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AGRONEGÓCIO

Soja em Mato Grosso se aproxima do limite de expansão e clima preocupa safra 2026/27

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A safra de soja 2026/27 em Mato Grosso pode marcar uma nova fase para o agronegócio brasileiro. Após anos de forte expansão territorial, o principal estado produtor do país dá sinais de que a ampliação da área cultivada está próxima do limite, tornando a produtividade e a eficiência no campo fatores cada vez mais decisivos para sustentar o crescimento da produção.

A avaliação é baseada na primeira projeção divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), analisada pelo consultor de agronegócio Antonio Prado G. B. Neto. Os números indicam que Mato Grosso deverá cultivar 13,05 milhões de hectares de soja na temporada 2026/27, avanço de apenas 0,25% em relação ao ciclo anterior.

O crescimento é considerado o menor dos últimos anos e reforça uma mudança estrutural no modelo de expansão da oleaginosa no estado. Nas últimas cinco safras, Mato Grosso incorporou aproximadamente 1,57 milhão de hectares ao sistema produtivo. Agora, o aumento da produção tende a depender menos da abertura de novas áreas e mais de investimentos em tecnologia, manejo e construção da fertilidade do solo.

Produtividade deve recuar com maior risco climático

Além da desaceleração da expansão territorial, a projeção do IMEA indica uma redução na produtividade média da soja.

A estimativa para a safra 2026/27 é de 62,44 sacas por hectare, volume 5,43% inferior ao registrado na temporada 2025/26.

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A expectativa reflete a crescente preocupação com as condições climáticas para o próximo ciclo agrícola, especialmente diante das previsões de fortalecimento do fenômeno El Niño.

Modelos climáticos internacionais apontam probabilidade superior a 90% para a formação do fenômeno a partir do trimestre entre junho e agosto. Há ainda indicação de aumento do risco de um evento de intensidade forte a muito forte entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027.

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Caso esse cenário se confirme, regiões do Centro-Norte brasileiro poderão enfrentar atraso no início das chuvas, períodos mais frequentes de veranicos e impactos sobre o desenvolvimento das lavouras de soja e, principalmente, do milho segunda safra.

Por outro lado, estados da Região Sul tendem a registrar volumes pluviométricos acima da média histórica.

Manejo e fertilidade do solo ganham protagonismo

Diante da possibilidade de um ambiente climático mais desafiador, especialistas destacam que a gestão agronômica será fundamental para reduzir riscos produtivos.

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Práticas como correção do solo, construção de perfil, calagem, aprofundamento do sistema radicular e uso mais eficiente dos fertilizantes devem ganhar ainda mais importância na estratégia dos produtores.

A adoção dessas tecnologias pode aumentar a resiliência das lavouras diante de períodos de déficit hídrico e contribuir para preservar o potencial produtivo mesmo em cenários climáticos adversos.

Mercado de soja enfrenta baixa liquidez e preços pressionados

Enquanto as atenções se voltam para a próxima safra, o mercado da soja encerrou o mês de maio com baixa movimentação comercial e preços pressionados.

A comercialização permaneceu abaixo da média histórica, refletindo a cautela dos produtores diante das incertezas do mercado e da volatilidade internacional.

Nos portos brasileiros, os preços da soja ficaram aproximadamente R$ 15 por saca abaixo dos níveis observados no início da safra recorde colhida neste ano, reduzindo a atratividade para novas negociações.

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O cenário é influenciado pela ampla oferta global da oleaginosa, pelo comportamento da demanda internacional e pelas oscilações cambiais.

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Milho recua, mas fundamentos seguem favoráveis

O mercado do milho também apresentou desvalorização ao longo de maio.

A pressão veio principalmente do avanço do plantio da safra norte-americana e do início da colheita da segunda safra brasileira, fatores que ampliaram a oferta disponível e contribuíram para a retração dos preços.

No mercado físico, o cereal acumulou queda próxima de R$ 5 por saca no período.

Apesar do recuo recente, os fundamentos do milho continuam considerados positivos por analistas do setor. O crescimento da demanda interna para produção de etanol e para a indústria de rações segue sustentando perspectivas favoráveis para o consumo do grão no Brasil.

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Planejamento será decisivo para a próxima temporada

Com juros elevados, fertilizantes mais caros, margens mais apertadas e aumento da volatilidade climática, a safra 2026/27 exigirá dos produtores um nível ainda maior de planejamento e eficiência operacional.

Nesse novo cenário, o sucesso da atividade dependerá cada vez mais da gestão financeira, da construção da fertilidade dos solos, do uso racional dos insumos e da adoção de tecnologias capazes de elevar a produtividade.

A mensagem que emerge das primeiras projeções é clara: o crescimento da produção brasileira de soja não estará mais baseado apenas na expansão da área cultivada, mas principalmente na capacidade do produtor de extrair mais resultados por hectare em um ambiente de risco cada vez maior.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Pecuária pantaneira avança com tecnologia reprodutiva e acelera melhoramento genético no Pantanal

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A pecuária de Pantanal vem passando por uma transformação gradual com a adoção de tecnologias reprodutivas e ferramentas de melhoramento genético, sem abrir mão das práticas tradicionais de manejo adaptadas ao ciclo de cheias e secas da região.

No centro desse movimento está o grupo Nelore Cometa, que combina avaliação genômica, Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) e Fertilização In Vitro (FIV) para acelerar o progresso genético do rebanho, respeitando as particularidades ambientais de um dos biomas mais desafiadores do país.

Genômica aumenta precisão na seleção de animais superiores

O uso da genômica tem sido um dos principais pilares do programa de melhoramento genético adotado pelo Nelore Cometa. A tecnologia permite identificar com maior precisão os animais de melhor desempenho produtivo ainda em fases iniciais da vida, aumentando a confiabilidade das decisões de seleção.

Segundo o zootecnista e técnico de campo da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, Fábio Eduardo Ferreira, o rebanho foi um dos pioneiros na utilização da avaliação genômica na região.

Ele explica que a tecnologia elevou a acurácia das estimativas genéticas, permitindo decisões mais assertivas sobre quais animais devem ser multiplicados e quais devem ser destinados ao descarte, acelerando o ganho genético do rebanho.

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Tecnologia reprodutiva acelera ganhos sem romper manejo tradicional

Além da genômica, o sistema produtivo utiliza IATF e FIV para concentrar nascimentos e ampliar a disseminação de genética superior. A estratégia permite antecipar a estação de parto para os meses de agosto a outubro, facilitando o manejo dos bezerros antes do período de cheia.

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De acordo com o produtor Francis Maris Cruz, a pecuária no Pantanal exige adaptação constante às condições naturais, em vez de confronto com o ambiente.

Ele destaca que a atividade é estruturada para conviver com o regime de águas da região, respeitando os períodos de cheia e seca e ajustando o manejo conforme a dinâmica do território.

Manejo estratégico reduz impactos da cheia no desenvolvimento dos animais

No sistema adotado, os bezerros são desmamados precocemente entre janeiro e fevereiro, antes da intensificação do período de cheias. Após essa fase, os animais jovens são transferidos para áreas mais altas ou outras propriedades da operação, garantindo melhores condições de desenvolvimento.

As fêmeas seguem etapas de reprodução e desenvolvimento em fazendas fora da área mais afetada pelas cheias, enquanto os machos são direcionados a sistemas específicos de recria e terminação.

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Essa estratégia permite manter a produtividade mesmo em um ambiente de alta complexidade climática e logística, característica do bioma pantaneiro.

Seleção genética prioriza rusticidade e adaptação ao ambiente

O programa de melhoramento também prioriza características como rusticidade, fertilidade e capacidade de adaptação às condições adversas do Pantanal. O uso de sêmen de touros geneticamente superiores e reprodutores selecionados em centrais de inseminação faz parte da estratégia para elevar o padrão do rebanho.

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A combinação entre biotecnologias reprodutivas e manejo tradicional reforça a busca por animais mais eficientes e adaptados às condições locais, sem perder a identidade da pecuária regional.

Tecnologia e tradição caminham juntas na pecuária pantaneira

Ao integrar genômica, IATF, FIV e manejo adaptado ao ciclo das águas, o Nelore Cometa demonstra como a pecuária no Pantanal pode evoluir tecnologicamente sem abandonar suas bases tradicionais.

O modelo adotado mostra que o avanço genético pode ocorrer em sintonia com o ambiente, respeitando o regime natural das cheias e secas e fortalecendo a produção em um dos ecossistemas mais exigentes da pecuária brasileira.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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