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Cadeia do baru

Festa em Poconé e Livramento celebra a cadeia do baru em Mato Grosso

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Aperto de mão em estrada de terra diante de caixa d'água enferrujada, em foto da reportagem sobre o baru em Mato Grosso

Primeira edição reúne cooperados e extrativistas no fim de semana, enquanto a Labra amplia sua estrutura industrial e busca o mercado internacional

A Labra e a Coopcentral realizam no sábado (26) e no domingo (27) a Primeira Festa do Baru, com cooperados e comunidades extrativistas de Poconé e de Nossa Senhora do Livramento. O encontro celebra a parceria entre poder público, produtores rurais e cooperativas na cadeia do baru em Mato Grosso, fruto nativo do Cerrado.

Foto: Rogério Florentino.

Programação nas duas comunidades

No sábado, a festa acontece na Comunidade Bandeira, em Poconé. No domingo, o evento segue para a Comunidade Cachoeirinha, em Nossa Senhora do Livramento. Nos dois dias, a programação começa com café da manhã às 8h, tem reunião às 9h e almoço às 12h.

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Livramento (STTR) apoia a realização e participa como parceiro da mobilização da comunidade no município. A entidade é presidida por Simão, coletor de baru que fornece o fruto à Labra e ajuda a organizar as famílias da região.

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Também no domingo, mulheres de uma associação local apresentam produtos feitos a partir do baru, entre eles biscoitos e bombons.

Indústria do baru em Mato Grosso

A Labra instalou em Mato Grosso a primeira estrutura industrial dedicada ao processamento do fruto no Estado. A estrutura tem tecnologia de descasque, seleção e torra e está em ampliação.

Segundo a Labra, a produção, até então artesanal, passa a acessar um mercado internacional interessado em conhecer e consumir o baru. O respaldo, na conta da empresa, vem de mais de 120 artigos científicos sobre as propriedades nutricionais do fruto e da aprovação da semente torrada como Novel Food pela União Europeia.

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A companhia estrutura a cadeia comercial ao lado de cooperativas da agricultura familiar em Mato Grosso, da coleta à industrialização.

Castanha de baru na lista europeia

A autorização europeia está no Regulamento de Execução (UE) 2025/1263, da Comissão Europeia, de 30 de junho de 2025. O texto permite a colocação no mercado do bloco de sementes torradas de Dipteryx alata, nome científico do baru, como alimento tradicional de um país terceiro.

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Com a decisão, o produto entrou na lista de novos alimentos da União Europeia. Pela norma do bloco, só os novos alimentos autorizados e incluídos nessa lista podem ser colocados no mercado europeu.

A notificação foi apresentada em 16 de março de 2023 pela CoopCerrado, cooperativa mista de agricultores familiares, extrativistas e outros grupos do Cerrado. O pedido previa o consumo da semente torrada inteira pela população em geral, e o regulamento registra que os dados da cooperativa demonstram antecedentes de uso alimentar seguro no Brasil.

Em 14 de setembro de 2023, a Comissão Europeia repassou a notificação aos países do bloco e à Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). Nenhum deles apresentou objeção de segurança fundamentada dentro do prazo previsto.

Em 7 de fevereiro de 2025, a EFSA publicou relatório técnico sobre o pedido. O regulamento registra que a autoridade concluiu que os dados sobre a composição e o histórico da utilização solicitada da semente torrada não suscitam preocupações de segurança. A publicação no Jornal Oficial da União Europeia saiu em 1º de julho de 2025.

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O regulamento fixa a composição típica do produto. A cada 100 gramas, a semente torrada tem de 20 a 35 gramas de proteína, de 20 a 35 gramas de gordura e de 40 a 50 gramas de carboidratos totais, com umidade de até 5 gramas.

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Árvore em pé e renda para quem colhe

A colheita já é fonte de renda para famílias extrativistas e cooperados no Estado.

Foto: Rogério Florentino.

O modelo da Labra aposta na árvore em pé: quanto maior o valor gerado por quem colhe o baru, maior o incentivo para preservar o Cerrado em vez de desmatar.

Câmara setorial

A Câmara Setorial Temática do Baru foi instalada a partir do Requerimento nº 500/2026, do deputado Dilmar Dal Bosco. O colegiado reúne poder público estadual, cooperativas, universidades, instituições de financiamento e iniciativa privada em uma agenda única para o fruto.

Ricardo Pavan, representante da Labra, ocupa a secretaria da câmara. Em declaração divulgada pela empresa, ele resumiu a proposta levada ao colegiado.

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“A proposta que levamos à Câmara Setorial é juntar poder público, produtores rurais e cooperativas em um plano único de crédito, assistência técnica e escoamento da produção. Sem essa integração, a cadeia cresce mais devagar do que o Cerrado permite”, disse Pavan.

A aposta, conforme a empresa, é que a articulação entre setores coloque Mato Grosso na conversa internacional sobre bioeconomia do Cerrado, com o baru como um dos símbolos dessa posição.

DESTAQUE

EXCLUSIVO:Senadores de MT destinaram R$ 1,5 milhão à Rede Sarah, que não tem hospital no estado

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Wellington Fagundes e Jayme Campos enviaram quatro emendas à rede nos Orçamentos de 2023 a 2026

Os senadores Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (União) destinaram, no total, R$ 1.499.128 em emendas parlamentares individuais à Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação nos orçamentos federais de 2023, 2024 e 2026. A rede não tem unidade em Mato Grosso: os nove hospitais ficam em oito capitais de outros estados e do Distrito Federal, conforme a lista publicada pela própria instituição. Os valores foram integralmente pagos, segundo o Portal da Transparência do governo federal.

Wellington responde por R$ 899.128, a soma de duas emendas: R$ 599.128 no Orçamento de 2023 e R$ 300 mil no de 2026. Jayme destinou R$ 600 mil, também em duas emendas, de R$ 400 mil em 2024 e de R$ 200 mil em 2026.

Nas quatro, o campo que indica onde o dinheiro será aplicado traz a palavra “Nacional”, e não Mato Grosso ou um município mato-grossense.

Como o dinheiro chegou à Rede Sarah

O Fundo Nacional de Saúde fez os pagamentos à Associação das Pioneiras Sociais. As propostas que receberam as emendas estão registradas no sistema do fundo com o município de Brasília.

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Em 2023 e 2024, as emendas de Wellington e de Jayme foram incluídas em propostas maiores, de R$ 6.271.400 e de R$ 12.100.000. As duas foram registradas no fundo como aplicação direta. Em 2026, cada emenda ganhou uma proposta própria, do tipo contrato de gestão, com o valor exato da emenda.

Os documentos de pagamento de 2024 descrevem a operação como “PAGAMENTO DE CONTRATO DE GESTAO CELEBRADO COM ASSOCIACAO PIONEIRAS SOCIAIS PARCELA UNICA”. Os de 2026 trazem o número da proposta, a sigla da unidade da federação, DF, e o nome do senador autor da emenda.

A emenda de Wellington de 2023 foi empenhada em 15 de setembro daquele ano e paga em 4 de julho de 2024, como resto a pagar. A de Jayme de 2024 teve empenho em 3 de maio e pagamento em 4 de julho do mesmo ano. As duas de 2026 foram empenhadas em 20 de maio e pagas em 16 de junho.

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Emenda de 2023 quase triplicou durante a tramitação

A emenda de Wellington de 2023 entrou na Comissão Mista de Orçamento com R$ 200 mil. Na redação final da Lei Orçamentária daquele ano, a mesma emenda aparece em duas parcelas, de R$ 200 mil e de R$ 399.128.

A soma, de R$ 599.128, quase o triplo do valor apresentado, é o que o governo federal empenhou e pagou. As duas notas de empenho, emitidas no mesmo dia, têm exatamente esses dois valores.

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As emendas de Jayme e a de Wellington de 2026 mantiveram, na redação final, o valor com que foram apresentadas.

O que dizem as justificativas

A justificativa da emenda de Wellington de 2023 descreve a rede como “composta por 9 Unidades Hospitalares situadas em 8 capitais” e lista as cidades. O texto está redigido como pedido dirigido ao parlamentar: “solicitamos o seu apoio no sentido de verificar a possibilidade do aporte de recursos por meio de emenda da sua autoria, no valor que entender possível”.

A de 2026 segue o mesmo modelo. Informa que o projeto de Orçamento previa R$ 1.520,0 milhões para a rede, “o que significa R$ 100,0 milhões aquém do necessário para a manutenção dos 9 hospitais da Rede”, e termina com “contamos com o apoio de Vossa Excelência no sentido de contribuir com emenda de sua autoria”.

Segundo o mesmo texto, os recursos repassados pela União “têm sofrido reiteradas reduções”, e a rede faz mais de 2.100.000 atendimentos gratuitos por ano.

As justificativas de Jayme são mais curtas. A de 2024 fala em “contribuir com prestação de serviço especializado realizado pela Rede Sarah para atender a população no país”. A de 2026 tem uma frase: “A presente emenda tem o objetivo de suplementar a Rede Sarah de Hospital de Reabilitação”.

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Nenhum dos quatro textos menciona Mato Grosso.

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Unidade em Cuiabá entrou no Plano Plurianual em 2023

A lista de unidades publicada pela rede tem dois hospitais em Brasília, Centro e Lago Norte, e um em cada uma destas capitais: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, São Luís, Belém e Macapá.

Em 2023, Wellington apresentou ao projeto do Plano Plurianual 2024-2027 uma emenda de R$ 180 milhões para implantar uma unidade da Rede Sarah em Cuiabá. Segundo a justificativa, o hospital atenderia também pacientes de Rondônia, do Acre e do sul do Pará e reduziria a fila de espera na unidade de Brasília.

Na sessão do Congresso de 14 de dezembro de 2023, o relator do plano, deputado Bohn Gass (PT-RS), deu parecer favorável ao destaque da emenda de Wellington, com R$ 60 milhões por ano de 2025 a 2027, e pediu que a bancada do estado incluísse os recursos nos Orçamentos desses anos. A obra entrou no plano aprovado.

Nem Wellington nem Jayme destinaram emenda individual à ação orçamentária da unidade de Cuiabá nos Orçamentos de 2025 e 2026. A única emenda de Wellington à Rede Sarah nesse período, a de 2026, trata da manutenção dos nove hospitais que já funcionam.

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Contrato de gestão

A justificativa de Wellington de 2023 informa que a rede é mantida com recursos do Orçamento da União, por meio de contrato de gestão com os ministérios da Saúde e da Economia.

As propostas das quatro emendas no Fundo Nacional de Saúde trazem como beneficiária a Associação das Pioneiras Sociais, em Brasília, sem indicação de hospital. Os registros não mostram para qual das nove unidades foi cada pagamento.

A reportagem enviou perguntas aos gabinetes de Wellington Fagundes e de Jayme Campos em 24 de setembro de 2026, com prazo de resposta até as 18h de 25 de setembro de 2026. Os dois foram questionados sobre o benefício dessas emendas para o estado.

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