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Crise no Saneamento

Crise de gestão e dívida de R$ 12,4 milhões param coleta de lixo em Várzea Grande

A Locar Saneamento suspendeu a coleta de lixo em Várzea Grande em 18 de dezembro por falta de pagamento de R$ 12,4 milhões. A prefeitura contratou nova empresa por valor 10,6% maior.

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Coleta de lixo em Várzea Grande
Paralisação da coleta de lixo deixa Várzea Grande em estado de alerta sanitário após dívida milionária da prefeitura.

Várzea Grande enfrenta uma crise sanitária grave após a Locar Saneamento suspender a coleta de lixo nesta quinta-feira (18). A interrupção ocorre devido a uma dívida municipal de R$ 12,4 milhões acumulada por cinco meses. Por isso, a prefeitura tenta acelerar a transição para uma nova empresa paulista em contrato emergencial.

A população de Várzea Grande acordou hoje com as calçadas tomadas por sacos de resíduos e urubus. O cenário é o resultado direto da paralisação total da frota da Locar Saneamento Ambiental LTDA. Segundo o comunicado oficial da empresa, “A partir de hoje (18), está suspensa a prestação dos serviços de coleta de resíduos sólidos urbanos no município de Várzea Grande”. Esta medida extrema encerra um silêncio administrativo que já durava meses, deixando os moradores em meio ao mau cheiro e riscos biológicos.

O impasse financeiro não surgiu agora. A prefeitura deve pagamentos referentes a dezembro de 2024 e ao período entre agosto e novembro de 2025. Conforme a empresa detalhou, o montante exato chega a R$ 11.738.740,06 por serviços que foram “regularmente executados, medidos, validados e atestados pelo próprio Município”. Além disso, a Locar afirma ter enviado 18 ofícios formais desde outubro buscando uma solução, mas não obteve qualquer resposta da gestão de Flávia Moretti (PL).

O custo do novo contrato

Enquanto o lixo se acumula, o gasto público sobe. No dia 1º de dezembro, o secretário de Serviços Públicos, Gerson Ronei Scarton Júnior, homologou a Concreta Construção e Incorporação Ltda. No entanto, o novo contrato emergencial possui um valor por tonelada de R$ 346,13. Esse número é 10,6% maior que os R$ 312,96 pagos anteriormente. Como resultado, os cofres municipais terão um acréscimo de R$ 2,58 milhões por ano para realizar o mesmo serviço.

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Essa mudança ocorre sob uma nuvem de conflitos jurídicos. Em julho, o Ministério Público recomendou a anulação do contrato antigo por “vícios graves e insanáveis”. Entretanto, a prefeita Flávia Moretti inicialmente rejeitou a orientação. Na época, ela defendeu a parceria e mencionou as dificuldades logísticas da região. “Nós temos um problema sério que é o aterro sanitário. Não conseguimos ter um aterro próprio em Várzea Grande”, afirmou a gestora.

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Embates nos tribunais

A disputa judicial entre a prefeitura e a empresa de saneamento assemelha-se a um jogo de xadrez complexo. Em setembro, o juiz Ramon Fagundes Botelho favoreceu a prestadora de serviço ao notar falhas no processo de rescisão. Ele escreveu: “Aliás, da notificação rescisória não há qualquer alusão à instauração formal de processo administrativo com a respectiva definição dos fatos apreciados”.

Por outro lado, o Tribunal de Justiça reverteu essa segurança jurídica em outubro. A desembargadora Maria Erotides Kneip entendeu que manter o contrato poderia causar prejuízos legais. Segundo ela, “Embora a liminar tenha buscado garantir a continuidade dos serviços, poderia permitir a prorrogação indevida do contrato”. Por causa dessa decisão, a prefeitura ficou proibida de estender o vínculo com a Locar além de 19 de novembro.

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Para entender melhor: O que é um contrato emergencial? É uma contratação feita sem licitação prévia quando há urgência que possa causar prejuízo à segurança ou à saúde da população. Ele possui prazo máximo de 180 dias ou até que uma nova licitação regular seja concluída.

Agora, a administração municipal corre contra o relógio para evitar um desastre ambiental prolongado. A equipe técnica prometeu uma posição concreta sobre os pagamentos até esta sexta-feira (19). Contudo, resta a dúvida sobre como a nova empresa, vinda de São Paulo, conseguirá absorver a demanda imediata de uma cidade que produz toneladas de detritos diariamente. O silêncio da prefeitura sobre os 18 ofícios ignorados ainda aguarda uma justificativa convincente para os cidadãos.

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Polícia Civil de MT deflagra operação contra quadrilha que aterrorizou família em sítio, agrediu vítimas e matou animais domésticos durante roubo.

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operação contra roubo em sítio
Policiais civis preparam viaturas nas primeiras horas da manhã para cumprimento de mandados da Operação Sem Livramento.

Operação Sem Livramento cumpre 36 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande e Barra do Garças; justiça bloqueou R$ 87 mil dos investigados após noite de terror na zona rural.

Agentes da Polícia Civil deflagraram, nas primeiras horas desta quinta-feira (22), uma ofensiva contra uma organização criminosa especializada em terror rural. A Operação Sem Livramento cumpre 36 ordens judiciais contra suspeitos de roubo, extorsão e tortura psicológica. As equipes vasculham endereços em Cuiabá, Várzea Grande e Barra do Garças.

O alvo é uma rede estruturada que não apenas roubava, mas impunha horas de pânico às vítimas.

A justiça determinou buscas e apreensões em 15 endereços ligados ao bando. Além da devassa nas residências, o Judiciário autorizou a quebra de sigilo de dados e o bloqueio de até R$ 87 mil nas contas dos envolvidos. A ação é coordenada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (DERFVA).

Noite de terror e crueldade

As investigações começaram após um crime brutal em novembro de 2024. O cenário foi um sítio no município de Nossa Senhora do Livramento.

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Naquela noite, uma família inteira acabou rendida.

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Os criminosos amarraram adultos e crianças. As vítimas permaneceram sob a mira de armas e agressões físicas por horas. Enquanto mantinham a família em cárcere privado, os assaltantes exigiam transferências bancárias via Pix.

A violência não se restringiu aos humanos. Para demonstrar controle e silenciar o ambiente, o grupo executou um papagaio da família e feriu um cachorro da propriedade. A crueldade serviu como ferramenta de intimidação extrema.

Ao fugirem, os bandidos levaram um Citroën C3, notebooks, celulares e ferramentas de trabalho das vítimas.

Rede organizada

A apuração da DERFVA revelou que o grupo opera com planejamento prévio e divisão clara de tarefas. Há os executores diretos, os responsáveis pela logística e os encarregados de dar destino aos bens roubados.

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O delegado Maurício Maciel Pereira Junior, responsável pelo caso, afirma que o mapeamento permitiu identificar não apenas os assaltantes, mas a rota do dinheiro.

“Com o avanço das apurações, foi possível identificar outros integrantes do grupo criminoso, mapear a atuação da organização e identificar eventuais empresas utilizadas para ocultação e lavagem de dinheiro”, explica o delegado.

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As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0. A ação integra a operação Inter Partes, braço do programa Tolerância Zero do Governo de Mato Grosso, focado na asfixia financeira e logística de facções.

 

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