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AGRONEGÓCIO

Custos de produção voltam a subir no campo enquanto preços ao produtor seguem abaixo dos níveis de 2025, aponta Farsul

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Os custos de produção da agropecuária gaúcha voltaram a registrar alta em abril de 2026, reforçando a pressão sobre a rentabilidade dos produtores rurais. Ao mesmo tempo, embora os preços recebidos no campo tenham apresentado nova recuperação no mês, eles ainda permanecem abaixo dos patamares observados há um ano.

Os dados fazem parte do levantamento divulgado pelo Sistema Farsul, por meio dos Índices de Inflação dos Custos de Produção (IICP) e dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR), indicadores que monitoram mensalmente a evolução econômica do agronegócio no Rio Grande do Sul.

Fertilizantes impulsionam alta dos custos de produção

Em abril, o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) registrou avanço de 1,55% em relação ao mês anterior. No acumulado de 2026, a alta já alcança 4,90%, enquanto nos últimos 12 meses o indicador acumula elevação de 2,37%.

Segundo a análise da Farsul, a principal pressão veio do mercado de fertilizantes, que registrou aumento de aproximadamente 8% no mês. O movimento foi influenciado pelas incertezas no mercado internacional de insumos e pela valorização das matérias-primas utilizadas na fabricação desses produtos.

Apesar da valorização cambial observada no período, que contribuiu para reduzir os preços de alguns defensivos agrícolas, o aumento dos fertilizantes foi suficiente para manter a trajetória de elevação dos custos no campo.

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O resultado confirma uma tendência de retomada da inflação dos custos agropecuários após o período de deflação registrado ao longo de boa parte de 2025.

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Preços ao produtor avançam, mas ainda acumulam perdas

Do lado das receitas, o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) apresentou crescimento de 0,81% em abril. No entanto, o indicador ainda acumula retração de 2,11% no ano e queda expressiva de 9,19% nos últimos 12 meses.

A recuperação observada no mês foi impulsionada principalmente pela valorização de produtos como leite, arroz, trigo e boi gordo. Segundo a Farsul, a menor oferta de leite e arroz ajudou a sustentar os preços dessas cadeias produtivas, enquanto o trigo foi beneficiado pelo período de entressafra. Já a valorização do boi gordo reflete o avanço da atual fase do ciclo pecuário brasileiro.

Apesar desse movimento positivo, a entidade ressalta que os preços recebidos pelos produtores continuam abaixo dos níveis registrados no ano anterior, o que limita a recuperação das margens do setor agropecuário.

Inflação dos alimentos não tem origem no campo

Um dos pontos destacados pelo relatório é o descompasso entre os preços recebidos pelos produtores e aqueles pagos pelos consumidores.

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Enquanto o IIPR acumula queda de 9,19% em 12 meses, os índices de inflação dos alimentos continuam pressionados no varejo. Segundo a Farsul, esse cenário demonstra que a alta dos preços dos alimentos ao consumidor não está sendo gerada dentro das propriedades rurais, mas sim ao longo das demais etapas da cadeia produtiva e por fatores ligados à dinâmica macroeconômica.

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O levantamento mostra ainda que, no acumulado de 12 meses, os custos de produção avançaram 2,37%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 4,39% e o IPCA Alimentos e Bebidas acumulou elevação de 2,69%.

Margens seguem pressionadas no agronegócio

O cenário reforça um desafio que tem marcado o agronegócio brasileiro nos últimos meses: o aumento gradual dos custos de produção combinado com preços agrícolas ainda abaixo dos níveis históricos recentes.

Para produtores rurais, a recuperação das receitas segue acontecendo de forma lenta, enquanto a pressão sobre insumos estratégicos, especialmente fertilizantes, continua exigindo atenção redobrada ao planejamento financeiro e à gestão dos custos da atividade.

Os dados da Farsul indicam que a rentabilidade do setor continuará dependente da evolução dos mercados agrícolas, das condições climáticas e do comportamento dos preços internacionais dos insumos nos próximos meses.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Etanol além da cana: trigo, soja, batata-doce e até resíduos alimentares impulsionam nova revolução dos biocombustíveis no Brasil

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O Brasil está vivendo uma nova transformação no setor de biocombustíveis. Tradicionalmente sustentada pela cana-de-açúcar e, mais recentemente, pelo milho, a indústria nacional de etanol avança para uma fase marcada pela diversificação de matérias-primas, incorporando culturas como trigo, cevada, sorgo, soja, batata-doce, resíduos alimentares e até agave.

A chamada “terceira onda” dos biocombustíveis promete ampliar a oferta de energia renovável, gerar novas fontes de renda para produtores rurais e fortalecer a segurança energética do país em um cenário global marcado por volatilidade nos mercados de petróleo.

Com um mercado estimado em cerca de US$ 20 bilhões, o Brasil mantém a segunda maior indústria de etanol do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A expansão das alternativas produtivas surge em um momento estratégico para o setor.

Diversificação fortalece a transição energética

Especialistas e empresas do setor avaliam que o futuro dos biocombustíveis dependerá da integração de diferentes fontes de biomassa, reduzindo a dependência de uma única cultura.

A proposta ganha relevância em meio ao aumento da demanda global por combustíveis renováveis e à necessidade de ampliar a produção sem comprometer a sustentabilidade do sistema agrícola.

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A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta que a produção brasileira de etanol alcançará aproximadamente 40 bilhões de litros em 2026. Desse total, cerca de 28,5 bilhões de litros deverão ser originados da cana-de-açúcar, enquanto mais de 11 bilhões de litros virão de outras matérias-primas, principalmente milho, mas também trigo, soja e outros cereais.

Trigo lidera nova fronteira do etanol no Sul

O Rio Grande do Sul desponta como protagonista da nova fase dos biocombustíveis. A empresa Be8 está investindo R$ 1,7 bilhão na construção da primeira biorrefinaria brasileira em larga escala voltada à produção de etanol a partir de trigo e grãos de inverno.

A unidade, localizada em Passo Fundo (RS), tem previsão de iniciar operações em março de 2027 e capacidade para produzir 220 milhões de litros de etanol por ano.

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Além do combustível, a planta deverá gerar importantes coprodutos para a pecuária, incluindo 155 mil toneladas anuais de DDG (grãos secos de destilaria) e 27 mil toneladas de glúten de trigo, ampliando a rentabilidade da cadeia produtiva.

A iniciativa também cria novas perspectivas para culturas de inverno que historicamente enfrentam limitações de mercado, fortalecendo a diversificação agrícola no Sul do país.

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Soja e batata-doce ganham espaço na produção de biocombustíveis

A busca por eficiência econômica tem levado empresas a explorar matérias-primas antes pouco valorizadas para a produção de etanol.

No setor da soja, indústrias como Caramuru e CJ Selecta passaram a transformar o melaço gerado no processamento da oleaginosa em combustível renovável, agregando valor a um subproduto de baixa rentabilidade.

Já em São Paulo, produtores encontraram uma alternativa para aproveitar excedentes de batata-doce que frequentemente permaneciam no campo por falta de viabilidade comercial. A transformação do tubérculo em etanol e ração animal cria uma nova fonte de receita e reduz desperdícios na propriedade rural.

A tecnologia permite que volumes anteriormente descartados passem a integrar uma cadeia produtiva com valor agregado.

Resíduos alimentares também viram combustível

A economia circular também ganha espaço na indústria brasileira de biocombustíveis.

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Empresas especializadas em gestão ambiental estão utilizando resíduos alimentares descartados por indústrias para produzir etanol. Xaropes de refrigerantes, alimentos vencidos e outros materiais orgânicos passaram a ser transformados em combustível renovável.

Embora ainda represente uma parcela pequena da produção nacional, essa alternativa demonstra o potencial de aproveitamento energético de resíduos que antes seriam destinados a aterros sanitários.

Agave pode abrir nova fronteira no semiárido brasileiro

Outra aposta promissora vem do semiárido brasileiro. A Shell investe aproximadamente R$ 100 milhões em pesquisas para avaliar o potencial do agave como matéria-prima para a produção de etanol.

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Conhecida internacionalmente por seu uso na fabricação de tequila e mezcal, a planta apresenta elevada resistência à seca e pode se tornar uma alternativa estratégica para regiões com restrições hídricas.

Caso os estudos confirmem sua viabilidade econômica, o cultivo poderá ampliar as oportunidades de produção de biocombustíveis em áreas atualmente pouco exploradas para esse fim.

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Setor aposta no crescimento da demanda

Apesar do avanço das novas tecnologias, parte da indústria sucroenergética demonstra preocupação com a expansão acelerada da oferta de etanol, especialmente diante dos atuais desafios enfrentados pelo mercado de açúcar.

Por outro lado, representantes do setor acreditam que o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina e a ampliação da infraestrutura de abastecimento devem sustentar o crescimento da demanda nos próximos anos.

A expectativa é que a mistura obrigatória de etanol na gasolina avance para 32%, o que poderá adicionar cerca de 1 bilhão de litros ao consumo anual do biocombustível no Brasil.

Especialistas projetam ainda que os combustíveis produzidos a partir de grãos possam representar entre 40% e 45% da produção nacional dentro dos próximos cinco a seis anos.

Brasil amplia liderança mundial em energia renovável

A expansão das matérias-primas para produção de etanol reforça uma das principais vantagens competitivas do agronegócio brasileiro: a capacidade de transformar diferentes culturas agrícolas e resíduos em energia renovável.

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Com investimentos bilionários, inovação tecnológica e novas oportunidades para produtores rurais, a terceira onda dos biocombustíveis sinaliza uma profunda transformação no setor energético nacional, consolidando o Brasil como uma das principais referências globais na produção sustentável de combustíveis renováveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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