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Palestrantes destacam prevenção e bem-estar no ambiente laboral

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O fortalecimento da saúde mental no ambiente de trabalho e o papel estratégico das lideranças na prevenção do adoecimento institucional foram temas centrais da palestra da conselheira nacional do Ministério Público Greice Fonseca Stocker, durante a abertura da capacitação “Integridade em Foco: Intersecções entre Direito Eleitoral, Probidade Administrativa e Responsabilização Criminal”. Presidente da Comissão da Saúde do CNMP, ela acompanhou o lançamento do Projeto Âmbar, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), e defendeu a criação de espaços de diálogo e acolhimento como pilares para instituições mais fortes e saudáveis.A mesa foi presidida pela subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, que ressaltou que a iniciativa representa um avanço na política institucional de valorização das pessoas. Ao recepcionar a conselheira do CNMP, Anne Karine destacou sua contribuição para o fortalecimento das políticas de saúde mental no Ministério Público brasileiro e agradeceu sua presença no evento.Em sua apresentação, Greice Stocker explicou que o encontro foi pensado como um espaço de diálogo e reflexão coletiva sobre um tema estratégico para as instituições. Segundo ela, desde que assumiu o mandato no CNMP, o diálogo tem orientado sua atuação, especialmente nas discussões relacionadas à saúde mental.Durante a palestra, a presidente da Comissão da Saúde do CNMP apresentou resultados da pesquisa nacional realizada pelo Conselho para avaliar a saúde mental de membros do Ministério Público. O levantamento ouviu mais de 4 mil integrantes de 26 estados e do Distrito Federal, apontando a necessidade de ações permanentes voltadas à prevenção e ao acolhimento.Conforme a palestrante, entre os principais fatores de risco identificados estão o ritmo intenso de trabalho, a pressão por resultados, a gestão centralizada e a insuficiência de pessoal. A pesquisa também revelou que 77,2% dos entrevistados relataram ter sofrido algum tipo de constrangimento emocional no ambiente de trabalho, enquanto 51% afirmaram ter sido vítimas de assédio moral. “Os números são realmente alarmantes. E esses números não são abstratos. São dados de pessoas reais, colegas que participaram dessa pesquisa e relataram situações vividas dentro da instituição”, afirmou.A conselheira explicou que, a partir desse diagnóstico, o CNMP estruturou uma série de ações voltadas à promoção da saúde mental dos integrantes do Ministério Público. Entre elas está a Resolução nº 265/2023, que instituiu a Política Nacional de Atenção à Saúde Mental e estabeleceu diretrizes para prevenção, acolhimento e escuta especializada. A normativa também impulsionou a criação do Fórum Nacional de Atenção à Saúde Mental do Ministério Público, espaço destinado à construção conjunta de estratégias entre as unidades ministeriais de todo o país. Segundo a expositora, nenhuma política institucional produz resultados concretos sem o comprometimento das pessoas. Nesse contexto, ela destacou o papel das lideranças na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis.“Ser líder não é ter todas as respostas. É criar espaços para que as perguntas possam ser feitas, para que as pessoas possam falar sem medo e sem preconceito”, ressaltou.A conselheira acrescentou que muitos relatos de sofrimento emocional estão relacionados às relações hierárquicas e à dinâmica dos ambientes de trabalho. Por isso, defendeu que as lideranças sejam vistas não como causa do problema, mas como parte fundamental da solução. “A liderança não é o problema; ela é parte da solução do problema”, enfatizou.
Ao abordar o Projeto Âmbar, a conselheira afirmou que a iniciativa nasce de uma escolha importante: voltar o olhar para dentro da instituição e para as pessoas responsáveis por sustentar suas atividades diárias. “O projeto traz exatamente esse recado: a importância de nós olharmos para dentro. E nasce também de uma pergunta muito importante que nós precisamos fazer: como estão as pessoas que sustentam a instituição?”, destacou.Greice Stocker observou que discutir saúde mental ainda exige coragem das organizações, sobretudo diante dos preconceitos que cercam o tema. Para ela, o Ministério Público de Mato Grosso demonstra maturidade ao enfrentar a questão de forma aberta, preventiva e estruturada. Ela avaliou que a iniciativa está alinhada às diretrizes nacionais de promoção da saúde mental por priorizar ações educativas, capacitação de lideranças e fortalecimento da cultura do diálogo.Para ela, a saúde mental no trabalho deve ser tratada como uma questão estrutural e permanente. “Uma instituição forte se faz com pessoas saudáveis. O Ministério Público existe para fortalecer a sociedade e, para isso, nós precisamos de uma instituição forte e também saudável”, afirmou.Ao encerrar sua participação, a conselheira defendeu a ampliação dos espaços de escuta e diálogo dentro das organizações. “Não se constrói uma instituição saudável por decreto. Constrói-se pelo exemplo, pela escuta e pela disposição de mudar o que precisa ser mudado”, concluiu.Ciência de dados e prevenção – Na sequência da programação, o autor dos livros “Felicidade e Ciência de Dados” e “Manual de Saúde Mental no Trabalho”, Sérgio Ricardo Souza Amad, ministrou a palestra “Saúde Mental no Trabalho”. O professor e apresentador abordou os impactos das transformações sociais e tecnológicas sobre o bem-estar dos trabalhadores e defendeu uma gestão baseada em evidências para prevenir riscos psicossociais.Ao iniciar sua exposição, Sérgio Amad provocou o público a refletir sobre os fatores que promovem felicidade e qualidade de vida no ambiente profissional. Segundo ele, apesar dos avanços históricos da humanidade em áreas como saúde e longevidade, a saúde mental se tornou um dos maiores desafios contemporâneos.“A saúde mental hoje é o maior desafio do planeta Terra”, afirmou. O palestrante destacou que a hiperconectividade, a sobrecarga de informações e o uso excessivo de dispositivos eletrônicos vêm contribuindo para o surgimento de novas formas de adoecimento. Entre elas, citou o chamado burnout digital, decorrente da dificuldade de desconexão e do excesso de estímulos tecnológicos.O professor explicou que a prevenção exige acompanhamento contínuo dos ambientes organizacionais e atenção aos fatores que interferem no bem-estar dos trabalhadores. Nesse contexto, destacou a importância da inteligência emocional e da capacidade de adaptação diante das mudanças. “O ser do futuro é o ser resiliente. Resiliência é a capacidade de desenvolver inteligência emocional para lidar com os desafios e se adaptar às mudanças”, observou.Ao abordar o conceito de felicidade no trabalho, o especialista explicou que aspectos como adequação ao cargo, sentimento de pertencimento, qualidade do clima organizacional e relacionamento com a liderança influenciam diretamente a saúde mental e o desempenho profissional. Segundo ele, ambientes saudáveis favorecem o engajamento e a inovação. “Quando uma pessoa tem prontidão de bem-estar, ela fica 31% mais produtiva e três vezes mais inovadora”, destacou.Sérgio Amad também apresentou dados sobre o crescimento dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil e defendeu a adoção de mecanismos capazes de identificar precocemente sinais de sofrimento emocional. Para ele, iniciativas como o Projeto Âmbar representam uma mudança importante ao priorizar a prevenção e o desenvolvimento das lideranças.O especialista ressaltou ainda que a gestão de pessoas exige cada vez mais decisões fundamentadas em dados. Na avaliação dele, compreender indicadores relacionados ao clima organizacional e ao bem-estar das equipes permite intervenções mais eficientes e reduz a ocorrência de afastamentos. “Ou você vai ser uma gestão reativa ou proativa. Quando utiliza dados e evidências para entender sua equipe, consegue agir antes que os problemas aconteçam”, pontuou.Ao encerrar a palestra, destacou que a saúde mental deixou de ser tratada apenas sob uma perspectiva subjetiva e passou a integrar a agenda estratégica de organizações públicas e privadas. “A vida está na simplicidade das pequenas coisas. Quando o líder tem informações baseadas em evidências sobre sua equipe, consegue gerar mais desempenho, mais bem-estar e ambientes de trabalho mais saudáveis”, concluiu o palestrante.

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Fotos: Chico Ferreira.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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Fake news e propaganda eleitoral são temas de palestra

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A palestra “Poder de polícia dos promotores eleitorais: propaganda eleitoral e fake news”, ministrada pelo promotor de Justiça aposentado do Ministério Público de Minas Gerais, Edson Resende de Castro, marcou a segunda atividade da programação do segundo dia da capacitação “Integridade em Foco: Intersecções entre Direito Eleitoral, Probidade Administrativa e Responsabilização Criminal”, nesta quinta-feira (18).O painel foi presidido pela promotora de Justiça auxiliar da Corregedoria-Geral da Procuradoria-Geral de Justiça, Regilaine Magali Bernardi Crepaldi. Ela ressaltou o caráter prático da atuação do palestrante e sua disponibilidade em compartilhar conhecimento com colegas desde o início de suas carreiras. “É uma pessoa dedicada, humilde, competente e que sempre passa conhecimentos práticos”, afirmou, ao agradecer a participação do expositor.Ao iniciar a apresentação, Edson Resende de Castro enfatizou a importância do compartilhamento de experiências no fortalecimento da atuação institucional. “Tudo quanto nós estudamos e nos dedicamos ao Direito é para servir, para compartilhar com os colegas”, destacou, ao explicar que a proposta da palestra era tratar de aspectos práticos que estarão diretamente relacionados ao cotidiano dos promotores durante as eleições.O palestrante concentrou a exposição na atuação do Ministério Público na esfera cível eleitoral e administrativa, especialmente diante do cenário das eleições gerais, em que a competência para as ações eleitorais está concentrada nos tribunais regionais e no Tribunal Superior Eleitoral. Nesse contexto, ressaltou o papel estratégico dos promotores eleitorais na coleta de informações e no encaminhamento qualificado de elementos probatórios.Durante a palestra, Edson Resende esclareceu que os membros do Ministério Público devem atuar com agilidade na apuração de notícias de irregularidades, especialmente por meio da instauração de notícia de fato, instrumento considerado mais adequado para subsidiar a atuação das instâncias competentes.Outro tema de destaque foi a propaganda eleitoral na internet e os desafios relacionados à desinformação. O palestrante explicou que, nas eleições gerais, o tratamento das irregularidades digitais exige atenção especial, sobretudo quanto à distinção entre problemas de forma e de conteúdo. Ele ressaltou que o poder de polícia pode ser utilizado apenas em casos relacionados à forma e ao meio de veiculação, como ausência de identificação obrigatória ou uso indevido de plataformas. Já as irregularidades de conteúdo, como fake news, devem ser tratadas por meio de ações judiciais específicas.Nesse contexto, também foram abordadas as regras relacionadas ao uso de inteligência artificial e às chamadas deepfakes, com destaque para a vedação de conteúdos manipulados que possam induzir o eleitor em erro. O palestrante alertou para o avanço dessas tecnologias e seu impacto no processo eleitoral. “Nós vamos ter uma enxurrada de deepfakes nas eleições”, afirmou, ressaltando a necessidade de preparo institucional para enfrentar esse cenário.Integridade em Foco – a capacitação “Integridade em Foco: Intersecções entre Direito Eleitoral, Probidade Administrativa e Responsabilização Criminal” reúne especialistas de destaque nacional para debater temas atuais ligados ao Direito Eleitoral, à improbidade administrativa, à integridade pública e à responsabilização criminal.A iniciativa é promovida pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – escola institucional do MPMT, em parceria com a Procuradoria Especializada na Defesa do Patrimônio Público, o Centro de Apoio Operacional (CAO) Eleitoral e o Núcleo de Qualidade de Vida no Trabalho – Vida Plena.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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