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MUNDIAL DE CLUBES

A vitória da paciência: Flamengo supera barreira mexicana

O Flamengo venceu o Cruz Azul por 1 a 0 em jogo truncado pela Copa Intercontinental 2025. Com atuação madura e defesa sólida, o time brasileiro garantiu vaga na final para enfrentar o Real Madrid.

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Flamengo vence Cruz Azul
Equipe rubro-negra celebra a classificação suada para a final do Mundial. Foto: Rogério Florentino

Camisa 10 brilha com dois gols no ‘Dérbi das Américas’, garante premiação milionária e coloca rubro-negro na semifinal da Copa Intercontinental contra egípcios.

O talento individual, por vezes, resolve o que o coletivo não consegue destravar. No Estádio Ahmad Bin Ali, em Al-Rayyan, o Flamengo venceu o Cruz Azul por 2 a 1 nesta quarta-feira (10) e garantiu vaga na semifinal da Copa Intercontinental. Giorgian De Arrascaeta, decisivo e letal, marcou os dois gols que mantêm vivo o sonho do bicampeonato mundial. Agora, o desafio será contra o Pyramids FC, do Egito.

A partida, batizada de “Dérbi das Américas”, opôs o campeão da Libertadores ao vencedor da Concacaf. Embora o placar sugira equilíbrio, o jogo expôs momentos de tensão para o time de Filipe Luís. O Cruz Azul, treinado por Nicolás Larcamón, teve mais posse e volume. Contudo, a eficiência rubro-negra prevaleceu sobre a intensidade mexicana.

Erro fatal e brilho uruguaio

O confronto começou estudado, mas o cenário mudou cedo. Aos 14 minutos, a pressão alta do Flamengo forçou um erro grotesco da defesa adversária. Conforme o relato oficial da partida, “Gonzalo Piovi tentou sair jogando pelo alto, pegou mal na bola e deu no pé de Arrascaeta, de cara para o gol”.

Frio e preciso, o uruguaio não desperdiçou. “O uruguaio só teve o trabalho de driblar o goleiro Gudiño e marcar”, abrindo o placar e tranquilizando a equipe brasileira momentaneamente. Esse lance, aliás, ilustra a temporada mágica do meia, que chegou a “25 bolas na rede em 62 partidas no ano”.

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Mas o Cruz Azul não se abateu. Cinco minutos depois, Rotondi assustou o goleiro Rossi ao chutar da meia-lua, num arremate que “tirou tinta da trave”. A insistência mexicana, portanto, resultou no empate antes do intervalo.

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O empate e o susto

Aos 43 minutos, a defesa carioca falhou na recomposição. O lateral “Jorge Sánchez aproveitou uma bola desviada após cruzamento e emendou um belo chute de fora da área, sem chances de defesa para Rossi”. O 1 a 1 refletia melhor o que acontecia em campo naquele momento.

Pouco antes, o time mexicano já havia balançado as redes. Gabriel Fernández quase marcou de cabeça, mas o lance foi “corretamente anulado por impedimento de Rotondi”. O Flamengo foi para o vestiário precisando, urgentemente, ajustar a marcação no meio-campo.

Tecnologia decide a vaga

O segundo tempo trouxe um ritmo mais cadenciado. O Flamengo, no entanto, parecia esperar uma única bola para definir o confronto. E ela veio. Aos 27 minutos, a genialidade apareceu novamente.

“Acionado em profundidade por Everton Cebolinha, o uruguaio ficou mais uma vez diante de Gudiño e tentou o passe para Bruno Henrique”, narra o registro do lance. A zaga cortou, mas a sorte sorriu para o craque. “A bola voltou no pé do camisa 10, que encobriu o goleiro para recolocar o clube carioca na frente”.

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Houve drama e reclamação. Os mexicanos alegaram que a bola não havia entrado. Porém, a tecnologia interveio imediatamente. “O árbitro Glenn Nyberg mostrou em seu relógio que o sistema de tecnologia apontou que ela cruzou toda a linha”. Era o gol da classificação.

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Para entender melhor: a Copa Intercontinental

A competição substituiu o antigo formato anual do Mundial de Clubes. Dividida em etapas, ela culmina em uma final contra o campeão europeu.

  • Dérbi das Américas: Fase vencida hoje pelo Flamengo.

  • Copa Challenger: A semifinal contra o campeão da África/Ásia/Pacífico.

  • Final: O vencedor encara o campeão da Champions League (neste ano, o PSG).

O próximo desafio

Com a vitória, o Flamengo avança para a Copa Challenger. O adversário será o Pyramids FC, do Egito, que eliminou gigantes como o Al-Ahli. O duelo ocorre já no dia 13 de dezembro, novamente no Estádio Ahmad Bin Ali. Se vencer, o Rubro-Negro encara o Paris Saint-Germain na grande final, dia 17.

Além da glória esportiva, o triunfo engorda os cofres. O clube garantiu pelo menos R$ 16,3 milhões em premiação acumulada no torneio. Mas, para levantar a taça, o time de Filipe Luís precisará de mais do que o brilho solitário de Arrascaeta.

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72% das mulheres assassinadas em Mato Grosso são negras

Sete em cada dez mulheres assassinadas em Mato Grosso em 2024 eram negras: 71 mortes, contra 27 de não negras, segundo o Atlas da Violência 2026. Proporcionalmente à população, a mulher negra também corre mais risco, e o estado é o sétimo do país nesse indicador. Municípios do interior chegam a taxas de mais de quatro vezes a média estadual.

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mulheres assassinadas em Mato Grosso
Municípios do interior de Mato Grosso concentram as maiores taxas de homicídio de mulheres negras do estado — Foto: criada por IA

Taxa de homicídio de mulheres negras é mais de quatro vezes maior em municípios do interior do que a média de Mato Grosso

Sete em cada dez mulheres assassinadas em Mato Grosso são negras. Em 2024, foram 71 mulheres negras mortas no estado, contra 27 não negras: 72% do total. Os números são do Atlas da Violência 2026, feito pelo Ipea com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e se referem a 2024.

A maioria das mulheres assassinadas é negra

A informação mais direta dos dados é essa: a maioria das mulheres mortas no estado é negra. Em 2024, foram 71 mulheres negras assassinadas em Mato Grosso e 27 não negras. As negras somaram 72% das vítimas, quase três a cada quatro. Posto de outra forma, de cada dez mulheres assassinadas no estado naquele ano, sete eram negras.

Negra, aqui, quer dizer preta ou parda somadas, como define o IBGE. Esse peso se repete no país inteiro: no Brasil, 67,5% das mulheres assassinadas em 2024 eram negras, num total de 2.457 mortes.

A diferença não está só no número de mortes. Para comparar lugares com populações diferentes, os pesquisadores usam uma medida chamada taxa: quantas mulheres morrem para cada 100 mil que existem naquele grupo. Serve para colocar cidades e estados de tamanhos diferentes na mesma régua. Em Mato Grosso, essa conta dá 5,4 mortes para cada 100 mil mulheres negras, contra 4,4 entre as não negras.

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A diferença entre 5,4 e 4,4 é de 23%, ou uma morte a mais para cada 100 mil mulheres. Essa taxa de 5,4 também está 35% acima da média do Brasil, que é 4,0. E não é problema deste ano: há 11 anos seguidos Mato Grosso fica acima da média nacional. No longo prazo, porém, o número caiu. Em 2014, a taxa era 7,3; em 2024, 5,4. Uma redução de 26%.

Para o estudo, esse número alto vem da soma de duas heranças antigas no país, o machismo e o racismo.

O risco é muito maior no interior

A média do estado esconde diferenças grandes entre as cidades. Entre 2019 e 2024, foram registradas 424 mulheres negras assassinadas em Mato Grosso. Isso dá cerca de 70 por ano. Mas o risco não é o mesmo em todo lugar.

Quando a conta é feita cidade por cidade, as mais perigosas não são as maiores. A primeira é Porto Esperidião, no oeste do estado: 27,7 mortes por 100 mil mulheres negras por ano, mais de quatro vezes a média estadual, que é 6,0 nesse mesmo cálculo. Depois vêm Ribeirão Cascalheira (25,0), Mirassol d’Oeste (24,4), São José do Rio Claro (23,2), São José dos Quatro Marcos (22,4) e São Félix do Araguaia (18,8). Na prática, nessas cidades uma mulher negra corre um risco várias vezes maior do que a média do estado. Só entraram na lista cidades com cinco ou mais mortes no período, para um caso isolado não distorcer o resultado.

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O quadro vira quando se conta o número puro de mortes. Aí Cuiabá aparece na frente, com 37 em seis anos. Mas a capital é muito maior, então o risco proporcional é menor: a taxa lá é de 2,7, menos da metade da média do estado. Várzea Grande, a segunda maior cidade, tem 2,3. Ou seja, as cidades onde morrem mais mulheres negras não são as cidades onde elas correm mais perigo.

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Das 142 cidades de Mato Grosso, 91 tiveram ao menos uma mulher negra assassinada entre 2019 e 2024. As 51 sem nenhum registro são quase todas pequenas, onde é menos provável que um caso ocorra no período.

Mato Grosso sobe enquanto o país cai

Mesmo com a queda no longo prazo, os anos recentes pioraram. De 2019 a 2024, a taxa de mulheres negras assassinadas subiu 17,4% em Mato Grosso. No Brasil, no mesmo período, ela caiu 4,8%. O estado andou na direção contrária à do país. Em número de mortes, foram 56 em 2019 e 71 em 2024, 15 mulheres a mais, um aumento de 26,8%.

Houve uma melhora em 2024. A taxa caiu de 6,2 em 2023 para 5,4, e as mortes passaram de 75 para 71. Ainda assim, o nível de 2024 segue acima do de 2019, que foi o mais baixo da série. No país, o número quase não mudou nesses anos: 2.468 mulheres negras mortas em 2019 e 2.457 em 2024.

Entre os sete estados mais perigosos

Com a taxa de 5,4, Mato Grosso é o sétimo estado mais perigoso do Brasil para mulheres negras. À frente estão Ceará (7,2), Pernambuco (6,7), Espírito Santo (6,5), Roraima (6,3), Bahia (5,9) e Alagoas (5,9). Logo atrás vem Rondônia, com 5,3.

É também o pior do Centro-Oeste. Os vizinhos ficam bem abaixo: Mato Grosso do Sul tem 3,2, Goiás 3,8 e o Distrito Federal 2,5, todos abaixo da média nacional. As maiores taxas estão no Norte e no Nordeste, e Mato Grosso é a exceção do Centro-Oeste nesse mapa.

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A Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso não divulgou, até o fechamento da matéria, um balanço de feminicídios de 2024 separado por raça. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que usa dados das polícias, está previsto para o segundo semestre e vai permitir comparar os feminicídios registrados pela polícia com os homicídios captados pelo sistema de saúde.

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Fontes e metodologia

Fontes. Os dados nacionais e estaduais vêm do Atlas da Violência 2026, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/Ministério da Saúde) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc/IBGE). O recorte por município foi calculado pela reportagem a partir dos microdados do próprio SIM, com população de referência do Censo Demográfico 2022 (IBGE).

Metodologia. Em ambas as fontes, “homicídio” corresponde aos óbitos por agressão (CID-10 X85 a Y09) e “mulheres negras” à soma de pretas e pardas, definição usada pelo IBGE e pelo Atlas. A proporção de 72% considera as 71 mulheres negras e as 27 não negras registradas pelo Atlas em Mato Grosso em 2024. A taxa por 100 mil habitantes mede quantas mortes ocorrem para cada 100 mil mulheres de um grupo e serve para comparar populações de tamanhos diferentes; as taxas estaduais e nacionais reproduzem o Atlas da Violência 2026 e referem-se a 2024. O ranking por município usa os óbitos registrados no SIM entre 2019 e 2024, por município de residência da vítima, divididos pela população feminina negra de cada município no Censo 2022 e expressos como média anual por 100 mil habitantes; foram considerados apenas municípios com cinco ou mais mortes no período. Os números do SIM são registrados, não estimados, e por isso não coincidem com as estimativas do Atlas, que reclassificam parte das mortes por causa indeterminada. O SIM não tipifica feminicídio: os dados medem homicídios de mulheres, não a categoria penal. Os microdados de 2024 são preliminares e podem ser revisados na consolidação definitiva.

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