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Juros e câmbio

O que a alta de juros nos EUA muda para o dólar e a soja de Mato Grosso

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O Fed levou a taxa básica americana para a faixa de 3,75% a 4% no mesmo dia em que o Copom se reúne com a Selic em 14%. A soja de Mato Grosso é vendida em dólar e paga em real.

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou nesta quarta-feira (16) a faixa dos juros básicos americanos em 0,25 ponto percentual, para 3,75% a 4% ao ano, em decisão aprovada por 12 votos a 0. A alta de juros nos EUA sai no mesmo dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne com a Selic em 14% ao ano, e chega a Mato Grosso pelo câmbio: a soja em grão que o estado exportou entre janeiro e agosto rendeu US$ 12,67 bilhões, e cada um desses dólares vira real pela cotação do dia.

O que o Fed decidiu

O comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), divulgado às 14h no horário da costa leste dos Estados Unidos, tem dois parágrafos de diagnóstico e um de decisão. A atividade econômica, diz o texto, “is expanding at a solid pace” (está se expandindo em ritmo sólido, em tradução livre). O crescimento da produtividade é descrito como forte e o investimento das empresas, como vigoroso. O emprego acompanhou o ritmo da força de trabalho e a taxa de desemprego pouco mudou.

A inflação, no entanto, “remains elevated” (continua elevada). É nesse ponto que o comitê justifica a alta: a decisão “will support a timelier return to the Committee’s 2 percent goal”, isto é, deve ajudar a inflação a voltar mais cedo à meta de 2%. O documento fecha com uma frase curta: “The Committee will deliver price stability” (o comitê vai entregar estabilidade de preços).

Junto com a decisão, o Conselho do Fed elevou para 3,90% a taxa paga sobre as reservas dos bancos e para 4% a taxa de redesconto (primary credit rate). As duas passam a valer em 17 de setembro.

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Selic a 14% e o Copom em reunião

No Brasil, a taxa básica está em 14% ao ano desde 6 de agosto, quando passou a valer a decisão da 280ª reunião do Copom, realizada no dia anterior. Foi o quarto corte seguido de 0,25 ponto. A Selic ficou em 15% de junho de 2025 a março de 2026 e desceu, reunião a reunião, para 14,75%, 14,50%, 14,25% e 14%.

O comunicado de agosto já tratava do exterior. O ambiente externo, escreveu o comitê, “permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas”. Entre os riscos de alta para a inflação, o texto lista “uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”. Entre os de baixa, “uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários”. O cenário de referência das projeções parte de um dólar a R$ 5,10.

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A reunião seguinte consta do calendário do Banco Central para esta quarta-feira (16), com a ata marcada para 22 de setembro. Até o fechamento desta reportagem, a decisão não havia sido publicada.

Como a alta de juros nos EUA chega ao dólar

A ligação entre as duas decisões passa pelo câmbio, e a mecânica, que nenhum dos dois comunicados descreve, é conhecida em linhas gerais. Juro mais alto nos Estados Unidos torna o título público americano mais rentável para quem investe em dólar. Quando parte do dinheiro aplicado em países como o Brasil migra para lá, sobra menos dólar por aqui e a moeda americana tende a subir em relação ao real. A relação não é mecânica. O que pesa é a diferença entre os juros dos dois países, não o nível de um deles, e outros fatores, como o preço das commodities e o risco fiscal, também contam.

Para o exportador de soja a aritmética é mais direta. A venda é fechada em dólar e a receita entra em real. Com o mesmo preço em dólar, cada centavo a mais na cotação aumenta a receita em real, e cada centavo a menos a reduz. No comunicado do Copom, o mesmo câmbio aparece pelo lado do consumidor: dólar mais caro é risco de inflação.

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Neste ano o dólar caiu. A cotação PTAX de venda, calculada pelo Banco Central, abriu 2026 em R$ 5,4372 no dia 2 de janeiro, tocou o menor valor do ano em 11 de maio, R$ 4,8973, e fechou esta quarta-feira em R$ 5,1527. Desde o dia 4 de setembro, a cotação oscilou entre R$ 5,0856 (dia 8) e R$ 5,1696 (dia 14).

A soja de Mato Grosso em dólar

As exportações de soja em grão de Mato Grosso somaram 32,06 milhões de toneladas em 2025, por US$ 12,73 bilhões, nos registros do Comex Stat, sistema de estatísticas de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). De janeiro a agosto de 2026, último mês disponível no sistema, foram 30,10 milhões de toneladas e US$ 12,67 bilhões, cifra que em oito meses chega perto da do ano inteiro de 2025.

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O peso do estado no total nacional cresceu: 29,2% do valor exportado pelo país em 2025 e 32,2% no acumulado deste ano. Em toneladas, a fatia é de 29,6% e 32,4%.

A soja em grão sozinha respondeu por 42,2% de toda a exportação do estado em 2025 (US$ 30,19 bilhões) e por 52,2% entre janeiro e agosto de 2026 (US$ 24,28 bilhões). Somados farelo e óleo, o complexo soja chegou a US$ 15,77 bilhões no ano passado e a US$ 15,15 bilhões nos oito primeiros meses deste ano. O farelo rendeu US$ 2,78 bilhões em 2025 e US$ 2,19 bilhões até agosto; o óleo, US$ 259,5 milhões e US$ 287,6 milhões.

O calendário do embarque mostra por que setembro, outubro e novembro pesam pouco: o grosso sai entre fevereiro e julho. Em 2026, o pico foi março, com US$ 2,13 bilhões, e agosto fechou em US$ 631,5 milhões, acima dos US$ 591,7 milhões de agosto de 2025.

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China perde fatia, mas segue como maior compradora

A China comprou US$ 8,92 bilhões da soja mato-grossense em 2025, 70,1% do total. No acumulado de 2026 a compra soma US$ 7,46 bilhões e a fatia recuou para 58,9%. Mês a mês, a participação chinesa foi de 35,1% em janeiro a 70% em fevereiro e, de março a agosto, ficou entre 47,7% (agosto) e 60,4% (março).

Os destinos seguintes aumentaram a fatia. A Espanha passou de US$ 805,7 milhões (6,3%) para US$ 900,2 milhões (7,1%). A Turquia foi de US$ 427,7 milhões (3,4%) para US$ 729,4 milhões (5,8%), e a Tailândia, de US$ 321,4 milhões (2,5%) para US$ 554,1 milhões (4,4%). O México, quinto colocado em 2025 com US$ 303,0 milhões, saiu do grupo dos cinco maiores, e o Paquistão entrou, com US$ 414,9 milhões (3,3%).

Os próximos passos têm data. A decisão do Copom desta quarta-feira não havia sido publicada até o fechamento desta reportagem, e a ata da reunião consta do calendário do BC para 22 de setembro. Nos Estados Unidos, a nova faixa de juros e as taxas de reservas e de redesconto passam a valer em 17 de setembro. O Comex Stat ainda não traz os embarques de setembro: agosto é o último mês registrado.

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Semana da Documentação: idosos em vulnerabilidade tiram documentos de graça em Várzea Grande até sexta

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Semana da Documentação Básica da Pessoa Idosa oferece segunda via de certidões, CPF e Carteira de Identidade Nacional no Centro de Convivência Vovô Zeid, das 8h às 13h

Pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social em Várzea Grande podem regularizar documentos sem custo até sexta-feira, 18 de setembro. A Semana da Documentação Básica da Pessoa Idosa começou na segunda-feira (14) no Centro de Convivência Vovô Zeid, com atendimento das 8h às 13h, segundo a Prefeitura de Várzea Grande.

A ação reúne a prefeitura e instituições públicas. Participam a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), a Receita Federal, cartórios de registro civil, a Secretaria Municipal de Assistência Social e os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

O que a Semana da Documentação oferece

De acordo com a prefeitura, os serviços gratuitos incluem:

  • segunda via de certidões de nascimento, casamento e óbito
  • regularização do CPF
  • emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN)
  • atualização cadastral e biométrica
  • orientações sobre benefícios previdenciários, programas sociais, registros imobiliários e sucessões
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Como ser atendido

A prefeitura informa que ela e as instituições parceiras fazem o encaminhamento das pessoas idosas em situação de vulnerabilidade para o atendimento no Vovô Zeid. O texto oficial não detalha se há atendimento para quem chega sem encaminhamento. Quem tem dúvida pode procurar o CRAS mais próximo ou a central de atendimento da prefeitura antes de ir ao local.

A secretária municipal de Assistência Social, Taynara Morais, disse que a proposta é levar o serviço até quem tem mais dificuldade de acessá-lo. “Nosso compromisso é aproximar esses serviços da população, garantindo atendimento gratuito, orientação e encaminhamento adequado”, afirmou.

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Restam quatro dias de atendimento, de terça (15) a sexta (18).

Serviço

  • O quê: Semana da Documentação Básica da Pessoa Idosa
  • Onde: Centro de Convivência Vovô Zeid, Várzea Grande
  • Quando: até 18 de setembro de 2026, das 8h às 13h
  • Para quem: pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social
  • Custo: gratuito
  • Prefeitura de Várzea Grande: 0800 647 41 42 / (65) 3688-8000
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