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POLÍTICA NACIONAL

Desigualdade dificulta ensino em tempo integral, aponta debate na CE do Senado

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As dificuldades para universalizar o ensino em tempo integral foram o tema, nesta quarta-feira (1º), da segunda audiência do ciclo de debates organizado pela Comissão de Educação (CE) do Senado. As reuniões avaliam o Programa Escola em Tempo Integral, política pública do Ministério da Educação (MEC). Representantes do MEC e gestores educacionais de diferentes regiões do país discutiram se o programa tem contribuído para reduzir as desigualdades regionais.

Instituído pela Lei 14.640, de 2023, o Escola em Tempo Integral prevê apoio financeiro e assistência técnica da União para ampliar a oferta de matrículas em tempo integral nas redes públicas de ensino.

Segundo a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que presidiu a audiência pública e foi autora do requerimento para sua realização (REQ 25/2026), os debates buscam identificar os fatores que favorecem ou dificultam a expansão da educação em tempo integral, além de reunir subsídios para o aperfeiçoamento da política e de seu financiamento.

Desafios para a expansão

A coordenadora-geral do Escola em Tempo Integral no MEC, Aline Zero Soares, anunciou que o programa alcançou adesão de todos os estados e do Distrito Federal, além de cerca de 88% das redes municipais. Segundo ela, o percentual de matrículas em tempo integral na rede pública passou de 18% em 2022 para 25,8% em 2025.

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A coordenadora reconheceu, porém, que ainda há desigualdades regionais, especialmente na Região Norte, e defendeu o fortalecimento da assistência técnica e do financiamento para ampliar a oferta da modalidade.

— A agenda da educação em tempo integral avançou no país, mas ainda enfrenta desafios importantes para garantir qualidade, equidade e sustentabilidade— concluiu.

Ao comentar os dados apresentados pelo MEC, a senadora Damares Alves observou que Santa Catarina, apesar de ser um dos estados mais ricos do país, registra baixa adesão à educação em tempo integral. A coordenadora da Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina, Silvania de Queiroz Pfluck, explicou que esse cenário decorre de diferentes fatores, como a resistência de parte das famílias, especialmente no ensino médio, quando muitos estudantes precisam conciliar os estudos com o trabalho.

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— Não há um único fator que explique esse cenário. Existem questões culturais, sociais e econômicas que influenciam a adesão à educação em tempo integral — ponderou.

Pfluck afirmou que, para reverter esse quadro, o governo catarinense passou a priorizar a educação em tempo integral, instituiu uma política específica para a modalidade e ampliou o número de escolas participantes de 117 para 423. Segundo ela, a infraestrutura das escolas continua sendo um dos principais desafios para a expansão da oferta.

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Financiamento

Além do apoio financeiro, Aline Zero Soares destacou que o Programa Escola em Tempo Integral combina estratégias como assistência técnica às redes de ensino; mobilização de estados e municípios; disseminação de experiências exitosas; articulação com áreas como cultura, esporte e assistência social; monitoramento permanente da implementação; e ações voltadas à promoção da equidade.

— O financiamento é importante, mas também precisamos de formação, assistência técnica, planejamento e prioridade política — afirmou.

Representando a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a secretária de Educação de Igarassu (PE), Andreyka Ferreira, afirmou que os municípios de pequeno porte enfrentam maiores dificuldades para expandir a educação em tempo integral. Segundo ela, além das limitações de infraestrutura e da menor capacidade técnica, muitas redes dependem quase exclusivamente dos recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), o que dificulta a abertura de novas vagas.

A secretária explicou que a Emenda Constitucional 135 alterou o modelo de financiamento da política, ao destinar 4% dos recursos do Fundeb para a expansão das matrículas em tempo integral. Ela alertou, no entanto, que o volume de recursos do fundo permaneceu o mesmo, o que pode dificultar a ampliação da oferta pelos municípios de pequeno porte sem comprometer a manutenção das redes já existentes. Por isso, defendeu a criação de novas fontes de financiamento.

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— O Fundeb continua sendo o mesmo. O que mudou foi a forma de utilizá-lo, e muitos municípios já não têm recursos suficientes para manter a rede que existe e, ao mesmo tempo, ampliar as vagas da educação em tempo integral — explicou.

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Implementação

Aline Soares afirmou que a consolidação da educação em tempo integral depende da construção de políticas próprias pelos estados e municípios, adaptadas às necessidades de cada território. Segundo ela, mais de 90% dos entes participantes do programa já elaboraram normas locais para implementar o tempo integral.

— Não adianta o governo federal ter uma política pública voltada ao tempo integral quando estados e municípios não têm políticas próprias que dialoguem com as necessidades e as potencialidades daquele território — ressalvou.

Representando o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a Secretaria Municipal de Educação de São José dos Pinhais (PR), Sirlei Corrêa de Almeida afirmou que a criação de uma política municipal de educação em tempo integral permitiu ampliar gradualmente a oferta da modalidade. Segundo ela, o município passou de 20 escolas atendidas em 2023 para 40 unidades em 2026. Apesar dos avanços, a expansão ainda enfrenta limitações de infraestrutura, falta de profissionais e custos elevados com transporte e alimentação escolar.

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— Na nossa política, uma escola que entra na educação em tempo integral não fecha mais. Daqui para frente, nós só vamos crescer — previu.

Representando a Secretaria Municipal de Educação de Boa Vista, Deigla Cassia de Oliveira Cavalcante afirmou que a capital de Roraima priorizou a expansão da educação em tempo integral nas creches, onde registrou crescimento de cerca de 91% nas matrículas. Segundo ela, a estratégia levou em conta as características da rede, que atende continuamente crianças migrantes, principalmente venezuelanas, além de estudantes indígenas e da zona rural.

Deigla Cavalcante acrescentou que Boa Vista pretende ampliar gradualmente a oferta para outras etapas da educação básica e tem investido na atualização da proposta curricular e na formação de professores, para consolidar a política.

— Pensamos em começar pela etapa da creche, que é o carro-chefe da nossa rede — revelou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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Fonte: Agência Senado

POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova projeto que acelera desconto de máquinas novas nos impostos

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A Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que permite às empresas descontar do imposto devido, em até dois anos, o valor gasto na compra de máquinas e equipamentos novos. Hoje, esse desconto é feito, em geral, ao longo de dez anos.

A proposta vale para empresas tributadas pelo regime do lucro real que comprarem máquinas e equipamentos novos a partir de 1º de janeiro de 2026.

O projeto cria o Regime Especial de Depreciação Acelerada (Reda). Pela regra, as empresas poderão descontar 50% do valor do equipamento no ano da compra ou da instalação e os outros 50% no ano seguinte, independentemente da vida útil do bem. Na prática, o valor da depreciação entra como despesa na contabilidade da empresa, reduzindo o lucro real e, consequentemente, o imposto a pagar.

Os valores são descontados da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

O benefício vale apenas para máquinas e equipamentos novos utilizados em atividades industriais e agroindustriais, como fabricação, montagem, beneficiamento, secagem, torrefação, moagem, pasteurização, refrigeração e empacotamento.

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Atualmente, alguns setores já contam com o benefício, como a fabricação de alimentos, produtos têxteis, madeira, químicos, metalurgia, obras de infraestrutura, entre outros.

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Autor do Projeto de Lei 473/26, o deputado Diego Garcia (União-PR) destacou ainda que a lei em vigor opta por incentivos setoriais, com alta dependência do poder regulatório do governo federal. “A indústria brasileira como um todo, não apenas setores pontualmente selecionados, clama por um ambiente de negócios estável e previsível”, argumentou.

O relator da proposta, deputado Beto Richa (PSDB-PR) , afirmou que a medida melhora o fluxo de caixa das empresas e cria condições para ampliar os investimentos em modernização. “A medida favorece o fluxo de caixa empresarial e cria um ambiente mais propício à ampliação da capacidade produtiva, à modernização industrial e à geração de emprego”, disse.

A comissão aprovou a versão do relator, que incluiu um limite para que o total descontado não ultrapasse o custo de compra de máquinas/equipamentos. O texto prevê ainda uma avaliação periódica do benefício fiscal. Segundo Richa, as mudanças aumentam a responsabilidade, a transparência e a eficiência na gestão dos recursos públicos.

Próximas etapas
A proposta será ainda analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

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Para virar lei, o texto deve ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

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Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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