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AGRONEGÓCIO

Enquanto EUA anunciam tarifas, China abre mercado para a carne brasileira

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No mesmo momento em que os Estados Unidos ampliam as ameaças tarifárias contra produtos brasileiros, a China enviou um sinal na direção oposta. O governo chinês anunciou nesta terça-feira (02.05) o reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, decisão que elimina as últimas restrições sanitárias sobre estados do Norte do país e abre caminho para ampliar as exportações de carne bovina e suína ao principal mercado consumidor do mundo.

A medida tem peso estratégico para o agronegócio brasileiro. A China é o maior comprador mundial de carne bovina e absorve mais da metade de toda a carne bovina exportada pelo Brasil. Apenas no primeiro trimestre deste ano, os chineses importaram quase R$ 16,5 bilhões em carnes brasileiras, demonstrando a dimensão do mercado para a pecuária nacional.

O reconhecimento encerra uma negociação que se arrastava há mais de duas décadas e uniformiza o status sanitário brasileiro perante as autoridades chinesas. Na prática, produtos que enfrentavam limitações em razão das restrições aplicadas a determinadas regiões do país passam a ter acesso ampliado ao mercado asiático. Entre os principais beneficiados estão carnes com osso, miúdos e outros produtos de maior valor agregado, segmentos que tradicionalmente encontram forte demanda na China.

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A decisão ocorre em um momento particularmente relevante para a pecuária nacional. Nos últimos meses, frigoríficos e exportadores brasileiros vinham buscando ampliar sua participação no mercado chinês, inclusive com pedidos de habilitação de novas plantas exportadoras e negociações para aumento de volumes embarcados.

A importância da China para o campo brasileiro vai muito além da pecuária. No ano passado, o país asiático comprou mais de R$ 275 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro, mantendo-se com ampla folga como o principal destino das exportações do setor.

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Para a pecuária, o anúncio representa uma vitória ainda mais significativa porque reforça a credibilidade sanitária brasileira justamente quando diversos países endurecem exigências para importação de proteínas animais. O reconhecimento chinês funciona como um aval à estrutura de vigilância sanitária e defesa agropecuária construída pelo Brasil ao longo dos últimos anos.

A sinalização também ganha relevância diante do cenário internacional. Enquanto Washington discute novas sobretaxas que podem atingir parte das exportações brasileiras, Pequim amplia o acesso para um mercado de mais de 1,4 bilhão de consumidores e reforça sua posição como principal destino da proteína animal produzida no Brasil. Para o setor pecuário, a mensagem é clara: se de um lado surgem barreiras comerciais, do outro o maior comprador de carne do planeta está abrindo ainda mais espaço para o produto brasileiro.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Etanol além da cana: trigo, soja, batata-doce e até resíduos alimentares impulsionam nova revolução dos biocombustíveis no Brasil

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O Brasil está vivendo uma nova transformação no setor de biocombustíveis. Tradicionalmente sustentada pela cana-de-açúcar e, mais recentemente, pelo milho, a indústria nacional de etanol avança para uma fase marcada pela diversificação de matérias-primas, incorporando culturas como trigo, cevada, sorgo, soja, batata-doce, resíduos alimentares e até agave.

A chamada “terceira onda” dos biocombustíveis promete ampliar a oferta de energia renovável, gerar novas fontes de renda para produtores rurais e fortalecer a segurança energética do país em um cenário global marcado por volatilidade nos mercados de petróleo.

Com um mercado estimado em cerca de US$ 20 bilhões, o Brasil mantém a segunda maior indústria de etanol do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A expansão das alternativas produtivas surge em um momento estratégico para o setor.

Diversificação fortalece a transição energética

Especialistas e empresas do setor avaliam que o futuro dos biocombustíveis dependerá da integração de diferentes fontes de biomassa, reduzindo a dependência de uma única cultura.

A proposta ganha relevância em meio ao aumento da demanda global por combustíveis renováveis e à necessidade de ampliar a produção sem comprometer a sustentabilidade do sistema agrícola.

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A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta que a produção brasileira de etanol alcançará aproximadamente 40 bilhões de litros em 2026. Desse total, cerca de 28,5 bilhões de litros deverão ser originados da cana-de-açúcar, enquanto mais de 11 bilhões de litros virão de outras matérias-primas, principalmente milho, mas também trigo, soja e outros cereais.

Trigo lidera nova fronteira do etanol no Sul

O Rio Grande do Sul desponta como protagonista da nova fase dos biocombustíveis. A empresa Be8 está investindo R$ 1,7 bilhão na construção da primeira biorrefinaria brasileira em larga escala voltada à produção de etanol a partir de trigo e grãos de inverno.

A unidade, localizada em Passo Fundo (RS), tem previsão de iniciar operações em março de 2027 e capacidade para produzir 220 milhões de litros de etanol por ano.

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Além do combustível, a planta deverá gerar importantes coprodutos para a pecuária, incluindo 155 mil toneladas anuais de DDG (grãos secos de destilaria) e 27 mil toneladas de glúten de trigo, ampliando a rentabilidade da cadeia produtiva.

A iniciativa também cria novas perspectivas para culturas de inverno que historicamente enfrentam limitações de mercado, fortalecendo a diversificação agrícola no Sul do país.

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Soja e batata-doce ganham espaço na produção de biocombustíveis

A busca por eficiência econômica tem levado empresas a explorar matérias-primas antes pouco valorizadas para a produção de etanol.

No setor da soja, indústrias como Caramuru e CJ Selecta passaram a transformar o melaço gerado no processamento da oleaginosa em combustível renovável, agregando valor a um subproduto de baixa rentabilidade.

Já em São Paulo, produtores encontraram uma alternativa para aproveitar excedentes de batata-doce que frequentemente permaneciam no campo por falta de viabilidade comercial. A transformação do tubérculo em etanol e ração animal cria uma nova fonte de receita e reduz desperdícios na propriedade rural.

A tecnologia permite que volumes anteriormente descartados passem a integrar uma cadeia produtiva com valor agregado.

Resíduos alimentares também viram combustível

A economia circular também ganha espaço na indústria brasileira de biocombustíveis.

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Empresas especializadas em gestão ambiental estão utilizando resíduos alimentares descartados por indústrias para produzir etanol. Xaropes de refrigerantes, alimentos vencidos e outros materiais orgânicos passaram a ser transformados em combustível renovável.

Embora ainda represente uma parcela pequena da produção nacional, essa alternativa demonstra o potencial de aproveitamento energético de resíduos que antes seriam destinados a aterros sanitários.

Agave pode abrir nova fronteira no semiárido brasileiro

Outra aposta promissora vem do semiárido brasileiro. A Shell investe aproximadamente R$ 100 milhões em pesquisas para avaliar o potencial do agave como matéria-prima para a produção de etanol.

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Conhecida internacionalmente por seu uso na fabricação de tequila e mezcal, a planta apresenta elevada resistência à seca e pode se tornar uma alternativa estratégica para regiões com restrições hídricas.

Caso os estudos confirmem sua viabilidade econômica, o cultivo poderá ampliar as oportunidades de produção de biocombustíveis em áreas atualmente pouco exploradas para esse fim.

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Setor aposta no crescimento da demanda

Apesar do avanço das novas tecnologias, parte da indústria sucroenergética demonstra preocupação com a expansão acelerada da oferta de etanol, especialmente diante dos atuais desafios enfrentados pelo mercado de açúcar.

Por outro lado, representantes do setor acreditam que o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina e a ampliação da infraestrutura de abastecimento devem sustentar o crescimento da demanda nos próximos anos.

A expectativa é que a mistura obrigatória de etanol na gasolina avance para 32%, o que poderá adicionar cerca de 1 bilhão de litros ao consumo anual do biocombustível no Brasil.

Especialistas projetam ainda que os combustíveis produzidos a partir de grãos possam representar entre 40% e 45% da produção nacional dentro dos próximos cinco a seis anos.

Brasil amplia liderança mundial em energia renovável

A expansão das matérias-primas para produção de etanol reforça uma das principais vantagens competitivas do agronegócio brasileiro: a capacidade de transformar diferentes culturas agrícolas e resíduos em energia renovável.

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Com investimentos bilionários, inovação tecnológica e novas oportunidades para produtores rurais, a terceira onda dos biocombustíveis sinaliza uma profunda transformação no setor energético nacional, consolidando o Brasil como uma das principais referências globais na produção sustentável de combustíveis renováveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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