AGRONEGÓCIO
Leilão de Pepro do arroz movimenta mais de 100 mil toneladas e Federarroz defende novo edital para redistribuição de volumes
O leilão de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) para o arroz, realizado nesta terça-feira (5) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foi avaliado como positivo pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). A operação resultou na comercialização de 103,405 mil toneladas, dentro de uma oferta total de 350,785 mil toneladas.
Segundo a entidade, o mecanismo cumpriu o papel de estimular o escoamento da produção em um momento de baixa liquidez no mercado, contribuindo para destravar negociações em regiões produtoras estratégicas.
Fronteira Oeste lidera demanda e esgota oferta
A maior procura pelo Pepro foi registrada na região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, que comercializou integralmente o volume ofertado, de 57,505 mil toneladas. Também foram negociadas 20,9 mil toneladas no lote que engloba Campanha, Região Central e Planície Costeira Externa, além de 25 mil toneladas em Santa Catarina.
O desempenho reforça o papel da política pública como instrumento de apoio à comercialização em cenários de preços pressionados ou distantes dos níveis mínimos estabelecidos.
Escoamento ganha fôlego em mercado travado
De acordo com a Federarroz, o resultado do leilão contribuiu para movimentar um mercado que vinha operando de forma lenta. O volume negociado, somado à participação de Santa Catarina, é considerado relevante para aliviar estoques e melhorar o fluxo de comercialização nas principais regiões produtoras do país.
A entidade destaca que o Pepro se mostrou eficiente ao incentivar a saída do produto, especialmente em áreas com maior necessidade de escoamento.
Distribuição regional dos volumes entra no radar
Apesar da avaliação positiva, a Federarroz aponta a necessidade de ajustes na distribuição dos volumes ofertados por região. Parte da oferta não foi integralmente absorvida em determinadas localidades, enquanto outras registraram forte demanda.
Na avaliação da entidade, o excedente de regiões com menor procura poderia ser redirecionado para áreas com maior necessidade, como a Fronteira Oeste, otimizando a efetividade da política.
Setor aguarda novo edital para ajustes
Diante desse cenário, a expectativa é pela publicação de um novo edital que permita o remanejamento dos volumes não utilizados. A proposta é redistribuir a oferta, priorizando regiões com maior liquidez e demanda pelo mecanismo.
Além disso, há expectativa de ampliação da participação de outras regiões produtoras, como a Zona Sul e a Planície Costeira Interna, acompanhando a evolução do mercado local.
Pepro segue como ferramenta estratégica da PGPM
O Pepro é um dos principais instrumentos da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), sendo utilizado para equalizar a diferença entre o preço de mercado e o preço mínimo estabelecido pelo governo. O objetivo é garantir renda ao produtor e estimular a comercialização em momentos de pressão sobre os preços.
No leilão realizado, a operação contemplou produtores rurais e cooperativas de estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Alagoas e Sergipe, com foco na safra 2025/2026.
Perspectivas para o mercado de arroz
A avaliação do setor é de que novas rodadas do Pepro podem ampliar o impacto positivo observado neste primeiro leilão, desde que acompanhadas de ajustes na distribuição regional e alinhamento com a dinâmica de oferta e demanda.
Com o mercado ainda em processo de recuperação, a continuidade de políticas de apoio à comercialização deve seguir como fator relevante para o equilíbrio do setor arrozeiro brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Soja recua na Bolsa de Chicago com petróleo em queda, avanço do plantio nos EUA e ajuste técnico do mercado global
Os preços da soja encerraram esta quarta-feira (6) em queda na Bolsa de Chicago, acompanhando o forte recuo do petróleo e do óleo de soja, além de ajustes técnicos após recentes ganhos. O mercado global segue sensível a fatores geopolíticos, climáticos e de oferta, mantendo alta volatilidade nas cotações.
No pregão, os contratos futuros registraram perdas entre 7 e 12 pontos. O vencimento de julho ficou próximo de US$ 12,04 por bushel, enquanto o agosto foi negociado a US$ 11,97. O movimento negativo foi influenciado principalmente pela queda superior a 2,5% no óleo de soja, que acompanha a desvalorização do petróleo no mercado internacional.
O cenário externo também teve forte impacto. Informações indicando avanço em negociações entre Irã e Estados Unidos para um possível acordo de cessar tensões no Oriente Médio pressionaram o petróleo, que caiu mais de 10% no WTI e cerca de 9% no Brent. A retração energética acabou contaminando diretamente o complexo da soja.
Plantio nos Estados Unidos avança acima da média e reforça pressão baixista
Além do fator geopolítico e energético, o mercado foi pressionado pelo avanço acelerado do plantio da safra norte-americana.
Segundo dados do setor, o plantio de soja nos Estados Unidos já atinge cerca de 33% da área prevista, acima da média histórica de 23% para o período. O ritmo mais rápido do que o esperado reforça a perspectiva de boa oferta futura, contribuindo para a queda dos preços.
No lado da demanda, também houve sinal de enfraquecimento: as importações de soja pela União Europeia recuaram 8,5% na safra atual. Ainda assim, o Brasil mantém liderança no fornecimento ao bloco, com 4,74 milhões de toneladas embarcadas, à frente dos Estados Unidos.
Brasil avança na colheita e mercado interno segue pressionado por câmbio e logística
No Brasil, a colheita da soja está praticamente concluída, atingindo 94,7% da área nacional, o que reduz o suporte de oferta limitada no curto prazo.
No Rio Grande do Sul, o avanço chega a 79% dos 6,62 milhões de hectares, mas o estado enfrenta desafios climáticos. Chuvas intensas em regiões como Capão do Cipó causaram erosão e dificultaram o acesso de máquinas. Em Santa Rosa, a produtividade média estimada é de 2.350 kg/ha, abaixo da média estadual de 2.871 kg/ha.
No mercado físico, a saca no porto de Rio Grande foi cotada a R$ 130,00.
Em Santa Catarina, a demanda das cadeias de proteína animal sustenta os preços, com o porto de São Francisco do Sul registrando R$ 131,00 por saca, alta de 1,39%.
No Paraná, a produção é estimada em 22,04 milhões de toneladas, crescimento de 4% em relação ao ciclo anterior, mas os preços seguem cerca de 6% abaixo de 2025, pressionados pela valorização do real frente ao dólar.
Já em Mato Grosso do Sul, o mercado se manteve estável, com Campo Grande a R$ 115,00 por saca, enquanto os fretes para portos do Sul registraram alta de até 10%, elevando os custos logísticos.
Mercado da soja segue volátil e atento ao clima e à geopolítica
Mesmo com o recuo desta sessão, o mercado da soja permanece em ambiente de forte volatilidade. O comportamento dos preços segue condicionado ao avanço do plantio nos Estados Unidos, à evolução do clima no Corn Belt, às tensões geopolíticas e ao desempenho do petróleo.
Analistas destacam que os investidores continuam ajustando posições enquanto aguardam novos direcionadores mais consistentes para o mercado global de grãos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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