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Áudio bombástico

'O presidente Chico deu o aval': gravação de vereador é peça-chave em investigação em Cuiabá

Uma gravação do vereador Sargento Joelson é central na Operação Perfídia, que apura suposto esquema de corrupção na Câmara de Cuiabá. No áudio, Joelson mencionaria o “aval” do então presidente Chico 2000 para um acerto com a empreiteira HB20 Construções, ligada às obras da Avenida Contorno Leste, envolvendo R$ 250 mil em propina para facilitar pagamentos milionários. A investigação, iniciada por denúncia de Abílio Brunini, resultou no afastamento dos parlamentares e em diversas medidas judiciais, enquanto a Politec analisa dados para desvendar a extensão do esquema.

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Gravação vereador aval Chico 2000 Cuiabá
Câmara Municipal de Cuiabá, foco da Operação Perfídia que investiga suposto esquema de propina e o envolvimento dos vereadores Sargento Joelson e Chico 2000 em acertos com empreiteira para obras do Contorno Leste.

Em gravação, vereador Sargento Joelson teria confirmado participação de Chico 2000 em acerto com empreiteira; R$ 250 mil em propina sob investigação.

“Oh irmão, deixa eu só te falar cara… o acordo foi feito entre eu e você, cara. O presidente Chico um dia participou e deu o aval cara”. Essa bronca, disparada em um áudio de 18 de outubro de 2023 pelo vereador Sargento Joelson (PSB) a um interlocutor identificado como João Jorge, é um dos pilares da Operação Perfídia. A investigação da Polícia Civil de Mato Grosso, que veio à tona em 29 de abril de 2025, mira um suposto esquema de propina de R$ 250 mil na Câmara de Cuiabá, tudo ligado à aprovação de um projeto para beneficiar a HB20 Construções, empresa por trás das obras da Avenida Contorno Leste.

A bronca que virou prova de fogo

A gravação não para por aí. Joelson, visivelmente irritado com a visita de um tal Jean, funcionário da empreiteira, ao seu gabinete, continua o desabafo: “Agora você fica mandando terceiros aqui cara”. E o tom de cobrança sobe: “Não está resolvido nosso trem? Nós não resolvemos a parte suas e você está terminando de resolver a parte nossa, então está tudo certo, não tem que ficar mandando ninguém aqui não, pow! Aí vem esse cara aí que eu não sei quem é, nunca falei com ele, ninguém me apresentou ele. Fica um clima chato, cara. Não é assim que funciona as coisas aqui não pow”. Para os investigadores, essa conversa toda não só escancara o esquema, como também carimba a participação do então chefão da Câmara, Chico 2000 (PL), que teria dado sinal verde para a mutreta. A referência, segundo a polícia, era a um projeto aprovado em setembro de 2023, que abriu as torneiras da prefeitura para a empresa.

Perfídia em ação: como a casa caiu

A Operação Perfídia não nasceu do nada. A Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR) botou o bloco na rua no dia 29 de abril de 2025, cumprindo uma penca de mandados – 27 ordens judiciais, para ser exato. Teve busca e apreensão em gabinetes de vereadores e até uma varredura nos sistemas e câmeras da própria Câmara Municipal, onde o rolo todo teria acontecido.

No centro do furacão, dois nomes conhecidos: Chico 2000 e Sargento Joelson. Ambos foram afastados dos seus cargos por 180 dias por ordem judicial. Mas a lista de investigados não para neles: um empresário e dois funcionários da tal empresa também estão na mira. E quem acendeu o pavio dessa bomba? A denúncia partiu de Abílio Brunini (PL), hoje prefeito de Cuiabá, mas que na época ainda batia ponto como deputado federal. Ele entregou um dossiê recheado: áudios, imagens e até comprovantes de transferências bancárias.

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O caminho da grana: R$ 250 mil para liberar milhões

Mas afinal, como funcionava o suposto esquema? A investigação aponta que a HB20 Construções teria desembolsado R$ 250 mil em propina para os dois vereadores. O objetivo? Garantir que uma matéria legislativa passasse como um foguete pela Câmara. E passou. Com a aprovação, a empresa viu R$ 4,8 milhões pingarem na sua conta, grana referente a serviços na Contorno Leste.

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A polícia montou um verdadeiro mapa do dinheiro. Começou com pagamentos oficiais da Prefeitura de Cuiabá para a HB20: R$ 2,1 milhões em 1º de maio de 2023, mais R$ 3,5 milhões em 1º de junho, e outros R$ 3,9 milhões em 24 de julho. Aí, em 21 de setembro de 2023, a Câmara aprovou a proposta que, na prática, autorizava o parcelamento de dívidas tributárias do município – a tal matéria de interesse. Uma semana depois, no dia 28 de setembro, a HB20 recebe os R$ 4,8 milhões. Coincidência? Os investigadores acham que não. E os repasses da prefeitura para a construtora continuaram: R$ 2,49 milhões em 1º de novembro e mais R$ 745 mil em 1º de dezembro.

Quem operacionalizava a propina, segundo o inquérito, era João Jorge Souza Catalan, funcionário da HB20. Ele teria feito um Pix de R$ 150 mil para a conta de José Márcio da Silva Cunha, um empresário indicado por um dos vereadores. Outros R$ 100 mil teriam sido entregues em espécie, na mão grande, para o Sargento Joelson. Os comprovantes detalham as transferências via Pix: R$ 50 mil em 11 de outubro de 2023, mais R$ 50 mil no dia 13, R$ 25 mil no dia 14 e um último valor não especificado no dia 18 de outubro, somando os R$ 100 mil via transação eletrônica.

Justiça aperta o cerco e Politec entra em campo

A juíza Edna Ederli Coutinho, do Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo), não brincou em serviço. Além de afastar Chico 2000 e Sargento Joelson, ela proibiu os investigados de trocarem figurinhas entre si, de botarem os pés na Câmara Municipal e até de darem um pulinho para fora do país. Bens bloqueados e outras medidas cautelares também entraram no pacote.

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E para não deixar pedra sobre pedra, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) também foi para a linha de frente. Peritos da Gerência de Perícias de Computação Forense fizeram um pente fino nos registros de entrada e saída de gente da Câmara, além de vasculharem as imagens das câmeras de monitoramento. Todo esse material, junto com comprovantes de transferências e as gravações, é ouro para os investigadores, que agora querem saber se mais algum parlamentar meteu a mão nesse cumbuca. Uma das matérias publicadas pela imprensa local já tinha cantado essa bola.

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E agora?

O caso da Operação Perfídia é mais um capítulo indigesto na novela da corrupção cuiabana, dessa vez envolvendo quem deveria fiscalizar e legislar, e uma bolada de dinheiro público que deveria virar asfalto e melhoria para a cidade. A confissão de Joelson, citando o “aval” de Chico 2000, deu um tempero amargo e crucial para as investigações. As provas estão na mesa: transferências, conversas gravadas, áudios. Resta saber qual vai ser o desfecho dessa história nos tribunais, enquanto a população de Cuiabá fica de olho, esperando que a justiça seja feita.

Boxe Informativo / “Para Entender Melhor”:

Linha do Tempo Suspeita: Pagamentos e Votação

  • Maio a Julho de 2023: Prefeitura de Cuiabá repassa R$ 9,5 milhões à HB20 Construções em três parcelas.
  • 21 de Setembro de 2023: Câmara Municipal aprova projeto de interesse da HB20.
  • 28 de Setembro de 2023: HB20 recebe R$ 4,8 milhões da prefeitura (uma semana após a votação).
  • 11 a 18 de Outubro de 2023: Sequência de transferências (Pix e espécie) totalizando R$ 250 mil, supostamente para os vereadores. O áudio de Joelson é de 18 de outubro.
  • Novembro e Dezembro de 2023: HB20 recebe mais R$ 3,235 milhões da prefeitura.

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CÂMARA MUNICIPAL DE CUIABÁ

Comissão especial realiza reunião e segue acompanhando investigação de suposto assédio

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Camile Souza | SECOM Câmara Municipal de Cuiabá
A Comissão Especial de acompanhamento ao caso de suposto assédio cometido por um ex-servidor da Prefeitura de Cuiabá realizou, na tarde desta quinta-feira (12), reunião de trabalho na Câmara Municipal. O colegiado é composto pelas vereadoras Dra. Mara (Podemos), Michelly Alencar (União Brasil) e Maria Avalone (PSDB).
Durante o encontro, as parlamentares discutiram os próximos encaminhamentos da comissão e reforçaram que o grupo segue acompanhando as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
A presidente da comissão, vereadora Dra. Mara, informou que, com o avanço das investigações, a expectativa é que na próxima semana sejam enviados convites para que a vítima e o suspeito possam prestar esclarecimentos à comissão.
“Nós estamos acompanhando as investigações, e provavelmente na próxima semana já teremos uma conclusão da Polícia Civil e faremos convites à vítima e ao suspeito para que a gente possa encerrar junto essa comissão de forma concreta, dando respostas à população”, afirmou a parlamentar.
A vereadora por Cuiabá Michelly Alencar destacou que a comissão especial representa um instrumento importante do Poder Legislativo para acompanhar denúncias dessa natureza.
Segundo a parlamentar, esta é a primeira vez que a Câmara Municipal cria uma comissão com esse formato para tratar de um caso relacionado a suposto assédio.
“A comissão é um instrumento legal do Legislativo que tem a possibilidade de receber esse tipo de denúncia. A investigação parlamentar de inquérito, que é a CPI, não é o foro adequado para casos como violência sexual. Essa é a primeira vez que esta Casa criou uma comissão especial e que a população sabe que a gente pode acompanhar casos como esse com total responsabilidade e transparência.”
Michelly também ressaltou que a iniciativa ocorre em um momento histórico para o Legislativo cuiabano, que conta atualmente com a maior legislatura feminina da história da Câmara.
 
Canal de denúncias
Outro ponto discutido durante a reunião foi a criação de um canal de denúncias, que será lançado em parceria com a Procuradoria da Mulher da Câmara de Cuiabá. A ferramenta será voltada ao atendimento de munícipes, servidores e qualquer pessoa que necessite registrar denúncias ou buscar orientação.
O canal já está disponível por meio do número (65) 99918-6507, que será divulgado pela Câmara Municipal para facilitar o acesso das vítimas e garantir que denúncias possam ser registradas com segurança.
“É importante dizer que um dos pontos fundamentais de deliberação desta Comissão foi o canal criado para denúncias. A Câmara vai liberar para todos e divulgar qual é o número. Então, todas as mulheres que tiverem uma denúncia a fazer, que não estavam se sentindo seguras ou à vontade, este canal será um meio onde essa vítima poderá fazer a sua denúncia, terá um acompanhamento adequado e todo o aparato de segurança da sua denúncia resguardado também”.
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