AGRONEGÓCIO
Crédito mais caro e inadimplência em alta tornam produtores mais cautelosos e mudam dinâmica das feiras do agro
O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário mais desafiador em 2026, marcado pelo aumento da inadimplência, crédito mais caro e redução das margens de rentabilidade. Esse ambiente mais restritivo tem impactado diretamente a tomada de decisão dos produtores rurais, que passam a adotar uma postura mais cautelosa, especialmente na aquisição de máquinas e equipamentos.
Dados recentes indicam que, em fevereiro de 2026, a inadimplência no crédito rural entre pessoas físicas atingiu 7,4%, um dos níveis mais elevados da série histórica do Banco Central. No mesmo período do ano anterior, o índice era de 2,9%, evidenciando uma forte aceleração das operações em atraso e maior pressão sobre o caixa do produtor.
Esse movimento já provoca mudanças importantes na dinâmica do setor, inclusive no papel das feiras agropecuárias, que passam a concentrar não apenas lançamentos tecnológicos, mas também discussões financeiras e estratégicas.
Produtor mais cauteloso muda comportamento de compra
Com margens mais apertadas, os produtores estão mais criteriosos na hora de investir. A decisão de compra deixou de ser impulsiva e passou a considerar fatores como condições de crédito, prazos de pagamento e impacto no fluxo de caixa.
Segundo Victor Lemos Cardoso, head comercial da Agree, agfintech especializada na estruturação de crédito para o agronegócio, o perfil do produtor mudou.
“As feiras continuam sendo espaços importantes para inovação e negócios, mas hoje refletem um produtor mais cauteloso. Além de olhar para tecnologia, ele também avalia crédito, prazos e impacto no caixa antes de tomar qualquer decisão”, afirma.
Feiras agropecuárias ganham papel estratégico
Nesse novo contexto, as feiras do setor deixam de ser apenas vitrines de tecnologia e passam a atuar como plataformas completas de decisão. Além de apresentar inovações, esses eventos reúnem fornecedores, instituições financeiras e especialistas, permitindo uma análise mais ampla dos investimentos.
Os produtores aproveitam esses encontros para comparar condições de financiamento, entender tendências de mercado e avaliar alternativas antes de fechar negócios.
Tecnoshow Comigo 2026 reflete cenário de cautela
A Tecnoshow Comigo 2026, realizada entre os dias 6 e 10 de abril, em Rio Verde (GO), exemplifica bem esse novo momento do agronegócio. O evento reuniu cerca de 120 mil visitantes e mais de 710 expositores, mantendo sua relevância como um dos principais encontros do setor.
A feira também movimentou aproximadamente R$ 90 milhões na economia local, reforçando sua importância regional.
Apesar da forte presença de público e empresas, o volume de negócios registrou queda de cerca de 30% em relação à edição anterior. A retração foi mais significativa na venda de bens de capital, como máquinas agrícolas, enquanto segmentos essenciais, como insumos, apresentaram desempenho mais estável.
Investimentos são reavaliados, mas inovação segue presente
O cenário mais restritivo tem levado os produtores a reavaliar prioridades, especialmente no caso de investimentos de maior valor. Equipamentos mais robustos e tecnologias de alto custo tendem a ser postergados, enquanto gastos ligados à manutenção da operação continuam sendo realizados.
“Com margens mais apertadas e, em alguns casos, até negativas, o produtor passa a rever prioridades. Investimentos de maior valor tendem a ser adiados, enquanto decisões essenciais ganham espaço. Trata-se de cautela, não de desinteresse por inovação”, explica Cardoso.
Crédito passa a integrar o planejamento da safra
Outro aspecto relevante dessa transformação é a mudança na forma como o crédito é utilizado dentro das propriedades. O financiamento deixa de ser uma decisão isolada e passa a fazer parte do planejamento estratégico da produção.
A presença de instituições financeiras nas feiras amplia o acesso a informações e permite ao produtor comparar taxas, prazos e estruturas de crédito, facilitando decisões mais conscientes.
“Hoje, o agricultor precisa entender como cada investimento se encaixa na sua estrutura financeira. As feiras ajudam a reunir essas informações em um único ambiente, tornando a análise mais completa e menos reativa”, destaca.
Gestão mais estratégica e foco em previsibilidade
A tendência observada no setor é de uma gestão mais estratégica, com foco em previsibilidade e controle financeiro. Os produtores passam a considerar diferentes cenários antes de assumir compromissos, buscando maior segurança em um ambiente mais volátil.
“Os produtores estão incorporando o crédito ao planejamento da safra, avaliando riscos e buscando maior previsibilidade nas decisões”, conclui Cardoso.
O atual cenário reforça uma mudança estrutural no agronegócio brasileiro, em que a cautela financeira e o planejamento ganham protagonismo, influenciando diretamente o comportamento de compra e a dinâmica dos principais eventos do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Vale do Ribeira conquista Indicação Geográfica para bananas e fortalece produção paulista
O Vale do Ribeira, em São Paulo, passou a contar com a Indicação Geográfica (IG) para a produção de bananas das variedades Cavendish (Nanica) e Prata. O reconhecimento fortalece o setor produtivo regional e consolida a área como um dos principais polos de bananicultura do Brasil.
A certificação contribui para a valorização do produto, amplia as oportunidades de mercado e garante a identificação oficial da origem das bananas cultivadas na região.
Bananicultura no Vale do Ribeira tem origem histórica e expansão no século XX
A banana é uma das frutas mais consumidas no mundo e tem ampla presença no Brasil. Em São Paulo, o cultivo começou no litoral e avançou para o Vale do Ribeira a partir da década de 1930.
A região se destacou por condições naturais favoráveis, como solos adequados ao cultivo e menor suscetibilidade a inundações, o que favoreceu a expansão da atividade agrícola.
Indicação Geográfica é concedida pelo INPI e fortalece identidade regional
A Indicação Geográfica é um reconhecimento concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a produtos ou serviços que possuem características únicas associadas à sua origem geográfica.
Com a nova certificação, São Paulo alcança a 14ª Indicação Geográfica registrada, reforçando o protagonismo do estado na produção de alimentos com identidade territorial.
Secretaria de Agricultura e CATI atuam no apoio ao processo de certificação
O processo de obtenção da IG contou com apoio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).
Para a solicitação junto ao INPI, é necessário comprovar a notoriedade do produto. A Secretaria emite o Instrumento Oficial de Delimitação de Área Geográfica (IOD), enquanto a CATI recebe, protocola e encaminha a documentação para análise técnica.
Com o registro, a denominação “Vale do Ribeira-SP” passa a ser protegida e utilizada oficialmente para identificar a origem da produção de bananas na região.
Articulação institucional foi decisiva para consolidação da IG
A CATI Regional de Registro teve papel ativo na articulação do processo, participando de reuniões estratégicas com a Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (ABAVAR) e instituições parceiras, como o Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e o Sebrae.
Os encontros foram fundamentais para a definição do recorte territorial da IG e para a construção do Caderno de Especificações Técnicas (CET), que estabelece as normas de produção alinhadas às práticas locais.
Indicação Geográfica gera valorização e novas oportunidades para produtores
Segundo a chefe de Divisão da CATI Regional de Registro, Tais Canola, a certificação representa um novo horizonte para os bananicultores da região.
O reconhecimento protege a origem das variedades Cavendish (Nanica) e Prata, amplia o acesso a novos mercados e contribui para a valorização da produção agrícola.
Além disso, a IG é vista como um instrumento de desenvolvimento regional, promovendo maior estabilidade econômica, combate à desvalorização do produto e fortalecimento das comunidades rurais.
ABAVAR destaca fortalecimento da agricultura familiar no Vale do Ribeira
O presidente da ABAVAR, Augusto Aranha, celebrou a conquista e destacou o impacto positivo da certificação para o setor produtivo.
Segundo ele, o selo reforça o compromisso da região com uma agricultura moderna, sustentável e alinhada à preservação ambiental, além de valorizar especialmente a agricultura familiar.
IG da banana abrange 13 municípios do Vale do Ribeira
A área de abrangência da Indicação Geográfica inclui os seguintes municípios:
- Cajati
- Cananéia
- Eldorado
- Iguape
- Itariri
- Iporanga
- Jacupiranga
- Juquiá
- Miracatu
- Pariquera-Açu
- Pedro de Toledo
- Registro
- Sete Barras
Vale do Ribeira reforça posição estratégica na bananicultura nacional
Com a Indicação Geográfica, o Vale do Ribeira consolida sua relevância na produção de banana em nível estadual e nacional.
De acordo com dados do IBGE e do Projeto LUPA, a região representa 7,07% de toda a área destinada à bananicultura no Brasil, reforçando sua importância econômica e produtiva no agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
-
AGRONEGÓCIO5 dias agoGuerra do Irã e veto chinês ao ácido sulfúrico apertam fertilizantes em Mato Grosso
-
DESTAQUE4 dias agoBrasil e Canadá decidem título do Fifa Series na Arena Pantanal neste sábado
-
DESTAQUE5 dias agoNova lei institui guarda compartilhada obrigatória para pets no Brasil
-
AGRONEGÓCIO4 dias agoProdutor de MT com CAR pendente não consegue mais autorização para desmate legal



