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AGRONEGÓCIO

Mercado da soja vive semana decisiva com dólar forte, clima nos EUA e demanda aquecida pela China

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O mercado da soja iniciou a semana em um ambiente de forte movimentação, reunindo fatores que influenciam diretamente os preços e as estratégias de comercialização no Brasil. A valorização do dólar frente ao real, a preocupação com o clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos, o fortalecimento da demanda internacional — especialmente da China — e os gargalos logísticos internos colocam o setor em um momento decisivo para produtores, cooperativas, tradings e indústrias.

Enquanto a Bolsa de Chicago registra forte alta impulsionada pelas condições climáticas norte-americanas, o mercado brasileiro continua favorecido pelo câmbio, que amplia a competitividade da soja nacional e estimula novos negócios de exportação.

Dólar fortalece competitividade da soja brasileira

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que a demanda pela soja brasileira permaneceu aquecida durante junho e ganhou ainda mais intensidade no início de julho.

O principal fator é a valorização do dólar, que aumenta a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, melhora os prêmios de exportação e incentiva produtores a anteciparem negócios para a próxima temporada.

Mesmo diante da limitação de janelas de embarque nos portos, os preços internos seguem sustentados. Outro indicativo da força da demanda é a antecipação das negociações para embarques previstos para novembro, movimento considerado bastante adiantado em comparação ao observado na safra passada, quando esse tipo de contrato começou apenas em agosto.

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O cenário reforça o interesse dos compradores internacionais pelo produto brasileiro e amplia as perspectivas para as exportações no segundo semestre.

Clima nos Estados Unidos dispara preços em Chicago

No mercado internacional, a Bolsa de Chicago abriu a semana em forte alta após o feriado da Independência dos Estados Unidos.

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Os principais contratos da soja chegaram a registrar ganhos próximos de 3%, acompanhados por valorização também do milho, trigo, farelo e óleo de soja.

A principal preocupação do mercado é o clima no Corn Belt, principal região produtora norte-americana. As previsões indicam temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal durante um período considerado crítico para o desenvolvimento das lavouras.

As ondas de calor elevam o risco de estresse hídrico nas plantas, principalmente durante as fases de floração e enchimento de vagens na soja e de polinização no milho. Embora a umidade do solo ainda seja considerada satisfatória após as chuvas de junho, investidores acompanham diariamente as previsões meteorológicas, fator que deve continuar determinando o comportamento das cotações nas próximas semanas.

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Mercado entra em fase estratégica para comercialização

Com Chicago operando em níveis elevados e o dólar favorecendo as exportações, analistas avaliam que o mercado da soja atravessa uma das fases mais importantes do ano para definição das estratégias comerciais.

A recomendação é que os produtores avancem gradualmente na comercialização da safra disponível e iniciem mecanismos de proteção para a próxima temporada, evitando concentrar vendas em um único momento.

Também é fundamental acompanhar a evolução do clima nos Estados Unidos durante julho, considerado decisivo para a produtividade das lavouras norte-americanas e, consequentemente, para a formação dos preços internacionais.

Cooperativas e tradings seguem ampliando operações de hedge para reduzir riscos, enquanto cerealistas mantêm compras escalonadas diante da elevada volatilidade do mercado.

Outro fator monitorado é o comportamento da demanda chinesa. Uma eventual intensificação das compras pelo país asiático poderá impulsionar ainda mais os preços internacionais.

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Portos sustentam preços, mas logística segue como desafio

No mercado físico brasileiro, os portos continuam oferecendo suporte às cotações, impulsionados pelos prêmios de exportação e pela valorização cambial.

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No Porto de Paranaguá (PR), a soja alcançou cerca de R$ 137,00 por saca, enquanto o Porto de Rio Grande (RS) operou próximo de R$ 136,50.

Apesar da firmeza dos preços, o setor enfrenta desafios importantes relacionados à armazenagem, logística e acesso ao crédito.

A produção recorde de soja pressiona armazéns e corredores de exportação, principalmente nos estados do Sul e Centro-Oeste. Em Mato Grosso do Sul, o déficit de capacidade de armazenagem continua obrigando parte dos produtores a antecipar vendas, reduzindo seu poder de negociação.

Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a disputa por espaço nos silos aumentou com o avanço da colheita do milho safrinha, enquanto o esmagamento brasileiro segue em ritmo acelerado, ampliando a demanda interna pela oleaginosa.

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Perspectivas permanecem positivas para a soja brasileira

A combinação entre dólar valorizado, demanda internacional consistente, prêmios de exportação elevados e incertezas climáticas nos Estados Unidos mantém um ambiente favorável para a soja brasileira.

Por outro lado, custos logísticos elevados, limitações de armazenagem, crédito mais caro e a elevada volatilidade em Chicago exigem planejamento e gestão de risco por parte dos agentes da cadeia produtiva.

Nas próximas semanas, o comportamento do clima no Meio-Oeste norte-americano, a evolução das compras chinesas e o desempenho do câmbio deverão continuar sendo os principais direcionadores do mercado, podendo definir novos movimentos de alta ou correções nas cotações da soja tanto no mercado internacional quanto no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

AGRONEGÓCIO

Dependência de fertilizantes importados expõe vulnerabilidade do agronegócio brasileiro e pressiona custos no campo

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A elevada dependência de fertilizantes importados segue como um dos principais pontos de vulnerabilidade estrutural do agronegócio brasileiro, mesmo diante da posição de destaque do país no comércio global de alimentos. O tema ganha ainda mais relevância em um cenário de forte oscilação geopolítica e volatilidade nos mercados internacionais de insumos.

A avaliação é de Nivio Domingues, da Samba Export Brazil, especialista no mercado de insumos agrícolas e seus impactos sobre o custo de produção e a formação de preços dos grãos.

Brasil bate recorde, mas segue altamente dependente de importações

Em 2025, o Brasil atingiu a marca de 49,11 milhões de toneladas de fertilizantes entregues ao mercado interno, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O volume representa um recorde histórico para o setor.

Apesar disso, a dependência externa permanece elevada: do total consumido, 43,32 milhões de toneladas foram importadas, o equivalente a 88,2% do mercado nacional.

A concentração é ainda mais crítica quando analisada por nutriente:

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  • Potássio: 97% importado
  • Nitrogênio: 95% importado
  • Fósforo: 75% importado

Até fevereiro de 2026, a Rússia liderava como principal fornecedora individual de fertilizantes ao Brasil, respondendo por 22,1% das compras externas.

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Risco geopolítico afeta planejamento do agro brasileiro

A forte dependência externa expõe diretamente cadeias produtivas estratégicas do agronegócio, como soja, milho, café e proteínas animais, a decisões tomadas fora do país.

O impacto desse risco ficou evidente a partir de 2022, com o início da guerra na Ucrânia, que interrompeu parte do fornecimento de potássio oriundo da Rússia e da Bielorrússia. O episódio acendeu um alerta global sobre segurança de insumos e seu reflexo direto no plantio em importantes regiões produtoras do Brasil, como Mato Grosso e Paraná.

Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir dependência até 2050

Diante desse cenário, entidades do setor produtivo como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a ANDA têm articulado o Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê reduzir a dependência externa para cerca de 50% até 2050.

Entre os principais gargalos, está a baixa produção nacional de nutrientes estratégicos. Atualmente, a Petrobras é a única produtora de nitrogênio em escala industrial no país, enquanto novos projetos de fertilizantes NPK dependem de maior investimento privado e segurança regulatória para avançar.

Fertilizantes já influenciam preço dos grãos e margens do produtor

No comércio internacional, o custo dos fertilizantes já faz parte das negociações globais de grãos, influenciando diretamente a competitividade do Brasil no mercado externo.

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A volatilidade desses insumos se reflete nos preços finais da soja, do milho e do açúcar nos portos brasileiros, ampliando a exposição do produtor rural a fatores que não estão sob seu controle direto.

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Segundo especialistas do setor, a dependência externa cria um efeito cascata sobre toda a cadeia produtiva, impactando desde a decisão de plantio até a margem final do produtor.

Potencial mineral ainda subaproveitado no Brasil

Para analistas do setor, o país ainda não explora plenamente seu potencial mineral estratégico. O exemplo mais citado é a reserva de potássio localizada em Sergipe, considerada uma das mais importantes do hemisfério ocidental.

“O Brasil não é potência agrícola apesar da dependência de fertilizante importado: é potência agrícola que ainda não converteu sua maior reserva de potássio em produção relevante”, avalia Domingues. Segundo ele, avançar nessa agenda teria impacto direto na competitividade das exportações brasileiras nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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