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Segurança pública

Comando Vermelho em Mato Grosso: o que dizem os dados oficiais

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Memorando de Trump ao Congresso acusa o governo brasileiro de não enfrentar a facção. No estado, quem nomeia o CV é o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os documentos do governo de Mato Grosso falam em “facções criminosas”.

O governo dos Estados Unidos afirmou, em memorando presidencial enviado ao Congresso em 15 de setembro e divulgado pelo Departamento de Estado nesta quarta-feira (16), que o governo brasileiro deixou de enfrentar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho. O levantamento mais recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública localiza o Comando Vermelho em Mato Grosso em 85 dos 141 municípios, mas nenhum documento oficial do Estado consultado por esta reportagem cita a facção pelo nome. O que existe nos registros do governo mato-grossense é a queda de homicídios e o recorde de drogas apreendidas em 2025, sempre sob o rótulo de “facções criminosas”.

O que diz o memorando de Trump

O documento é a Presidential Determination on Major Drug Transit or Major Illicit Drug Producing Countries for Fiscal Year 2027, assinada por Donald Trump. O trecho sobre o Brasil diz que “the Government of Brazil has failed to confront the designated foreign terrorist organizations Primeiro Comando da Capital and Comando Vermelho, which have transformed Brazil into a hub for global cocaine flows”. Em tradução livre: o governo do Brasil falhou em enfrentar as organizações terroristas estrangeiras designadas PCC e CV, que transformaram o país em um centro dos fluxos globais de cocaína.

Na sequência, o texto chama as duas facções de “a growing threat to peace and security around the world”, uma ameaça crescente à paz e à segurança no mundo, e cobra do governo brasileiro medidas “aggressive” para derrotá-las. O Brasil, porém, não entra na lista dos 23 países classificados como grandes produtores ou rotas de trânsito de drogas. Os quatro países apontados como tendo “failed demonstrably” no último ano são Afeganistão, Bolívia, Burma e Colômbia.

A designação do PCC e do CV como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos ocorreu em maio de 2026, como registra o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, do Fórum.

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Onde o Fórum localiza o Comando Vermelho em Mato Grosso

O Anuário do Fórum não traz mapa de facções por estado. O quadro de Mato Grosso está em outra publicação da entidade, a quarta edição do Cartografias da Violência na Amazônia, de novembro de 2025. O levantamento, feito pelo próprio Fórum com o Instituto Mãe Crioula, identifica facções em 92 dos 141 municípios do estado, o equivalente a 65,2%. Em 78 deles há um único grupo. Em 14 há disputa.

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O Comando Vermelho aparece em 85 municípios e é o único grupo em 71. O PCC está em 14, sozinho em 5. A Tropa do Castelar tem presença em 5 municípios, sozinha em 2, e o B40 em 3, todos em disputa. Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Sorriso, Rondonópolis e Cáceres estão entre os 14 municípios em disputa. Em Cáceres, o levantamento lista CV, PCC e B40 no mesmo território. Os municípios disputados ficam, na descrição do relatório, na região de influência da BR-163 e da BR-364.

O Estado fala em “facções”, não em Comando Vermelho

O Anuário da Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso, edição 2025, tem 121 páginas e não menciona Comando Vermelho nem PCC. A palavra “facções” aparece na mensagem da secretária, que fixa para 2026 “a asfixia financeira das facções criminosas” como primeiro dos três eixos da nova gestão.

O padrão se repete nas notícias oficiais da Sesp-MT e da Polícia Judiciária Civil publicadas entre março de 2025 e janeiro de 2026. O balanço do primeiro ano do programa Tolerância Zero, apresentado em 27 de novembro de 2025 pelo governador Mauro Mendes e pelo secretário César Roveri, registrou queda de 25% nos homicídios, de 879 para 661 registros, na comparação entre os 12 meses encerrados em novembro de 2024 e os 12 meses seguintes. Roveri calculou “cerca de R$ 1 bilhão de prejuízos” aos criminosos com as apreensões de drogas. Nenhuma delas é nomeada.

A Polícia Civil cumpriu 138 ordens judiciais contra “faccionados” na Operação Inter Partes, em março de 2025, e chegou a 151 presos na Operação Cartório Central, em janeiro de 2026. Em Cáceres, o balanço de 2025 divulgado pela Sesp-MT contabiliza 176 prisões de faccionados pela Polícia Militar e 78 pela Polícia Civil. O Gefron apreendeu mais de 21,5 toneladas de entorpecentes na fronteira no ano.

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Taxa de mortes violentas caiu ao menor nível da série

Os números de violência letal de Mato Grosso caíram em 2025 nas duas fontes que os publicam. O Anuário do Fórum registra 890 mortes violentas intencionais no estado em 2025, contra 1.142 em 2024. A taxa recuou de 29,8 para 22,9 por 100 mil habitantes, queda de 23,2%. A taxa de 22,9 é a menor da série do Anuário, que começa em 2012. Os homicídios dolosos passaram de 902 para 728 vítimas, e as mortes por intervenção policial, de 214 para 142.

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Com outra base de coleta, a Sesp-MT chega a outro número. O Anuário estadual contabiliza 675 vítimas de homicídio doloso em 2025, taxa de 17,34 por 100 mil, contra 855 vítimas em 2024. O Fórum, para o mesmo crime, registra 728 vítimas e taxa de 18,7.

Drogas, armas e prisões

As forças estaduais apreenderam 59.634,95 quilos de drogas em 2025, alta de 45% sobre os 41.236,27 quilos de 2024, de acordo com o Anuário da Sesp-MT. Foram 35.021,92 quilos de maconha, 15.213,25 quilos de cocaína e 9.385,16 quilos de pasta base. O Anuário do Fórum traz 4.978 registros de tráfico de drogas no estado em 2025, contra 4.553 no ano anterior, taxa de 127,8 por 100 mil. As armas de fogo apreendidas caíram de 2.305 para 2.116.

Nas prisões de Mato Grosso, a população chegou a 22.636 pessoas em 2025, taxa de 581,4 por 100 mil habitantes, alta de 13,8% em um ano. O sistema tem déficit de 1.379 vagas, e 37,8% dos presos são provisórios.

A determinação presidencial vale para o ano fiscal de 2027 dos Estados Unidos. A anterior, referente a 2026, foi divulgada em 16 de setembro de 2025. Do lado mato-grossense, o Anuário da Sesp-MT fixa a “asfixia financeira das facções criminosas” como primeiro eixo da gestão em 2026. Até o fechamento desta reportagem, os documentos oficiais do Estado aqui reunidos continuavam sem nomear o Comando Vermelho.

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DESTAQUE

Mato Grosso tem 24 pesquisas para presidente registradas no TSE em 2026

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Oito institutos protocolaram os levantamentos entre fevereiro e setembro; três deles têm divulgação prevista para 17 e 18 de setembro

Vinte e quatro pesquisas para presidente da República com eleitorado de Mato Grosso foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2026 até o fechamento desta reportagem, nesta quarta-feira (16). Os registros constam do PesqEle, o sistema público de registro de pesquisas eleitorais, e foram protocolados por oito institutos entre 15 de fevereiro e 12 de setembro. Três deles, feitos nos dias 11 e 12 de setembro, ainda não podiam ser divulgados.

Quem registrou pesquisas para presidente no estado

A Percent Pesquisa de Mercado e Opinião lidera a lista, com sete registros. O Instituto Verita vem em seguida, com seis, e a Real Time Big Data, com quatro. Instituto Mais e MT Dados Pesquisas registraram duas pesquisas cada. Quaest, AtlasIntel e Nova Ibrape aparecem com um registro cada.

Houve um registro em fevereiro, dois em março, um em abril, dois em maio e dois em junho. Em julho foram quatro, em agosto seis e, nos 12 primeiros dias de setembro, outros seis. O primeiro protocolo do ano é da Percent (BR-08543/2026), feito em 15 de fevereiro, com divulgação em 21 de fevereiro. Nos 24 registros, a data de divulgação informada é seis dias posterior à data de registro.

Por que o registro é BR e não MT

Nenhuma das 24 pesquisas tem número de identificação com a sigla do estado. Todas são numeradas como BR-xxxxx/2026, e a página de cada registro no PesqEle traz, logo abaixo do número, a indicação “BRASIL”. Mato Grosso aparece nos campos de metodologia e de plano amostral. No registro da AtlasIntel (BR-08540/2026), a expressão usada no plano amostral é “características do eleitorado de Mato Grosso”. No da MT Dados (BR-06233/2026), a amostra é descrita como “representativo para o estado de Mato Grosso”.

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Os 42 registros com numeração MT-xxxxx/2026 do ano, feitos no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, listam cargos como governador, senador, deputado federal e deputado estadual, e nenhum deles inclui o cargo de presidente. A reportagem conferiu os 949 registros BR-xxxxx/2026 de 2026 e separou os que descrevem o eleitorado mato-grossense como universo da pesquisa.

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Cada uma das 24 pesquisas tem um registro MT correspondente, com o mesmo CNPJ do instituto, o mesmo número de entrevistados e o mesmo período de coleta. Essa correspondência é cruzamento feito pela reportagem, não um campo do TSE.

Quem contratou e quanto custou cada pesquisa

Em 15 dos 24 registros, o instituto declarou usar recursos próprios. É o caso das seis pesquisas da Verita, cada uma com valor declarado de R$ 93.940,00, 1.220 entrevistados e margem de erro de 3 pontos percentuais. A Real Time Big Data declarou R$ 64.000,00 nas duas primeiras pesquisas, em março e maio, e R$ 24.000,00 nas duas seguintes, em agosto, sempre com 1.600 entrevistados e margem de 2 pontos. MT Dados e AtlasIntel declararam R$ 65.000,00 por pesquisa, e a Percent, R$ 30.000,00 em cada um dos dois registros feitos com recursos próprios (BR-01019/2026 e BR-08543/2026).

Nos outros nove registros há contratante externo. A pesquisa da Quaest (BR-00817/2026) foi contratada pela Rádio e Televisão Matogrossense Ltda, a TV Centro América, por R$ 104.118,00, o maior valor da lista, com 804 entrevistados e coleta de 21 a 24 de agosto. A CBA TV Aberta de Comunicação Ltda, da O Doc Comunicação, contratou quatro pesquisas da Percent, duas por R$ 30.000,00 e duas por R$ 29.550,00, todas com 1.200 entrevistados. A RTV Cidadã Serviço de Comunicação Ltda, a Rede Cidadã, contratou a pesquisa da Nova Ibrape por R$ 19.000,00, com 1.000 entrevistados.

As duas pesquisas do Instituto Mais foram contratadas pela Edina Ribeiro de Araujo Ltda, a Mais Comunicação e Marketing, por R$ 9.500,00 cada, o menor valor entre os 24 registros. Em sete registros, o campo “Pagante(s) do trabalho” está em branco: o da Quaest, o da Nova Ibrape e os cinco da Percent com contratante externo.

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Um dos registros da Percent tem alcance municipal. A pesquisa BR-01689/2026, contratada pela MCS Comunicações Ltda, do Painel Diário, por R$ 12.000,00, tem 500 entrevistados em Rondonópolis e margem de erro de 4,38 pontos percentuais. Foi registrada em 17 de julho, com divulgação em 23 de julho. É a menor amostra e a maior margem entre as 24.

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Amostras, margens e o que ainda vai ser divulgado

As amostras declaradas vão de 500 a 3.080 entrevistados, e as margens de erro, de 2 a 4,38 pontos percentuais. O nível de confiança é de 95% nos 24 registros. A maior amostra é da MT Dados, com 3.080 entrevistados nas duas pesquisas (BR-07455/2026 e BR-06233/2026) e margem de 3 pontos. Seis dos sete registros da Percent e os dois do Instituto Mais têm 1.200 entrevistados, com margens de 2,83 pontos (Percent) e 2,8 pontos (Instituto Mais).

Três pesquisas registradas em setembro ainda não podiam ser divulgadas até o fechamento desta reportagem. A da Verita (BR-02939/2026), registrada em 11 de setembro, com coleta de 12 a 17 de setembro, tem divulgação prevista para 17 de setembro. A do Instituto Mais (BR-05591/2026), também registrada no dia 11, com coleta de 11 a 16 de setembro, tem a mesma data de divulgação. A da MT Dados (BR-06233/2026), registrada em 12 de setembro, com coleta de 11 a 17 de setembro, poderá ser divulgada a partir de 18 de setembro.

A página de cada registro no PesqEle reproduz a exigência da Resolução TSE 23.600/2019 de que, a partir do dia em que a pesquisa puder ser divulgada e até o dia seguinte, o registro seja complementado com os dados dos municípios e bairros abrangidos, sob pena de a pesquisa ser considerada não registrada. Os dados de metodologia, plano amostral, contratante, valor e período de coleta das 24 pesquisas ficam disponíveis para consulta pública no sistema.

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