Pesquisar
Close this search box.

Estimativa do IBGE

Cuiabá fica a 1.083 habitantes dos 700 mil e 50 municípios de Mato Grosso encolhem em 2026

Publicado em

A nova estimativa do IBGE dá 3.950.330 habitantes ao estado, alta de 1,46% em um ano. O crescimento se concentra no cinturão do agronegócio, enquanto um terço dos municípios perde gente.

Mato Grosso tem 3.950.330 habitantes estimados em 1º de julho de 2026, segundo as Estimativas da População divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Diário Oficial da União de 28 de agosto. São 56.671 pessoas a mais que na estimativa de 2025 e 291.681 a mais que no Censo de 2022, crescimento de 1,46% em um ano e de 7,97% em quatro. Metade desse avanço, porém, não chega à maior parte do território: 50 dos 142 municípios mato-grossenses aparecem com menos moradores em 2026 do que em 2025.

Cuiabá chegou a 698.917 habitantes estimados, 1.083 abaixo da marca de 700 mil. A capital cresceu 1,02% em um ano e 7,4% em relação aos 650.877 contados pelo Censo de 2022. Várzea Grande soma 323.172 moradores, alta de 1,33%. Juntas, as duas cidades reúnem 1.022.089 pessoas, ou 25,9% da população do estado, proporção calculada pela reportagem sobre os dados do instituto.

O crescimento tem endereço

As dez maiores altas proporcionais do estado repetem, com poucas trocas, a lista dos municípios que mais cresceram desde o Censo de 2022. Campo Verde lidera, com 5,94% em um ano, saindo de 49.053 para 51.969 habitantes. Depois vêm Vale de São Domingos, com 5,22%, e Querência, com 4,08%.

Lucas do Rio Verde subiu 3,65% e chegou a 99.291 moradores. Primavera do Leste, com 99.053, e Sorriso, com 128.727, seguem o mesmo ritmo. Sinop, quarta cidade mais populosa de Mato Grosso, tem 231.452 habitantes estimados, alta de 3,43% em um ano e de 17,9% sobre o Censo de 2022, a maior expansão entre os municípios com mais de cem mil pessoas.

Advertisement

Somados, os dez municípios com maior alta proporcional reúnem 775.240 habitantes e avançaram 3,58% em um ano, contra 1,46% da média estadual. O agrupamento e o cálculo são da reportagem, feitos sobre as estimativas de 2025 e 2026.

Leia Também:  Multa de R$ 50 milhões por queimar lixo em VG depende de laudo que a Prefeitura não menciona

Do outro lado, o esvaziamento

General Carneiro registrou a maior queda proporcional do estado, de 6,43%, caindo de 6.319 para 5.913 habitantes. Jauru perdeu 4,56% e Cotriguaçu, 3,64%. As três cidades também estão abaixo do que o Censo de 2022 mediu.

Guiratinga cruzou uma linha simbólica no sentido inverso ao de Campos de Júlio: passou de 10.252 para 9.975 moradores, enquanto Campos de Júlio subiu de 9.946 para 10.281. Alto Paraguai, Denise, Reserva do Cabaçal e São José do Povo completam o grupo de perdas superiores a 2% em doze meses.

O quadro de longo prazo é mais duro que o anual. Entre os 141 municípios com número no Censo de 2022, 49 estão hoje com estimativa menor do que a contagem feita há quatro anos.

Metade das cidades tem menos de 10 mil moradores

A estimativa desenha um estado partido em dois. Os cinco municípios mais populosos, Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Sorriso, concentram 1.650.470 pessoas, equivalentes a 41,8% do total.

Advertisement

Na outra ponta, 71 municípios têm menos de 10 mil habitantes cada. São exatamente metade das cidades mato-grossenses, e juntas elas somam 383.233 moradores, ou 9,7% da população estadual. As duas proporções são cálculo da reportagem sobre os dados divulgados pelo IBGE.

O número que vira dinheiro no caixa

A estimativa não é exercício estatístico sem consequência. O IBGE publica os dados em cumprimento ao artigo 102 da Lei 8.443, de 16 de julho de 1992, alterado pela Lei Complementar 143, de 17 de julho de 2013, e a divulgação deste ano saiu pela Portaria IBGE 1.649, de 27 de agosto de 2026.

Esse é o parâmetro que o Tribunal de Contas da União usa no cálculo do Fundo de Participação dos Municípios. Cada linha da tabela publicada no Diário Oficial alimenta a conta que define quanto cada prefeitura recebe do fundo.

Leia Também:  PM prende dois e apreende drogas, revólver e 67 munições em bar de Cáceres

A mesma Lei Complementar 143 revogou os parágrafos que davam aos municípios prazo de 20 dias após a publicação para apresentar reclamação ao instituto. Prefeituras beneficiadas por decisão judicial sobre coeficientes precisam informar ao IBGE a vigência das decisões listadas na publicação oficial.

O município que existe sem ter sido recenseado

Boa Esperança do Norte aparece na tabela de 2026 com 5.983 habitantes estimados e é o único dos 142 municípios de Mato Grosso sem número no Censo de 2022. O município foi criado depois da contagem, o que o deixa fora da base comparativa usada em toda a série.

Advertisement

O efeito prático é que a comparação entre estimativa e censo, possível para 141 municípios, não existe para este. A prefeitura informou em seu portal oficial que o código do IBGE do município, o 5101837, foi atribuído em dezembro de 2024 e demorou a aparecer nos sistemas de busca do instituto, o que gerou pendências em cadastros federais e estaduais.

O que a estimativa é, e o que ela não é

Estimativa não é contagem. O Censo Demográfico vai de porta em porta, e a estimativa anual projeta a população de cada município a partir da última contagem, das tendências de crescimento e das alterações de limites territoriais ocorridas depois de 2022.

Isso significa que um município pode aparecer encolhendo sem que ninguém tenha ido às ruas verificar quantas pessoas saíram, e que a série pode ser revista pelo próprio instituto. O IBGE mantém política de revisão dos dados já divulgados desta operação estatística.

Até o fechamento desta reportagem, o Brasil aparecia com 214,2 milhões de habitantes estimados, e as 27 capitais concentravam 23,1% dessa população. Enquanto não houver novo censo, todo repasse, todo índice por habitante e todo planejamento municipal em Mato Grosso continuarão apoiados em projeções como estas.

Advertisement

CLIMA

Mato Grosso tem 8.082 focos de calor em 2026 e vê o pico do fogo se deslocar para agosto

Published

on

O estado registra 4,5% menos focos que no mesmo período de 2025, mas concentra o fogo em menos meses e em menos municípios. Dez cidades respondem por 43,3% de tudo o que queimou.

Mato Grosso acumula 8.082 focos de calor entre 1º de janeiro e 13 de setembro de 2026, contra 8.459 no mesmo intervalo de 2025, uma queda de 4,5%. Os dados são do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e se referem ao satélite de referência AQUA_M-T, o sensor usado pelo instituto para comparar anos diferentes. A estabilidade do total esconde uma mudança de calendário: agosto de 2026 teve 3.691 focos, 59% acima do agosto anterior, e as duas primeiras semanas de setembro somaram 647, menos da metade das 1.582 detecções do mesmo trecho de 2025.

O primeiro semestre foi o mais brando dos últimos dois anos. De janeiro a junho, o estado registrou 2.998 focos, contra 3.538 em 2025, redução de 15,3%. A curva se inverteu quando começou o período proibitivo do uso do fogo, em 1º de julho: de lá até 13 de setembro foram 5.084 focos, 3,3% mais do que os 4.921 do mesmo trecho do ano passado. O cálculo por recortes é da reportagem, feito sobre os registros diários do satélite de referência.

Agosto concentrou quase metade do ano

O mês de agosto sozinho responde por 3.691 dos 8.082 focos do ano, ou 45,7% do total, proporção calculada pela reportagem. Em 2025, a distribuição era mais espalhada: agosto tinha 2.322 detecções e setembro ainda registrava 1.582 nos treze primeiros dias.

Julho de 2026 foi mais fraco que o de 2025, com 746 focos contra 1.017. Junho teve 1.440 detecções em Mato Grosso, número que o INPE já havia divulgado em seu boletim mensal e que colocou o estado na primeira posição nacional naquele mês, quando o Brasil inteiro somou 5.209 focos.

Advertisement

Colniza lidera, mas quem cresceu foi o Vale do Araguaia

Colniza tem 670 focos em 2026, o maior número do estado, embora abaixo dos 868 de 2025. Logo atrás vêm Paranatinga, com 490, e Nova Nazaré, com 438. Nos dois casos houve salto: Paranatinga tinha 361 no ano passado e Nova Nazaré, 195, um crescimento de 124,6%.

Leia Também:  ATENÇÃO! MT com alerta de temporal, granizo e temperaturas entre 23°C e 42°C;veja lista completa de municípios

Marcelândia passou de 209 para 374 detecções, e União do Sul saltou de 76 para 185, a maior variação proporcional entre os municípios com mais de cem focos. No sentido oposto, Nova Maringá caiu de 420 para 290 e Aripuanã, de 322 para 275.

Os dez municípios mais atingidos somam 3.501 focos, equivalentes a 43,3% de tudo o que foi detectado no estado, proporção calculada pela reportagem a partir dos registros do INPE. O fogo alcançou 131 dos 142 municípios mato-grossenses até 13 de setembro, contra 128 no mesmo período de 2025.

O Cerrado ganhou peso na conta

A divisão por bioma mudou de perfil. A Amazônia mato-grossense registrou 4.371 focos em 2026, contra 5.151 em 2025. O Cerrado foi na direção contrária, de 3.177 para 3.551. O Pantanal aparece com 160 detecções, ante 131 no ano anterior, os menores números entre os três biomas do estado.

Na prática, a Amazônia respondia por 60,9% dos focos em 2025 e caiu para 54,1% em 2026, enquanto o Cerrado subiu de 37,6% para 43,9%. As proporções são cálculo da reportagem sobre os totais por bioma.

Advertisement

Fogo mais espalhado, porém menos intenso

Cada detecção do satélite traz uma medida de potência radiativa, que indica quanta energia o fogo estava liberando no momento da passagem. A média dessas medições em Mato Grosso caiu de 64,8 megawatts em 2025 para 49,4 em 2026, recuo de 23,7%. A média é cálculo da reportagem sobre o campo de potência registrado em cada foco, e não um índice publicado pelo instituto.

Potência menor não significa incêndio menor: o valor depende da hora da passagem do satélite, do tipo de vegetação e da fase da queima. O que o número indica é que, em média, o satélite flagrou frentes de fogo menos energéticas neste ano.

Leia Também:  Não usar fogo não basta: dono de imóvel rural pode ser multado por não se preparar contra incêndio

Por que um número de queimadas nunca bate com o outro

Somados todos os satélites que o INPE processa, incluindo os geoestacionários que varrem o mesmo ponto várias vezes por hora, Mato Grosso chega a 278.997 detecções em 2026, cerca de 34,5 vezes o total do satélite de referência. Um mesmo incêndio pode ser contado dezenas de vezes por sensores diferentes ao longo do dia.

É por isso que balanços divulgados por órgãos distintos chegam a valores que parecem incompatíveis. A série do AQUA_M-T existe desde julho de 2002 e é a única que permite comparar 2026 com 2015 ou com 2005, porque usa sempre o mesmo sensor, no mesmo horário de passagem. Ela subestima o número absoluto de queimadas, e essa subestimação é constante ao longo dos anos, o que preserva a comparação.

A regra em vigor vale até 30 de novembro

O uso do fogo para limpeza e manejo de áreas está proibido em Mato Grosso de 1º de julho a 30 de novembro de 2026, conforme o artigo 3º do Decreto 2.015, assinado pelo governador Otaviano Pivetta em 28 de abril e publicado no Diário Oficial do Estado no dia seguinte. O mesmo decreto declarou estado de emergência ambiental de abril a dezembro e instituiu a Sala de Situação Central, coordenada pela Diretoria Operacional do Corpo de Bombeiros Militar.

Advertisement

O texto abre uma única exceção, no parágrafo 2º do artigo 3º: queimas realizadas ou supervisionadas por instituições públicas responsáveis pela prevenção e pelo combate a incêndios florestais, que devem comunicar a Sala de Situação Central com 24 horas de antecedência. O parágrafo 1º autoriza o órgão estadual competente a prorrogar ou antecipar o período de restrição se as condições climáticas mudarem, o que torna 30 de novembro uma data de referência, não um limite garantido.

Até o fechamento desta reportagem, o período proibitivo seguia em vigor e faltavam 77 dias para o prazo previsto no decreto. O comportamento das chuvas nas próximas semanas define se o setembro fraco em detecções foi o fim da temporada ou apenas um intervalo dentro dela.

Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA