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SAÚDE

Sob o olhar feminino: políticas públicas reforçam cuidado da saúde materna indígena

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A maternidade é um exercício diário de responsabilidade que atravessa todas as dimensões da vida das mulheres. No Brasil, a saúde indígena é construída, todos os dias, pelas mãos de milhares de mães que cuidam, acolhem e transformam realidades. Nos territórios, o maternar e o trabalho caminham juntos. De Norte a Sul do país, mulheres atravessam distâncias geográficas e afetivas para garantir o cuidado integral dos povos indígenas, pautadas pelo compromisso permanente com a vida de cada paciente.

Mãe de cinco filhos, a secretária-adjunta da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, Putira Sacuena, construiu sua trajetória entre desafios, aprendizados e um profundo senso de responsabilidade. Desde o primeiro filho, equilibra a maternidade com a vida acadêmica e a atuação na saúde indígena.

Ao olhar para sua própria história, ela reconhece uma realidade compartilhada por muitas mulheres no desafio de conciliar o cuidado com os filhos e a vida profissional. “Sempre falei para os meus filhos que nós somos uma equipe”, conta. Hoje, cada um segue seu próprio caminho, em diferentes regiões do país. Mas, mesmo à distância, o vínculo permanece forte. “A gente se encontra em datas comemorativas, mas todos os dias nos falamos. A tecnologia nos ajuda a matar um pouco da saudade. Para cumprir essa missão, muitas vezes acabamos sendo ausentes dentro de casa, mas não podemos nos culpar por isso. Somos mães, mas também somos mulheres, profissionais, e temos o direito de ocupar esses espaços”, afirma.

Putira destaca, ainda, que essa vivência transformou sua forma de enxergar o cuidado. O contato com outras mães, especialmente em contextos de vulnerabilidade, ampliou sua sensibilidade e reforçou o compromisso com uma saúde pública mais humana e integral.

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Cuidado integral que transforma e protege mães e crianças

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No âmbito da saúde indígena, a atenção materno-infantil é estruturada a partir de políticas públicas que reconhecem o corpo, a cultura, o território e os saberes tradicionais. Executadas nos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei), essas ações garantem um cuidado contínuo, que começa na gestação e se estende ao desenvolvimento da criança.

Entre os principais eixos dessas políticas, está a atenção ao ciclo gravídico-puerperal, com acompanhamento no pré-natal, parto e pós-parto, contribuindo para a redução da mortalidade materna e infantil. Outro destaque é o cuidado compartilhado, que integra parteiras e parteiros indígenas, pajés, rezadeiras e outros detentores de saberes tradicionais às equipes de saúde. Essa articulação fortalece os vínculos comunitários e assegura um atendimento mais humanizado, respeitando as práticas culturais e os modos de vida dos povos indígenas.

Além disso, a Sesai tem ampliado o acesso a métodos contraceptivos nos territórios indígenas, garantindo o direito das mulheres à autonomia sobre sua saúde sexual e reprodutiva. Entre as opções estão o DIU de cobre, métodos hormonais, preservativos e o implante contraceptivo subdérmico de longa duração. As ações também incluem prevenção, diagnóstico e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, HIV/aids e hepatites virais, além de iniciativas educativas e de enfrentamento à violência doméstica e familiar.

Para Putira, ser mãe e ser profissional de saúde são experiências profundamente conectadas. “Ser mãe traz um olhar diferenciado para o cuidado. Traz sensibilidade, mas também responsabilidade. A gente passa a compreender a saúde de uma forma mais ampla. Por isso, é fundamental ter um olhar diferenciado para essas mulheres. Elas cuidam de outras vidas enquanto também vivem suas próprias ausências”, destaca.

A secretária-adjunta complementa: “Que o cuidado com as mães seja um compromisso de todos os dias. Que possamos ir além do respeito e da valorização, que haja reconhecimento. Seja indígena, preta, quilombola ou ribeirinha, cada mulher carrega sua história, sua identidade e sua forma de cuidar”, pontua.

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É nesse mesmo caminho que se insere a trajetória de Regiane Carvalho. Mãe de duas filhas, Regiane é nutricionista e atua na assistência no Dsei Yanomami. “Trabalhar nesse contexto exige sensibilidade, escuta, respeito à cultura e muita dedicação. Cuidar da saúde de outras pessoas transformou ainda mais minha forma de enxergar a maternidade. Aprendi que o cuidado vai além do atendimento técnico, envolve acolhimento, presença e humanidade. Ao mesmo tempo, ser mãe me tornou uma profissional mais empática e sensível às necessidades das famílias que acompanho”.

Foto: Acervo Pessoal
Foto: Acervo Pessoal
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Entre as experiências mais marcantes, Regiane relembra situações que reforçaram seu compromisso com a saúde indígena. “Acompanhar de perto os casos é algo que nos sensibiliza profundamente. Como mãe e profissional, é impossível não se envolver. Essas vivências fortalecem ainda mais minha luta por dignidade e acesso à saúde para todos”.

A vivência em territórios também traz desafios intensos. A conciliação entre maternidade e trabalho, segundo ela, exige resiliência. “Estar longe de casa não é fácil. Já passei Natal, Ano Novo, Dia das Mães e aniversários em território, longe da família. São momentos difíceis, marcados pela saudade e pela sensação de perder parte da rotina familiar. Mas minhas filhas sempre compreenderam meu propósito, e isso me fortalece diariamente para cumprir essa missão”, conclui.

Leidiane Souza
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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SAÚDE

Parteiras e parteiros indígenas de todo o Brasil se reúnem em encontro nacional

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Entre os dias 08 e 11 de junho, a capital de Rondônia será palco de um movimento histórico: o primeiro Encontro Nacional de Parteiras e Parteiros Indígenas. Organizado pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, o evento não é apenas uma reunião técnica, mas um gesto de reconhecimento ao protagonismo de mulheres e homens que, há gerações, protegem os ciclos da vida e a sobrevivência física e cultural de seus povos.

O encontro responde a um chamado das próprias comunidades e busca reconhecer as “tecnologias da floresta”, à luz do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante três dias, representantes dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), além de especialistas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mergulharão em uma jornada de escuta sensível e troca de experiências.

Reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como figuras cruciais para a saúde materna, as parteiras tradicionais desenvolvem um saber construído na prática e na transmissão oral. Esse conhecimento acumulado será o centro das atenções em Porto Velho. A programação prevê diálogos sobre o preparo do corpo para a gestação, o uso de ervas medicinais e o cuidado com as adolescentes desde a primeira menstruação.

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“Este encontro representa um passo importante no reconhecimento das parteiras e parteiros indígenas como guardiões de conhecimentos ancestrais”, destaca a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé. Segundo ela, a iniciativa visa construir caminhos para que esses saberes sejam respeitados e integrados às políticas públicas de saúde.

Tecendo o futuro da saúde indígena

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A metodologia do evento foi desenhada para ser tão profunda quanto os temas tratados. Atividades como a dinâmica “Tecendo Conhecimentos” e a construção da “Árvore do Conhecimento” permitirão que os participantes sistematizem suas práticas de forma coletiva.

O encontro ainda prevê a elaboração de dois documentos orientadores: o Guia de Parteira para Parteira, focado em boas práticas, rituais e o uso de kits de cuidado; e o Guia para Profissionais de Saúde, uma bússola para que as equipes de saúde saibam como acolher e articular as práticas tradicionais com a medicina biomédica de forma culturalmente sensível.

 Ao promover esse diálogo intercultural, o Ministério da Saúde reafirma que a equidade e a integralidade do SUS só são plenamente alcançadas quando a espiritualidade e a autonomia dos povos indígenas são levadas em conta no ato de cuidar. O evento que se inicia em 9 de junho promete ser um marco onde a tradição e a modernidade se encontram para garantir que o nascimento em territórios indígenas continue sendo um ato de celebração da vida.

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Leidiane Souza
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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