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Ferramenta da Unicamp estima potencial econômico de resíduos do agroindústria

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Mais de 2 milhões de toneladas de resíduos sólidos orgânicos são geradas anualmente apenas no Estado de São Paulo, boa parte proveniente da indústria de alimentos. Cascas de frutas, bagaço de maçã, pó de café, sementes de açaí e palha de cana-de-açúcar, que normalmente acabam em aterros sanitários, podem ser transformados em biogás, energia e créditos de carbono. Para medir esse potencial, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram a Biomassa_Compensa, uma calculadora gratuita voltada à valorização de resíduos agroindustriais.

A ferramenta estima as emissões de gases de efeito estufa que deixam de ser lançadas na atmosfera quando a biomassa residual é tratada em biodigestores em vez de ser descartada. Os cálculos também permitem mensurar o potencial de geração de créditos de carbono e converter os resultados em equivalentes mais familiares, como árvores plantadas, veículos retirados de circulação e horas de voo compensadas.

Desenvolvida no Laboratório de Bioengenharia, Tratamento de Águas e Resíduos (Biotar), da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, a plataforma é resultado de anos de pesquisas sobre aproveitamento energético de resíduos orgânicos. Antes dispersas em teses e dissertações, essas informações foram reunidas em uma base única e deram origem inicialmente à calculadora Biomassa2Biogás, voltada ao potencial energético da biomassa. A nova versão concentra-se especificamente na pegada de carbono e na geração de créditos associados ao tratamento dos resíduos.

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Segundo a professora Tânia Forster Carneiro, coordenadora do projeto, a proposta é oferecer uma ferramenta de triagem capaz de auxiliar decisões de investimento. Um restaurante, uma agroindústria ou uma cooperativa podem avaliar rapidamente se o volume de resíduos gerado justifica a instalação de biodigestores para produção de energia elétrica, térmica ou biometano.

O diferencial da tecnologia, de acordo com os pesquisadores, é o foco na biomassa residual da indústria de alimentos. As soluções disponíveis no mercado são voltadas, em sua maioria, para resíduos pecuários, biocombustíveis ou grandes culturas agrícolas. A plataforma da Unicamp concentra-se em materiais como cascas, sementes e bagaços, considerados passivos ambientais por muitas empresas.

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Os pesquisadores argumentam que o aproveitamento desses resíduos pode ter impacto climático superior ao de algumas estratégias tradicionais de compensação ambiental. Isso porque a decomposição da matéria orgânica em aterros libera metano, gás cujo potencial de aquecimento global é cerca de 29 vezes superior ao do dióxido de carbono. Ao capturar esse metano e convertê-lo em energia, é possível evitar emissões e gerar créditos de carbono de forma permanente.

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A iniciativa faz parte de uma linha de pesquisa desenvolvida desde 2014 pelo Biotar, que já resultou em nove patentes e em tecnologias voltadas à transformação de resíduos em energia e produtos de maior valor agregado. Além da versão aberta ao público, a universidade prevê o licenciamento da Biomassa_Compensa para empresas interessadas em customizar o software, ampliar a base de resíduos analisados ou integrar a ferramenta aos seus sistemas de gestão ambiental. O processo é conduzido pela Agência de Inovação Inova Unicamp.

Fonte: Pensar Agro

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Portos brasileiros avançam em sustentabilidade e ganham protagonismo com acordo Mercosul-União Europeia

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A agenda de sustentabilidade dos portos brasileiros ganha importância estratégica diante da expectativa de implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia. Além de ampliar o fluxo comercial entre os blocos, o pacto reforça a necessidade de adequação das cadeias logísticas às exigências ambientais cada vez mais rigorosas do mercado europeu.

Com compromissos voltados à proteção ambiental, combate às mudanças climáticas e promoção do desenvolvimento sustentável, o acordo coloca a infraestrutura portuária no centro das discussões sobre competitividade internacional e acesso a mercados.

Nesse cenário, os investimentos realizados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) em descarbonização, transição energética e modernização da infraestrutura logística passam a representar não apenas uma agenda ambiental, mas também um diferencial estratégico para o comércio exterior brasileiro.

Exigências ambientais da Europa pressionam cadeias logísticas

Nos últimos anos, a União Europeia ampliou significativamente as regras ambientais que impactam o transporte marítimo e o comércio global. Entre as principais medidas estão:

  • Metas progressivas de redução das emissões de carbono dos navios;
  • Inclusão do setor marítimo em sistemas de precificação de carbono;
  • Incentivo ao uso de energia elétrica para embarcações atracadas;
  • Exigências de rastreabilidade ambiental em diversas cadeias produtivas;
  • Estímulo à utilização de combustíveis de baixo carbono.

A adaptação a essas normas tornou-se um requisito fundamental para países exportadores que desejam manter competitividade nos mercados internacionais.

Sustentabilidade se torna fator de competitividade

Para o ministro dos Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a sustentabilidade deixou de ser apenas uma questão ambiental para se consolidar como um elemento estratégico para o crescimento econômico.

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Segundo ele, a transformação da logística global exige investimentos em eficiência energética, inovação tecnológica e redução de emissões, fatores que fortalecem a infraestrutura nacional e ampliam a capacidade do Brasil de atender às demandas do comércio internacional.

Política de Sustentabilidade acelera transição energética

Em 2025, o Ministério de Portos e Aeroportos instituiu sua Política de Sustentabilidade, estabelecendo diretrizes voltadas à redução de gases de efeito estufa, promoção da transição energética e fortalecimento da resiliência climática nos setores portuário, hidroviário e aeroportuário.

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Como parte dessa estratégia, foi criado o Pacto pela Sustentabilidade, programa que incentiva empresas do setor de transportes a adotarem práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).

Empresas participantes podem obter certificações oficiais e benefícios institucionais, incluindo prioridade na análise de projetos, acompanhamento de processos de licenciamento ambiental e reconhecimento das boas práticas implementadas.

Além disso, o planejamento portuário nacional contempla:

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  • Eletrificação de equipamentos;
  • Ampliação do uso de energias renováveis;
  • Gestão e monitoramento de emissões;
  • Inclusão de critérios ESG em concessões e projetos de infraestrutura.
Corredores verdes ganham espaço na logística internacional

Outro destaque da agenda brasileira é o desenvolvimento dos chamados corredores marítimos sustentáveis, modelo que busca integrar infraestrutura moderna, combustíveis limpos e soluções tecnológicas para reduzir a pegada de carbono do transporte marítimo.

O tema vem sendo debatido em fóruns internacionais como G20, BRICS e COP30, consolidando-se como uma das principais estratégias globais para a descarbonização do setor.

Nesse contexto, Brasil, Noruega e Países Baixos avançam na construção de um corredor marítimo verde ligando a América do Sul à Europa. Desde a assinatura de um memorando de entendimento em 2025, equipes técnicas realizam estudos de viabilidade e definem possíveis rotas para a iniciativa.

Portos brasileiros já implementam projetos sustentáveis

Diversos portos do país já desenvolvem ações concretas alinhadas à transição energética e à redução das emissões de carbono.

Suape terá primeiro terminal de contêineres 100% elétrico da América Latina

No Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, está em implantação o primeiro terminal de contêineres totalmente elétrico da América Latina.

O empreendimento recebeu investimentos superiores a R$ 2 bilhões e contará com equipamentos eletrificados, automação operacional e infraestrutura digital integrada. A expectativa é elevar em 55% a capacidade logística do complexo, ao mesmo tempo em que reduz significativamente as emissões.

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Porto de Santos reduz consumo de diesel com energia em terra

No Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, foi implantado o sistema Onshore Power Supply (OPS), tecnologia que permite o fornecimento de energia elétrica diretamente da rede terrestre para embarcações atracadas.

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A medida reduz a necessidade de uso de motores movidos a diesel durante as operações portuárias, diminuindo emissões e melhorando a eficiência energética.

Paranaguá aposta em energia solar e ampliação ferroviária

No Paraná, o Porto de Paranaguá fortalece sua estratégia sustentável por meio da expansão da logística ferroviária e da geração de energia solar.

Entre os projetos em andamento está o Moegão, obra que ampliará significativamente a movimentação ferroviária de cargas, reduzindo o fluxo de caminhões e as emissões associadas ao transporte rodoviário.

Pecém busca liderança na economia do hidrogênio verde

No Ceará, o Complexo do Pecém consolida sua posição como um dos principais polos brasileiros de hidrogênio verde.

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Além da atração de investimentos internacionais, o complexo desenvolve projetos voltados à produção de amônia verde, combustível considerado fundamental para a descarbonização da indústria e do transporte marítimo.

Porto do Açu investe em combustíveis de baixo carbono

No Rio de Janeiro, o Porto do Açu avança em iniciativas voltadas à criação de corredores verdes e ao desenvolvimento de projetos relacionados ao hidrogênio e combustíveis de baixa emissão de carbono.

Os investimentos reforçam o papel estratégico dos portos brasileiros na transição energética global e na construção de uma logística mais sustentável.

Sustentabilidade fortalece exportações brasileiras

Com a evolução das exigências ambientais internacionais, especialmente no mercado europeu, a modernização sustentável dos portos brasileiros se torna um fator decisivo para ampliar a competitividade das exportações nacionais.

A combinação entre infraestrutura moderna, energia limpa, eficiência operacional e redução de emissões posiciona o Brasil de forma mais favorável para aproveitar as oportunidades comerciais abertas pelo acordo Mercosul-União Europeia e consolidar sua presença nos principais mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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