Pesquisar
Close this search box.

Tecnologia

Sony encerra discos em 2028 e gera boicote de jogadores de PlayStation

Publicado em

fim da mídia física

Decisão de manter apenas formato digital a partir de janeiro de 2028 motiva o PSBlackout global e aciona debate em órgãos de defesa do consumidor no Brasil

A Sony encerrará a produção de discos para novos jogos de PlayStation em janeiro de 2028, motivando boicotes globais de jogadores que temem perder a propriedade sobre os títulos.

O movimento encabeçado por parte da comunidade levanta um debate sobre o conceito de propriedade no ambiente digital, os impactos na cadeia econômica ligada ao mercado de usados e as vulnerabilidades de usuários com acesso precário à internet. No Brasil, o embate transbordou das redes sociais para a esfera institucional, chegando a mobilizar órgãos como o Procon-SP, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Congresso Nacional.

A decisão oficial, comunicada via blog oficial da Sony Interactive Entertainment no dia 1º de julho de 2026, estipula que a produção de mídias físicas será interrompida para todos os novos lançamentos. Após essa data, os jogos estarão disponíveis apenas na PlayStation Store ou por meio de códigos vendidos em varejistas. A empresa fez a ressalva de que o anúncio não afeta jogos já lançados ou previstos em disco antes de 2028.

Em sua comunicação oficial, a corporação justificou a medida como uma resposta a uma mudança estrutural de mercado, afirmando que ocorre “as consumer preferences and the broader entertainment industry continue to shift away from physical discs to digital”. A Sony descreveu a transição como uma “natural direction” para se adaptar a um cenário onde a preferência por downloads digitais já representa cerca de 80% das vendas de software full-game da empresa, segundo dados de um ano fiscal recente.

Advertisement

A confirmação de que “physical game disc production for all new games releasing on PlayStation consoles will be discontinued starting January 2028” gerou reação imediata dos consumidores, organizados por meio de petições e convocações de greves.

O apagão econômico e de jogabilidade

A mobilização mais drástica registrada até 28 de julho de 2026 é o #PSBlackout. Convocado em 26 de julho pelo grupo de preservação de jogos e defesa do consumidor Does It Play?, o movimento é estruturado como um “apagão econômico e de jogabilidade”.

A orientação do coletivo é para que, entre o domingo, 23 de agosto de 2026, às 19h (hora local), e o domingo seguinte, 30 de agosto, no mesmo horário, os proprietários de PlayStation executem uma “huelga de desconexión de siete días”. As regras estipulam que os usuários desliguem os consoles, não façam login em contas PlayStation, não realizem sessões de jogo em PS4 ou PS5 e suspendam qualquer compra de conteúdo na plataforma.

Leia Também:  Academia Mato-grossense de Letras amplia presença social e aproxima novos públicos

O coletivo afirma que o apagão é uma “dose da própria medicina” aplicada à corporação, desenhado estrategicamente para afetar métricas de usuários ativos e vendas digitais monitoradas pela Sony, tentando minimizar prejuízos aos desenvolvedores de jogos.

Antes desse movimento contínuo de sete dias, jogadores brasileiros já haviam organizado uma “greve digital” pontual em 25 de julho. A ação pedia que os usuários não ligassem os aparelhos durante todo o sábado, focando em impactar o tráfego de rede no dia de maior uso. Além disso, houve registro de cancelamentos em massa de assinaturas do serviço PlayStation Plus e boicotes direcionados a lançamentos digitais específicos, como o jogo Denshattack! para PS5.

Advertisement

A ilusão da propriedade digital e a reação dos fãs

A base das críticas dos jogadores reside na percepção de perda de direitos. A petição intitulada “Don’t Kill the Disc”, hospedada na plataforma Change.org, ultrapassou rapidamente a marca de 100 mil assinaturas, com registros posteriores de veículos apontando números superiores a 346 mil apoiadores.

O texto da petição defende que um disco físico representa um “jogo real” que permite ao consumidor o direito de emprestar, revender, presentear ou repassar a terceiros. Em oposição, os ativistas argumentam que caixas vazias contendo apenas códigos de download representam meras licenças digitais revogáveis. O temor central, alimentado por casos prévios na indústria de entretenimento, é o risco de remoção de conteúdos comprados em cenários de desligamento de servidores ou alteração unilateral de contratos de licenciamento.

Grupos de preservação histórica, como o próprio Does It Play?, alertam que a dependência total do ecossistema digital agrava o desaparecimento de jogos clássicos, citando fechamentos anteriores de lojas virtuais de consoles mais antigos, como o PS3 e o PS Vita.

Repercussão no Brasil: Senacon, Procon e o Congresso

A transição para um modelo 100% digital encontra obstáculos específicos na realidade socioeconômica brasileira. Análises jurídicas recentes destacam que consumidores em regiões com internet precária, bem como aqueles que dependem da economia do mercado de usados, são os mais vulneráveis à medida.

Do ponto de vista legal, o fim da mídia física expõe a estrutura de licenciamento que já vigora no Brasil. Jogos eletrônicos são classificados como softwares (Lei 9.609/98 e o novo Marco Legal dos Jogos Eletrônicos, Lei 14.852/24), cujo uso se dá por contrato de licença. A extinção do disco, portanto, evidencia a dependência do consumidor em relação aos servidores das plataformas.

Advertisement

Diante do anúncio da Sony, houve uma representação formal à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), de autoria da deputada federal Erika Hilton, além de uma manifestação técnica por parte do Procon-SP. Em paralelo, a discussão chegou ao legislativo por meio do Projeto de Lei (PL) 3.612/2026. A proposta discute regras para o desligamento de serviços, exigindo possibilidades de funcionamento offline, liberação de servidores comunitários ou reembolso aos consumidores, além de cobrar maior transparência sobre a dependência de conexão de internet no momento da venda.

Leia Também:  Protetores assinam manifesto contra palestra de biólogo na ExpoPet Cuiabá

Até o dia 28 de julho de 2026, a Sony não recuou formalmente de sua política para 2028 e manteve silêncio diante dos boicotes organizados, ancorando-se publicamente na transição do comportamento de consumo para o formato digital.

Glossário — Entenda os termos técnicos:

  • PlayStation Store / PS Store: Loja virtual oficial da Sony onde os jogos e expansões são comprados e baixados em formato digital.
  • PSN (PlayStation Network): Rede online que conecta os consoles da Sony à internet, permitindo jogos multiplayer, compras e autenticação de licenças digitais.
  • PlayStation Plus (PS Plus): Serviço de assinatura paga da Sony que oferece acesso a jogos multiplayer online e um catálogo rotativo de títulos para download.
  • Live-service (Jogos como serviço): Modelo de negócio em que um jogo recebe atualizações contínuas e monetização a longo prazo, exigindo conexão constante com os servidores da empresa.
  • Senacon: Secretaria Nacional do Consumidor, órgão do Ministério da Justiça do Brasil responsável por planejar e executar a política nacional de defesa do consumidor.

 

Leia também:

“Isso aqui é o matadouro”: vídeo mostra cães mortos e vivos em barracão sem luz do Zoonoses de Cuiabá

Advertisement

EXCLUSIVO:compras pela internet: o guia completo dos direitos do consumidor

EXCLUSIVO:Mato Grosso mata mais mulheres por serem mulheres;revela anunário

EXCLUSIVO: ex-assessor acusa deputado Dr. João de confiscar salários e manter funcionários fantasmas;VÍDEO

Glifosato aparece em 31 de 75 ultraprocessados testados pelo Idec, saiba quais

Advertisement

CONSUMIDOR

Greve da Caixa continua após rejeição da proposta final do banco

Published

on

Cartazes vermelhos de bancários anunciam a greve da Caixa na porta de vidro de agência fechada no Distrito Federal

Plano de saúde dos empregados concentra o impasse, e a Caixa avalia recorrer à Justiça do Trabalho por meio de dissídio coletivo

Os empregados da Caixa Econômica Federal rejeitaram a proposta final apresentada pelo banco e decidiram manter a greve nacional iniciada na quinta-feira (10). Até o fechamento desta reportagem, a greve da Caixa seguia por tempo indeterminado, enquanto as entidades sindicais tentavam retomar as negociações. O principal ponto de divergência é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários.

Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos trabalhadores votaram contra a proposta em assembleia encerrada às 23h de sexta-feira (11). O texto apresentado pela instituição previa mudanças no modelo de custeio do plano de saúde e nas regras de coparticipação.

Caixa avalia dissídio coletivo

Antes da votação, a Caixa afirmou que a proposta era final e indicou que poderia recorrer à Justiça do Trabalho caso fosse rejeitada. O banco deve avaliar o ingresso de um dissídio coletivo, instrumento pelo qual a Justiça do Trabalho estabelece condições para solucionar o impasse entre empregados e instituição.

Apesar da rejeição, a Caixa afirmou que mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos trabalhadores e que pretende buscar um entendimento.

Advertisement

Como a greve da Caixa começou

A paralisação começou na quinta-feira (10), depois que os trabalhadores rejeitaram uma proposta anterior para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das bases sindicais haviam rejeitado aquele texto.

Em São Paulo, no Paraná e em outras regiões, agências amanheceram fechadas no início da greve. Os caixas eletrônicos continuaram disponíveis.

Leia Também:  Pix: recebeu dinheiro de golpe sem saber? Seu saldo pode ser bloqueado e sua conta marcada;entenda

O que a Caixa ofereceu

A proposta rejeitada tinha validade até sexta-feira (11). Ela reunia um prêmio de R$ 3 mil por empregado e o pagamento, em 18 de setembro, do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do próprio prêmio.

No plano de saúde, o banco oferecia elevar de 6,5% para 8% o limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa, antecipar a parcela da empresa referente à 13ª mensalidade de 2028, 2029 e 2030 e pagar valores relativos ao PAMS a partir de 2027. O pacote incluía ainda R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027 e a criação de grupos de trabalho para discutir melhorias na eficiência do plano e novas fontes de financiamento.

As regras propostas para o Saúde Caixa

As mudanças no plano de saúde concentraram a maior parte das divergências. A contribuição dos empregados ficaria entre 2,3% e 4,1% sobre o salário-base, conforme a faixa etária, com cobrança por dependente entre R$ 480 e R$ 660, a depender da idade. O teto anual de coparticipação subiria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil por grupo familiar, com limite de 9% para o grupo familiar e piso de R$ 50 por beneficiário.

Advertisement

A proposta previa também a cobrança de 13 mensalidades, o aumento de R$ 75 para R$ 150 no valor da consulta em pronto-socorro, fora do teto, a isenção de coparticipação em atendimentos por telemedicina e o recadastramento anual obrigatório.

Titulares que atualmente estão fora do plano teriam uma janela de 90 dias para aderir. Após o cancelamento, porém, não seria possível retornar ao Saúde Caixa.

Leia Também:  Greve da Caixa continua após rejeição da proposta final do banco

Atendimento durante a paralisação

A Caixa orienta os clientes a priorizar os canais digitais e remotos enquanto durar a greve: o aplicativo Caixa, o internet banking, o WhatsApp Caixa, o Caixa Tem e os aplicativos Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS. Também seguem disponíveis os caixas eletrônicos, a rede Banco24Horas, as lotéricas e os correspondentes Caixa Aqui.

O atendimento telefônico permanece disponível pelo Alô Caixa, nos números 4004-0104, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-104-0104, para as demais localidades.

Banco do Brasil

A situação é diferente no Banco do Brasil. Na maior parte dos sindicatos, a categoria aprovou uma proposta apresentada pela instituição e trabalhou normalmente na sexta-feira (11). A paralisação permanece em 18 bases sindicais, onde os trabalhadores não encerraram o movimento.

Advertisement

Os próximos desdobramentos dependem da decisão da Caixa sobre o ingresso do dissídio coletivo na Justiça do Trabalho e da tentativa das entidades sindicais de retomar as negociações. Enquanto isso, a greve segue por tempo indeterminado.

 

Leia também:

“Eu não quero tirar a casa de ninguém”, prometeu Abilio Brunini no Vale do Sonho. Um ano e meio depois, a Prefeitura dele derrubou várias casas

EXCLUSIVO-Caso Master: relatório da PF expõe o PDF automático do iPhone; cada captura de tela deixa um rastro que você não vê nem apaga

Advertisement

Conexão MT lança Mapa do Poder MT 2026 com patrimônio de 439 candidatos

EXCLUSIVO:compras pela internet: o guia completo dos direitos do consumidor

EXCLUSIVO:Mato Grosso mata mais mulheres por serem mulheres;revela anunário

EXCLUSIVO: ex-assessor acusa deputado Dr. João de confiscar salários e manter funcionários fantasmas;VÍDEO

Advertisement
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA