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Índia elimina tarifa de importação de algodão por cinco meses e movimenta mercado internacional

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A Índia anunciou a suspensão temporária da tarifa de importação de algodão, medida que permanecerá em vigor até 30 de outubro e tem como objetivo ampliar a oferta de fibra de alta qualidade para a indústria têxtil do país. A decisão foi divulgada pelo governo indiano e ocorre em um momento de forte demanda internacional por fios e produtos têxteis.

Atualmente, as importações de algodão para o mercado indiano estão sujeitas a uma tarifa de 11%. Com a suspensão do imposto, o segundo maior produtor mundial da fibra busca fortalecer sua cadeia produtiva e garantir maior competitividade aos exportadores do setor têxtil.

Indústria têxtil enfrenta pressão de custos

A medida surge em um cenário de aumento dos custos de produção e de dificuldades logísticas provocadas por tensões geopolíticas e interrupções nas cadeias globais de suprimentos. Segundo o governo, a flexibilização das regras de importação deverá beneficiar especialmente pequenas e médias empresas, ampliando a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de tecidos e fios destinados à exportação.

Apesar da isenção tarifária, especialistas do setor avaliam que o impacto sobre o volume de compras externas pode ser limitado. A recente desvalorização da rúpia tornou o algodão importado menos competitivo em comparação ao produto disponível no mercado doméstico.

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Algodão indiano segue competitivo

Representantes da cadeia algodoeira afirmam que a Índia dispõe atualmente de ampla oferta da safra nacional e que os preços internos permanecem entre os mais competitivos do mundo.

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De acordo com lideranças do setor, as importações devem ocorrer principalmente para atender indústrias exportadoras que exigem algodão com elevados padrões de qualidade e baixos níveis de contaminação, característica valorizada pelos compradores internacionais.

A expectativa é que parte da demanda seja suprida por países com excedentes exportáveis, como Brasil, Austrália, Estados Unidos e nações africanas produtoras da fibra.

Brasil pode ser beneficiado pela medida

A suspensão das tarifas cria uma oportunidade para exportadores brasileiros ampliarem sua participação no mercado indiano. O Brasil vem consolidando sua posição entre os maiores exportadores globais de algodão e tem ganhado espaço em mercados asiáticos devido à qualidade da fibra e à crescente capacidade de produção.

Embora o diferencial de preços ainda limite uma expansão mais expressiva das compras indianas, a abertura comercial fortalece o fluxo internacional do produto e contribui para sustentar as cotações globais.

Clima e El Niño seguem no radar

Outro fator que mantém o mercado atento é o desenvolvimento da próxima safra indiana. O algodão no país é cultivado predominantemente em áreas dependentes das chuvas de monção, tornando a produção altamente sensível às condições climáticas.

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Analistas alertam que eventuais impactos do fenômeno El Niño sobre o regime de chuvas podem reduzir a produtividade da nova safra, cuja semeadura ocorre a partir de junho. Caso esse cenário se confirme, a necessidade de importações poderá aumentar nos próximos meses.

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O mercado também considera a possibilidade de o governo indiano ampliar novamente o período de isenção tarifária caso a oferta doméstica apresente sinais de aperto, repetindo estratégia adotada em temporadas anteriores.

Mercado global acompanha decisão

A Índia já utilizou mecanismos semelhantes no passado para garantir abastecimento à indústria têxtil. No último ciclo comercial, a abertura temporária das importações contribuiu para elevar as compras externas a níveis recordes.

Agora, a nova suspensão tarifária reforça a importância do país no equilíbrio do mercado internacional de algodão e mantém produtores, exportadores e investidores atentos aos desdobramentos da demanda asiática, do comportamento climático e das oportunidades de comércio para grandes fornecedores globais, entre eles o Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Suco de laranja enfrenta novo desafio global: produção cai e demanda segue em retração na safra 2026/27

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O mercado global de suco de laranja deverá enfrentar mais uma temporada desafiadora em 2026/27. Após a recuperação observada na safra anterior, a produção mundial volta a perder força, enquanto o consumo segue em trajetória de queda, ampliando as preocupações de produtores, indústrias e exportadores.

De acordo com relatório divulgado pela Rabobank, a oferta global de suco de laranja industrializado deverá recuar cerca de 13% na próxima safra, principalmente em função da redução da produção brasileira, impactada pelo avanço do greening, condições climáticas adversas e aumento dos custos de produção. Ao mesmo tempo, a demanda mundial continua enfraquecida, cenário que deve resultar em estoques elevados e dificuldades para uma recuperação consistente dos preços internacionais.

Safra brasileira deve recuar quase 13%

O Brasil, maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, deverá registrar uma safra significativamente menor em 2026/27.

A estimativa da Fundecitrus aponta produção de 255,2 milhões de caixas de 40,8 quilos no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. O volume representa uma redução de 12,9% em relação à safra anterior, que alcançou 292,9 milhões de caixas.

O principal fator por trás da retração é o avanço contínuo do greening, considerado atualmente a maior ameaça fitossanitária da citricultura brasileira. Além disso, o clima mais quente e seco vem reduzindo o potencial produtivo dos pomares.

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Mesmo com um aumento de 1% no número de árvores produtivas, os rendimentos devem cair de forma expressiva. A projeção indica redução de 17% na quantidade média de frutos por planta, refletindo diretamente na produtividade dos pomares.

Greening provoca perdas bilionárias no campo

O greening continua avançando no cinturão citrícola brasileiro e aumentando os prejuízos aos produtores.

Segundo os dados do relatório, a incidência da doença atingiu 47,6% das árvores em 2025, contra 38% em 2023. A severidade da doença também segue crescendo e deve avançar novamente em 2026.

As perdas associadas ao greening são estimadas em quase 50 milhões de caixas na safra 2026/27, gerando impacto econômico próximo de R$ 1,5 bilhão para os citricultores.

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Além da queda na produção, a doença eleva os custos operacionais devido à necessidade de monitoramento constante, controle intensivo do psilídeo e eliminação de plantas contaminadas.

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O cenário se torna ainda mais complexo diante do aumento dos custos com fertilizantes, defensivos agrícolas e mão de obra, comprimindo as margens dos produtores.

Mudanças climáticas reduzem tamanho dos frutos

Outro fator que vem afetando a produtividade dos pomares brasileiros é a alteração no comportamento climático.

Temperaturas mais elevadas e períodos de estiagem durante fases críticas do desenvolvimento das plantas têm reduzido a participação da primeira florada, tradicionalmente responsável pelos frutos maiores e de melhor rendimento industrial.

Com isso, cresce a dependência de segunda, terceira e até quarta floradas, que produzem frutos menores e mais leves. O resultado é uma necessidade maior de frutas para completar cada caixa colhida e uma menor eficiência industrial na produção de suco.

Produção mundial também perde força

A redução da safra não é exclusividade do Brasil.

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A Rabobank projeta que a oferta global de suco de laranja industrializado cairá de 1,34 milhão para aproximadamente 1,16 milhão de toneladas em 2026/27.

Outros importantes fornecedores internacionais também enfrentam dificuldades produtivas. México, Flórida e União Europeia deverão registrar quedas relevantes na produção, contribuindo para a retração da oferta mundial.

Mesmo assim, a menor disponibilidade de produto não será suficiente para impulsionar os preços de forma significativa.

Consumo global continua em queda

Enquanto a oferta diminui, o mercado enfrenta outro desafio: a retração do consumo.

Segundo o estudo, os preços internacionais do suco concentrado congelado de laranja (FCOJ) recuaram cerca de 60% desde os picos registrados em 2024. Apesar disso, os preços ao consumidor permanecem próximos dos níveis recordes observados nos principais mercados, especialmente Estados Unidos e Europa.

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Esse descompasso entre os preços internacionais e os valores praticados no varejo vem reduzindo o volume de compras por parte dos consumidores.

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A projeção da Rabobank é de nova retração de 3% na demanda global durante a safra 2026/27. Caso a estimativa se confirme, o consumo mundial terá acumulado queda de aproximadamente 40% nos últimos dez anos.

A inflação dos alimentos, os elevados custos de energia e a busca dos consumidores por alternativas mais acessíveis continuam limitando a recuperação do mercado.

Estoques elevados devem pressionar preços

Mesmo com a redução da produção, a demanda mais fraca deverá permitir novo aumento dos estoques globais de suco de laranja.

As projeções indicam que os estoques finais poderão alcançar cerca de 490 mil toneladas em equivalente FCOJ ao final da safra 2026/27, o maior nível dos últimos sete anos.

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Esse cenário dificulta uma recuperação sustentável dos preços internacionais e aumenta a pressão sobre toda a cadeia produtiva.

Em São Paulo, os preços da laranja já refletem esse ambiente de mercado. As negociações no mercado spot estão abaixo de R$ 30 por caixa, patamar muito distante dos valores superiores a R$ 100 registrados durante 2024.

Para muitos produtores, os preços atuais já operam abaixo dos custos de produção.

Perspectiva preocupa citricultores e indústria

A combinação entre produção menor, consumo em retração e estoques elevados desenha um cenário de margens apertadas para a citricultura mundial.

Segundo a Rabobank, caso os preços permaneçam deprimidos por um período prolongado, poderá haver desaceleração nos investimentos, adiamento de projetos de expansão e até redução de áreas cultivadas em algumas regiões produtoras.

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Além disso, a menor rentabilidade pode comprometer os investimentos necessários para o controle do greening, ampliando os riscos para a sustentabilidade da produção brasileira no longo prazo.

Diante desse contexto, a safra 2026/27 deverá ser marcada por desafios significativos para produtores, indústrias processadoras e exportadores, exigindo eficiência operacional, gestão de custos e avanços no combate às principais ameaças fitossanitárias da citricultura nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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