Pesquisar
Close this search box.

Tribunal de Justiça de MT

Como identificar violência doméstica? Núcleo Thays Machado acolhe e orienta mulheres do Judiciário

Publicado em

Nem toda violência doméstica deixa marcas no corpo. Algumas se manifestam em forma de humilhações constantes, controle financeiro, manipulação emocional ou relações sexuais sem consentimento. Outras, mais visíveis, se manifestam por meio de agressões físicas. Todas, porém, têm algo em comum: ferem direitos, comprometem a saúde física e emocional da mulher e precisam ser interrompidas.
Para fortalecer a prevenção e garantir um ambiente de trabalho mais seguro, o Poder Judiciário de Mato Grosso conta com o Núcleo de Atendimento às Magistradas e Servidoras Vítimas de Violência Doméstica – Espaço Thays Machado, um serviço especializado que oferece acolhimento humanizado, orientação e apoio às mulheres que atuam na instituição.
Criado com base na Recomendação nº 102/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Núcleo atende magistradas, servidoras efetivas e comissionadas, terceirizadas, colaboradoras, credenciadas e estagiárias que atuam no primeiro e no segundo grau de jurisdição do Judiciário mato-grossense.
Por meio de um termo de cooperação, o atendimento também é estendido às mulheres que trabalham no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso.

A violência nem sempre é percebida

A Lei Maria da Penha reconhece cinco formas de violência doméstica: física, psicológica, moral, patrimonial e sexual. Embora a violência física seja a mais facilmente identificada por deixar marcas aparentes, ela não é a única e, muitas vezes, sequer é a primeira a surgir dentro de um relacionamento abusivo.
A violência psicológica se manifesta por meio de ameaças, manipulações, isolamento, chantagens e controle excessivo, fazendo com que a mulher perca gradativamente a confiança em si mesma.
A violência moral ocorre por meio de humilhações, xingamentos, acusações e ofensas que atingem sua dignidade. Já a violência patrimonial envolve o controle do dinheiro, retenção de documentos, destruição de bens ou qualquer atitude que limite sua autonomia financeira.
A violência sexual, por sua vez, acontece sempre que há imposição ou constrangimento para a prática de atos sexuais sem consentimento, inclusive dentro do casamento ou de relacionamentos afetivos.
Muitas dessas situações acabam sendo naturalizadas no cotidiano e nem sempre são reconhecidas como violência pelas próprias vítimas.
Essa realidade também foi identificada no relatório Rota Crítica da Violência Doméstica no Poder Judiciário Brasileiro, elaborado pelo CNJ. O estudo revelou que a violência psicológica é a forma mais recorrente entre as mulheres ouvidas, seguida pela violência moral, física, patrimonial e sexual. Outro dado que chama a atenção é que grande parte das vítimas não procura apoio institucional, demonstrando que o medo, a insegurança e a dificuldade em romper o ciclo da violência ainda são barreiras importantes.
Acolhimento especializado e atendimento humanizado
O Espaço Thays Machado foi estruturado justamente para oferecer um ambiente seguro, reservado e acolhedor para mulheres que estejam vivenciando qualquer uma dessas formas de violência.
O atendimento é realizado por equipe multidisciplinar composta exclusivamente por mulheres e inclui acolhimento humanizado, orientação jurídica, acompanhamento psicológico, atendimento psiquiátrico e articulação com a rede de proteção.
Além disso, quando necessário o Núcleo também promove encaminhamentos para registro de boletim de ocorrência, solicitação de medidas protetivas e adoção de ações institucionais de segurança em parceria com a Coordenadoria Militar do Tribunal de Justiça.
Cada atendimento é realizado de forma individualizada, respeitando a vontade, o tempo e as necessidades de cada mulher. O objetivo não é apenas orientar sobre direitos, mas oferecer suporte para que a vítima possa fortalecer sua autonomia e tomar decisões de forma segura.
Saiba onde buscar apoio

O Núcleo de Atendimento às Magistradas e Servidoras Vítimas de Violência Doméstica – Espaço Thays Machado funciona no segundo andar do prédio principal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em Cuiabá, e realiza atendimentos presenciais e por videoconferência, sempre com discrição, sigilo e acolhimento humanizado.
Horário de atendimento: das 8h às 12h.
Contatos:
📞 (65) 3617-3038
📲 (65) 99267-6382

Autor: Vitória Maria Sena

Leia Também:  Famílias Acolhedoras oferecem proteção e afeto a crianças em situação de risco

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Equipes multidisciplinares são essenciais no enfrentamento à violência contra a mulher

Published

on

Participantes acompanham a palestra da assessora técnica multidisciplinar da Cemulher-MT, Adriany Sthefany de Carvalho, durante a capacitação das equipes multidisciplinares das Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Ao fundo, um telão exibe o tema da apresentação.A violência doméstica produz consequências que vão além das agressões físicas. Para oferecer uma resposta mais humanizada e efetiva às mulheres em situação de violência, o trabalho das equipes multidisciplinares das Varas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher é fundamental. Para aperfeiçoar essa atuação, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio da Escola dos Servidores e da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), promove regularmente capacitações para os profissionais que atuam diretamente no atendimento às vítimas e suas famílias.

Entre os dias 15 e 17 de julho, 72 psicólogos e assistentes sociais de 43 comarcas participam da capacitação “Equipes Multidisciplinares das Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher”. A formação aborda temas que qualificam o atendimento às vítimas e subsidiam tecnicamente as decisões judiciais.

Na programação desta quarta-feira (15), a assessora técnica multidisciplinar da Cemulher-MT, assistente social Adriany Sthefany de Carvalho ministrou a palestra “Atuação em Rede: o Papel das Equipes Multidisciplinares no Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher”, destacando a importância da integração entre o Judiciário e os demais órgãos da rede de proteção.

Advertisement

“As equipes multidisciplinares vinculadas ao Judiciário podem fundamentar a Rede com materiais teóricos e pesquisas, auxiliar na construção de fluxos e protocolos e desenvolver projetos no eixo da prevenção. Além do combate, elas podem ir às escolas, fazer rodas de conversa com as mulheres, orientar a Rede sobre os serviços e ajudar a construir mecanismos de informação, como cartilhas e folders”, explicou.

A palestrante também ressaltou que um dos maiores desafios é fazer com que a informação e os serviços cheguem às mulheres que vivem em regiões de difícil acesso.

Leia Também:  Telefones, e-mails e endereços do Tribunal e das comarcas podem ser consultados no portal do TJMT

“O primeiro passo é que essas informações cheguem até essas mulheres. A grande dificuldade é essa. Nosso estado é muito amplo e há regiões de difícil acesso até para os serviços. Imagina para essas mulheres chegarem até eles. Geralmente, na violência doméstica, elas ficam isoladas, se sentem sozinhas e desamparadas. A gente precisa ter um olhar principalmente para as mulheres da zona rural e tentar levar o serviço até elas por meio das redes”, defendeu Adriany.

Advertisement

Essa realidade faz parte da rotina da assistente social Silvana Maria Mazzonetto, da Comarca de Água Boa (627 km de Cuiabá), que atende também os municípios de Nova Nazaré e Cocalinho.

“Cocalinho fica a cerca de 200 quilômetros de Água Boa e tem muitas fazendas. Nós vamos até essas propriedades para realizar os atendimentos, com apoio do Conselho Tutelar. É importante conhecer essa realidade de perto, porque muitas situações de violência contra a mulher e contra a criança ficam ocultas na zona rural e a gente consegue alcançar essas famílias”, relatou Silvana.

Há 12 anos atuando como profissional credenciada do Judiciário, Silvana afirma que a formação continuada faz diferença na qualidade do atendimento. “Vir às capacitações é muito relevante para o nosso conhecimento. Esses momentos nos dão mais segurança sobre qual direcionamento tomar, quais encaminhamentos fazer e como conduzir os estudos de caso. O nosso parecer direciona vidas, e esse aperfeiçoamento faz com que a gente leve para a comarca uma visão técnica em favor da família.”

Advertisement

Ela também destaca o aprendizado proporcionado pela troca de experiências entre os profissionais. “Sempre levamos algum conhecimento novo. Também trocamos experiências com os colegas sobre como cada comarca atua e como foram conduzidos determinados casos. Essa troca acaba sendo um suporte muito importante para o nosso trabalho.”

Leia Também:  Proteção à infância avança com atuação humanizada do Judiciário

A assistente social Genezi Córdoba de Oliveira, da Comarca de Tabaporã (643 km de Cuiabá), também considera a capacitação essencial para a atuação nas comarcas. “Todas essas capacitações fortalecem o conhecimento para a gente conseguir aplicar no trabalho do dia a dia. Lá nós trabalhamos com Direito de Família, violência doméstica e com o grupo reflexivo. Eu sou encantada com esse trabalho porque a gente vê a transformação dos autores da violência doméstica.”

De acordo com ela, o Grupo Reflexivo para Autores de Violência Doméstica, implantado em março de 2025, apresenta resultados positivos. “A gente observa que houve uma redução dos casos. Hoje estamos com cinco participantes no grupo e já tivemos até homens que pediram para participar voluntariamente, depois de conhecerem o trabalho. Isso é uma experiência muito positiva.”

Advertisement

Além da atuação em rede, a capacitação aborda temas como perspectiva de gênero e alienação parental, masculinidades e machismo estrutural, estereótipos de gênero no Direito de Família, violência doméstica e dano psicológico, protocolo de julgamento com perspectiva de gênero e elaboração de documentos técnicos produzidos pelas equipes de Psicologia e Serviço Social. A programação também inclui atividades práticas voltadas à aplicação desses conhecimentos na rotina das varas especializadas.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo: Rodrigo Moura

Advertisement

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Advertisement
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA