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Brasil debate combate ao crime organizado em principal fórum de justiça criminal da ONU

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Viena, 3/6/2026 – O Brasil apresentou, em Viena, na Áustria, o Plano Brasil Contra o Crime Organizado durante a sessão plenária da 35ª Comissão das Nações Unidas sobre Prevenção do Crime e Justiça Criminal (CCPCJ), principal fórum das Nações Unidas para o debate de políticas de prevenção à criminalidade e fortalecimento da justiça criminal. A presença brasileira foi coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), representada pela secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, de 1º a 5 de junho.

Na sessão plenária, a secretária apresentou o Plano Brasil Contra o Crime Organizado, principal política pública do Governo Federal para o enfrentamento das organizações criminosas, e destacou o caráter transnacional de dois de seus eixos: o combate aos fluxos financeiros ilícitos e o enfrentamento ao tráfico internacional de armas.

Durante os debates, Maria Rosa Loula ressaltou que o enfrentamento ao crime organizado exige respostas articuladas entre os países e o fortalecimento de mecanismos multilaterais de cooperação. Segundo a secretária, soluções unilaterais são insuficientes e desconsideram a soberania dos Estados.

“À medida que as redes criminosas operam cada vez mais além das fronteiras, exploram avanços tecnológicos e se apoiam em estruturas logísticas e financeiras transnacionais, respostas efetivas dependem de uma cooperação mais estreita entre os Estados e de mecanismos mais robustos de coordenação entre as autoridades competentes”, afirmou.

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Entre os temas apresentados pelo Brasil estiveram avanços recentes da legislação nacional, como a criação da Ação Civil de Perdimento de Bens, instrumento voltado à recuperação de ativos vinculados a atividades ilícitas, inclusive em casos com elementos transnacionais, e a modernização do Sistema Nacional de Armas (Renarme), que ampliou os mecanismos de rastreabilidade e controle de armas de fogo.

Fórum reúne autoridades de todo o mundo

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Promovida pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a CCPCJ reúne representantes de governos, organismos internacionais e especialistas para discutir estratégias globais de prevenção ao crime, fortalecimento da justiça criminal e cooperação internacional contra organizações criminosas transnacionais.

Além da atuação na sessão plenária, Maria Rosa Loula representou o Brasil em outros debates da programação. Entre os temas abordados, destacou-se o enfrentamento ao tráfico de pessoas, uma das atribuições da Senajus.

Enfrentamento ao tráfico de pessoas

No painel “A Resposta do Sistema de Justiça Criminal ao Tráfico de Pessoas e ao Trabalho Forçado: A Perspectiva dos Tribunais”, a secretária compartilhou experiências brasileiras no combate ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo contemporâneo. Ela ressaltou a necessidade de modernizar as abordagens judiciais para reconhecer formas atuais de exploração humana e defendeu o fortalecimento de provas documentais, digitais, financeiras e contextuais nesses casos.

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Foram apresentadas ainda ações desenvolvidas pelo Brasil, como a implementação do IV Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (2024–2028), além de protocolos de proteção e assistência às vítimas e ações de cooperação internacional com países da América do Sul e parceiros estratégicos.

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“Fortalecer a resposta judicial ao tráfico de pessoas significa garantir que vulnerabilidade não seja confundida com consentimento e que a exploração não permaneça invisível aos olhos da Justiça”, enfatizou a secretária.

Ao longo da agenda em Viena, o Brasil reafirmou seu compromisso com o multilateralismo, o respeito à soberania, a cooperação e a coordenação internacional e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à prevenção e ao enfrentamento do crime organizado transnacional, contribuindo para a construção de respostas conjuntas no âmbito das Nações Unidas.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Acordo entre MJSP e CNJ fortalece compartilhamento de dados na segurança pública

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Brasília, 3/6/2026
– O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) firmaram um acordo de cooperação técnica para ampliar a integração do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP 3.0) aos sistemas nacionais de segurança pública. A parceria busca melhorar o fluxo de informações entre o Poder Judiciário e os órgãos de segurança, tornando o acesso a dados mais ágil, confiável e integrado.

O BNMP 3.0 reúne e organiza, em um único sistema e em tempo real, informações sobre mandados de prisão, alvarás de soltura, medidas cautelares, medidas protetivas e outras restrições de liberdade. Com isso, garante maior precisão no registro e na atualização dos dados utilizados pelas instituições envolvidas.

A medida tem impacto direto na vida dos cidadãos brasileiros ao aumentar a transparência das decisões judiciais e garantir maior segurança jurídica. Por meio do Portal BNMP, por exemplo, qualquer pessoa pode consultar a existência de mandados de prisão, ampliando o acesso à informação e fortalecendo a confiança da sociedade nas instituições públicas.

“Inicialmente, são cerca de 30 peças que integraremos às nossas soluções, enriquecendo nossos bancos de dados, possibilitando uma troca de informações mais célere e eficiente. Isso representa, para o cidadão, maior efetividade: vamos ter agora, em tempo real, os mandados de prisão, as medidas protetivas de urgência. Ou seja, maior efetividade no cumprimento dos mandados de prisão em aberto e nos cumprimentos das medidas protetivas de urgência, além de maior efetividade para o policial da ponta na abordagem”, afirmou o diretor de Gestão e Integração de Informações da Secretaria Nacional de Segurança Pública (MJSP/SENASP/DGI), Joaquim Carvalho Filho.

Além da transparência, o sistema integrado contribui para a proteção dos direitos fundamentais. Como os registros são atualizados em tempo real, reduz-se o risco de prisões indevidas decorrentes de mandados já cumpridos, revogados ou expirados. Da mesma forma, a rápida comunicação de alvarás de soltura evita que pessoas permaneçam privadas de liberdade além do período determinado pela Justiça.

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Proteção às vítimas e enfrentamento à violência contra a mulher

Um dos avanços mais relevantes está relacionado ao enfrentamento da violência doméstica e do feminicídio. O sistema centraliza informações sobre medidas protetivas de urgência, ampliando a integração entre o Poder Judiciário e os órgãos de segurança pública. Essa articulação fortalece a resposta do Estado na proteção de vítimas e se alinha às ações previstas no Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio.

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Também é possível cadastrar vítimas para que sejam notificadas sobre o cumprimento de ordens de prisão ou soltura de acusados e condenados. A medida fortalece a rede de proteção às mulheres e amplia a capacidade de monitoramento dos casos de violência doméstica em todo o país.

Especialistas apontam que a agilidade no compartilhamento dessas informações pode ser decisiva para prevenir novas agressões e garantir respostas mais rápidas das autoridades responsáveis.

Ferramenta estratégica para a segurança pública

A integração do BNMP 3.0 também se tornou um instrumento fundamental para a atuação da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), vinculada à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do MJSP.

Responsável pela coordenação de operações integradas em âmbito nacional, a Diopi utiliza informações do sistema para subsidiar ações de inteligência, planejamento operacional e combate ao crime organizado. O acesso a dados atualizados sobre pessoas procuradas, medidas cautelares e decisões judiciais permite maior precisão na identificação de alvos e na execução de operações conjuntas entre diferentes forças policiais.

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A ferramenta também reduz erros operacionais, já que agentes de segurança podem verificar em tempo real a autenticidade e a validade de mandados judiciais durante abordagens e diligências.

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Integração com o Sinesp amplia capacidade de resposta

Outro fator que reforça a importância do BNMP 3.0 é sua integração com o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), previsto na Lei nº 13.675/2018, que instituiu o Sistema Único de Segurança Pública (Susp).

A integração permite que informações judiciais sejam compartilhadas com diferentes órgãos de segurança pública, ampliando a capacidade de análise e resposta das instituições. Os dados podem ser cruzados com outras bases nacionais, como registros de veículos roubados, boletins de ocorrência e sistemas de inteligência.

O processo é potencializado pelo uso da plataforma Córtex, que possibilita o compartilhamento e a análise de grandes volumes de informações em tempo real. A tecnologia contribui para uma visão mais ampla dos cenários de segurança pública e fortalece a tomada de decisões estratégicas por gestores e operadores.

Segurança reforçada em grandes eventos

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A utilização do sistema também vem sendo considerada um diferencial para a segurança de grandes eventos esportivos e culturais realizados no País. O sistema permite o registro e a consulta de medidas cautelares que impedem determinados indivíduos de frequentar estádios e outros locais de concentração de público.

Com a realização da Copa do Mundo Feminina da Fifa de 2027 no Brasil, a integração entre Justiça e segurança pública ganha ainda mais relevância. O acesso rápido às informações poderá auxiliar na identificação de pessoas sujeitas a restrições judiciais, contribuindo para a prevenção de incidentes e para a proteção dos participantes.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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