Pesquisar
Close this search box.

Embates institucionais

TCE ignora Ministério Público e impõe nova regra que pode paralisar investimentos na Câmara de Cuiabá

O TCE-MT ignora parecer do Ministério Público de Contas e impõe nova regra fiscal à Câmara de Cuiabá. A decisão de incluir aposentadorias no teto de gastos ameaça paralisar os investimentos do legislativo municipal.

Publicado em

Sede do Tribunal de Contas de Mato Grosso, palco da decisão que, ao contrariar o Ministério Público, impôs um novo teto de gastos à Câmara de Cuiabá, com potencial para afetar investimentos.
Sede do Tribunal de Contas de Mato Grosso, palco da decisão que, ao contrariar o Ministério Público, impôs um novo teto de gastos à Câmara de Cuiabá, com potencial para afetar investimentos.

Decisão unânime contraria parecer do Ministério Público de Contas e impacta diretamente o limite de gastos com pessoal do legislativo municipal.

A recente decisão do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) colocou a Câmara de Cuiabá diante de um novo e desafiador cenário orçamentário. Por unanimidade, a corte determinou que as despesas com aposentados e pensionistas devem ser contabilizadas dentro do duodécimo, o repasse mensal de verbas do Executivo, e também no teto de gastos com a folha de pagamento, uma medida que promete redefinir as prioridades financeiras do Legislativo a partir de agora.

A deliberação, formalizada na Resolução de Consulta Nº 13/2025, ocorreu na sessão da última terça-feira, 5 de agosto, e respondeu diretamente a um questionamento feito pela própria presidente da Câmara, Paula Pinto Calil. O relator do processo, conselheiro Waldir Júlio Teis, e os demais membros do colegiado, foram taxativos ao fechar a porta para uma interpretação mais flexível das contas do parlamento cuiabano.

Uma conta que precisa fechar

Na prática, o Tribunal respondeu a duas perguntas cruciais com um sonoro “sim”. Primeiro, confirmou que os custos com inativos e pensionistas vinculados ao Legislativo devem, sim, ser descontados do valor total do duodécimo que a prefeitura repassa. Segundo, estabeleceu que esses mesmos gastos entram no cálculo do limite de despesas com pessoal, conforme prevê a Constituição.

Leia Também:  Polícia prende homem armado após esposa fugir de agressões em Tesouro

Essa decisão funciona como um ajuste de rota forçado. O que antes era tratado como uma despesa à parte, agora passa a competir diretamente com todo o custeio da Casa, desde o pagamento dos servidores ativos até a verba para investimentos e manutenção. A medida exige um planejamento financeiro muito mais rigoroso, pois a margem para manobras orçamentárias ficou significativamente menor.

Advertisement

O embate técnico nos bastidores

O que torna a decisão ainda mais notável é que ela contrariou frontalmente a recomendação técnica do Ministério Público de Contas (MPC). O Parecer nº 1.677/2025, assinado pelo procurador-geral Alisson Carvalho de Alencar, defendia um entendimento diferente, o que revela a complexidade e as divergências jurídicas que cercam a gestão das contas públicas.

Ainda assim, o plenário do TCE-MT, composto pelos conselheiros Sérgio Ricardo (Presidente), Antonio Joaquim, Valter Albano, Campos Neto e Guilherme Antonio Maluf, formou um bloco coeso e votou de forma unânime com o relator. O recado foi claro: as regras de responsabilidade fiscal são rígidas e devem ser aplicadas sem exceções, forçando o Legislativo a se adequar a uma realidade onde cada centavo do seu orçamento precisará ser justificado e encaixado dentro de limites mais apertados.

Leia Também:  SEMA promove trilha guiada no Parque Mãe Bonifácia (06 e 07)

Para entender melhor:

  • Duodécimo: É o repasse mensal e obrigatório de recursos que o Poder Executivo (prefeitura) faz ao Poder Legislativo (câmara) para cobrir todas as suas despesas de funcionamento. O valor é calculado como uma fração (um duodécimo) do orçamento anual.
  • Inativos e Pensionistas: Refere-se aos servidores públicos que já se aposentaram (inativos) e aos beneficiários que recebem pensão por morte de um servidor (pensionistas). A responsabilidade pelo pagamento desses benefícios pode ser do próprio órgão onde o servidor trabalhou.
  • Limite de gastos com pessoal: É o teto máximo, estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que um órgão público pode gastar com a folha de pagamento, incluindo salários e encargos de servidores ativos, aposentados e pensionistas.

 

Quer se informar sobre meio ambiente em MT? Acesse o site www.lupamt.com

COMENTE ABAIXO:

CÂMARA MUNICIPAL DE CUIABÁ

Comissão especial realiza reunião e segue acompanhando investigação de suposto assédio

Published

on

Camile Souza | SECOM Câmara Municipal de Cuiabá
A Comissão Especial de acompanhamento ao caso de suposto assédio cometido por um ex-servidor da Prefeitura de Cuiabá realizou, na tarde desta quinta-feira (12), reunião de trabalho na Câmara Municipal. O colegiado é composto pelas vereadoras Dra. Mara (Podemos), Michelly Alencar (União Brasil) e Maria Avalone (PSDB).
Durante o encontro, as parlamentares discutiram os próximos encaminhamentos da comissão e reforçaram que o grupo segue acompanhando as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
A presidente da comissão, vereadora Dra. Mara, informou que, com o avanço das investigações, a expectativa é que na próxima semana sejam enviados convites para que a vítima e o suspeito possam prestar esclarecimentos à comissão.
“Nós estamos acompanhando as investigações, e provavelmente na próxima semana já teremos uma conclusão da Polícia Civil e faremos convites à vítima e ao suspeito para que a gente possa encerrar junto essa comissão de forma concreta, dando respostas à população”, afirmou a parlamentar.
A vereadora por Cuiabá Michelly Alencar destacou que a comissão especial representa um instrumento importante do Poder Legislativo para acompanhar denúncias dessa natureza.
Segundo a parlamentar, esta é a primeira vez que a Câmara Municipal cria uma comissão com esse formato para tratar de um caso relacionado a suposto assédio.
“A comissão é um instrumento legal do Legislativo que tem a possibilidade de receber esse tipo de denúncia. A investigação parlamentar de inquérito, que é a CPI, não é o foro adequado para casos como violência sexual. Essa é a primeira vez que esta Casa criou uma comissão especial e que a população sabe que a gente pode acompanhar casos como esse com total responsabilidade e transparência.”
Michelly também ressaltou que a iniciativa ocorre em um momento histórico para o Legislativo cuiabano, que conta atualmente com a maior legislatura feminina da história da Câmara.
 
Canal de denúncias
Outro ponto discutido durante a reunião foi a criação de um canal de denúncias, que será lançado em parceria com a Procuradoria da Mulher da Câmara de Cuiabá. A ferramenta será voltada ao atendimento de munícipes, servidores e qualquer pessoa que necessite registrar denúncias ou buscar orientação.
O canal já está disponível por meio do número (65) 99918-6507, que será divulgado pela Câmara Municipal para facilitar o acesso das vítimas e garantir que denúncias possam ser registradas com segurança.
“É importante dizer que um dos pontos fundamentais de deliberação desta Comissão foi o canal criado para denúncias. A Câmara vai liberar para todos e divulgar qual é o número. Então, todas as mulheres que tiverem uma denúncia a fazer, que não estavam se sentindo seguras ou à vontade, este canal será um meio onde essa vítima poderá fazer a sua denúncia, terá um acompanhamento adequado e todo o aparato de segurança da sua denúncia resguardado também”.
COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Defesa Civil prepara cidades de Mato Grosso para seca sob El Niño
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA