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Reforma tributária pressiona supermercados e pode impactar preços e margens no varejo alimentar

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A regulamentação da reforma tributária entrou em fase operacional com a publicação das novas regras da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). No varejo alimentar, especialmente no segmento de supermercados, o avanço das mudanças acende um alerta para possíveis impactos sobre preços ao consumidor, margens de lucro e estrutura de gestão fiscal das empresas.

O tema ganha ainda mais relevância em um cenário de alta dos alimentos. Segundo o IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas registrou aumento de 1,34% em abril, com alta acumulada de 3,44% no primeiro quadrimestre de 2026, o que eleva a sensibilidade do consumidor a qualquer reajuste no setor.

Varejo alimentar avalia impactos da nova estrutura tributária

A reforma tributária prevê a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI por um modelo unificado baseado na CBS e no IBS. Apesar da proposta de simplificação, empresários do varejo ainda analisam os efeitos práticos da nova sistemática sobre créditos tributários, formação de preços e dinâmica operacional.

Para o especialista em gestão de supermercados e porta-voz da Meta Contabilidade, Márcio Goulart, o setor já enfrenta desafios imediatos de adaptação.

“O supermercadista está diante de uma mudança que afeta diretamente precificação, controle fiscal, margem e tomada de decisão. Não é só entender a nova regra. É saber como ela muda a rotina do negócio e como evitar perda de competitividade nesse processo”, afirma.

Precificação se torna principal ponto de atenção no setor

Nos supermercados, a definição de preços é considerada o ponto mais sensível da operação. Isso ocorre porque o setor trabalha com alto giro de produtos, margens reduzidas e consumidores altamente sensíveis a variações de preços.

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Nesse contexto, qualquer falha na parametrização tributária ou nos sistemas de gestão pode gerar impactos imediatos no caixa das empresas.

Segundo Goulart, há uma percepção inicial equivocada de que a simplificação tributária necessariamente reduzirá custos.

“Existe uma leitura equivocada de que simplificação significa automaticamente redução de custo. Nem sempre será assim na prática operacional. Dependendo da estrutura do negócio, pode haver aumento de pressão sobre margem até a adaptação estar consolidada”, explica.

Transição tributária exige atualização de sistemas e processos

Mesmo com a implementação gradual do novo modelo tributário, o período de transição já exige adequações importantes por parte das empresas.

Entre as principais medidas necessárias estão:

  • Revisão dos sistemas fiscais e contábeis
  • Atualização de softwares de gestão (ERPs)
  • Reclassificação tributária de produtos
  • Ajustes nas políticas de precificação
  • Capacitação das equipes administrativas e financeiras

Na prática, especialistas recomendam que os supermercados iniciem imediatamente a reestruturação interna para evitar inconsistências fiscais e perdas de créditos tributários ao longo da transição.

Pequenos e médios supermercados são os mais vulneráveis

A adaptação ao novo modelo tributário tende a ser mais desafiadora para pequenos e médios supermercadistas, que geralmente operam com equipes reduzidas e menor especialização em gestão fiscal.

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Para Goulart, esse grupo pode sentir os impactos de forma mais intensa.

“O pequeno supermercadista normalmente está focado na operação do dia a dia e nem sempre percebe que uma mudança tributária mal parametrizada pode corroer margem silenciosamente”, afirma.

Segundo ele, muitos negócios só perceberão os efeitos quando houver impacto direto no fluxo de caixa.

Pressão sobre preços pode afetar comportamento do consumidor

O cenário de inflação persistente nos alimentos adiciona mais complexidade ao setor. Com o consumidor cada vez mais sensível a preços, qualquer aumento tende a influenciar diretamente o comportamento de compra, incluindo migração para marcas mais baratas e crescimento de formatos como atacarejos.

Esse movimento intensifica a pressão sobre os supermercados, que precisam equilibrar competitividade, custos operacionais e manutenção de margens em um ambiente tributário em transformação.

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Gestão antecipada será diferencial na adaptação à reforma

Para especialistas, o momento exige planejamento e antecipação estratégica por parte dos empresários do varejo alimentar.

“O empresário que começar a organizar processos, tecnologia e inteligência tributária agora terá mais capacidade de proteger margem, manter competitividade e atravessar a transição com menos impacto operacional”, conclui Goulart.

A tendência é que a capacidade de adaptação ao novo sistema tributário se torne um dos principais fatores de competitividade no setor supermercadista nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Milho sobe em Chicago e mercado brasileiro monitora impacto da safrinha e do dólar

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O mercado brasileiro de milho acompanha com atenção a recuperação das cotações na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (10), movimento que pode incentivar novos negócios no país. Apesar do suporte vindo do cenário internacional e da valorização do dólar frente ao real, a expectativa de entrada mais intensa da segunda safra segue limitando um avanço consistente dos preços no mercado doméstico.

Após uma terça-feira de baixa movimentação comercial, agentes do setor permanecem cautelosos diante do aumento da oferta nacional previsto para as próximas semanas. Compradores seguem abastecidos e aguardam a chegada do milho safrinha, enquanto produtores avançam nas vendas, mas ainda demonstram resistência em aceitar preços considerados pouco atrativos.

Chicago reage antes de relatório do USDA

Os contratos futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago registram alta, impulsionados por um movimento de correção técnica após recentes quedas que levaram as cotações aos menores níveis dos últimos meses.

O contrato com vencimento em julho de 2026 opera em US$ 4,23 por bushel, avanço de 0,83%. O mercado também recebe suporte da valorização do petróleo internacional, reflexo das tensões geopolíticas no Oriente Médio, além do ajuste de posições dos investidores antes da divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

As expectativas do mercado apontam para uma produção norte-americana de 15,991 bilhões de bushels na safra 2026/27, ligeiramente abaixo da projeção divulgada anteriormente. Para os estoques finais da próxima temporada, o consenso indica manutenção em 1,957 bilhão de bushels.

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Dólar fortalece competitividade nos portos

No mercado cambial, o dólar comercial avança para a faixa de R$ 5,19, movimento que contribui para melhorar a competitividade do milho brasileiro destinado à exportação.

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Mesmo assim, operadores relatam que as indicações nos portos ainda permanecem limitadas. Em Santos, as negociações giram entre R$ 64,50 e R$ 68,00 por saca. Em Paranaguá, as referências variam de R$ 64,00 a R$ 68,00 por saca.

Mercado físico segue lento com expectativa da safrinha

Segundo analistas do setor, a principal característica do mercado interno continua sendo a baixa liquidez. Consumidores mantêm postura confortável em relação aos estoques e priorizam compras pontuais, aguardando o aumento da disponibilidade do cereal com o avanço da colheita da segunda safra.

Ao mesmo tempo, produtores continuam comercializando volumes de forma gradual, buscando sustentação para os preços em diferentes regiões produtoras.

Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros encerraram o pregão anterior com poucas oscilações. O vencimento julho de 2026 fechou em R$ 65,26 por saca, enquanto setembro encerrou em R$ 67,46 e novembro em R$ 70,63.

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Rio Grande do Sul mantém mercado firme

No Rio Grande do Sul, o mercado segue relativamente sustentado, mesmo com a colheita praticamente concluída. A liquidez continua reduzida, mas os preços permanecem firmes em diversas regiões.

As indicações variam entre R$ 57,00 e R$ 69,00 por saca, com média estadual próxima de R$ 59,27. A colheita já alcança cerca de 98% da área cultivada, restando principalmente lavouras de agricultores familiares e áreas semeadas mais tardiamente.

Santa Catarina e Paraná enfrentam impasse entre compradores e vendedores

Em Santa Catarina, os negócios seguem limitados pela diferença entre os preços pedidos pelos produtores e os valores ofertados pelos consumidores. Enquanto as indicações permanecem próximas de R$ 65,00 por saca, a demanda trabalha ao redor de R$ 60,00.

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No Paraná, a expectativa de aumento da oferta com a chegada da safrinha continua travando novas negociações. O mercado registra indicações próximas de R$ 65,00 por saca, enquanto compradores operam em torno de R$ 60,00 CIF.

Centro-Oeste sente pressão da oferta

Em Mato Grosso do Sul, os preços oscilam entre R$ 51,38 e R$ 52,50 por saca. Embora a demanda do setor de bioenergia ofereça algum suporte ao consumo interno, a combinação de estoques elevados e postura cautelosa dos compradores limita uma recuperação mais expressiva.

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No Mato Grosso, principal produtor nacional, as referências em Rondonópolis variam entre R$ 47,00 e R$ 51,00 por saca, refletindo a expectativa de forte entrada da produção da segunda safra.

Cenário internacional e colheita serão determinantes

O mercado do milho entra em uma fase decisiva nas próximas semanas. De um lado, a recuperação das cotações em Chicago, a valorização do dólar e possíveis ajustes nos números do USDA podem trazer suporte aos preços. De outro, o avanço da colheita da safrinha brasileira tende a ampliar a oferta disponível, mantendo pressão sobre o mercado físico.

A combinação desses fatores deverá definir o comportamento dos preços e o ritmo das negociações no segundo semestre, período considerado estratégico para produtores, cooperativas, indústrias consumidoras e exportadores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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