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Dólar dispara e Bolsa do Brasil cai com guerra na Ucrânia

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Dólar dispara e Bolsa do Brasil cai com guerra na Ucrânia

O dólar teve forte alta nesta quinta-feira (24), dia em que os mercados globais foram sacudidos pelo início da guerra na Europa. A Rússia decidiu atacar a Ucrânia, naquilo que Kiev chamou de invasão total. É a mais grave crise militar na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.


A moeda americana disparou 2,01%, fechando a sessão cotada a R$ 5,1040. O salto ocorreu um dia depois da divisa americana ter atingido o seu menor valor frente ao real desde o final de junho. Nesta quarta-feira (23), a divisa havia recuado 0,95%, a R$ 5,0030, o que na ocasião representou um tombo de 12,4% desde o pico de valorização neste ano, de R$ 5,71 em 5 de janeiro.

Com o início da ofensiva militar russa, porém, houve valorização global da moeda americana. Ela costuma ser mais procurada por investidores em períodos de incerteza. Isso explica a virada na taxa de câmbio no Brasil.

Outro efeito do temor gerado pela guerra nas finanças brasileiras foi a queda da Bolsa de Valores. O Ibovespa fechou em baixa de 0,37%, a 111.591 pontos. Mais cedo, o índice de referência do mercado acionário do país havia tombado 2,57%, recuando à mínima de 109.125 pontos.

Até esta quarta, antes da invasão russa à Ucrânia, investidores estrangeiros que enxergavam o Brasil como alternativa às baixas nas bolsas de economias desenvolvidas mantinham um forte fluxo de investimentos no mercado financeiro doméstico.
Analistas avaliavam que a crise na Europa até mesmo favorecia esse movimento. Semelhanças entre os setores de commodities de Brasil e Rússia fariam do mercado brasileiro um potencial refúgio de investidores obrigados a interromper negócios em Moscou, que sofrerá sanções econômicas.

Fundamentos que tornam o Brasil atraente para investidores internacionais continuam presentes, como real desvalorizado, Bolsa com ações baratas, valorização de commodities e, principalmente, uma taxa de juros muito alta em relação às principais economias.

O início de uma guerra, porém, faz investidores abandonarem fundamentos para adotarem medidas de proteção contra riscos de perdas, segundo Fernanda Mansano, economista-chefe da plataforma de investidores TC (Traders Club).

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“Até então, a gente estava vendo um efeito carry trade com base no fundamento do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos”, diz Mansano.

Carry trade é como o mercado chama a prática de tomar crédito barato em países com juros baixos e aplicar em mercados com maior possibilidade de retorno.

“Agora, diante de uma situação de incerteza, pode haver fuga [do capital estrangeiro]. A chance de desvalorização cambial no curtíssimo prazo é real”, comenta a economista. “Costumo comparar esses momentos como dirigir quando está chovendo muito. O que você faz? Para o carro, espera passar, porque não dá para enxergar o que está lá na frente.”

Bolsas em todo mundo foram afetadas nesta quinta-feira.

Na Europa, o impacto do início da guerra sobre os mercados foi bem mais acentuado nesta quinta, onde os mercados fecharam antes do pronunciamento de Biden.

O índice que acompanha as 50 principais empresas de países que utilizam o euro como moeda desabou 3,63%. Os mercados de Londres, Paris e Frankfurt afundaram 3,88%, 3,83% e 3,96%, respectivamente.

Na Ásia, os principais índices acionários fecharam com quedas severas. Tóquio, Hong Kong e Xangai/Shenzhen despencaram em 1,81%, 3,21% e 2,03%, nessa ordem.

O barril do petróleo Brent, referência mundial para essa mercadoria, subia 1,56% no final da tarde, a US$ 98,35. Com isso, abandonava as máximas alcançadas pela manhã, quando disparou cerca de 8% e foi à casa dos US$ 105, maior valor desde 2014.

A Rússia é um dos principais produtores de petróleo e derivados, como o gás natural. Em meio à imprevisibilidade sobre a continuidade do abastecimento russo, sobretudo à Europa, temores de que uma quebra na oferta pressionam a cotação da commodity.

Após quase um dia inteiro flertando com a possibilidade de um novo fechamento negativo, os mercados de ações em Nova York apresentaram forte recuperação no final da tarde, após o presidente americano Joe Biden anunciar novas sanções contra a Rússia.

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Na principal reação do mercado americano, o índice que acompanha as empresas do setor de tecnologia listadas na Nasdaq disparou 3,35%. Isso empurrou para cima o S&P 500, referência do mercado dos Estados Unidos, que fechou em alta de 1,50%.

O índice Dow Jones, que reúne três dezenas de grandes companhias americanas, subiu 0,28%, após ter iniciado um avanço tardio em relação aos seus pares.

A recuperação no principal mercado do planeta ocorreu, porém, a partir de um patamar já rebaixado nos últimos dias. Wall Street vem caindo devido à expectativa de que uma política monetária mais rígida para a contenção da maior inflação em 40 anos. O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) prevê elevar os juros de referência do país a partir do próximo mês.

O S&P 500 atingiu na última terça-feira (22) uma baixa de 10% em relação à sua pontuação recorde alcançada em 3 de janeiro deste ano. Quando um indicador recua a partir dessa porcentagem em relação ao seu nível mais alto, ele entra na chamada “zona de correção”. Foi a primeira vez que isso ocorreu com esse indicador desde fevereiro de 2020, quando a Covid abalou mercados.

Parte da explicação para a virada após o discurso de Biden pode estar vinculada a concessões feitas a setores estratégicos para a economia global.

Biden bloqueou negócios das maiores empresas russas nos bancos dos EUA, inclusive da Gazprom, a gigante estatal de petróleo e gás. Mas o governo americano abriu exceções. Essas grandes empresas banidas da finança americana são autorizadas, por exemplo a fazer negócios relativos a energia (de exploração de combustíveis à produção, transporte etc.).

A escassez de combustíveis que pode ser provocada por limitações a esse segmento poderia resultar em uma aceleração ainda maior da inflação global, obrigando o Fed a acelerar ainda mais a alta dos juros americanos.

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Deputados e senadores aprovam relatórios setoriais do Orçamento

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A Comissão Mista de Orçamento aprovou nesta terça-feira (6) os 16 relatórios setoriais referentes ao projeto da Lei Orçamentária Anual de 2023 (PLN 32/2022). Cada relatório detalha uma área do Orçamento da União e avalia as emendas que contemplam os órgãos daquela área, sugerindo quais devem ser aceitas.

Nos próximos dias, deputados e senadores analisarão o relatório do comitê que avalia obras com indícios de irregularidades e, em seguida, o relatório final do senador Marcelo Castro (MDB-PI). A votação do Orçamento de 2023 está prevista para o dia 16 de dezembro, em reunião conjunta do Congresso Nacional.

O Relatório Preliminar do Orçamento de 2023 já foi aprovado na comissão e prevê que as projeções de receita e despesa totalizam R$ 5,2 trilhões, sendo R$ 143,5 bilhões destinados ao orçamento de investimento das estatais e R$ 5 trilhões aos orçamentos fiscal e da seguridade social. Destes, R$ 2 trilhões referem-se ao refinanciamento da dívida pública federal.

O texto de Castro prevê que a meta para o déficit primário do Governo Central em 2023 seja fixada em R$ 65,9 bilhões na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023, o equivalente a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), com aumento em relação ao déficit primário apurado em 2021 (0,41% do PIB). No Projeto de Lei do Orçamento Anual (PLOA) de 2023, a previsão é que o resultado primário do Governo Central seja um pouco menor do que a meta da LDO (R$ 63,7 bilhões).

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Edição: Lílian Beraldo

Fonte: EBC Economia

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