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AGRONEGÓCIO

Dependência de fertilizantes importados ameaça competitividade e segurança do agronegócio brasileiro

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O Brasil consolidou sua posição como uma das maiores potências agropecuárias do planeta, liderando a produção e exportação de commodities como soja, milho, açúcar, café e carne bovina. No entanto, por trás dessa força produtiva existe uma vulnerabilidade estratégica que preocupa especialistas: a elevada dependência de fertilizantes importados.

A avaliação é de Manoel Perez Neto, diretor financeiro com ênfase em Agronegócios, que alerta para os riscos que a dependência externa representa para a segurança alimentar, a competitividade do setor e a estabilidade dos custos de produção no campo.

Segundo ele, garantir o acesso contínuo aos insumos agrícolas tornou-se uma questão estratégica para o futuro da produção brasileira.

Brasil importa a maior parte dos fertilizantes utilizados no campo

Atualmente, cerca de 85% dos fertilizantes consumidos pela agricultura brasileira são importados. Essa dependência coloca produtores rurais e toda a cadeia agroindustrial em posição vulnerável diante de fatores externos que fogem ao controle do mercado nacional.

Os fertilizantes são fundamentais para manter os elevados índices de produtividade alcançados pela agricultura brasileira nas últimas décadas. Sem eles, seria impossível sustentar os atuais volumes de produção responsáveis por abastecer o mercado interno e garantir a competitividade das exportações.

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Concentração de fornecedores aumenta riscos

Grande parte dos fertilizantes utilizados no Brasil é adquirida de países e regiões frequentemente impactados por instabilidades geopolíticas.

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No mercado de cloreto de potássio, por exemplo, a Rússia responde por aproximadamente 45% das importações brasileiras, enquanto o Canadá representa cerca de 38% do volume adquirido pelo país.

Já nos fertilizantes nitrogenados, Rússia, China e Argélia figuram entre os principais fornecedores globais para o mercado brasileiro. Nos fosfatados, o abastecimento é liderado por Rússia e Marrocos.

Essa concentração amplia a exposição do agronegócio nacional a conflitos internacionais, sanções econômicas, interrupções logísticas, fechamento de rotas marítimas, oscilações no preço do petróleo e disputas diplomáticas.

Impactos vão além da porteira

Quando ocorre qualquer restrição na oferta global de fertilizantes, os reflexos são sentidos rapidamente no campo. O aumento dos custos de produção afeta diretamente a rentabilidade dos produtores rurais e influencia os preços das commodities agrícolas.

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Os efeitos, porém, não se limitam à agricultura. O encarecimento dos insumos pode pressionar os preços dos alimentos, elevar os custos da proteína animal, impactar o transporte de cargas e contribuir para o avanço da inflação.

Dessa forma, a questão dos fertilizantes ultrapassa o ambiente produtivo e passa a ser um tema de interesse econômico e estratégico para todo o país.

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Segurança dos insumos entra na agenda do agronegócio

Especialistas apontam que o desafio brasileiro para os próximos anos não será apenas aumentar a produção agrícola, mas também reduzir a vulnerabilidade relacionada ao fornecimento de insumos essenciais.

Entre as alternativas debatidas pelo setor estão o fortalecimento da mineração nacional de potássio, a ampliação da capacidade de produção de fertilizantes nitrogenados, o incentivo aos bioinsumos, o desenvolvimento de tecnologias biológicas e a adoção de práticas agronômicas mais eficientes.

Essas iniciativas ganham relevância em um cenário de crescente demanda mundial por alimentos e de aumento das incertezas geopolíticas.

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Soberania alimentar passa pela autonomia produtiva

Para especialistas do setor, garantir a disponibilidade de fertilizantes e reduzir a dependência externa tornou-se uma questão diretamente ligada à soberania econômica e à segurança alimentar do Brasil.

Com uma agricultura cada vez mais estratégica para o abastecimento global, fortalecer a produção nacional de insumos surge como um dos principais desafios para assegurar a competitividade do agronegócio brasileiro nas próximas décadas e preservar sua posição de destaque no mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Certificação da lã gaúcha avança com atualização técnica e reforço na rastreabilidade do setor ovino

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A cadeia produtiva da ovinocultura gaúcha segue investindo em qualidade, rastreabilidade e padronização para fortalecer a competitividade da lã brasileira no mercado. A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) promoveu uma atualização técnica com as comparsas certificadas pelo Programa de Certificação da Lã Gaúcha, reunindo equipes responsáveis pela esquila, classificação e certificação da produção.

O treinamento teve como objetivo alinhar procedimentos técnicos, reforçar os protocolos de qualidade exigidos pelo mercado e ampliar a capacitação dos profissionais que atuam diretamente no processo de certificação da lã no Rio Grande do Sul.

As comparsas são grupos especializados em esquila de ovinos e desempenham papel estratégico na manutenção da qualidade do velo, desde a propriedade rural até a comercialização final da produção.

Programa reforça auditoria permanente e controle da qualidade da lã

A atualização técnica foi conduzida pelo especialista Daniel Duarte, profissional com 25 anos de experiência na certificação da lã uruguaia e integrante do programa desde o início das atividades na Fronteira Oeste gaúcha.

Segundo o responsável pelo Programa de Certificação da Lã da Arco, Sérgio Muñoz, a escolha do instrutor considerou a experiência prática acumulada ao longo de décadas de atuação no setor.

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“Trouxemos o Daniel como instrutor porque ele é uma referência em termos de trabalho e profissionalismo”, destacou.

Atualmente, 13 comparsas estão credenciadas para utilizar o selo da lã gaúcha, após validação técnica e cumprimento dos protocolos estabelecidos pela entidade. Conforme Muñoz, todas as equipes passam por auditorias permanentes para garantir a qualidade do serviço prestado.

O sistema de certificação permite identificar cada lote produzido, assegurando rastreabilidade completa e acompanhamento contínuo da produção.

“Essas comparsas estão permanentemente sendo auditadas”, afirmou o gestor.

Compradores internacionais ajudam a validar padrão de qualidade

De acordo com a Arco, o retorno dos compradores de lã é um dos principais instrumentos de avaliação do programa de certificação. O acompanhamento da qualidade ocorre desde a origem da produção até o destino final da fibra comercializada.

“Quem nos dá principalmente o subsídio do trabalho, se está sendo bem feito ou não, são os compradores de lã”, ressaltou Muñoz.

O encontro também contou com a participação de representantes de empresas uruguaias compradoras de lã, que acompanharam de perto o modelo de certificação desenvolvido no Rio Grande do Sul.

Para a entidade, a presença internacional reforça o reconhecimento do mercado externo ao padrão de qualidade adotado pela ovinocultura gaúcha.

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“As principais empresas compradoras de lã do Uruguai estiveram presentes no evento para ver a importância que estão dando ao nosso trabalho”, acrescentou.

Capacitação reforça exigências da indústria para lã limpa e rastreável

Além dos procedimentos de classificação e certificação, o treinamento abordou o correto preenchimento dos romanês — documentos que acompanham a lã certificada desde a propriedade rural até o destino final da carga.

O objetivo foi reforçar a importância da emissão adequada das informações para garantir rastreabilidade, transparência e segurança comercial.

Segundo Daniel Duarte, a capacitação também esclareceu dúvidas técnicas relacionadas à preparação do velo dentro dos padrões exigidos pela indústria têxtil.

“Desde temas de barrigas, desbordes, velos A, velos B e velos inferiores, foram muitas perguntas a respeito, mas foi muito bom porque a indústria hoje exige tudo isso e exige o velo limpo”, explicou o instrutor.

Setor aponta necessidade de ampliar número de profissionais especializados

Durante o encontro, a Arco também alertou para a necessidade de ampliar a oferta de mão de obra especializada em algumas regiões do Estado. Áreas como a região das Missões já apresentam demanda crescente por comparsas capacitadas para atender a expansão da atividade ovina.

“Precisamos de mais comparsas. Existem regiões com bastante ovelha que estão desabastecidas”, afirmou Muñoz.

Para enfrentar o desafio, cursos de formação vêm sendo realizados em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), buscando ampliar o número de profissionais qualificados para atuar na certificação e manejo da lã gaúcha.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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