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AGRONEGÓCIO

Açúcar reage no mercado com apoio das chuvas e do cenário internacional, mas preços internos seguem pressionados

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O mercado do açúcar iniciou julho com sinais de recuperação nas cotações, sustentado pelas chuvas que interromperam temporariamente as atividades no Centro-Sul do Brasil e pelo avanço dos contratos futuros nas bolsas internacionais. Apesar desse movimento, o mercado físico brasileiro ainda enfrenta pressão da oferta elevada, mantendo a volatilidade nos preços do açúcar cristal e do etanol.

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que os preços do açúcar cristal branco apresentaram reação pontual no mercado spot paulista nos primeiros dias do mês. Segundo os pesquisadores, além das chuvas que reduziram o ritmo das operações, a valorização observada nas bolsas internacionais também contribuiu para melhorar o ambiente de negociação.

No entanto, a média da última semana ainda ficou abaixo da registrada no período anterior, indicando que o mercado segue sem uma tendência consolidada e permanece atento aos fatores climáticos e à dinâmica da oferta.

Bolsas internacionais iniciam semana em alta

O mercado externo abriu a semana em valorização. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato com vencimento em outubro de 2026 encerrou o pregão cotado a 15,22 cents de dólar por libra-peso, alta de 0,37 ponto. O contrato março de 2027 fechou em 16,11 cents/lbp, enquanto o vencimento maio de 2027 terminou a 15,89 cents/lbp, ambos também registrando ganhos.

Em Londres, na ICE Futures Europe, o açúcar branco acompanhou o movimento positivo. O contrato agosto de 2026 avançou para US$ 488,40 por tonelada, enquanto outubro de 2026 encerrou a US$ 478,80 e dezembro de 2026 fechou em US$ 475,40 por tonelada.

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O desempenho das bolsas reflete a preocupação dos investidores com a disponibilidade global da commodity, especialmente diante das condições climáticas adversas em importantes regiões produtoras.

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Clima na Índia mantém mercado atento

Entre os principais fatores que sustentam os preços internacionais está o comportamento das monções na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.

O déficit de chuvas durante a temporada segue sendo acompanhado de perto pelos agentes do mercado, uma vez que pode comprometer o desenvolvimento da safra e reduzir a oferta global da commodity, fortalecendo o viés de alta para os contratos futuros.

Além disso, investidores monitoram o desempenho das exportações brasileiras. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que os embarques de açúcares e melaços perderam ritmo em junho na comparação com o mesmo período do ano passado, aumentando as incertezas sobre a disponibilidade mundial do produto.

Mercado interno recua diante da maior oferta

Enquanto o cenário externo oferece sustentação às cotações, o mercado brasileiro continua pressionado pela disponibilidade de produto.

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O Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo encerrou o último pregão cotado a R$ 91,94 por saca de 50 quilos, com recuo diário de 1,76%. Apesar da queda, o indicador ainda acumula valorização de 0,73% ao longo de julho, reflexo da recuperação observada nos primeiros dias do mês.

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Especialistas destacam que a maior oferta nas usinas continua limitando avanços mais consistentes no mercado físico, mantendo compradores e vendedores cautelosos nas negociações.

Etanol amplia perdas em julho

O mercado de etanol também apresentou enfraquecimento.

O Indicador Diário Paulínia apontou o etanol hidratado a R$ 2.295,50 por metro cúbico, registrando queda de 0,84% em relação ao pregão anterior.

Com esse resultado, o biocombustível passou a acumular desvalorização de 2,96% em julho, refletindo o cenário de maior oferta e demanda ainda moderada.

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Perspectivas para o mercado

O comportamento do mercado de açúcar nas próximas semanas deverá continuar sendo determinado pela combinação entre fatores climáticos e fundamentos de oferta e demanda.

No cenário internacional, o clima na Índia permanece como principal elemento de sustentação das cotações, enquanto o ritmo das exportações brasileiras e a evolução da safra no Centro-Sul serão determinantes para o equilíbrio do mercado.

Já no Brasil, embora episódios de chuva possam provocar recuperações pontuais nos preços, a elevada disponibilidade de açúcar e etanol ainda limita movimentos mais consistentes de valorização no mercado físico.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

AGRONEGÓCIO

El Niño ameaça oferta global de trigo e óleo de palma e pode elevar preços das commodities agrícolas

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A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 recoloca o clima no centro das atenções do mercado agrícola internacional. O fenômeno poderá alterar o equilíbrio entre oferta e demanda de importantes commodities, especialmente trigo e óleo de palma, ampliando a volatilidade dos preços e exigindo atenção redobrada dos agentes do agronegócio.

Análise da Hedgepoint Global Markets aponta que os impactos climáticos tendem a ser distintos entre os principais países produtores. Enquanto a Austrália poderá enfrentar perdas significativas na produção de trigo, Estados Unidos e Argentina podem registrar ganhos produtivos. Já no mercado de óleo de palma, os maiores riscos permanecem concentrados na Indonésia e na Malásia, responsáveis pela maior parte da produção mundial.

Austrália concentra os maiores riscos para o trigo

Entre os grandes exportadores mundiais de trigo, a Austrália é considerada a região mais vulnerável aos efeitos do El Niño.

Historicamente, o fenômeno provoca redução das chuvas e temperaturas acima da média durante fases decisivas do desenvolvimento das lavouras, especialmente nas regiões produtoras do oeste e do sudeste australiano.

Esse cenário aumenta o risco de déficit hídrico, compromete o enchimento dos grãos e reduz tanto a produtividade quanto a qualidade da safra.

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Como a Austrália ocupa posição estratégica nas exportações globais de trigo, qualquer redução relevante na produção costuma repercutir rapidamente nas bolsas internacionais, influenciando os preços e as expectativas do mercado.

Estados Unidos e Argentina podem compensar parte das perdas

Enquanto o clima tende a dificultar a produção australiana, o El Niño normalmente proporciona condições mais favoráveis em outras regiões produtoras.

Nos Estados Unidos, principalmente nas áreas produtoras de trigo de inverno das Grandes Planícies, o aumento da regularidade das chuvas favorece a recuperação da umidade do solo, reduzindo o risco de estiagens durante o ciclo da cultura.

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Embora ocorram episódios isolados de excesso de precipitação, o histórico indica que o impacto líquido costuma ser positivo para a produção norte-americana.

A Argentina também figura entre os países que tradicionalmente se beneficiam do fenômeno.

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A maior frequência das chuvas melhora o estabelecimento das lavouras, favorece o desenvolvimento vegetativo e contribui para o enchimento dos grãos, elevando o potencial produtivo do cereal.

Após temporadas marcadas por seca, o El Niño costuma impulsionar a recuperação da safra argentina, ampliando sua capacidade de exportação e fortalecendo sua participação no comércio internacional.

Produção de óleo de palma pode sofrer impactos mais fortes em 2027

Além do trigo, o mercado acompanha atentamente os possíveis efeitos do El Niño sobre o óleo de palma.

A commodity apresenta elevada sensibilidade às condições climáticas do Sudeste Asiático, onde Indonésia e Malásia concentram aproximadamente 80% da produção mundial.

O fenômeno normalmente provoca redução das chuvas, temperaturas mais elevadas e aumento do estresse hídrico nas áreas produtoras.

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No entanto, diferentemente das culturas anuais, os impactos sobre as palmeiras costumam aparecer de forma gradual.

A seca compromete a formação dos cachos e o desenvolvimento fisiológico das plantas, fazendo com que as maiores perdas de produção sejam observadas entre seis e doze meses após o pico do fenômeno climático.

Por esse motivo, os efeitos mais relevantes sobre a oferta mundial de óleo de palma deverão ocorrer ao longo de 2027.

Mercado de óleos vegetais pode sentir reflexos da menor oferta

Uma eventual redução na produção de óleo de palma tende a provocar efeitos em toda a cadeia global de óleos vegetais.

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Com menor disponibilidade da commodity, indústrias e consumidores normalmente intensificam a demanda por produtos substitutos, como:

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  • óleo de soja;
  • óleo de canola;
  • óleo de girassol.

Esse movimento pode elevar os preços de todo o complexo de óleos vegetais, aumentando a competição entre os segmentos de alimentos, biocombustíveis e aplicações industriais.

Intensidade do El Niño será decisiva para os preços internacionais

De acordo com Luiz Fernando Gutierrez Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o comportamento do mercado dependerá da intensidade do fenômeno e do equilíbrio entre as perdas registradas na Austrália e os ganhos produtivos nas Américas.

Segundo o especialista, eventos de El Niño mais intensos costumam sustentar as cotações internacionais do trigo devido à relevância da Austrália nas exportações globais. Já no caso do óleo de palma, os maiores riscos permanecem concentrados no Sudeste Asiático, onde a redução da oferta poderá se tornar mais evidente ao longo de 2027.

Clima seguirá como principal fator para os mercados agrícolas

A perspectiva de retorno do El Niño reforça que as condições climáticas continuarão sendo um dos principais direcionadores dos mercados agrícolas nos próximos meses.

Além de influenciar a produção mundial de trigo e óleo de palma, o fenômeno poderá alterar fluxos comerciais, estoques globais e estratégias de comercialização, aumentando a volatilidade das commodities e exigindo monitoramento constante por parte de produtores, exportadores e investidores do agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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