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AGRONEGÓCIO

Deputado de MT propõe PL que ameaça a preservação da Chapada dos Guimarães

O projeto de lei que propõe a flexibilização da APA Chapada dos Guimarães gera controvérsias. Especialistas alertam para riscos ambientais e a violação do princípio da vedação ao retrocesso ecológico.

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projeto de lei ameaça APA Chapada dos Guimarães
projeto de lei ameaça APA Chapada dos Guimarães

Projeto de Lei pode comprometer proteção ambiental e fere decisões do STF sobre retrocesso ecológico.

A proposta de flexibilização das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) da Chapada dos Guimarães reacende o alerta de ambientalistas e juristas sobre o risco de retrocesso ecológico. A medida pode abrir caminho para ocupação irregular, desmatamento e degradação ambiental, contrariando princípios jurídicos consagrados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e comprometer a biodiversidade e o abastecimento hídrico da região.

O contexto da criação da APA da Chapada dos Guimarães

A APA Chapada dos Guimarães foi criada pelo Decreto Estadual nº 1.796 de 1997 e posteriormente regularizada pela Lei 7.804/2002, com o objetivo de proteger a biodiversidade e os recursos hídricos da região. A necessidade de sua criação surgiu diante da expansão agropecuária e da pressão por ocupação urbana desordenada, que ameaçavam ecossistemas sensíveis.

A região abriga espécies ameaçadas de extinção e é essencial para a manutenção dos recursos hídricos do estado. Entretanto, projetos de lei recentes tentam flexibilizar regras de ocupação, colocando sua integridade em risco.

Regularização fundiária não pode justificar redução da proteção ambiental

Especialistas alertam que a regularização fundiária não pode ser usada como justificativa para flexibilizar a proteção de áreas ambientalmente sensíveis. O jurista Antonio Herman Benjamin enfatiza:

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“A regularização fundiária deve ser um instrumento de pacificação social e proteção do meio ambiente, e não uma via para a fragilização das unidades de conservação e sua posterior degradação” (Benjamin, 2015).

O Instituto Socioambiental (ISA), em relatório de 2024, também alertou:

“O uso da regularização fundiária para justificar a redução de áreas protegidas é um equívoco que favorece a expansão desordenada e o aumento de conflitos socioambientais” (ISA, Relatório Anual, 2024).

O STF, ao julgar a ADI 5.016/BA, destacou:

“A lei atacada resultou em afronta ao princípio da vedação do retrocesso, que impossibilita qualquer supressão ou limitação de direitos fundamentais já adquiridos” (STF, ADI 5.016/BA, 2018).

Decisões do STF e a vedação ao retrocesso ambiental

O Supremo Tribunal Federal tem reforçado o princípio da vedação ao retrocesso ambiental em diversos julgados. Na ADI 4.717/DF, que questionava a redução de áreas protegidas para construção de hidrelétricas, a ministra Cármen Lúcia destacou:

“As alterações promovidas pela Lei 12.678/2012 […] importaram em gravosa diminuição da proteção dos ecossistemas abrangidos pelas unidades de conservação acima referidas, acarretando ofensa ao princípio da proibição de retrocesso socioambiental, ao atingirem o núcleo essencial do direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado previsto no art. 225 da Constituição da República” (STF, julgamento da ADI 4.717/DF, 2022).

Em outro julgamento, a ADI 4.350/DF, a Corte reafirmou que:

“A aplicação do princípio da proibição do retrocesso socioambiental não pode engessar a ação legislativa e administrativa, sendo forçoso admitir certa margem de discricionariedade às autoridades públicas em matéria ambiental” (STF, ADI 4.350/DF, 2018).

O ministro do STF Luís Roberto Barroso também ressalta:

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“Se uma lei, ao regulamentar um mandamento constitucional, instituir determinado direito, ele se incorpora ao patrimônio jurídico da cidadania e não pode ser arbitrariamente suprimido” (Barroso, 2006).

Já o jurista Lenio Streck complementa:

“A Constituição não tem somente a tarefa de apontar para o futuro. Tem, igualmente, a relevante função de proteger os direitos já conquistados” (Streck, 2014).

Impactos e críticas ao projeto de lei

A proposta que busca flexibilizar a proteção da APA Chapada dos Guimarães pode criar um precedente perigoso, permitindo ocupação irregular, desmatamento e degradação de ecossistemas essenciais. O biólogo Edward O. Wilson, em seu livro “Metade da Terra: Nossa Luta pela Vida”, destaca:

“A estabilização e reversão da crise ambiental depende da proteção de metade ou mais do Planeta Terra sob a forma de reservas ou áreas de proteção ambiental” (Wilson, 2016).

O geógrafo e climatologista Carlos Nobre, em entrevista ao jornal O Globo, ressaltou:

“O desmatamento da vegetação nativa é um dos principais fatores que contribuem para o agravamento das mudanças climáticas e para a redução dos recursos hídricos” (O Globo, 2023).

O WWF Brasil, ao se manifestar sobre propostas de flexibilização ambiental similares, afirmou:

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“A redução de áreas protegidas enfraquece o arcabouço jurídico ambiental brasileiro e representa um grave retrocesso na política de conservação” (WWF Brasil, Relatório Anual, 2024).

Conclusão

A flexibilização das APAs, como proposto no projeto de lei, vai na contramão do compromisso constitucional do Brasil com a proteção ambiental. O princípio da vedação ao retrocesso ambiental precisa ser preservado para garantir que as gerações futuras não sofram com a degradação da biodiversidade e escassez de recursos hídricos.

A sociedade civil e as instituições democráticas têm um papel crucial na fiscalização e oposição a iniciativas que possam comprometer a integridade das áreas de proteção ambiental. O desmonte da legislação ambiental não apenas fere a Constituição, mas também compromete a resiliência ecológica necessária para enfrentar os desafios climáticos do século XXI.

Box Informativo:
  • ⚠️ Riscos da Redução da Proteção na APA da Chapada dos Guimarães

    📍 O que está em jogo?
    A flexibilização das regras da APA pode levar à ocupação irregular, degradação do solo e risco à biodiversidade local.

    🌱 Impactos ambientais:

    • Ameaça a espécies protegidas e risco de extinção.
    • Aumento do desmatamento, prejudicando a regulação do clima.
    • Redução da qualidade e disponibilidade dos recursos hídricos.

    ⚖️ O que diz a lei?

    • O STF já decidiu que a proteção ambiental não pode ser reduzida sem amplo debate e justificativa científica.
    • O princípio da vedação ao retrocesso impede que áreas protegidas sejam diminuídas arbitrariamente.

    🔍 Posição de especialistas:

    “A regularização fundiária deve ser um instrumento de pacificação social e proteção do meio ambiente, e não uma via para a fragilização das unidades de conservação e sua posterior degradação” (Antonio Herman Benjamin, 2015).

    “A estabilização e reversão da crise ambiental depende da proteção de metade ou mais do Planeta Terra sob a forma de reservas ou áreas de proteção ambiental” (Edward O. Wilson, 2016).

    💡 O que pode ser feito?

    • Fortalecer a fiscalização para evitar ocupações irregulares.
    • Manter a legislação ambiental rígida para garantir a proteção a longo prazo.
    • Envolver a sociedade na defesa da APA da Chapada dos Guimarães.

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AGRONEGÓCIO

Santa Catarina consolida 5º maior agronegócio do Brasil e lidera agroindustrialização nacional, aponta estudo da FACISC

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Santa Catarina reforçou sua posição entre os principais protagonistas do agronegócio brasileiro. Dados inéditos do Mapa do Agro Catarinense 2026, divulgado pela FACISC, mostram que o estado ocupa atualmente a quinta colocação entre os maiores agronegócios do país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

O levantamento foi apresentado nesta quinta-feira (28), em Florianópolis, e aponta que o agronegócio catarinense movimenta cerca de R$ 144 bilhões, equivalente a 6% de toda a produção agropecuária nacional. O setor responde por 35% da economia estadual, reúne aproximadamente 470 mil empresas, gera 1,6 milhão de empregos e contribui com R$ 12 bilhões em arrecadação.

Segundo o presidente da FACISC, Elson Otto, o desempenho catarinense ganha ainda mais relevância diante da comparação com estados de maior extensão territorial e agrícola.

“O estado disputa espaço com gigantes do agronegócio brasileiro e se destaca pela força da agroindústria, pela produtividade e pela capacidade empreendedora do produtor rural catarinense”, afirmou.

Santa Catarina lidera agroindustrialização no Brasil

Um dos principais diferenciais apontados pelo estudo é o elevado nível de industrialização do agro catarinense. Santa Catarina possui hoje a maior participação da agroindústria entre os principais estados produtores do país.

Enquanto outras regiões concentram grande parte da força econômica na produção primária, Santa Catarina tem 40% do agronegócio diretamente ligado à indústria de transformação, agregando valor à produção rural.

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De acordo com o diretor de Agronegócio e Ferrovias da FACISC, Lenoir Broch, o modelo catarinense fortalece a competitividade do setor.

“O estado construiu uma cadeia baseada em industrialização, exportação, tecnologia e geração de empregos. Isso torna o agronegócio mais diversificado e resiliente frente às oscilações do mercado”, destacou.

O estudo também revela que Santa Catarina possui a sexta maior força de trabalho do agronegócio brasileiro, com 1,6 milhão de pessoas ocupadas no setor. Na última década, o número de empregos cresceu 19%, terceiro maior avanço do país.

Quando o indicador é proporcional à população, o estado lidera o ranking nacional, com 195 trabalhadores do agro para cada mil habitantes.

Estado lidera produção nacional em 12 segmentos

O Mapa do Agro Catarinense 2026 evidencia a liderança do estado em diferentes cadeias produtivas estratégicas. Santa Catarina responde atualmente por:

  • 50% da produção brasileira de maçã;
  • 23% da produção nacional de carne suína;
  • 86% da produção de ostras, vieiras e mexilhões;
  • 44% das conservas de peixe;
  • 64% do alvejamento e tingimento de fios e tecidos.

Além das cadeias tradicionais, o estado também amplia participação em segmentos de maior valor agregado, como maracujá, pêssego, ovos de codorna, alevinos, máquinas para alimentos, papel, confecção e indústria têxtil.

Exportações do agro catarinense batem recorde

O comércio exterior também aparece como um dos pilares da expansão do setor. Santa Catarina encerrou 2025 com recorde histórico de US$ 8,4 bilhões em exportações do agronegócio.

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O estado ocupa a oitava posição entre os maiores exportadores do agro brasileiro e figura entre os cinco maiores exportadores nacionais quando considerada apenas a agroindústria.

Mesmo diante de desafios internacionais, como tarifas impostas pelos Estados Unidos e embargos chineses sobre proteínas animais, o agronegócio catarinense ampliou presença em mercados estratégicos da América do Sul, Oriente Médio, Europa, África e Oceania.

Santa Catarina também se destaca como um dos principais polos importadores do setor, com US$ 7,3 bilhões em compras internacionais, principalmente de fertilizantes e insumos industriais. O estado responde por cerca de 13% das importações nacionais desses produtos.

Para a economista da FACISC, Mariana Guedes, a diversidade produtiva explica parte da competitividade catarinense.

“O diferencial está na capacidade de industrialização e na variedade de cadeias produtivas presentes em todas as regiões do estado, permitindo atender mercados exigentes e diferentes ciclos econômicos simultaneamente”, avaliou.

Tecnologia fortalece competitividade no campo

O avanço tecnológico também ganha espaço no estudo. Santa Catarina possui atualmente 85 startups agtechs e ocupa a sétima posição nacional no segmento.

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No recorte específico de empresas desenvolvedoras de softwares voltados ao agronegócio, o estado sobe para a quarta posição no país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.

O ecossistema de inovação está distribuído em diferentes regiões catarinenses, com destaque para Florianópolis, Chapecó, Concórdia, Lages e Joinville.

Segundo a FACISC, o crescimento das agtechs está diretamente ligado à capacidade de desenvolver soluções práticas para aumentar produtividade, eficiência e sustentabilidade no campo.

Logística e clima seguem como desafios

Apesar do desempenho recorde, o estudo alerta para gargalos estruturais que ainda limitam o crescimento do agronegócio catarinense.

Eventos climáticos extremos, custos elevados de produção e dificuldades logísticas provocaram perda de competitividade em algumas culturas, como cebola, alho, milho, tomate, uva e pêssego.

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A entidade também defende maior investimento em infraestrutura, inovação logística, acessibilidade a insumos biotecnológicos e políticas de apoio ao pequeno produtor rural.

Mesmo diante desses desafios, o estudo aponta que Santa Catarina mantém potencial de crescimento acima da média nacional, sustentado pela diversidade produtiva e pela forte presença da agroindústria.

“Mesmo com limitações estruturais e climáticas, Santa Catarina segue ampliando produção, empregos e exportações. O estado ainda possui amplo espaço para crescer com investimentos em logística, infraestrutura e inovação”, concluiu Lenoir Broch.

Mapa do Agro Catarinense 2026

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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