formulado para lidar com óleos impregnados nas membranas. Trabalhamos com um protocolo específico para garantir que o material seja removido de maneira eficiente e segura”, explicou Teixeira.
A empresa foi contratada há cerca de três meses, mas a viabilização do processo de manutenção ocorreu somente agora. A equipe técnica destaca que, com a redução das chuvas nos últimos dias, houve uma leve melhora na produção da ETA, que passou de 150 para cerca de 170 litros por segundo. Apesar dessa melhoria, a limpeza dos módulos será fundamental para recuperar a capacidade plena de 300 litros por segundo.
O diretor-presidente do DAE, Sandro Azambuja, reafirmou o compromisso da nova gestão em resolver problemas históricos e garantir um abastecimento eficiente para a população de Várzea Grande. “Estamos enfrentando desafios grandes, mas estamos tomando todas as medidas necessárias para superar esses problemas. Esta manutenção na ETA Cristo Rei é uma prioridade, e contamos com o apoio e a compreensão da população neste momento de ajustes”, destacou Azambuja.
A ETA Cristo Rei utiliza um sistema de ultrafiltração por membranas, que apresenta um alto padrão de qualidade na purificação da água. No entanto, desde abril do ano passado essas membranas foram obstruídas por resíduos de óleo liberados por um equipamento da própria estação, comprometendo a produção. A situação foi agravada pelas intensas chuvas recentes, que aumentaram a turbidez da água captada do rio Cuiabá.
O DAE reforça que a população pode acompanhar as atualizações sobre o abastecimento e a manutenção da ETA Cristo Rei pelos canais oficiais do DAE e da Prefeitura de Várzea Grande.
DESTAQUE
Com caixa “insuficiente” para folha, Várzea Grande quer buscar R$ 45 milhões da União para evitar colapso
Documento oficial da Saúde de Várzea Grande aponta déficit de R$ 54 milhões e risco aos serviços essenciais. Prefeitura contrata consultoria sem licitação para tentar recuperar verbas federais.
Documentos oficiais expõem “grave situação financeira” e dependência de verbas travadas na União para garantir salários; folha de pagamento consome 98% dos recursos próprios.
Análise técnica prevê colapso da saúde em Várzea Grande em 2026. O alerta não parte de opositores, mas ecoa de dentro da própria Secretaria Municipal de Saúde. Um Estudo Técnico Preliminar (ETP), concluído em dezembro de 2025, desenha um cenário de asfixia orçamentária que ameaça a continuidade dos serviços. Diante de um déficit projetado de R$ 54,5 milhões para o fechamento do exercício, a gestão optou por uma manobra de emergência: contratar, sem licitação, uma consultoria jurídica para buscar dinheiro no Ministério da Saúde.
A gravidade é explícita no documento oficial. A Controladoria Geral do Município exigiu um plano de ação imediato, pois o quadro “representa grave comprometimento da execução orçamentária e financeira do órgão”.
Mais do que números vermelhos, o relatório admite o risco real de apagão na assistência. Os técnicos alertam que “trata-se de grave situação financeira enfrentada necessitando de aporte de recurso para não comprometer os serviços de saúde que são essenciais para a população”.
A matemática do colapso
Para entender o tamanho do buraco, basta olhar as planilhas. A Constituição obriga o município a investir 15% da receita em saúde. Várzea Grande já aplicava 24,50% até setembro de 2025. Mesmo com esse esforço fiscal, a conta não fecha.
O estudo aponta que o dinheiro em caixa se mostra “insuficiente para cobrir integralmente as obrigações de Folha de Pagamento”. O peso do funcionalismo é esmagador: do total de recursos próprios da pasta, 98,77% foram consumidos apenas com salários, restando migalhas para custeio e investimentos.
A projeção dos técnicos foi taxativa: ao somar a folha até dezembro e o 13º salário, “verificou-se que existe um déficit orçamentário de R$ 54.512.562,02”.
A solução de R$ 9 milhões
Pressionada a tomar medidas “em caráter de URGÊNCIA, para TOMADA DE DECISÃO”, a Secretaria decidiu terceirizar a cobrança da dívida federal. A justificativa para a inexigibilidade de licitação é que a Procuradoria do Município não teria a expertise necessária para esse tipo de embate contra a União.
O contrato segue o modelo de êxito (ad exitum). A empresa não recebe adiantado, mas levará uma fatia generosa do que recuperar:
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Meta de recuperação: R$ 45.195.489,00.
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Honorários: 20% sobre o valor recuperado.
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Pagamento estimado: R$ 9.039.097,80.
Se a consultoria falhar, o custo é zero. Se tiver sucesso, quase R$ 10 milhões que poderiam ir para a saúde ficarão com o escritório.
“Colapso anunciado”
O relatório assinado pela equipe técnica, incluindo a subsecretária Erika Auxiliadora Duarte Carvalho, não usa eufemismos. O texto reconhece que o déficit “impacta a aplicação de recursos em outras áreas essenciais do Município”.
Outro ponto crítico é a aposta no incerto. O documento cita a “incerteza de duração do processo”, já que a recuperação desses créditos depende de trâmites burocráticos no Ministério da Saúde e na Comissão Intergestores Bipartite (CIB).
Para entender melhor: O que é a Tabela MAC?
A tese de Várzea Grande é que a União não atualizou os valores dos procedimentos de Média e Alta Complexidade (MAC). A prefeitura alega que bancou sozinha essa defasagem histórica e agora quer o ressarcimento. Segundo o estudo, a contratação visa “ampliar e qualificar os pleitos de captação de recursos financeiros” para manter o funcionamento da rede.
Raio-X da Crise
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Déficit Projetado (Dez/25): R$ 54.512.562,02.
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Investimento Atual: 24,50% da receita (mínimo exigido é 15%).
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Gasto com Pessoal: 98,77% dos recursos vão para salários.
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Solução: Contratação de escritório para cobrar a União.
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Custo da Solução: Até R$ 9 milhões (20% do êxito).
O risco da dependência
A estratégia da Secretaria de Saúde joga todas as fichas em um dinheiro que ainda não existe. Enquanto a batalha jurídica não traz resultados, o município inicia 2026 carregando o peso financeiro do ano anterior.
O alerta da Controladoria foi claro: é preciso sanear a problemática para evitar o colapso. Porém, com a folha de pagamento devorando quase todo o orçamento, a margem de manobra é mínima. Resta saber se a aposta jurídica chegará a tempo de evitar que a “grave situação financeira” se transforme em portas fechadas nas unidades de saúde.
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