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Obituário Policial

Morre Marcelo Vip, o ‘maior golpista do Brasil’

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Morte de Marcelo Vip
Marcelo Nascimento da Rocha viveu seus últimos anos entre tentativas de palestras e novos problemas com a Justiça em MT. Foto: Rogério Florentino

O pano caiu definitivamente para um dos personagens mais controversos da crônica policial brasileira. Marcelo Nascimento da Rocha, imortalizado na cultura pop como “Marcelo Vip”, morreu nesta terça-feira (9), aos 49 anos. A figura que inspirou filmes e livros não resistiu a complicações decorrentes de uma cirrose, conforme confirmado pelo advogado e amigo Nilton Ribeiro.

No entanto, por trás da mística do “maior golpista do Brasil”, havia uma realidade menos glamorosa vivida em Mato Grosso. O estado foi palco tanto de suas tentativas de ressocialização quanto de sua reincidência criminal.

A ilusão da ‘nova vida’ em Mato Grosso

Após deixar o sistema prisional em 2014, Marcelo escolheu Mato Grosso como refúgio. Ali, buscou se reinventar como palestrante, consultor e produtor de eventos. A narrativa era de superação. Ele chegou a trabalhar na organização de shows, vendendo a imagem de quem havia deixado o crime para trás.

Marcelo chegou ter uma coluna prória em um site de política famoso da Capital em 2016,  onde escrevia sobre novidades, curiosidades e dicas sobre o universo cultural, em especial sobre a cena musical.

Todavia, o passado cobrou seu preço. O estado não possuía estrutura adequada para o regime semiaberto, o que inicialmente o beneficiou com a prisão domiciliar monitorada por tornozeleira. Mas a liberdade vigiada não impediu novos delitos.

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Em 2018, a máscara caiu novamente durante a Operação Regressus. Deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso, com apoio do Ministério Público Estadual (MPE) e do Tribunal de Justiça (TJMT), a ação revelou que o velho hábito de falsificar a realidade persistia. Marcelo foi preso por apresentar atestados falsos para obter a progressão de regime.

A investigação foi profunda. A polícia descobriu que ele utilizava documentos fraudulentos e empresas de fachada para simular trabalho e conseguir a remição da pena.

O esquema no Judiciário e conexões perigosas

A Operação Regressus expôs as entranhas de um sistema vulnerável. Além de Marcelo, foram detidos personagens chaves do judiciário e do crime. Entre eles, Pitágoras Pinto de Arruda, ex-assessor da 2ª Vara Criminal de Cuiabá (Vara de Execuções Penais), e Márcio Batista da Silva, o “Dinho Porquinho”, condenado por tráfico.

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As autoridades cumpriram 19 ordens de busca e apreensão. Os mandados varreram Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e chegaram até o Rio de Janeiro. O recado era claro: o sistema de progressão de pena estava sendo manipulado de dentro para fora.

O golpe dos equipamentos médicos: engenharia social refinada

Talvez o episódio que melhor ilustre a sofisticação criminosa de Marcelo em solo mato-grossense seja o golpe contra médicos. Diferente das aventuras cinematográficas, aqui o crime envolvia corrupção e dados sensíveis.

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Marcelo e sua esposa, Hellen Cristina Carmo de Lima, foram denunciados por improbidade administrativa. O esquema contava com a participação de servidoras públicas da Secretaria de Estado de Administração (SAD).

As funcionárias facilitavam o acesso aos contatos telefônicos das vítimas. De posse dessas informações, Marcelo entrava em cena. Ele ligava para médicos e profissionais liberais se passando por “Wagner Monteiro”, um suposto auditor da Receita Federal.

O roteiro era convincente. Ele dizia que “precisava obter informações sobre o aparelho auto refrator Topcon, vez que um desses equipamentos havia sido apreendido em uma fiscalização e seria levado a leilão pela Receita Federal”.

A isca do preço baixo

O “auto refrator Topcon” é um equipamento caro, usado para mapeamento de córneas. No mercado de usados, custa mais de R$ 30 mil. Marcelo oferecia a máquina por preços muito abaixo do mercado.

A armadilha era técnica. O golpista afirmava que, para participar, “bastaria efetuar um cadastro no site da Receita Federal, na página de leilões”.

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Quando a vítima tentava e falhava — pois o leilão não existia —, Marcelo oferecia a “solução”. Ele alegava estar com o “sistema funcional aberto” e se oferecia para fazer o cadastro manualmente. Nesse momento, capturava todos os dados pessoais do alvo.

O golpe financeiro vinha na sequência. Ele convencia as vítimas a transferir dinheiro “para uma tal de despachante aduaneira, em nome de Lucineia Almeida, no Banco do Brasil”. Posteriormente, os valores iriam para a conta de sua esposa, Hellen.

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Segundo o MP-MT, o golpe não se concretizou plenamente porque as vítimas “não efetuaram o depósito na conta corrente fornecida”. Mesmo assim, o casal foi condenado a ressarcir os cofres públicos. Em julho deste ano, bens e contas foram penhorados pela Justiça.

PARA ENTENDER MELHOR: a ascensão do ‘mito’

A fama de Marcelo explodiu em 2001. Durante o Recifolia, carnaval fora de época no Recife, ele se passou por Henrique Constantino, filho do dono da Gol Linhas Aéreas.

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  • A farsa: Alugou jatinhos, deu entrevistas em rede nacional e foi paparicado por celebridades globais.

  • O cinema: Sua vida inspirou o filme “VIPs”, onde foi interpretado por Wagner Moura.

  • A prisão: Foi preso em 12 estados diferentes e protagonizou nove fugas, incluindo uma ousada escapada de Bangu, onde negociou o fim de uma rebelião fingindo ser líder do PCC.

Do glamour à decadência

A trajetória de “Marcelo Vip” é um estudo de caso sobre a falibilidade humana e institucional. Ele era piloto de avião real, mas usou essa habilidade também para o crime, envolvendo-se com roubo de aeronaves e associação ao tráfico.

Sua morte encerra um ciclo de crimes que misturou ousadia intelectual com prejuízos reais a terceiros. Deixou marcas em profissionais da saúde enganados, no sistema judiciário burlado e na cultura pop que, muitas vezes, romantizou seus atos.

Ainda não foram divulgadas informações sobre velório e sepultamento. O que resta é a história de um homem que viveu tantas vidas falsas que, ao final, talvez tenha tido pouco tempo para viver a sua própria.

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Sorriso

Segue intensa fiscalização em terrenos sujos

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O Núcleo Integrado de Fiscalização (NIF) realiza, ao longo de 2026, ações contínuas de vistoria e autuações de terrenos urbanos com vegetação espontânea alta e/ou acúmulo de resíduos sólidos.

Na última semana, foram enviados diversos e-mails comunicando aos proprietários de imóveis, edificados ou não, sobre a emissão de Auto de Infração em seu desfavor, referentes aos bairros: Recanto Seguro, Jardim dos Imigrantes, São Conrado, Terra Ville, Jardim Guarujá, Serra Dourada, Colinas, Flor do Cerrado, Santa Clara I, Santa Clara II e Jardim Aurora.

Nos próximos dias, será realizada a publicação destes autos em edital.

Os proprietários podem realizar a consulta por meio dos seguintes canais:

Edital: https://amm.diariomunicipal.org/publicacoes/

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Site da Prefeitura: https://site.sorriso.mt.gov.br/transparencia?c=Publicacao_Transparencia_view&f=786

Os próximos bairros a serem fiscalizados são: Morada do Bosque I, Morada do Bosque II, Morada do Bosque III, Novo Horizonte I, Novo Horizonte II, Novo Horizonte III, Copenhagen, Florais da Mata e Villa Rica. As ações de fiscalização serão realizadas em todos os bairros do município ao longo do cronograma estabelecido pelo NIF.

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Os Autos de Infração são enviados por e-mail aos proprietários, conforme o endereço eletrônico informado junto à Administração Municipal, e publicados em edital e no site da Prefeitura, garantindo transparência e amplo acesso à informação.

Como denunciar terrenos sujos?

A população pode enviar as denúncias por meio do WhatsApp (66) 3545-4700 (opção 6 – Secretaria da Cidade), enviando fotos e localização do imóvel.

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Também há atendimento pelo telefone (66) 3545-4769, de segunda a sexta-feira.

Recebeu notificação: o que fazer?

Conforme a Lei Municipal nº 3.302/2022, o proprietário tem prazo de 15 dias para limpar o terreno e apresentar defesa administrativa ao NIF.

A defesa deve conter fotos que comprovem a limpeza do imóvel, livre de mato, entulhos e resíduos. O protocolo deve ser realizado junto ao NIF ou através do e-mail [email protected].

O que acontece em caso de descumprimento?

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Se não houver a regularização dentro do prazo, além da multa, o Município poderá realizar a limpeza do terreno, com cobrança de taxa administrativa.

Atualização cadastral

Para evitar problemas, os proprietários devem manter seus dados atualizados junto ao Departamento de Tributação.

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A atualização pode ser feita presencialmente, de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, no Paço Municipal, ou pelo telefone (66) 3545 4700.

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Fonte: Prefeitura de Sorriso – MT

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