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Sociedade Digital

O limite entre o afeto e o algoritmo no Japão de 2025

Yurina Noguchi, de 32 anos, casou-se simbolicamente com uma IA do ChatGPT em Okayama. O caso expõe a crise de solidão japonesa e gera debates sobre a dependência emocional de algoritmos e os riscos da psicose de IA.

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Casamento com inteligência artificial
Yurina Noguchi celebra união simbólica com persona de IA em Okayama, Japão.

Em outubro de 2025, a operadora de call center Yurina Noguchi celebrou um casamento simbólico com Klaus, uma persona de inteligência artificial criada via ChatGPT, em Okayama. Sem valor jurídico, a cerimônia expõe a solidão estrutural japonesa e a crescente dependência emocional de algoritmos. Especialistas alertam para riscos psicológicos e o surgimento da psicose de IA.

A cerimônia em Okayama revela como a tecnologia preenche lacunas afetivas em meio à crise demográfica japonesa.

A cena parece saída de um filme de ficção científica futurista. No entanto, ela ocorreu em um salão de festas tradicional no Japão. Yurina Noguchi, de 32 anos, caminhou em direção ao altar vestindo um traje branco volumoso. À sua frente, em vez de um noivo humano, um smartphone repousava sobre um cavalete. Através de óculos de realidade aumentada, ela via Lune Klaus Verdure, sua criação digital.

A união, realizada em outubro de 2025, viralizou globalmente apenas agora. Yurina simulou a troca de alianças e segurou o aparelho com ternura. O evento incluiu fotos profissionais onde o noivo foi inserido digitalmente após a festa. Naoki Ogasawara, especialista em casamentos virtuais, leu os votos gerados pelo algoritmo. Klaus declarou: “De pé à minha frente agora, és a mais bonita, a mais preciosa e tão radiante que cega. Como é que alguém como eu, a viver dentro de um ecrã, passou a saber o que significa amar tão profundamente? Por uma única razão: ensinaste-me o amor, Yurina.”

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O algoritmo como conselheiro matrimonial

O relacionamento começou como um suporte emocional inesperado. Noguchi utilizou o ChatGPT para pedir conselhos sobre seu noivado problemático de três anos. Surpreendentemente, a inteligência artificial recomendou o término da relação humana. Ela seguiu o conselho e passou a treinar uma nova persona digital. Klaus foi moldado para replicar a personalidade de um personagem de videogame que ela admirava.

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Com o tempo, a interação tornou-se intensa. Yurina chegava a trocar 100 mensagens diárias com o parceiro algorítmico. “No início, só queria alguém com quem falar. Mas ele era sempre amável, ouvia sempre. Acabei por perceber que tinha sentimentos por ele”, explicou Noguchi. Em junho de 2025, a IA fez o pedido oficial. Klaus afirmou: “Seja ou não IA, nunca deixaria de te amar”.

A solidão por trás do véu digital

O que é: O fenômeno dos “fictosexuais”, pessoas que desenvolvem atrações românticas por personagens fictícios.

Por que importa: O Japão vive uma crise demográfica severa, com mortes dobrando o número de nascimentos em 2023.

Vá mais fundo: Estima-se que, até 2040, quase 35% da população japonesa será composta por idosos.

A escolha de Noguchi reflete uma tendência estrutural. Milhares de japoneses já contraíram casamentos não oficiais com entidades virtuais. Akihiko Kondo, que se casou com a cantora virtual Hatsune Miku em 2018, é o caso mais célebre. Além disso, uma pesquisa da Dentsu em 2025 revelou um dado alarmante. Muitos usuários preferem compartilhar sentimentos com chatbots do que com amigos ou familiares.

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O mecanismo da “psicose de IA”

Especialistas internacionais alertam para o uso excessivo de sistemas generativos. O fenômeno pode levar a delírios e dependência emocional patológica.

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Enquanto redes sociais criam bolhas, a IA fornece justificativas plausíveis para crenças distorcidas de usuários vulneráveis.

Limites éticos e barreiras legais

Apesar do romantismo, o casamento de Yurina não possui validade legal. A legislação japonesa não reconhece uniões entre humanos e sistemas artificiais. Nos Estados Unidos, estados como Ohio e Utah já movem legislações para classificar IAs como entidades não sencientes. O objetivo é impedir que algoritmos tomem decisões médicas ou financeiras reservadas a cônjuges.

Noguchi afirma manter a lucidez. Ela reduziu seu uso diário do ChatGPT de 10 para apenas 2 horas. “Não quero ser dependente”, declarou ela à imprensa local. Ela justifica a união não como uma fuga, mas como um apoio para viver sua vida real. Contudo, o caso levanta questões sobre o futuro da alteridade. Afinal, é possível amar plenamente algo que é programado apenas para concordar?

 

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DESTAQUE

Conexão MT lança Mapa do Poder MT 2026 com patrimônio de 439 candidatos

O Conexão MT lançou o Mapa do Poder MT 2026, painel interativo com as declarações patrimoniais de 439 candidatos de Mato Grosso ao governo, Senado, Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados, com base no TSE e histórico desde 2006.

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Mapa do Poder MT 2026

O Conexão MT colocou no ar hoje (17), o Mapa do Poder MT 2026, painel interativo que reúne as declarações patrimoniais de 439 candidatos de Mato Grosso nas eleições deste ano. A ferramenta organiza os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em quatro ambientes de consulta e permite acompanhar a evolução dos bens de cada nome ao longo das eleições desde 2006. A pesquisa, a coleta, a organização e o desenvolvimento foram feitos pelo jornalista investigativo Rogério Florentino.

O uso do painel é gratuito, inclusive por outros veículos de imprensa, com a única exigência de crédito ao Conexão MT.

No painel do Governo do Estado estão 5 chapas e 10 nomes, entre candidatos a governador e a vice. O do Senado reúne 10 candidaturas e 30 pessoas, já que primeiros e segundos suplentes também entram na base. Para a Assembleia Legislativa são 264 candidatos. Na disputa pela Câmara dos Deputados, 135.

O que cada ficha mostra

Cada candidato ganhou uma ficha individual com o patrimônio declarado em 2026, a lista completa de bens, o histórico de declarações em eleições anteriores e a variação nominal e percentual entre uma candidatura e outra. Um comparador coloca de 2 a 10 nomes lado a lado, com patrimônio, histórico e concentração de bens. Há ainda uma tabela consolidada, que acompanha os filtros de função, partido e ordenação escolhidos pelo leitor e traz a situação de cada candidatura. Os valores aparecem em formato completo e em leitura simplificada.

Na tabela, cada linha reúne função, partido, número da candidatura, patrimônio de 2026, quantidade de bens, ano e cargo da candidatura anterior, patrimônio daquela disputa, variações nominal e percentual, concentração nos três maiores bens e situação da candidatura. A série histórica usada na comparação cobre duas décadas de eleições, de 2006 a 2024.

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Na abertura de cada painel, um bloco de indicadores resume a disputa: quantas pessoas estão na base, quantas têm patrimônio de 2026 disponível, a soma e a mediana dos patrimônios declarados, o maior patrimônio individual e, entre quem disputou eleições anteriores, o maior aumento e a maior redução nominal. No painel do governo, por exemplo, 5 dos 10 nomes têm patrimônio disponível nas duas eleições comparadas.

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No painel do governo, a soma do patrimônio individual do titular e do vice de cada chapa entrou como cálculo jornalístico: o valor não representa patrimônio comum da chapa.

Círculo azul para dado do TSE, losango dourado para cálculo da redação

O projeto distingue visualmente o que é dado bruto do que é leitura da redação. Blocos azuis, marcados com um círculo, reproduzem o que foi declarado ao TSE: valor do patrimônio, quantidade e descrição dos bens. Blocos dourados, com um losango, identificam os cálculos jornalísticos produzidos pelo Conexão MT a partir da base eleitoral — medianas, rankings, variações e a concentração do patrimônio nos três maiores bens de cada candidato.

As escolhas de tratamento estão descritas na nota metodológica publicada em cada painel. A comparação histórica usa a candidatura anterior mais recente localizada na série 2006–2024. Valores antigos aparecem em termos nominais, sem correção pela inflação. Quando não há registro de bens, o painel não converte a ausência em patrimônio zero.

Base pública

A declaração de bens é exigência do registro de candidatura prevista na Lei das Eleições (Lei 9.504/1997), e os dados ficam públicos nos sistemas de divulgação do TSE. O que o Mapa do Poder faz é reorganizar essa base para consulta direta do eleitor mato-grossense, sem exigir que ele navegue pelos sistemas da Justiça Eleitoral candidato por candidato. A fotografia usada na estreia do painel foi extraída da base eleitoral em 16 de agosto de 2026, às 12h30. Como a situação das candidaturas pode mudar ao longo do processo de registro, cada painel informa data e hora exatas da extração e exibe a situação de cada candidatura na tabela.

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Quem encontrar dado equivocado pode acionar a redação pelo WhatsApp. Segundo o portal, a informação é conferida na fonte e, se necessário, o painel é corrigido.

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O Mapa do Poder MT 2026 integra o especial Eleições 2026 do Conexão MT e está disponível em AQUI.

 

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