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Cultura

Lançado streaming gratuito com 555 obras nacionais

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Tela Brasil

Plataforma Tela Brasil exige login único e recebe investimento de R$ 9 milhões; catálogo inclui filmes indicados ao Oscar

O governo federal lançou neste sábado (30) a plataforma Tela Brasil, serviço de streaming público e gratuito. O anúncio ocorreu na Cidade das Artes, na zona oeste do Rio de Janeiro.

A plataforma pode ser acessada aqui.

A iniciativa centraliza o acesso a produções audiovisuais históricas e contemporâneas do país para contornar o gargalo da distribuição. Ao integrar o acervo ao sistema Gov.br, a gestão tenta consolidar o consumo de cultura nacional como política pública e disputar espaço com os conteúdos estrangeiros consumidos diariamente pela população.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a plataforma como um instrumento de soberania. Para o chefe do Executivo, a ferramenta garante aos brasileiros a oportunidade de conhecerem a si mesmos e entenderem os motivos pelos quais o país chegou à sua situação atual.

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“[A Tela Brasil] vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim?”, questionou o presidente durante o evento.

Lula criticou o volume de produções internacionais disponíveis nas telas brasileiras. “A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver. O que não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, disse.

Além do aspecto identitário, o presidente citou o desconhecimento geral sobre o peso econômico do setor cultural e a quantidade de empregos gerados pela área para o desenvolvimento do país. “O mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós chegamos”, afirmou.

Estrutura de acervo e curadoria

O catálogo inaugural da plataforma conta com 555 obras audiovisuais brasileiras. O acervo cobre mais de um século de produção, com títulos que vão desde registros históricos do ano de 1910 até lançamentos contemporâneos de 2025.

A divisão do catálogo abrange diferentes formatos da produção nacional. Os usuários têm acesso a 267 curtas-metragens e 139 longas-metragens. A plataforma disponibiliza ainda 85 médias-metragens ou telefilmes, além de 64 obras seriadas. Dentro deste volume, 19 títulos já representaram o Brasil na disputa pelo prêmio Oscar.

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Entre os filmes listados no acervo inaugural estão clássicos do cinema nacional como “A Hora da Estrela”, dirigido por Suzana Amaral, e “Xica da Silva”, de Cacá Diegues. O catálogo oferece também “Central do Brasil”, de Walter Salles, “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, e “Carandiru” (2003), de Hector Babenco. Obras históricas como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha, e o drama biográfico “Olga” (2004), dirigido por Jayme Monjardim, integram a lista de destaques.

O Ministério da Cultura (MinC) estruturou a curadoria com foco na diversidade. As categorias organizam o conteúdo para a infância, juventude, artes e brasilidade. O acervo abriga produções do cinema negro, cinema indígena e obras dirigidas por mulheres. Temas como justiça climática e sustentabilidade possuem espaço específico.

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A pasta criou a categoria Africanidades. Esta seção reúne narrativas, memórias e experiências da população negra no Brasil, promovendo o entrelaçamento entre a ancestralidade e a contemporaneidade.

Financiamento e bases institucionais

O desenvolvimento do projeto Tela Brasil demandou um investimento de R$ 9 milhões, executado entre os anos de 2024 e 2025. O governo afirma que o montante financiou o licenciamento do catálogo, o desenvolvimento de tecnologia própria e a implementação de ferramentas de acessibilidade.

O Ministério da Cultura coordenou a criação da plataforma, apoiado por uma parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL). O acervo reúne conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e materiais guardados por instituições vinculadas ao Sistema MinC. Integram essa rede de fornecimento a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e a Fundação Cultural Palmares.

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A ministra da Cultura, Margareth Menezes, apontou a dificuldade de distribuição como o principal obstáculo do setor. “Na questão do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país?”, indagou.

Menezes argumentou que o audiovisual funciona como um agregador de outras linguagens artísticas, como a música e o desenho, abrigando a diversidade da produção nacional. Ela defendeu o resgate histórico de figuras formadoras do país. “O povo que se conhece, o povo que se vê, ele se fortalece, porque nossas histórias são lindas. Temos os povos originários, os povos africanos, os povos europeus, as pessoas que construíram esse país, as histórias que nunca foram contadas.”

Acessibilidade e tecnologia

A acessibilidade balizou a seleção pública das obras. Todos os títulos escolhidos por meio de edital público possuem três recursos obrigatórios: audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

A professora Luciana Peixoto Santa Rita, representante da UFAL no projeto, explicou o embasamento acadêmico da iniciativa. “Importante destacar que tem pesquisa no meio sobre acessibilidade. São obras com três recursos de acessibilidade, que envolvem também discussão sobre preservação e memória. Há soluções tecnológicas e soluções jurídicas sobre regulamentação. É política pública baseada em pesquisa e evidência”, declarou.

Nesta fase inicial, o sistema funciona diretamente nos navegadores de computadores, permitindo a transmissão do sinal para Smart TVs. O governo estipulou um prazo de 30 dias para a disponibilização de aplicativos dedicados para celulares nos sistemas Android e iOS.

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Integração de políticas públicas

A navegação no serviço requer uma conta ativa no Gov.br. O sistema oferece o “Perfil Cidadão”, destinado ao acesso individual e gratuito, no qual o usuário assiste aos documentários, filmes e séries organizados por gêneros e cria listas de favoritos.

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O MinC desenvolveu também o “Perfil Direcionado”. Esta modalidade atende exibições coletivas e sem fins comerciais. O alvo são salas de aula, cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas e museus.

Durante a cerimônia na Cidade das Artes, o governo assinou um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o MinC e a TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O tratado visa expandir a circulação de conteúdos e integrar as políticas para o audiovisual.

Lula conectou a nova plataforma a outras ações do governo, citando o MEC Livros, programa com acervo de 25 mil títulos. O presidente determinou a inclusão da cultura nos projetos de infraestrutura do governo federal. “Todo o conjunto habitacional que a gente entregar, nesse país, vai ter uma biblioteca para que a pessoa tenha acesso à cultura”, afirmou.

Além do presidente e da ministra da Cultura, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, participou do evento no Rio de Janeiro.

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O desenvolvimento da plataforma Tela Brasil baseou-se em metodologias de pesquisa aplicadas pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), sob coordenação do Ministério da Cultura. A equipe executou levantamentos sobre acessibilidade, preservação e memória audiovisual. O processo envolveu a formulação de soluções tecnológicas proprietárias para o streaming e o desenho de soluções jurídicas para a regulamentação do licenciamento e da exibição das obras. A estruturação do projeto durou dois anos (2024-2025) e consolidou uma política pública fundamentada em evidências acadêmicas para o repasse de R$ 9 milhões e seleção de 555 títulos via edital e acervos oficiais.

Entenda:

  • Enlatados: Expressão usada historicamente no Brasil para designar produções audiovisuais estrangeiras, geralmente seriados e filmes norte-americanos de apelo comercial massivo, distribuídos em larga escala para preencher a grade de programação local.

  • Telefilmes: Filmes de média ou longa duração produzidos especificamente para a exibição inicial em redes de televisão, diferenciando-se das obras concebidas prioritariamente para as salas de cinema.

  • Fundo Setorial do Audiovisual (FSA): Fundo público destinado ao desenvolvimento de toda a cadeia produtiva do audiovisual no Brasil, operando recursos para financiamento de projetos de cinema, TV e outras mídias.

  • Audiodescrição: Recurso de acessibilidade que traduz imagens em palavras, permitindo que pessoas cegas ou com baixa visão compreendam conteúdos visuais, expressões faciais e cenários em filmes e peças teatrais.

 

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Plantonista confessa assassinato de paciente em clínica de Cuiabá

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homicídio clínica cuiabá

Funcionário responsável por 42 internos tentou simular suicídio por enforcamento, mas laudo pericial revelou fraude processual na cena do crime

A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu em flagrante neste domingo (31) um plantonista de 42 anos que confessou ter matado um paciente em uma clínica de Cuiabá. A vítima, Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, foi encontrada morta com marcas de corda no pescoço na unidade de saúde localizada no bairro Jardim Primavera.

O caso revela um cenário de vulnerabilidade dentro do estabelecimento de acolhimento. O suspeito era o único profissional responsável pelo plantão noturno da ala, que abrigava um total de 42 internos. A ocorrência foi inicialmente comunicada às autoridades como um suicídio, dinâmica que foi desmontada horas depois pela investigação de campo.

“Aguarda-se, agora, a conclusão dos laudos periciais definitivos, em especial os exames de necropsia, local e local de crime, para que se possa confirmar ou até melhorar a dinâmica dos acontecimentos, bem como estabelecer, com maior precisão técnica, o exato mecanismo do óbito e a efetiva participação do autuado”, afirmou o delegado Michael Paes.

O titular da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) conduz o inquérito que apura, ainda, o envolvimento de terceiros na consumação do homicídio.

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Inconsistências e coação de testemunha

A versão inicial apresentada pelo plantonista afirmava que Braga teria se enforcado na janela do quarto onde dormia. A equipe de perícia técnica acionada para o local, no entanto, constatou divergências materiais agudas entre os vestígios físicos deixados no ambiente e a narrativa do funcionário.

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Diante das provas técnicas preliminares, investigadores da DHPP isolaram a área e iniciaram uma série de entrevistas com os demais internos e funcionários da clínica. O cerco investigativo levou o suspeito a mudar sua versão durante o interrogatório oficial.

O funcionário admitiu ter forjado a cena do enforcamento na janela e confessou ter coagido uma testemunha para sustentar a mentira. Esse indivíduo, que atua na clínica como interno e aparente funcionário, negou a versão do suicídio aos policiais e relatou temer por sua integridade física diante de possíveis represálias do autor do crime.

Dinâmica da contenção e abandono

O cruzamento da confissão com os laudos preliminares permitiu à Polícia Civil traçar a provável cronologia da morte. Durante a madrugada de domingo, a vítima apresentou comportamento alterado. O investigado reagiu aplicando um golpe de estrangulamento conhecido como “mata-leão”, utilizando na sequência uma corda para amarrar os braços do paciente para trás.

Após imobilizar a vítima, o plantonista trancou Braga no quarto junto a outros internos. O funcionário não retornou ao aposento para checar os sinais vitais ou as condições de segurança do paciente ao longo da noite, encontrando-o sem vida apenas no amanhecer.

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As evidências apontam o funcionário como o provável autor direto do enforcamento, já que a corda utilizada no crime estava sob seu domínio exclusivo durante todo o plantão.

Em uma linha de investigação subsidiária traçada pela Polícia Civil, mesmo que a perícia não comprove a ação direta de apertar o laço, o plantonista responde pelo resultado. Pela regra do artigo 13, parágrafo 2º, do Código Penal, o suspeito ostentava a figura jurídica de garantidor da integridade física do paciente. Ao abandonar a vítima amarrada, indefesa e trancada, ele assumiu o risco de causar a morte.

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Prisão preventiva e tipificação

O plantonista foi autuado em flagrante na sede da DHPP e vai responder por dois crimes: homicídio doloso consumado e fraude processual.

A autoridade policial já representou ao Poder Judiciário pela conversão do flagrante em prisão preventiva. O pedido fundamenta-se na gravidade da conduta na clínica e no risco de obstrução da Justiça, evidenciado pela tentativa deliberada de alterar a cena do crime e de intimidar testemunhas oculares. O inquérito policial segue aberto para elucidar a participação de eventuais coautores na contenção da vítima.

 

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