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AGRONEGÓCIO

Dependência de fertilizantes importados expõe agro brasileiro a riscos geopolíticos e acelera debate sobre transição verde

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A instabilidade geopolítica em regiões estratégicas para a produção de insumos agrícolas voltou a acender um alerta no agronegócio brasileiro: a forte dependência de fertilizantes importados. Conflitos recentes no Oriente Médio, somados aos impactos ainda sentidos da guerra entre Rússia e Ucrânia, afetam diretamente a oferta global desses produtos e pressionam os custos de produção no campo.

Atualmente, o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Esse percentual tem aumentado nos últimos anos, ampliando a exposição do país a riscos externos.

Brasil lidera importações globais de fertilizantes e amplia vulnerabilidade

Em 2025, o Oriente Médio respondeu por 16% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil. Considerando também países em regiões sensíveis, como Rússia e Venezuela, esse volume chega a 32% das importações nacionais.

O Brasil é hoje o maior importador mundial de fertilizantes, com crescimento médio de 3,8% ao ano entre 2014 e 2023, enquanto a média global foi de 0,8%, segundo dados da International Fertilizer Association (IFA).

Para especialistas, a baixa produção doméstica torna o país especialmente vulnerável. Além disso, a demanda segue em expansão impulsionada pela conversão de pastagens degradadas em áreas agrícolas, pela expansão dos sistemas integrados e pelo avanço da segunda safra.

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Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir dependência até 2050

Diante desse cenário, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), lançado em 2022, ganha relevância estratégica. O programa estabelece como meta reduzir a dependência externa para cerca de 50% até 2050.

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Entre as diretrizes estão:

  • Incentivo à produção nacional de fertilizantes
  • Modernização da indústria do setor
  • Melhorias na infraestrutura logística
  • Estímulo à inovação tecnológica

Apesar das metas, o avanço do plano enfrenta desafios importantes, como o alto custo do gás natural, gargalos logísticos e a necessidade de maior coordenação entre órgãos públicos e privados.

Fertilizantes verdes surgem como alternativa para reduzir emissões

Os fertilizantes verdes são apontados como uma alternativa estratégica para o setor, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental. Produzidos a partir de hidrogênio verde — obtido por eletrólise da água com energia renovável —, esses insumos podem reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa associadas à agricultura.

Segundo especialistas, além de diminuir a pegada de carbono, essa tecnologia pode aumentar a segurança no abastecimento ao reduzir a dependência de importações.

Tecnologia ainda enfrenta barreiras de custo e escala

Apesar do potencial, a escalabilidade dos fertilizantes verdes ainda enfrenta desafios relevantes. O principal deles é o custo de produção, que pode ser até oito vezes superior ao dos fertilizantes convencionais, baseados em combustíveis fósseis.

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A viabilização dessa tecnologia depende de políticas públicas de incentivo, contratos de longo prazo e mecanismos como o mercado de carbono.

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Uso eficiente de fertilizantes pode reduzir emissões no campo

Além da substituição tecnológica, especialistas destacam que o uso mais eficiente dos fertilizantes no campo também é fundamental. O manejo adequado pode reduzir desperdícios e emissões de óxido nitroso (N₂O), um gás com potencial de aquecimento global 265 vezes superior ao CO₂.

No Brasil, esse gás representa cerca de 6% das emissões provenientes do setor agrícola.

Transição verde é vista como estratégica para o futuro do agro

Para especialistas do setor, a agenda de fertilizantes deve ser tratada como estratégica para o país. O Brasil possui matriz energética majoritariamente renovável e condições favoráveis para se tornar produtor global desses insumos.

No entanto, esse avanço depende de coordenação entre setores, investimentos consistentes e planejamento de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade externa e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Preços do etanol caem mais de 7% em São Paulo e refletem pressão de oferta e demanda retraída

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Queda acentuada nos preços do etanol em São Paulo

Os preços do etanol hidratado e anidro registraram forte queda no mercado spot do estado de São Paulo na última semana, segundo dados do Cepea.

Entre os dias 13 e 17 de abril, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado foi cotado a R$ 2,5920 por litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), representando uma queda de 7,01% em relação ao período anterior.

Já o etanol anidro apresentou recuo ainda mais intenso. O indicador fechou em R$ 2,9575 por litro (sem PIS/Cofins), com retração de 7,43%. Este é o menor patamar desde 1º de agosto do ano passado, quando o combustível ficou abaixo dos R$ 3,00 por litro.

Negócios seguem limitados, apesar de leve melhora

De acordo com pesquisadores do Cepea, o ritmo de negociações apresentou uma leve melhora ao longo da semana, mas ainda permaneceu limitado.

As transações ocorreram em volumes reduzidos e de forma pontual, refletindo um mercado ainda cauteloso e com baixa liquidez.

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Distribuidoras adiam compras e mantêm postura conservadora

No lado da demanda, distribuidoras continuam adotando uma estratégia de cautela, postergando ao máximo a reposição de estoques.

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Esse comportamento indica um cenário de incerteza, no qual os compradores evitam assumir posições mais robustas, contribuindo para a pressão sobre os preços.

Aumento da oferta pressiona o mercado

Do lado dos vendedores, o movimento foi mais agressivo, com maior volume de etanol sendo ofertado no mercado.

Esse aumento está diretamente ligado ao início das operações de novas unidades produtoras, ampliando a disponibilidade do biocombustível e intensificando a concorrência entre ofertantes.

Incertezas com etanol de milho e açúcar preocupam o setor

Além dos fatores internos, o mercado também é impactado por incertezas externas. Segundo o Cepea, os agentes seguem apreensivos com:

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  • O aumento da oferta de etanol de milho na safra 2026/27
  • As oscilações nas cotações internacionais do açúcar

Esses elementos podem influenciar diretamente a formação de preços e a competitividade do etanol no mercado brasileiro.

Cenário aponta continuidade da volatilidade

Com oferta crescente, demanda retraída e incertezas no horizonte, o mercado de etanol tende a permanecer volátil no curto prazo.

O comportamento das distribuidoras, o avanço da safra e o cenário internacional serão determinantes para os próximos movimentos de preços no setor.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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