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Sabotagem do Nord Stream beneficia exportações de gás dos EUA para a Europa, avalia especialista

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Pouco depois, uma queda de pressão similar foi registrada em ambas as linhas do Nord Stream 1 (Corrente do Norte 1).
A mídia ocidental não poupou tempo em apontar os dedos para a Rússia como autora do ataque ao seu próprio patrimônio.
Entretanto, segundo informações da revista alemã Der Spiegel, publicadas na terça-feira (27), a CIA, agência de inteligência dos EUA, alertou Berlim sobre um possível ataque a gasodutos no mar Báltico há algumas semanas.
De acordo com o veículo, que cita “várias pessoas familiarizadas com o assunto”, a “dica” da agência de espionagem dos EUA foi recebida em Berlim semanas atrás. Oficialmente, no entanto, o governo norte-americano se recusou a comentar o assunto.
Hoje (29), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou o ataque aos gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2 como um “ato de terrorismo internacional” e informou que vai levar o caso ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Ministro das Relações Exteriores da Polônia Radoslaw Sikorski - Sputnik Brasil, 1920, 29.09.2022

Exercícios militares dos EUA na área dinamarquesa das explosões

Enquanto não há uma resposta concreta em relação ao ato de terrorismo, algumas reportagens publicadas recentemente apontam que os Estados Unidos estavam fazendo diversos exercícios militares, inclusive com o uso de drones submarinos, na região da ilha de Bornholm.
Um texto publicado pela revista Sea Power, mídia oficial da Marinha dos EUA, na metade de junho deste ano, traz alguns detalhes significativos sobre as ações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) exatamente na região onde ocorreram as explosões.
Sob pretexto de caçar minas no mar Báltico, a Marinha dos EUA testava “tecnologias emergentes” nos arredores da ilha dinamarquesa, dentro do programa militar chamado de Baltops (Operações no Báltico, na sigla em inglês).

“O Baltops também oferece uma oportunidade única para que as comunidades de pesquisa, desenvolvimento e aquisição dos EUA exercitem a tecnologia UUV [veículos marítimos não-tripulados, na sigla em inglês] atual e emergente em ambientes operacionais do mundo real. Neste ano, apresentou os programas atuais e futuros de registro para UUVs de caça às minas nos sistemas Mk18 e Lionfish”, elenca o texto.

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Mas é um trecho em especial da reportagem que chama a atenção: o mapeamento marítimo que estava sendo feito pelos EUA.

“Ambos os sistemas foram testados ao longo de dez dias de operações de caça às minas, coletando mais de 200 horas de dados submarinos.

Nord Stream 2 em construção no mar Báltico (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 29.09.2022

Dois meses antes, a própria mídia dinamarquesa mencionava o assunto: um futuro acordo bilateral entre Dinamarca e EUA, que permitiria que as tropas norte-americanas pudessem realizar operações com base em portos dinamarqueses — um deles na própria ilha de Bornholm.
Segundo a reportagem do site The Local, o embaixador russo na Dinamarca, Vladimir Barbin, dissera em fevereiro que “existia um acordo entre a Dinamarca e a Rússia que impedia que tropas americanas estivessem em Bornholm”.

“Barbin referiu-se a um acordo feito entre a Dinamarca e a União Soviética em 1946, quando as tropas do Exército Vermelho deixaram Bornholm após a libertação da Dinamarca no final da Segunda Guerra Mundial”, apontou o texto.

Questionada sobre a aliança militar com os EUA e sobre a quebra do acordo feito com a Rússia, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, respondeu:

“Posso dar uma resposta muito curta a isso. O embaixador russo não deve se envolver no que acontece em Bornholm.”

Soldados ucranianos inspecionam um veículo militar danificado após combate em Carcóvia, 27 de fevereiro, 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 14.09.2022

‘Problema sério para a Europa’, diz pesquisador

Charles Pennaforte, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e coordenador do Laboratório de Geopolítica, Relações Internacionais e Movimentos Antissistêmicos (LabGRIMA), aponta que se trata de um problema que vai agravar mais ainda a crise na União Europeia (UE).

“A perda do gasoduto Nord Stream é mais um sério problema para a Europa em termos de abastecimento. A UE que já vem sendo afetada pelas sanções feitas à Rússia, sentirá ainda mais os efeitos da diminuição de envio de gás. Os preços já estão extremamente elevados com impactos diretos na economia e no nível de vida da população agora no inverno”, afirma.

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Sobre um eventual ato de sabotagem, ele ressalta que, embora todas as versões sejam possíveis, provas são necessárias.

“O aprofundamento do conflito tem os EUA como principal beneficiário em minha concepção. Abre caminho para a exportação de seus produtos e insumos para a Europa, que, ao seguir as diretrizes de Washington sem a menor visão geopolítica e estratégica crítica, sentirá muito mais os efeitos da crise”, continua.

Em termos de implicações para a geopolíitca global, Pennaforte nota que os EUA não abandonaram a sua doutrina da Guerra Fria, isto é, sempre viram a Rússia como herdeira da Uinão das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), o que de fato é, e como um inimigo geopolítico a ser subjugado para facilitar o acesso ao interior da Ásia e “às costas” da China.

“Um governo pró-Ocidente seria fundamental para isso”, diz o professor sobre os objetivos norte-americanos. “O retorno da Rússia ao palco global nos últimos anos e sua taxativa repulsa à expansão da OTAN sobre o Leste Europeu, em especial à Ucrânia em 2014 (eu chamo de ‘primeira onda’ de expansão geopolítica) e agora com a possibilidade de entrada real de Kiev na OTAN em 2022 (‘segunda onda’), explicam o atual cenário de conflito [por um lado]. Por outro, os EUA ‘internacionalizaram’ um conflito que seria regional, justamente para facilitar os seus objetivos, uma ‘pós-Guerra Fria tardia’. E a Europa pagará um preço alto pelos seus líderes, em grande maioria, não defenderem os interesses de seus países, mas, sim, de Washington.”

Tanque de gás em planta química em Oberhausen, na Alemanha, em 6 de abril de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 28.09.2022

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Especialistas da AIEA avaliaram danos em Zaporozhie e não encontraram nenhuma ameaça à segurança

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Especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) examinaram os danos causados ​​​​à usina nuclear de Zaporozhie por bombardeios intensos e concluíram que não havia ameaças imediatas à segurança nuclear. A declaração foi dada pelo diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, nesta segunda-feira (21).

“Uma equipe de especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica avaliou hoje [21] a extensão dos danos causados ​​por bombardeios intensos no fim de semana na Usina Nuclear Zaporozhie, na Ucrânia. Eles puderam confirmar que, apesar da gravidade do bombardeio, o equipamento principal permaneceu intacto e não há risco imediato à segurança nuclear ou preocupações com a segurança”, disse Grossi.

Unidade da usina nuclear de Zaporozhie em Energodar, foto publicada em 23 de agosto de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 09.09.2022

De acordo com o chefe da AIEA, um total de quatro especialistas em segurança nuclear, proteção e salvaguardas realizaram uma extensa visita à usina nuclear. Posteriormente, eles divulgaram um comunicado com as conclusões, afirmando que a condição dos reatores após o bombardeio era estável.

“O estado das seis unidades do reator é estável e a integridade do combustível irradiado, do combustível novo e dos resíduos radioativos de baixo, médio e alto níveis em suas respectivas instalações de armazenamento foi confirmada”, disse o comunicado da equipe.

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