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ECONOMIA

Relatório traz resultados de combate a irregularidades no comércio exterior entre janeiro e julho

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O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) publicou nesta data os resultados do 6º Relatório do Grupo de Inteligência de Comércio Exterior (GI-CEX), com as ações realizadas de janeiro a julho de 2026. O relatório reúne a situação da análise e tratamento de 43 denúncias relacionadas a possíveis irregularidades nas operações de comércio exterior.

Os casos envolvem suspeitas como subdeclaração de valor e enquadramento incorreto das mercadorias importadas na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Entre os bens e setores abrangidos nas denúncias estão produtos químicos, têxteis, utilidades domésticas, eletrônicos e máquinas e equipamentos.

No âmbito da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC, a análise das denúncias considerou plausíveis os indícios de irregularidade apontados em 11 casos, o que motivou a aplicação da exigência de licenciamento não automático para confirmar a conduta praticada pelos importadores sob suspeição. Não houve o atendimento de requisitos mínimos que justificassem uma apuração mais detalhada em 6 processos. Há 26 denúncias em diferentes estágios de análise pelo órgão.

Integração

O GI-CEX reúne representantes da Secex e da Receita Federal para promover o intercâmbio de informações e a atuação coordenada na identificação de possíveis irregularidades nas operações de comércio exterior.

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A integração permite qualificar a análise de informações, identificar situações de risco e subsidiar a adoção das providências cabíveis pelos órgãos responsáveis. O trabalho também contribui para o aperfeiçoamento contínuo dos mecanismos de controle das operações de importação.

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Atuação contribui para integridade do comércio exterior

As ações de inteligência desenvolvidas pelo GI-CEX buscam assegurar o cumprimento das regras de comércio exterior e promover um ambiente de negócios baseado na concorrência leal e na observância da legislação.

Além da análise de possíveis irregularidades, o grupo atua no aprimoramento dos procedimentos de controle e no intercâmbio de informações entre os órgãos envolvidos, contribuindo para maior eficiência na atuação governamental.

A íntegra do 6° Relatório de Atividades do Grupo e o passo a passo como apresentar denúncias para análise da Secex e da Receita Federal podem ser encontrados na página do Siscomex: https://www.gov.br/siscomex/pt-br/informacoes/combate-a-praticas-ilegais/gi-cex/relatorios-gi-cex/6_relatorio_semestral_gi-cex.pdf/view

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Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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O que a alta de juros nos EUA muda para o dólar e a soja de Mato Grosso

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O Fed levou a taxa básica americana para a faixa de 3,75% a 4% no mesmo dia em que o Copom se reúne com a Selic em 14%. A soja de Mato Grosso é vendida em dólar e paga em real.

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou nesta quarta-feira (16) a faixa dos juros básicos americanos em 0,25 ponto percentual, para 3,75% a 4% ao ano, em decisão aprovada por 12 votos a 0. A alta de juros nos EUA sai no mesmo dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne com a Selic em 14% ao ano, e chega a Mato Grosso pelo câmbio: a soja em grão que o estado exportou entre janeiro e agosto rendeu US$ 12,67 bilhões, e cada um desses dólares vira real pela cotação do dia.

O que o Fed decidiu

O comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), divulgado às 14h no horário da costa leste dos Estados Unidos, tem dois parágrafos de diagnóstico e um de decisão. A atividade econômica, diz o texto, “is expanding at a solid pace” (está se expandindo em ritmo sólido, em tradução livre). O crescimento da produtividade é descrito como forte e o investimento das empresas, como vigoroso. O emprego acompanhou o ritmo da força de trabalho e a taxa de desemprego pouco mudou.

A inflação, no entanto, “remains elevated” (continua elevada). É nesse ponto que o comitê justifica a alta: a decisão “will support a timelier return to the Committee’s 2 percent goal”, isto é, deve ajudar a inflação a voltar mais cedo à meta de 2%. O documento fecha com uma frase curta: “The Committee will deliver price stability” (o comitê vai entregar estabilidade de preços).

Junto com a decisão, o Conselho do Fed elevou para 3,90% a taxa paga sobre as reservas dos bancos e para 4% a taxa de redesconto (primary credit rate). As duas passam a valer em 17 de setembro.

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Selic a 14% e o Copom em reunião

No Brasil, a taxa básica está em 14% ao ano desde 6 de agosto, quando passou a valer a decisão da 280ª reunião do Copom, realizada no dia anterior. Foi o quarto corte seguido de 0,25 ponto. A Selic ficou em 15% de junho de 2025 a março de 2026 e desceu, reunião a reunião, para 14,75%, 14,50%, 14,25% e 14%.

O comunicado de agosto já tratava do exterior. O ambiente externo, escreveu o comitê, “permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas”. Entre os riscos de alta para a inflação, o texto lista “uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”. Entre os de baixa, “uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários”. O cenário de referência das projeções parte de um dólar a R$ 5,10.

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A reunião seguinte consta do calendário do Banco Central para esta quarta-feira (16), com a ata marcada para 22 de setembro. Até o fechamento desta reportagem, a decisão não havia sido publicada.

Como a alta de juros nos EUA chega ao dólar

A ligação entre as duas decisões passa pelo câmbio, e a mecânica, que nenhum dos dois comunicados descreve, é conhecida em linhas gerais. Juro mais alto nos Estados Unidos torna o título público americano mais rentável para quem investe em dólar. Quando parte do dinheiro aplicado em países como o Brasil migra para lá, sobra menos dólar por aqui e a moeda americana tende a subir em relação ao real. A relação não é mecânica. O que pesa é a diferença entre os juros dos dois países, não o nível de um deles, e outros fatores, como o preço das commodities e o risco fiscal, também contam.

Para o exportador de soja a aritmética é mais direta. A venda é fechada em dólar e a receita entra em real. Com o mesmo preço em dólar, cada centavo a mais na cotação aumenta a receita em real, e cada centavo a menos a reduz. No comunicado do Copom, o mesmo câmbio aparece pelo lado do consumidor: dólar mais caro é risco de inflação.

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Neste ano o dólar caiu. A cotação PTAX de venda, calculada pelo Banco Central, abriu 2026 em R$ 5,4372 no dia 2 de janeiro, tocou o menor valor do ano em 11 de maio, R$ 4,8973, e fechou esta quarta-feira em R$ 5,1527. Desde o dia 4 de setembro, a cotação oscilou entre R$ 5,0856 (dia 8) e R$ 5,1696 (dia 14).

A soja de Mato Grosso em dólar

As exportações de soja em grão de Mato Grosso somaram 32,06 milhões de toneladas em 2025, por US$ 12,73 bilhões, nos registros do Comex Stat, sistema de estatísticas de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). De janeiro a agosto de 2026, último mês disponível no sistema, foram 30,10 milhões de toneladas e US$ 12,67 bilhões, cifra que em oito meses chega perto da do ano inteiro de 2025.

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O peso do estado no total nacional cresceu: 29,2% do valor exportado pelo país em 2025 e 32,2% no acumulado deste ano. Em toneladas, a fatia é de 29,6% e 32,4%.

A soja em grão sozinha respondeu por 42,2% de toda a exportação do estado em 2025 (US$ 30,19 bilhões) e por 52,2% entre janeiro e agosto de 2026 (US$ 24,28 bilhões). Somados farelo e óleo, o complexo soja chegou a US$ 15,77 bilhões no ano passado e a US$ 15,15 bilhões nos oito primeiros meses deste ano. O farelo rendeu US$ 2,78 bilhões em 2025 e US$ 2,19 bilhões até agosto; o óleo, US$ 259,5 milhões e US$ 287,6 milhões.

O calendário do embarque mostra por que setembro, outubro e novembro pesam pouco: o grosso sai entre fevereiro e julho. Em 2026, o pico foi março, com US$ 2,13 bilhões, e agosto fechou em US$ 631,5 milhões, acima dos US$ 591,7 milhões de agosto de 2025.

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China perde fatia, mas segue como maior compradora

A China comprou US$ 8,92 bilhões da soja mato-grossense em 2025, 70,1% do total. No acumulado de 2026 a compra soma US$ 7,46 bilhões e a fatia recuou para 58,9%. Mês a mês, a participação chinesa foi de 35,1% em janeiro a 70% em fevereiro e, de março a agosto, ficou entre 47,7% (agosto) e 60,4% (março).

Os destinos seguintes aumentaram a fatia. A Espanha passou de US$ 805,7 milhões (6,3%) para US$ 900,2 milhões (7,1%). A Turquia foi de US$ 427,7 milhões (3,4%) para US$ 729,4 milhões (5,8%), e a Tailândia, de US$ 321,4 milhões (2,5%) para US$ 554,1 milhões (4,4%). O México, quinto colocado em 2025 com US$ 303,0 milhões, saiu do grupo dos cinco maiores, e o Paquistão entrou, com US$ 414,9 milhões (3,3%).

Os próximos passos têm data. A decisão do Copom desta quarta-feira não havia sido publicada até o fechamento desta reportagem, e a ata da reunião consta do calendário do BC para 22 de setembro. Nos Estados Unidos, a nova faixa de juros e as taxas de reservas e de redesconto passam a valer em 17 de setembro. O Comex Stat ainda não traz os embarques de setembro: agosto é o último mês registrado.

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