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EDUCAÇÃO

MEC e MinC abrem edital para difundir saberes tradicionais

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O Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Cultura (MinC) apresentaram, na terça-feira, 22 de setembro, o edital de Ciclos de Saberes de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares e das Artes. A divulgação ocorreu durante a reunião do pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em Brasília. Na ocasião, também foi anunciado o Observatório de Políticas e Gestão de Cultura nas instituições públicas de ensino superior (Ipes). As inscrições para a chamada pública começarão na sexta-feira, 25 de setembro.

A seleção destina-se a projetos de instituições federais de ensino superior (Ifes) voltados à implementação do Programa Ciclos de Saberes e Conhecimentos Tradicionais e Populares. A iniciativa visa aproximar universidades, escolas públicas e comunidades regionais, promovendo a circulação, a valorização e a transmissão intergeracional de conhecimentos. No MEC, a ação é coordenada pela Secretaria de Educação Superior (Sesu); no MinC, a gestão é realizada pela Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli) em articulação com a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC).

O edital articula política cultural, educação superior, educação básica e extensão universitária, criando um circuito de formação contínua entre a universidade, o território e a escola pública. Ao integrar mestras e mestres como detentores e transmissores de saberes e combinar remuneração, reconhecimento do notório saber, inserção curricular e transmissão intergeracional, a proposta busca fortalecer a diversidade cultural e promover uma relação horizontal entre o conhecimento acadêmico e os saberes tradicionais.

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Entre os objetivos da seleção estão a promoção e difusão dos fazeres das culturas populares brasileiras articulados ao ensino, à pesquisa e à extensão universitária; o fortalecimento do diálogo entre as instituições de ensino, as comunidades regionais e as escolas públicas; e a ampliação do reconhecimento de mestras e mestres como agentes de formação cultural.

Observatório – Na mesma solenidade, foi anunciado o Observatório de Políticas e Gestão de Cultura nas Ipes, fruto de parceria entre a Sefli, a Sesu e o Fórum de Gestão Cultural das Instituições Públicas de Ensino Superior Brasileiras (Forcult). O observatório tem como finalidade produzir dados, indicadores e evidências para qualificar as políticas culturais nas universidades e demais instituições públicas de ensino superior. As metas incluem o mapeamento de grupos artísticos, espaços culturais e cursos de formação na área, além da realização de pesquisas sobre planos institucionais de cultura.

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Programa Ciclos de Saberes – O Programa Ciclos de Saberes e Conhecimentos Tradicionais e Populares com Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares e das Artes conecta a educação superior, a educação básica e os saberes populares. A ação fomenta a inserção de mestras e mestres das culturas tradicionais em atividades acadêmicas de ensino e extensão nas universidades federais, assegurando a remuneração, o reconhecimento do notório saber e a preservação do patrimônio cultural imaterial brasileiro.

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Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Sesu

Fonte: Ministério da Educação

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Curso de Jornalismo da UFMT paralisa atividades por três dias para destravar novo currículo

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Professores e estudantes cobram da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação o envio do novo projeto pedagógico ao Consepe

Professores e estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no campus de Cuiabá, decidiram paralisar as atividades de quarta-feira (23) a sexta-feira (25). A paralisação do Jornalismo da UFMT foi aprovada por 46 votos a quatro em assembleia geral de docentes e discentes realizada em 8 de setembro. O movimento quer que a Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PROEG) libere o novo Projeto Pedagógico do Curso (PPC) para votação no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe).

O novo projeto tramita na universidade desde 2023. Professores e estudantes querem vê-lo aprovado a tempo de a nova matriz curricular ser implementada em 2027.

A assembleia começou com a apresentação do histórico da tramitação e da conjuntura. Em seguida, os participantes votaram a proposta de parar o curso por três dias e usar esse período para ações dirigidas à PROEG.

A pendência das línguas estrangeiras

A pendência apontada pela PROEG é a oferta de inglês e espanhol. A pró-reitoria entende que o novo PPC deve prever as duas línguas como disciplinas obrigatórias na nova matriz, em conformidade com as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) da área.

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O curso tem entendimento oposto sobre a exigência. Mesmo assim, em dezembro de 2025, pediu ao Instituto de Linguagens (IL) da UFMT professores que pudessem assumir as disciplinas. O pedido foi negado.

Para o curso, com a negativa do IL em mãos, a PROEG já teria condições de levar o projeto à votação no Consepe e relativizar a oferta das disciplinas, uma vez que a própria universidade demonstrou não ter como disponibilizá-las.

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A pró-reitoria seguiu outro caminho. Mais de seis meses depois do pedido feito pelo curso, fez ao IL a mesma consulta, e o projeto continuou fora da pauta do conselho.

O que dizem as diretrizes nacionais

As diretrizes do bacharelado em Jornalismo foram instituídas pela Resolução nº 1, de 27 de setembro de 2013, da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. O artigo 5º lista as competências que o concluinte do curso deve desenvolver.

Entre as competências gerais, a resolução inclui “ter domínio instrumental de, pelo menos, dois outros idiomas – preferencialmente inglês e espanhol, integrantes que são do contexto geopolítico em que o Brasil está inserido”.

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O artigo 8º da mesma norma estabelece que as instituições de educação superior “têm ampla liberdade para, consoante seus projetos pedagógicos, selecionar, propor, denominar e ordenar as disciplinas do currículo a partir dos conteúdos, do perfil do egresso e das competências apontados anteriormente”.

Como fazem outras universidades públicas

Para comparar, o curso consultou os currículos de Jornalismo de 27 instituições públicas de ensino superior, 26 federais e uma estadual. De acordo com o levantamento apresentado na assembleia, apenas o curso da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) oferece inglês e espanhol como disciplinas obrigatórias.

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A Universidade Federal do Piauí (UFPI) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) tornam obrigatório só o inglês. Nas demais instituições consultadas, as duas línguas aparecem como atividade de extensão, atividade complementar ou disciplina optativa.

Esse último é o modelo adotado hoje pela UFMT. No curso de Cuiabá, inglês e espanhol constam da matriz como disciplinas optativas.

Tramitação desde 2023

Professores e estudantes consideram a nova matriz curricular fundamental para formar jornalistas e pesquisadores mais atentos às demandas do tempo presente. Enquanto o projeto não é votado no Consepe, a matriz não pode ser implementada.

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Foi a morosidade da tramitação que levou a assembleia a optar pela paralisação.

Como será a mobilização

A assembleia criou três comissões para conduzir o movimento. A primeira cuida da relação com a imprensa. A segunda faz a articulação com as entidades estudantis Infernal, Dacos e Diretório Central dos Estudantes (DCE). A terceira ficou responsável por planejar as ações de quinta-feira (24) e sexta-feira (25).

Nesta quarta-feira (23), das 7h30 às 11h30, docentes e estudantes ficam mobilizados no saguão da FCA, onde projetam e discutem as atividades dos dois dias seguintes. No mesmo horário, a comunidade do curso se coloca à disposição da imprensa para entrevistas sobre a paralisação e a tramitação do projeto.

As ações de quinta e sexta-feira serão definidas a partir do encontro desta quarta. O novo projeto pedagógico continua dependendo de liberação da PROEG para chegar ao Consepe, etapa necessária para que a matriz seja implementada em 2027.

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