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GASTOS PÚBLICOS

Festa de R$ 755 mil em Ponte Branca custa 8 meses de Bolsa Família local

Prefeitura de Ponte Branca (MT) contrata R$ 755 mil em shows para o fim de ano, incluindo cachê de R$ 500 mil para Rio Negro e Solimões, em município com 2 mil habitantes e alta dependência social.

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gastos da Prefeitura de Ponte Branca
concentração de gastos em uma única atração e o contraste entre o custo da festa e a verba social do município.

Município de 2 mil habitantes contrata dupla Rio Negro e Solimões por meio milhão; valor global do evento supera em quase oito vezes o repasse mensal de programas sociais e expõe paradoxos de gestão.

A pequena cidade de Ponte Branca, no interior de Mato Grosso, prepara um fim de ano de proporções gigantescas. A Prefeitura oficializou, nesta sexta-feira (12), a contratação de uma grade artística de luxo para a “XXV Festa da Família”. O evento, marcado para ocorrer entre os dias 27 e 31 de dezembro, custará R$ 755.000,00 aos cofres públicos apenas com cachês de artistas. O montante chama atenção quando cruzado com a realidade socioeconômica local, marcada por alta dependência de transferências federais e gargalos em saneamento básico.

A seguir, veja como o valor total dos contratos foi distribuído entre as atrações:

Como mostra o gráfico superior, o contrato mais robusto foi firmado com a veterana dupla sertaneja Rio Negro e Solimões. Para uma única apresentação, agendada para a abertura da festa no dia 27 de dezembro, a administração municipal desembolsará R$ 500.000,00. Esse valor, sozinho, representa quase dois terços (66,2%) de todo o orçamento destinado às atrações artísticas.

O peso da festa no bolso do cidadão

Para entender a dimensão do gasto, é preciso olhar para a demografia. Segundo o Censo de 2022, Ponte Branca possui apenas 2.008 habitantes. Isso significa que a Prefeitura gastará, em média, R$ 376,00 por morador apenas com os shows de fim de ano. O cálculo per capita revela um investimento em entretenimento superior ao que se observa em muitos municípios com arrecadação própria mais consolidada.

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A disparidade se acentua ao analisar a vulnerabilidade social. Dados de auditoria socioeconômica indicam que cerca de 20% da população local (414 pessoas) sobrevive graças ao Bolsa Família. O governo federal injeta mensalmente cerca de R$ 97 mil na economia da cidade por meio do programa.

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O gráfico inferior da imagem acima ilustra essa comparação de forma contundente: o valor gasto com a “Festa da Família” (R$ 755 mil) equivale a quase oito meses de sustento de todas as famílias pobres do município somadas.

A lista completa de contratações

Além da atração nacional, a administração pulverizou o restante do orçamento em artistas regionais e locais. As publicações no Diário Oficial do Estado detalham a seguinte estrutura de gastos:

  • Rio Negro e Solimões: R$ 500.000,00 (27/12).

  • Thayla Costa: R$ 140.000,00 (dois shows, sendo R$ 50 mil no dia 28 e R$ 90 mil no dia 29).

  • Melado do Forró: R$ 60.000,00 (apresentações dias 27 e 31).

  • Jorge e Miguel: R$ 40.000,00 (29/12).

  • DJ Google Play: R$ 15.000,00 (28 e 29/12).

Todas as contratações foram realizadas sob a égide da Lei nº 14.133/2021, que rege as licitações e contratos administrativos. A legalidade do processo, contudo, não blinda a gestão de questionamentos sobre a prioridade na alocação de recursos escassos.

Contradições administrativas

O cenário de “festa rica” contrasta com dificuldades técnicas recentes enfrentadas pelo município. Ponte Branca figurou na lista de entes inabilitados a receber a complementação do VAAT (Valor Aluno Ano Total) do Fundeb em 2024. O motivo foi puramente burocrático: falhas ou ausência de envio de dados contábeis ao sistema SIOPE.

Enquanto a gestão demonstra eficiência e agilidade para empenhar R$ 755 mil em shows artísticos, a estrutura educacional perdeu verbas federais importantes por ineficiência administrativa. Além disso, o município ainda enfrenta um déficit crítico em saneamento. A maioria das residências ainda depende de fossas sépticas ou rudimentares, sem acesso a uma rede de tratamento de esgoto universalizada.

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Cenário político favorável

A execução de um gasto dessa magnitude ocorre em um ambiente político de “céu de brigadeiro”. O atual prefeito, Clenei Parreira da Silva (União Brasil), administra com hegemonia absoluta. Ele foi reeleito em 2024 como candidato único, obtendo 100% dos votos válidos.

Na Câmara Municipal, a base aliada é sólida, o que reduz as chances de uma fiscalização incisiva por parte do Legislativo sobre a pertinência desses gastos. Sem oposição política competitiva, o controle social sobre o orçamento recai quase exclusivamente sobre órgãos externos, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), e sobre a própria população.

O evento promete movimentar a economia local e atrair visitantes de cidades vizinhas e de Goiás, dada a proximidade da fronteira. Todavia, o legado da festa para a infraestrutura da cidade permanece uma incógnita diante das carências estruturais que persistem quando a música para.

 

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Diamantino MT

Prefeitura de Diamantino abre inscrições para alfabetização de jovens, adultos e idosos

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A Prefeitura de Diamantino, por meio da Secretaria Municipal de Educação, está com inscrições abertas para o Programa Mais MT Muxirum, iniciativa do Governo de Mato Grosso, desenvolvida pela Secretaria de Estado de Educação (SEDUC-MT), que tem como objetivo alfabetizar jovens, adultos e idosos, a partir dos 15 anos de idade, que ainda não tiveram a oportunidade de aprender a ler e escrever.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 07 de agosto de 2026, diretamente na Secretaria Municipal de Educação. As aulas terão início no dia 10 de agosto e serão ofertadas nos bairros Novo Diamantino, Buriti, Pedregal, Bairro da Ponte e na comunidade de Deciolândia.

Para efetuar a matrícula, é necessário apresentar RG, CPF, Título de Eleitor e comprovante de residência atualizado. A Secretaria Municipal de Educação está localizada na Rua Almirante Batista das Neves, nº 447, Centro.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, as turmas terão aulas organizadas em dois ou três dias por semana, conforme o planejamento de cada localidade, com carga horária mínima de 10 horas semanais, totalizando 270 horas ao longo de oito meses.

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A secretária municipal de Educação, Valéria Neves, ressaltou a importância do programa como ferramenta de transformação social e incentivo ao retorno aos estudos.

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“O Programa Mais MT Muxirum representa uma nova oportunidade para jovens, adultos e idosos que não tiveram acesso à alfabetização. Aprender a ler e escrever é um passo importante para conquistar mais autonomia e ampliar as possibilidades no dia a dia. Nosso compromisso é acolher esses estudantes e incentivar sua permanência, mostrando que nunca é tarde para transformar a vida por meio da educação.”

Fonte: Prefeitura de Diamantino MT

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