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Disputa orçamentária

TCE bate o martelo: Câmara de Cuiabá é quem paga a conta do vereador que vira secretário!

O TCE-MT decidiu que a Câmara Municipal de Cuiabá é a responsável por pagar o subsídio de vereadores licenciados que assumem cargos de secretário e optam por manter a remuneração do mandato legislativo.

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Plenário do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), onde conselheiros definiram que a Câmara Municipal de Cuiabá tem a responsabilidade primária de pagar o subsídio de vereadores licenciados para atuar no Executivo.
Plenário do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), onde conselheiros definiram que a Câmara Municipal de Cuiabá tem a responsabilidade primária de pagar o subsídio de vereadores licenciados para atuar no Executivo.Foto: Rogério Florentino.

Decisão unânime do Tribunal de Contas estabelece que o Legislativo deve arcar com o subsídio se o parlamentar licenciado optar pela remuneração do mandato, mesmo atuando no Executivo.

A conta de um vereador licenciado que assume uma secretaria na Prefeitura de Cuiabá, mas escolhe continuar recebendo o salário do Legislativo, agora tem um dono claro: a própria Câmara Municipal. A decisão, tomada de forma unânime pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) no último dia 5 de agosto, encerra um debate sobre responsabilidade orçamentária. Por consequência, a medida estabelece um precedente que impacta diretamente as finanças do parlamento cuiabano.

A deliberação ocorreu durante o julgamento de uma Resolução de Consulta, um mecanismo usado por gestores para tirar dúvidas sobre a aplicação da lei. A questão foi levada ao tribunal pela própria Câmara de Cuiabá, que buscava um norte sobre quem deveria arcar com os custos quando um de seus membros se afasta para compor o primeiro escalão da prefeitura.

A responsabilidade é de quem elegeu

Em seu voto, o conselheiro relator do processo, José Carlos Novelli, foi taxativo ao afirmar que a opção do vereador pela remuneração do mandato “implica que o custo do subsídio permaneça na esfera do Poder Legislativo”. Ou seja, o dinheiro deve sair do orçamento da Câmara Municipal.

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O Tribunal fez uma distinção fundamental. No caso de servidores públicos de carreira que são cedidos a outro órgão, quem paga o salário é o local onde ele passa a trabalhar. Contudo, para agentes políticos como vereadores, a lógica é diferente. O vínculo primário deles, e portanto o custo de seu subsídio, permanece na casa legislativa pela qual foram eleitos, um entendimento que foi acompanhado por todos os conselheiros presentes na sessão.

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Ressarcimento? Só com acordo

A decisão do TCE-MT deixa uma porta aberta para que a Prefeitura de Cuiabá devolva o dinheiro aos cofres da Câmara, mas isso não é uma obrigação automática. Para que ocorra um ressarcimento, será necessária a criação de uma lei específica para isso ou a celebração de um acordo formal entre os dois Poderes.

Mesmo que esse acordo aconteça, o tribunal deixou claro que ele não altera a natureza da despesa. A responsabilidade primária pelo custeio continua sendo do Legislativo. Essa determinação foi fundamentada em um parecer do Ministério Público de Contas (MPC), representado na sessão pelo Procurador-Geral Alisson Carvalho de Alencar. O parecer serviu como um pilar técnico para a decisão final do colegiado.

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Para entender melhor:

  • Subsídio: É o nome técnico dado à remuneração mensal de políticos que ocupam cargos eletivos, como prefeitos, governadores, deputados e vereadores.
  • Resolução de Consulta: Ferramenta legal que permite a administradores públicos perguntarem oficialmente ao Tribunal de Contas como devem interpretar e aplicar a legislação em situações práticas e complexas. A resposta do TCE passa a ter força de norma para o órgão que fez a consulta.
  • Agente Político: Categoria que inclui cidadãos eleitos para mandatos (vereadores, por exemplo) e também aqueles que ocupam altos cargos de confiança no governo (como secretários municipais). Suas regras de vínculo e remuneração são distintas das aplicáveis aos servidores públicos de carreira.

 

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CÂMARA MUNICIPAL DE CUIABÁ

Comissão especial realiza reunião e segue acompanhando investigação de suposto assédio

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Camile Souza | SECOM Câmara Municipal de Cuiabá
A Comissão Especial de acompanhamento ao caso de suposto assédio cometido por um ex-servidor da Prefeitura de Cuiabá realizou, na tarde desta quinta-feira (12), reunião de trabalho na Câmara Municipal. O colegiado é composto pelas vereadoras Dra. Mara (Podemos), Michelly Alencar (União Brasil) e Maria Avalone (PSDB).
Durante o encontro, as parlamentares discutiram os próximos encaminhamentos da comissão e reforçaram que o grupo segue acompanhando as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
A presidente da comissão, vereadora Dra. Mara, informou que, com o avanço das investigações, a expectativa é que na próxima semana sejam enviados convites para que a vítima e o suspeito possam prestar esclarecimentos à comissão.
“Nós estamos acompanhando as investigações, e provavelmente na próxima semana já teremos uma conclusão da Polícia Civil e faremos convites à vítima e ao suspeito para que a gente possa encerrar junto essa comissão de forma concreta, dando respostas à população”, afirmou a parlamentar.
A vereadora por Cuiabá Michelly Alencar destacou que a comissão especial representa um instrumento importante do Poder Legislativo para acompanhar denúncias dessa natureza.
Segundo a parlamentar, esta é a primeira vez que a Câmara Municipal cria uma comissão com esse formato para tratar de um caso relacionado a suposto assédio.
“A comissão é um instrumento legal do Legislativo que tem a possibilidade de receber esse tipo de denúncia. A investigação parlamentar de inquérito, que é a CPI, não é o foro adequado para casos como violência sexual. Essa é a primeira vez que esta Casa criou uma comissão especial e que a população sabe que a gente pode acompanhar casos como esse com total responsabilidade e transparência.”
Michelly também ressaltou que a iniciativa ocorre em um momento histórico para o Legislativo cuiabano, que conta atualmente com a maior legislatura feminina da história da Câmara.
 
Canal de denúncias
Outro ponto discutido durante a reunião foi a criação de um canal de denúncias, que será lançado em parceria com a Procuradoria da Mulher da Câmara de Cuiabá. A ferramenta será voltada ao atendimento de munícipes, servidores e qualquer pessoa que necessite registrar denúncias ou buscar orientação.
O canal já está disponível por meio do número (65) 99918-6507, que será divulgado pela Câmara Municipal para facilitar o acesso das vítimas e garantir que denúncias possam ser registradas com segurança.
“É importante dizer que um dos pontos fundamentais de deliberação desta Comissão foi o canal criado para denúncias. A Câmara vai liberar para todos e divulgar qual é o número. Então, todas as mulheres que tiverem uma denúncia a fazer, que não estavam se sentindo seguras ou à vontade, este canal será um meio onde essa vítima poderá fazer a sua denúncia, terá um acompanhamento adequado e todo o aparato de segurança da sua denúncia resguardado também”.
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