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AGRONEGÓCIO

SIAVS reúne cadeias que exportam mais de R$ 160 bilhões

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As principais cadeias brasileiras de proteína animal estarão reunidas na próxima semana, entre os dias 4 e 6 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo. O Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS) terá a maior edição de sua história, com expectativa de receber mais de 31 mil visitantes e representantes de empresas de mais de 60 países.

O tamanho do evento acompanha o peso econômico do setor. Somente as exportações brasileiras de carnes bovina, de frango e suína geraram aproximadamente R$ 160 bilhões em 2025, considerando as receitas informadas pelas entidades setoriais e o câmbio de R$ 5,10. O cálculo não inclui ovos, pescados, genética animal, máquinas, medicamentos, nutrição e outros segmentos que também estarão representados no salão.

A feira ocupará 45 mil metros quadrados, área 65% maior que a utilizada na edição anterior. Em 2024, o SIAVS recebeu mais de 30 mil pessoas, 2,5 mil congressistas e 317 expositores. A ampliação permitirá incorporar novas empresas de equipamentos, automação, processamento, refrigeração, embalagens, logística, saúde animal, genética e alimentação.

A edição de 2026 marca também a consolidação de uma mudança no perfil do evento. A sigla SIAVS, anteriormente associada ao Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura, passa a identificar o Salão Internacional de Proteína Animal. Além de aves, ovos e suínos, a estrutura incorpora oficialmente a bovinocultura de corte e de leite e os peixes de cultivo.

A mudança reúne, no mesmo espaço, cadeias que possuem níveis diferentes de desenvolvimento, mas enfrentam desafios comuns. Sanidade, biosseguridade, rastreabilidade, custos de produção, logística, bem-estar animal e exigências ambientais passaram a determinar tanto o acesso aos mercados internacionais quanto a competitividade dentro do país.

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A pecuária bovina representa o maior desses mercados. O Brasil produziu 12,35 milhões de toneladas equivalentes de carcaça em 2025 e movimentou R$ 1,159 trilhão ao longo da cadeia, segundo o Beef Report 2026, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). O país tornou-se o maior produtor mundial e manteve a liderança nas exportações, com 3,5 milhões de toneladas enviadas a 177 mercados e receita próxima de R$ 92 bilhões.

Na avicultura, foram produzidas 15,289 milhões de toneladas de carne de frango, das quais 5,324 milhões seguiram para o exterior. As exportações renderam cerca de R$ 50 bilhões. O Brasil permanece como terceiro maior produtor e principal exportador mundial da proteína. A produção de ovos chegou a 62,3 bilhões de unidades.

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A suinocultura produziu 5,592 milhões de toneladas e exportou 1,510 milhão de toneladas em 2025. A receita externa ficou próxima de R$ 18,4 bilhões. O país ocupa a quarta posição na produção mundial e assumiu o terceiro lugar entre os maiores exportadores de carne suína.

A piscicultura, embora tenha menor participação nas exportações, é uma das cadeias que mais crescem. A produção brasileira de peixes cultivados superou pela primeira vez 1 milhão de toneladas em 2025, avanço acumulado de 58,6% em uma década. A tilápia lidera a atividade, acompanhada por espécies nativas como tambaqui, pacu e pintado.

A integração desses segmentos amplia o alcance comercial do SIAVS. Mais de 100 agroindústrias de carnes, ovos, pescados e outras proteínas participarão com estandes próprios ou em espaços mantidos por projetos setoriais. A feira também reunirá compradores do varejo, atacadistas, distribuidores, importadores e fornecedores de tecnologia.

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A maior ação de promoção internacional da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em 2026 será realizada durante o evento. A iniciativa reunirá 33 agroindústrias exportadoras em uma área de 738 metros quadrados e promoverá rodadas de negócios com compradores estrangeiros.

Os encontros serão direcionados a importadores da Ásia, do Oriente Médio, da África, da América Latina e da União Europeia. O objetivo é ampliar destinos e reduzir a concentração das vendas em poucos mercados, preocupação que ganhou força diante de guerras, tarifas, cotas de importação e novas exigências sanitárias.

A programação técnica discutirá influenza aviária, peste suína africana, biosseguridade, uso de antimicrobianos, sustentabilidade e comércio internacional. Esses temas possuem efeito direto sobre o produtor porque uma ocorrência sanitária ou uma mudança nas regras de um país comprador pode suspender embarques e aumentar a oferta de carne no mercado interno.

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Tecnologia e gestão de dados também terão destaque. Um painel marcado para 4 de agosto abordará a digitalização do Ministério da Agricultura e Pecuária, o uso de inteligência artificial e visão computacional na classificação de carcaças e a integração de informações na produção animal. As soluções permitem padronizar processos, melhorar a rastreabilidade e reduzir perdas nos frigoríficos.

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No dia 5, um painel será dedicado à competitividade e à logística. O debate envolverá custos de transporte, capacidade portuária, armazenagem, infraestrutura e integração entre modais. Como boa parte da produção está distante dos principais portos e centros consumidores, o frete interfere no preço recebido pelo produtor e na capacidade de competir no exterior.

A feira terá ainda o SIAVS Talks, com apresentações gratuitas sobre automação, biosseguridade, microbiologia, nutrição, eficiência energética, processamento, bem-estar animal e gestão de dados. O Projeto Produtor aproximará criadores e técnicos das tecnologias apresentadas, enquanto o Projeto Comprador fará a conexão entre agroindústrias brasileiras e importadores.

A programação gratuita começa na manhã de 4 de agosto com a palestra “Brasil 2027: caminhos possíveis”, seguida pela solenidade de abertura. Também estão previstos seminários sobre organização da suinocultura mundial, geopolítica, mercados, sanidade e inovação. O congresso oficial, com programação ampliada, exige inscrição específica.

A transformação do SIAVS em um salão de todas as proteínas reflete uma mudança de estratégia da própria agroindústria. Em vez de apresentar separadamente cadeias que disputam espaço no prato do consumidor, o setor procura fortalecer uma imagem conjunta do Brasil como fornecedor de alimentos, tecnologia e segurança sanitária.

Serviço

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Evento: SIAVS 2026 – Salão Internacional de Proteína Animal
Data: 4 a 6 de agosto de 2026
Local: Distrito Anhembi, pavilhões Expo 1 e Expo 2
Endereço: Avenida Olavo Fontoura, 1.209, Santana, São Paulo (SP)
Horários: das 10h às 19h nos dias 4 e 5; das 10h às 17h no dia 6
Entrada na feira: gratuita, mediante credenciamento
Congresso: R$ 600 para profissionais e R$ 300 para estudantes de graduação, com apresentação de comprovante de matrícula
Programação, expositores e credenciamento, clique aqui

Fonte: Pensar Agro

AGRONEGÓCIO

Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

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A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

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Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

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O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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