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Clima

Cuiabá pode chegar a 37°C e agosto começa sob alerta de baixa umidade em Mato Grosso

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Inmet manteve aviso de perigo potencial para o estado neste sábado, depois de um alerta laranja que colocou municípios do centro-leste mato-grossense na faixa mais crítica de umidade. Colheita de milho termina no mês em que o risco de fogo é maior.

Mato Grosso entra em agosto com a combinação que historicamente concentra o maior número de incêndios no estado: calor acima da média, ar seco e vegetação ressecada. O Instituto Nacional de Meteorologia publicou aviso válido das 11h às 22h deste sábado, com umidade relativa do ar entre 30% e 20% e classificação de perigo potencial. Na véspera, o quadro havia sido mais severo: o alerta era laranja, de perigo, válido entre 12h e 18h de sexta-feira, com umidade entre 20% e 12%, e abrangeu 501 municípios de oito estados e do Distrito Federal.

O recorte do aviso de sexta mostra onde o problema se concentra. O aviso laranja alcançou o centro-leste de Mato Grosso, em municípios como Cuiabá, Rondonópolis, Sinop e Tangará da Serra, enquanto as demais áreas do estado ficaram sob aviso amarelo — com exceção do noroeste mato-grossense. Para o sábado, o instituto previu predomínio de poucas nuvens e tempo firme na maior parte da região, mantendo as condições de baixa umidade durante a tarde.

Em Cuiabá, a previsão do Inmet indica máxima de 37°C tanto no sábado quanto no domingo, com umidade mínima de 20%. Os mesmos 37°C aparecem na projeção do instituto para Rondonópolis, Sinop e Sorriso, e Várzea Grande fica um grau abaixo no sábado. A capital fechou julho em aquecimento contínuo: os registros oficiais do Inmet apontam 37,8°C na quinta-feira e 38,0°C na sexta-feira, com umidade mínima de 18%. A maior marca do ano até agora foi de 38,6°C, no domingo (26).

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A única perspectiva de chuva no estado está na ponta oposta ao eixo do alerta. Na previsão semanal para o período de 27 de julho a 3 de agosto, o Inmet indicou chuvas fracas apenas em áreas do noroeste de Mato Grosso, com acumulados em torno de 5 mm. Para Sorriso, a previsão do instituto aponta possibilidade de chuva isolada na noite deste sábado. O Climatempo projeta que, no domingo, o calor e a umidade favoreçam pancadas moderadas a fortes no extremo oeste, sudoeste e noroeste do estado, enquanto no leste mato-grossense os índices de umidade ficam entre 12% e 20%.

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No horizonte mensal, o cenário não muda. O prognóstico do Inmet para agosto prevê temperaturas acima da média em grande parte do Brasil, com os maiores desvios concentrados nas regiões Norte e Centro-Oeste. Para o trimestre, o boletim agroclimatológico do instituto aponta que a combinação entre estiagem e calor acima da média deve intensificar o déficit hídrico, especialmente em Mato Grosso e Goiás — condição que limita pastagens e culturas de sequeiro, mas favorece a conclusão da colheita e o preparo do solo.

Fogo

O estado já opera sob regime de exceção ambiental desde abril. O Decreto 2.015/2026 declarou estado de emergência ambiental em Mato Grosso entre abril e dezembro e proibiu o uso de fogo para limpeza e manejo de áreas de 1º de julho a 30 de novembro. A norma também instituiu a Sala de Situação Central, que atua como órgão consultivo e deliberativo na fase de resposta durante a temporada de incêndios. Quando o decreto foi publicado, o estado somava 704 focos de calor nos quatro primeiros meses do ano, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

O ritmo mudou de patamar em julho. Dados do Programa Queimadas, do Inpe, apontam 558 ocorrências de fogo em Mato Grosso entre 27 de junho e 27 de julho, o equivalente a 12,4% dos registros nacionais no período. O Cerrado concentrou 60,2% dos focos no território mato-grossense.

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Saúde

A rede pública já se organiza para a curva que costuma acompanhar a fumaça. Em Rondonópolis, a Secretaria Municipal de Saúde definiu um fluxo específico de atendimento para o período de queimadas. O levantamento da pasta indica que o aumento dos atendimentos respiratórios começa em julho, com piora da qualidade do ar em agosto e pico em setembro. No plano estadual, a Secretaria de Estado de Saúde vem capacitando profissionais e bombeiros e avaliando riscos de desidratação e de agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares em idosos, acamados e doentes crônicos.

Índices abaixo de 30% podem provocar ressecamento das mucosas, irritação nos olhos e na garganta, sangramento nasal e agravamento de asma e rinite, segundo o Inmet. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Defesa Civil pelo 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

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Lavoura

O tempo seco que amplia o risco de fogo é o mesmo que fecha a safra. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, cerca de 80% das lavouras de milho segunda safra 2025/26 haviam sido colhidas até 23 de julho, com expectativa de conclusão entre a primeira e a segunda semana de agosto e produtividade acima de 128,64 sacas por hectare, recorde para o estado. A estimativa da safra foi revisada para 57,06 milhões de toneladas, e o Valor Bruto da Produção do cereal foi projetado em R$ 42,27 bilhões, alta de quase 8% sobre 2025.

Isso significa maquinário em campo, transporte pesado e armazenagem operando em pico justamente na janela de menor umidade — condições em que uma faísca em resteva encontra combustível abundante.

CLIMA

Vento de até 60 km/h avança por MT e acende alerta para incêndios

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alerta de vendaval em Mato Grosso

Rajadas de até 60 km/h podem atingir diferentes regiões do estado; tempo firme ajuda a colheita, mas amplia riscos para lavouras, pastagens e os três biomas mato-grossenses.

O vento que colocou o oeste de Mato Grosso em alerta laranja no domingo perdeu intensidade nesta segunda-feira (20), mas ganhou alcance. O INMET rebaixou o aviso para amarelo e incluiu áreas do centro-sul, sudeste, sudoeste e norte do estado, com rajadas previstas entre 40 e 60 km/h.

A expansão ocorre sobre um território majoritariamente seco, com temperaturas próximas de 34°C e chuva restrita ao extremo noroeste. É essa combinação — vento, calor e vegetação em processo de ressecamento — que transforma um alerta classificado como de perigo potencial em uma preocupação concreta para cidades, propriedades rurais, redes elétricas e áreas naturais.

A engrenagem atmosférica é o Jato de Baixos Níveis, uma corrente de vento situada a cerca de 1,5 mil metros de altitude. Intensificado pela diferença de pressão entre uma baixa sobre a Argentina e o Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul, o sistema acelera o escoamento de ar sobre Mato Grosso.

Alerta perde força, mas alcança mais regiões

No domingo, o oeste de Mato Grosso estava sob aviso laranja de vendaval, faixa na qual o INMET trabalha com ventos entre 60 e 100 km/h. Nesta segunda-feira, o estado aparece na faixa amarela, com previsão de 40 a 60 km/h e baixo risco de queda de galhos.

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O rebaixamento não equivale ao fim do perigo. Rajadas nessa faixa ainda podem derrubar galhos, deslocar coberturas leves, afetar redes elétricas e tornar inseguras pulverizações agrícolas. Também favorecem a propagação rápida de qualquer foco de fogo em vegetação, pastagens ou palhadas já ressecadas.

As áreas indicadas no aviso incluem o centro-sul, sudeste, sudoeste e norte mato-grossenses. O recorte alcança a Grande Cuiabá e importantes corredores agropecuários, embora o aviso não signifique que todos os municípios registrarão a mesma velocidade de vento.

Grande Cuiabá: calor, secura e possibilidade de rajadas

Para Cuiabá e Várzea Grande, o quadro regional combina tempo firme, ausência de chuva significativa e possibilidade de rajadas. Para Mato Grosso, o INMET projeta máximas próximas de 34°C.

O boletim nacional não apresenta uma rajada municipal específica para as duas cidades. Por isso, a faixa de 40 a 60 km/h deve ser lida como o intervalo do aviso meteorológico, e não como uma medição já registrada ou uma promessa de que o limite superior será atingido em toda a região metropolitana.

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A chuva prevista no estado fica restrita ao extremo noroeste, na região de Colniza. No restante de Mato Grosso, prevalece o domínio da alta pressão, que dificulta a formação de nuvens profundas e mantém as tardes quentes.

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O mapa do risco dentro do estado

No oeste e sudoeste, incluindo a faixa próxima ao Pantanal e à fronteira, a principal ameaça é o vento sobre vegetação seca. A região saiu da faixa laranja, de 60 a 100 km/h, mas permanece sujeita a rajadas capazes de provocar danos pontuais e acelerar a propagação de eventuais incêndios.

No centro-sul, onde estão Cuiabá e Várzea Grande, o dia combina calor, tempo firme e possibilidade de vento forte. No sudeste, em municípios como Rondonópolis, Primavera do Leste e Campo Verde, as rajadas podem interferir em pulverizações, transporte e estruturas provisórias.

No médio-norte — eixo de Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop — o tempo seco amplia a janela para colheita, mas reduz a umidade superficial do solo e da palhada. No norte e noroeste, a possibilidade de chuva isolada perto de Colniza não altera o quadro predominante de estiagem no restante da região.

No leste e nordeste, em direção ao Araguaia, a ausência de chuva mantém pastagens e vegetação sob pressão. Embora o aviso destacado nesta segunda-feira seja de vento, o ambiente seco continua favorável à desidratação da vegetação e ao aumento gradual do perigo de fogo.

Três biomas sob a mesma pressão

Em Mato Grosso, o vento encontra vegetação em processo de secagem. No Pantanal, o principal efeito imediato é a capacidade de uma rajada acelerar eventuais incêndios e transportar brasas para novas áreas. No Cerrado, a combinação de calor, baixa umidade e material vegetal seco aumenta a vulnerabilidade de margens de rodovias, terrenos urbanos e propriedades rurais.

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Na Amazônia mato-grossense, a possibilidade de chuva isolada no extremo noroeste não muda o sinal predominante de estiagem. O boletim sazonal do CPTEC/INPE identifica Mato Grosso entre as áreas críticas para maior pressão de incêndios entre julho e setembro.

Essa indicação descreve um ambiente mais favorável ao fogo, mas não confirma incêndios em andamento. A ocorrência depende de uma fonte de ignição, das condições locais da vegetação e da resposta das equipes de prevenção e combate.

Tempo seco ajuda a colheita — e cobra preço do solo

Nas lavouras, a ausência de chuva oferece uma janela importante para a colheita do milho segunda safra e do algodão. Máquinas conseguem operar por mais horas, o transporte enfrenta menos interrupções e cai o risco de umidade excessiva nos grãos e nas fibras.

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O ganho operacional, porém, vem acompanhado de novos riscos. Ventos fortes podem levantar poeira, espalhar fogo em palhadas, dificultar aplicações e aumentar a deriva de defensivos. Colheitadeiras e outros equipamentos precisam de manutenção rigorosa para evitar superaquecimento e faíscas em áreas com grande quantidade de material seco.

Para a soja, ainda em contexto de entressafra, a atenção se desloca para a reserva hídrica do solo antes da próxima semeadura. O quadro atual não permite antecipar perda de produtividade, mas aumenta a importância de acompanhar a regularização das primeiras chuvas, e não apenas o volume acumulado.

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Na pecuária, o calor e a falta de precipitação aceleram o ressecamento das pastagens. Disponibilidade de água, suplementação, lotação e aceiros passam a exigir acompanhamento mais próximo, sobretudo em propriedades dos biomas Pantanal e Cerrado.

El Niño amplia a preocupação para os próximos meses

O episódio desta semana ocorre sobre um pano de fundo climático que exige atenção. A NOAA informou em 9 de julho que o El Niño está estabelecido e deverá ganhar força até o fim do ano. A probabilidade de persistência até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte — começo do outono no Hemisfério Sul — é de 97%.

O centro norte-americano calcula ainda 81% de possibilidade de o fenômeno atingir categoria muito forte entre outubro e dezembro. O CPTEC/INPE também confirmou o El Niño. Para Mato Grosso, a leitura relevante é a perspectiva de temperatura acima da média, redução da chuva no centro-norte e maior pressão de incêndios entre julho e setembro.

A intensidade do El Niño não determina sozinha o tempo em Mato Grosso. Ela altera probabilidades em escala de meses. A chuva de uma cidade e o desempenho de uma safra também dependem do Atlântico, da circulação regional e da distribuição das precipitações ao longo do calendário agrícola.

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